segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A indicação

 

Conforme é do conhecimento geral, o último ex-presidente do país houve por bem indicar um de seus filhos para se candidatar ao cargo de presidente da República.

Antes da indicação do filho para representá-lo, o ex-presidente tinha o dever patriótico de pensar no Brasil, porque não é ético nem moral pessoa afastada da vida pública, por imposição da Justiça, ficar dizendo para os seus seguidores quem vai substituí-lo, ainda mais por pessoa da família, sem os necessários atributos exigidos para o exercício de tão relevante cargo de presidente da República.

Nas circunstâncias, diante de seus problemas perante a Justiça brasileira, o ex-presidente precisaria se afastar das atividades políticas enquanto não se desvencilhar totalmente dessa terrível e preocupante situação.

É evidente que a indicação do filho para representá-lo, na vida pública, tem explicação nada justificável, uma vez que a pessoa indicada já declarou que a sua prioridade condiz com a defesa da anistia para o pai dele.

Isso, por si só, tem o condão de conspirar contra essa espúria indicação, porque ela tem vinculação direta com interesse particular, quando se sabe que o cargo presidencial só tem única e exclusiva finalidade, qual seja, a defesa dos interesses da sociedade, sem qualquer vinculação particular, como tem explicitado o próprio filho do político, que também já declarou que desiste da candidatura em troca da anistia do pai e que ele possa se candidatar ao cargo de presidente do país.

Ou seja, a espúria candidatura se sustenta na barganha vergonhosa da aprovação da anistia, valendo se intuir que a candidatura jamais existiria se também não houvesse a necessidade da anistia para o pai do candidato.

Os brasileiros precisam se conscientizar de que o artificialismo da candidatura em tela se sustenta em completo desprezo aos princípios da ética, da moralidade e da dignidade, em que seu idealizador não tem o menor escrúpulo em formalizá-la, mesmo nas condições claras de conflito de interesse entre o particular e o público.

É preciso ficar muito claro que o apoio dos brasileiros a essa monstruosidade política não condiz com o amor patriótico, quando o Brasil clama pela prática da competência, da moralidade, da dignidade e de outros princípios, na vida pública.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 5 de dezembro de 2025

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