Diante de belas imagens do recinto de
engenho de cana-de-açúcar, mostrando os trabalhos com as caldeiras até a
elaboração da rapadura, da lavra do competente repórter Chico Cobra D’água, eu
escrevi a mensagem a seguir, que mostra um pouco de minhas lembranças das
moagens no sítio Canadá.
Na minha infância, sempre estive envolvido,
acompanhando de dentro do engenho e de perto das atividades desenvolvidas no
duro e difícil trabalho do engenho, tendo vivido passo-a-passo as operações ali
desenvolvidas, desde o corte da cana-de-açúcar, a sua moagem, o cozimento da
garapa e a produção dos produtos pertinentes.
Não à toa que já me denominei, em muitos
textos escritos por mim, de o "menino de engenho", por eu ter tido a
alegria de participar ativamente, como espectador, obviamente, na qualidade de
menino, de toda a engenhosidade da moagem da cana-de-açúcar.
Quem acompanha de dentro ou de perto do
processo da moagem, sabe perfeitamente a importância dos produtos da cana, que
são fruto de muita dedicação a essa importante e maravilhosa arte desenvolvida
no fabrico do mel, cujo caldo que lhe dá origem passa por várias caldeiras,
tudo dosado no tempo de permanência do caldo em cada local, até chegar na
última delas, que é a única caldeira removível, para possibilitar a condução do
mel pronto para a gamela, para o fim do processamento e da feitura da rapadura
ou de outros produtos, que também passam por processo especial até se chegar ao
ponto final.
Na minha avaliação, o trabalho mais penoso
fica por conta do caldereiro, que fica o tempo todo sob intenso calor emanado
do aquecimento das caldeiras, se movimentando no manejo de enorme concha para
mover o caldo, em meticulosa permanência em cada local, cuja combinação de
preparo resulta exatamente no mel, que serve para a feitura, no caso do engenho
do sítio Canadá, da rapadura, da batida, do açúcar mascavo e do alfenim, que
são as delícias resultantes da cana-de-açúcar.
No engenho do Canadá, tinha o saudoso Zé
Alexandre, que, todo ano, com sua habilidade costumeira, se encarregava de
manejar, pacientemente, a sua enorme concha, cuja qualidade do ponto ideal do
mel tinha exatamente a marca ministrado por sua genialidade, no controle da sua
concha mágica.
A verdade é que, vendo as imagens das
caldeiras em efervescência com o caldo da cana, me reporto aos meus saudáveis
tempos de infância, como menino de engenho que fui, e me deparo com as belezas
propiciadas pelas inesquecíveis, saudáveis e divertidas temporadas da moagem,
que foi marco de atividade tradicional do amado sítio Canadá, quando ali
vivia-se em permanentes momentos de contemplação de múltiplas atividades
próprias de importantes fazendas sertanejas.
Parabenizo e agradeço o relevante trabalho
do competente e versátil repórter Chico Cobra D'água, por mais uma valorosa
obra artístico-cultural, enaltecendo as árduas atividades dos engenhos da
moagem da cana-de-açúcar, de grande importância cultural, social e econômica do
Nordeste.
Saudades!
Brasília, em 5 de dezembro de 2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário