segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A moagem da cana-de-açúcar

 

Diante de belas imagens do recinto de engenho de cana-de-açúcar, mostrando os trabalhos com as caldeiras até a elaboração da rapadura, da lavra do competente repórter Chico Cobra D’água, eu escrevi a mensagem a seguir, que mostra um pouco de minhas lembranças das moagens no sítio Canadá.

Na minha infância, sempre estive envolvido, acompanhando de dentro do engenho e de perto das atividades desenvolvidas no duro e difícil trabalho do engenho, tendo vivido passo-a-passo as operações ali desenvolvidas, desde o corte da cana-de-açúcar, a sua moagem, o cozimento da garapa e a produção dos produtos pertinentes.

Não à toa que já me denominei, em muitos textos escritos por mim, de o "menino de engenho", por eu ter tido a alegria de participar ativamente, como espectador, obviamente, na qualidade de menino, de toda a engenhosidade da moagem da cana-de-açúcar.

Quem acompanha de dentro ou de perto do processo da moagem, sabe perfeitamente a importância dos produtos da cana, que são fruto de muita dedicação a essa importante e maravilhosa arte desenvolvida no fabrico do mel, cujo caldo que lhe dá origem passa por várias caldeiras, tudo dosado no tempo de permanência do caldo em cada local, até chegar na última delas, que é a única caldeira removível, para possibilitar a condução do mel pronto para a gamela, para o fim do processamento e da feitura da rapadura ou de outros produtos, que também passam por processo especial até se chegar ao ponto final.

Na minha avaliação, o trabalho mais penoso fica por conta do caldereiro, que fica o tempo todo sob intenso calor emanado do aquecimento das caldeiras, se movimentando no manejo de enorme concha para mover o caldo, em meticulosa permanência em cada local, cuja combinação de preparo resulta exatamente no mel, que serve para a feitura, no caso do engenho do sítio Canadá, da rapadura, da batida, do açúcar mascavo e do alfenim, que são as delícias resultantes da cana-de-açúcar.

No engenho do Canadá, tinha o saudoso Zé Alexandre, que, todo ano, com sua habilidade costumeira, se encarregava de manejar, pacientemente, a sua enorme concha, cuja qualidade do ponto ideal do mel tinha exatamente a marca ministrado por sua genialidade, no controle da sua concha mágica.

A verdade é que, vendo as imagens das caldeiras em efervescência com o caldo da cana, me reporto aos meus saudáveis tempos de infância, como menino de engenho que fui, e me deparo com as belezas propiciadas pelas inesquecíveis, saudáveis e divertidas temporadas da moagem, que foi marco de atividade tradicional do amado sítio Canadá, quando ali vivia-se em permanentes momentos de contemplação de múltiplas atividades próprias de importantes fazendas sertanejas.

Parabenizo e agradeço o relevante trabalho do competente e versátil repórter Chico Cobra D'água, por mais uma valorosa obra artístico-cultural, enaltecendo as árduas atividades dos engenhos da moagem da cana-de-açúcar, de grande importância cultural, social e econômica do Nordeste.

Saudades!

Brasília, em 5 de dezembro de 2025

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