segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

A carta presidencial

 Conforme notícia que circula na internet, o presidente norte-americano teria mandado carta para o último ex-presidente brasileiro, mostrando a sua insatisfação sobre o tratamento que vem sendo dispensado àquele político.

Ele teria dito, na carta, que considera injusto o tratamento submetido ao ex-presidente, tendo sugerido que cessem os ataques aos direitos humanos e às liberdades individuais e democráticas, além de pedir para cessar imediatamente o que ele chamou de ridículo o regime de censura.  

A carta do presidente dos Estados Unidos da América tem a maior significância, em termos de expressão diplomática, em se tratando da relevância da sua autoridade mundial.

Ele tem total direito de se preocupar com a violência aos direitos humanos e às liberdades individuais, mas exclusivamente no âmbito do país governado por ele, que foi eleito para cuidar apenas daquele país e de nenhuma outra nação, menos o Brasil.

Isso significa se intuir que não tem a menor importância a preocupação daquela autoridade com os assuntos fora dos Estados Unidos, mesmo que ela se manifeste nesse sentido, que apenas demonstra recriminável tentativa de interferência em assunto que lhe falta competência.

A carta não esconde a precisa tentativa de intimidação, em forma de intromissão absolutamente sem qualquer juridicidade, visto que o Direito Internacional somente autoriza medidas aplicadas em outros países quando elas estiverem permitidas ou especificadas em acordos, tratados ou em outros instrumentos jurídicos previstos e aprovados pelas nações envolvidas ou entidades internacionais específicos.

É bastante compreensível que a autoridade do país do tio Sam se esforce em ajudar, de alguma forma, o seu amigo brasileiro, mas a estratégia demonstrada na sua carta não poderia ter sido a pior possível, pois há nela tão somente explícita tentativa de intimidação ao estado brasileiro, em notório afastamento aos princípios civilizatórios e diplomáticos, como assim ele deveria se limitar.

 Diante do exposto, parece ficar muito claro que a carta expedida pelo presidente dos Estados Unidos, por não se revestir da padronização jurídica apropriada, somente expõe indevida e inoportuna tentativa de intromissão em assunto de competência privativa do Brasil, não aconselhável, em termos de respeito ao Direito Internacional, não tendo qualquer validade, em termos de relações diplomáticas, cujos reflexos são absolutamente ineficazes.

              Brasília, em 9 de fevereiro de 2026

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