segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Carnaval?

 

Mensagem publicada na internet indaga se “Você é a favor de cancelar o carnaval e investir tudo em saúde?”.

Qual seria o verdadeiro sentido de se cancelar o carnaval, em prejuízo da alegria do povo?

O carnaval ainda é considerado um dos principais festejos populares e por isso mesmo precisa ser, ao contrário, incentivado e festejado, com muita moderação.

Convém, por isso, se manter e apoiar cada vez mais a participação das pessoas nas festas momescas, porque se trata de importante oportunidade de diversão para o povão.

Acontece que a sua promoção deve ser arcada por quem se interessar na sua realização, pagando as despesas pelo divertimento com o dinheiro do próprio bolso.

Agora, nunca o dinheiro público deveria ser destinado para evento que poucos se beneficiam, em prejuízo do resto da sociedade, sem participar da festa.

É importante que o administrador público tenha muita sensibilidade para compreender que os recursos públicos devem, sempre, merecer a devida priorização, somente sendo aplicados em obras e serviços que possam resultar em benefício para a sociedade, especialmente na melhoria da assistência dos serviços de incumbência do poder público.

O poder público existe exatamente para cumprir com a eficiência e a competência inerentes ao gerenciamento da coisa pública, estando sempre atento às principais necessidades da população e não permitindo a farra com os escassos recursos dos sacrificados contribuintes.

A propósito de se propor o cancelamento do carnaval com dinheiro público, eu me lembro, com muita saudade, que os carnavais da minha existência em Uiraúna, nos idos dos anos 60, eram os mais animados e felizes do mundo, em que todos brincavam à exaustão, sem haver um tostão de dinheiro senão dos próprios foliões, que cumpriam e acompanhavam rigorosamente o ritmo dos festejos comandados pelo Rei Momo.

Bons tempos aqueles que não existiam recursos públicos, mas os carnavais eram sempre os melhores em cada ano, todos patrocinados precisamente por quem quisesse brincá-los, evidentemente nos limites das suas posses, em que ia para o salão, com a animação de orquestra, quem tinha dinheiro e os outros brincavam na rua mesmo, onde a folia rolava a todo vapor e na maior animação.

Enfim, a ocasião sugere, muito a propósito, que seja lembrado aos bons e ciosos gestores públicos que os recursos públicos, pelo próprio nome, devem ser vinculados, na sua essência, às atividades que gerem benefício geral para a sociedade e que qualquer outra destinação deles, no caso específico do carnaval, constitui discricionariedade gerencial indevida que caracteriza, em princípio, segundo a avaliação social, gravíssima irregularidade, sob o prisma de não haver resultado em proveito da sociedade, no seu conjunto.

Isso mostra que compete à sensibilidade do gestor público a avaliação sobre a priorização dos recursos existentes, que devem ser canalizados exclusivamente para fins que demandam a satisfação social.

Sim, é preciso se comemorar a alegria do carnaval, diante do vislumbre do extravasar da alegria da maior folia popular da Terra, mas restringindo a participação de recursos públicos, que devem se destinar, com exclusividade, segundo os princípios do bom senso e da sensatez, às obras e aos serviços que possam satisfazer ao interesse da população.

Acorda, Brasil!                  

  Brasília, em 9 de fevereiro de 2026

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