Qual
seria o verdadeiro sentido de se cancelar o carnaval, em prejuízo da alegria do
povo?
O
carnaval ainda é considerado um dos principais festejos populares e por isso
mesmo precisa ser, ao contrário, incentivado e festejado, com muita moderação.
Convém,
por isso, se manter e apoiar cada vez mais a participação das pessoas nas
festas momescas, porque se trata de importante oportunidade de diversão para o
povão.
Acontece
que a sua promoção deve ser arcada por quem se interessar na sua realização,
pagando as despesas pelo divertimento com o dinheiro do próprio bolso.
Agora,
nunca o dinheiro público deveria ser destinado para evento que poucos se
beneficiam, em prejuízo do resto da sociedade, sem participar da festa.
É
importante que o administrador público tenha muita sensibilidade para
compreender que os recursos públicos devem, sempre, merecer a devida
priorização, somente sendo aplicados em obras e serviços que possam resultar em
benefício para a sociedade, especialmente na melhoria da assistência dos
serviços de incumbência do poder público.
O poder
público existe exatamente para cumprir com a eficiência e a competência inerentes
ao gerenciamento da coisa pública, estando sempre atento às principais
necessidades da população e não permitindo a farra com os escassos recursos dos
sacrificados contribuintes.
A
propósito de se propor o cancelamento do carnaval com dinheiro público, eu me
lembro, com muita saudade, que os carnavais da minha existência em Uiraúna, nos
idos dos anos 60, eram os mais animados e felizes do mundo, em que todos
brincavam à exaustão, sem haver um tostão de dinheiro senão dos próprios
foliões, que cumpriam e acompanhavam rigorosamente o ritmo dos festejos
comandados pelo Rei Momo.
Bons
tempos aqueles que não existiam recursos públicos, mas os carnavais eram sempre
os melhores em cada ano, todos patrocinados precisamente por quem quisesse
brincá-los, evidentemente nos limites das suas posses, em que ia para o salão, com
a animação de orquestra, quem tinha dinheiro e os outros brincavam na rua
mesmo, onde a folia rolava a todo vapor e na maior animação.
Enfim, a
ocasião sugere, muito a propósito, que seja lembrado aos bons e ciosos gestores
públicos que os recursos públicos, pelo próprio nome, devem ser vinculados, na
sua essência, às atividades que gerem benefício geral para a sociedade e que
qualquer outra destinação deles, no caso específico do carnaval, constitui
discricionariedade gerencial indevida que caracteriza, em princípio, segundo a
avaliação social, gravíssima irregularidade, sob o prisma de não haver
resultado em proveito da sociedade, no seu conjunto.
Isso
mostra que compete à sensibilidade do gestor público a avaliação sobre a
priorização dos recursos existentes, que devem ser canalizados exclusivamente
para fins que demandam a satisfação social.
Sim, é
preciso se comemorar a alegria do carnaval, diante do vislumbre do extravasar
da alegria da maior folia popular da Terra, mas restringindo a participação de
recursos públicos, que devem se destinar, com exclusividade, segundo os
princípios do bom senso e da sensatez, às obras e aos serviços que possam
satisfazer ao interesse da população.
Acorda,
Brasil!
Brasília, em 9 de fevereiro de 2026
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