segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O poder de Deus

 

Em mensagem religiosa que circula na internet, alguém disse que Deus ajuda aqueles que se esforçam nas vitórias, dando a entender que Ele não estaria ao lado de quem perde, como se houvesse, nesse caso, tomada de posição por parte Dele.

Tenho absoluta convicção de que Deus, por óbvio da sua natureza de absoluto neutralidade de ação espiritual, não tem qualquer interferência nem na vitória nem na derrota dos embates entre os humanos.

As disputas entre as suas criaturas são travadas independentemente da vontade ou deliberação divina, porque isso não é da sua preocupação celestial, quando se sabe perfeitamente que o embate terrestre nasce da exclusiva iniciativa do homem, com o seu instinto natural de poder e domínio, que nunca respeita os limites dos princípios de sensatez e bom senso, próprios da salutar razão humana.

Também não é verdade, por ser absolutamente falsa a assertiva, de que Deus se preocupa com o preparo da vitória, uma vez que isso nunca foi objeto de cogitação nos planos celestiais, com vistas ao preparo de algo para alguém.

Na verdade, é preciso se ter a real ideia de que Deus é aquela entidade espiritual e religiosa suprema, para a qual o homem pode elevar o seu pensamento, em forma de crença, contrita em sublime fé, no sentido de acreditar que Ele será capaz apenas do fortalecimento e do encorajamento quanto ao alcance dos objetivos, em forma de esperança, mais especificamente na consecução dos alvos pretendidos.

Essa maneira de sentimento religioso não significa que Deus seja capaz de permitir nem de preparar absolutamente nada, ficando muito claro que a mensagem em tela não condiz com a verdade verdadeira, diante da impossibilidade material para Ele agir pessoalmente nos casos que somente compete ao homem agir e decidir, evidentemente sem a intervenção direta de Deus.

Em síntese, Deus somente tem o poder supremo da garantia de que, quem acredita nas suas forças espirituais, tudo pode realizar, inclusive mover montanhas, mas apenas por meio de iniciativa e sacrifício pessoais.

Nunca se iludam de que Deus, pessoal e materialmente, permite e prepara algo para alguém, porque isso é totalmente insustentável, à luz da crença religiosa.

Diante desse texto, uma pessoa houve por bem contestar o meu pensamento, tendo escrito o seguinte: “Percebo que és um homem de pouca fé. Então, é natural pensar assim. Já vi grandes cirurgiões rezarem para pedir a Deus guiar suas mãos e sua inteligência para que a cirurgia proceda corretamente. Já li histórias de grandes generais invocar que Deus o ajude. Abraão carregava seus deuses e rezava pedindo graças. Acho que lhe falta Fé e rezar mais.”.

 Em resposta à mensagem acima, eu disse que, ao contrário do que aquela pessoa afirmou, a minha fé é gigantesca.

O que eu disse é pura verdade, no sentido de que, materialmente, Deus não tem condições de realizar nada, de prepara nada.

Agora, Ele pode, sim, “guiar as suas mãos e sua inteligência“, “o ajude”, conceder “graças”, porque tudo isso faz parte do sentimento decorrente da crença no Seu poder espiritual de realizar mediante a consciência humana que Deus habita nas pessoas de fé, quanto à crença na realização do dom emanado pelo ser supremo.

Por fim, eu acrescentei que a mensagem daquela pessoa somente confirma o meu humilde texto e expressa algo que ela jamais poderia dizer sobre o sentimento das pessoas, no sentido de que elas não têm fé e precisam rezar mais, porque esse direito não é devido a ninguém, por razão de respeito à dignidade e à individualidade das pessoas.

Brasília, em 4 de fevereiro de 2026

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