segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Honestidade?

 

Em mensagem publicada na internet, alguém escreveu que “(omiti o nome) vai ficar para a história como o presidente mais honesto que o Brasil já teve.”.

Sim, para que seja verdadeira essa assertiva, que tanto se comenta em forma de orgulho, de que o último ex-presidente do pais foi o mais honesto do Brasil, é preciso que seja apagado do seu currículo político algo extremamente impossível, porque ele teve a pachorra de levar para o seu governo, pasmem, o mais deplorável e desonesto grupo político da história brasileira.

Na campanha eleitoral de 2018, como candidato, ele o cognominou de "velha política", tendo inclusive prometido que jamais negociaria com ele.

Trata-se da sua espúria e pecaminosa associação com o Centrão, que teria sido levado para o seu colo, no Palácio do Planalto, depois das fortes ameaças do seu impeachment pelo Congresso Nacional.

Isso o obrigou a desdizer e quebrar a sua honra de não negociar com o grupo político da promiscuidade, com a certeza de que o cargo presidencial estaria a salvo, como de fato esteve, com a proteção do Centrão.

Vejam que essa decisão implicou necessária e imediatamente, por acordo de "cavalheiros", na liberação de emendas parlamentares e na concessão de cargos públicos, inclusive de ministros, tudo por exigência desse nefasto conjunto de políticos desonestos.

Pode-se até se questionar que não houve quebra da honestidade nisso, porque ele não se apoderou se recursos públicos para si, mas ele decidiu liberar dinheiro do erário para comprar a lealdade e a proteção do Centrão, para ter a garantia pessoal na forma da manutenção do cargo presidencial.

Importa frisar que a irregularidade havida na compra da consciência política do Central teve por propósito investimento em interesse pessoal do presidente do país, sem qualquer implicação com a causa pública, que é exatamente para a qual deve se destinar a verba orçamentária.

Sim, nesse deprimente episódio não há apropriação de recursos públicos para os bolsos do ex-presidente, mas houve gastos desnecessários e indevidos com a espúria aliança com o Centrão e isso caracteriza forma indireta de corrupção, que é o emprego de dinheiro para a solução de assunto pessoal do então presidente do país.

Isso de se dizer sobre o presidente mais honesto não passa de mera ilusão, talvez por força da ideologia política, visto que há fato contando história diferente.

Na verdade, acredita-se que a verdadeira avaliação sobre a honestidade de político, na vida pública, se exige a demonstração de ficha transparente sobre a imaculabilidade do gestor público, vale se dizer sem nenhum registro de desvio de conduta funcional.

Acorda, Brasil!

Diante desse meu texto, um cidadão houve por discordar dele e escrever a mensagem a seguir.

O centrão já faz parte do cotidiano político em qualquer formação de poder até hoje registrado no Congresso Nacional, ou o centrão, ou qualquer outra agremiação em épocas diferentes, mas o que se questiona é a integridade, a honra e o caráter do eterno Presidente Bolsonaro, comparando com a do atual presidente, que é um ESCÁRNIO, tendo sua marca e logotipo engulhado nas entranhas da corrupção hoje e sempre. Então, moral da história, o Presidente Jair Messias Bolsonaro se eterniza como guardião da moral, pois até sua prisão é imoral e ilegal. Pode rasgar a constituição e decretar estado de exceção, imposto pelo STF dentre outras organizações criminosas que nos envergonham.”.

Em resposta à aludida mensagem, eu disse que quem se associa ao Centrão concorda deliberadamente com a desonestidade na política e isso o ex-presidente do país fez de peito aberto.

Quaisquer outros fatos precisam ser analisados à parte, inclusive comparações com outro governo e condenação à prisão dele, porque, em princípio, são outras histórias e outros fatos à margem do quesito honestidade aqui em discussão.

O que importa é que ele se alinhou ao Centrão e não teve vergonha alguma de se lamear na podridão do mesmo chiqueiro.

O mais grave dessa triste história é que as pessoas fanáticas ainda tentam arrumar desculpas ingênuas e desconexas para não aceitação da dura realidade.

Sim, o famigerado Centrão realmente "faz parte do cotidiano político em qualquer formação do poder até hoje registrado no Congresso Nacional", mas, infelizmente ele nunca deixou, em momento algum, de praticar o condenável fisiologismo que tem a marca indelével da vergonha e da falta de escrúpulo, que maculam a dignidade da política, que repudia os homens públicos que se associam a esse grupo de declarados desonestos, como fez o ex-presidente do país, com a cara mais emperobada, para salvar o cargo presidencial.

Caso ele fosse honesto como se apregoa, ele jamais se submeteria aos caprichos do Centrão, tendo preferido, por questão de moralidade e honestidade, enfrentar o processo legal do afastamento do poder, sem se passar pelo presidente que aceitou as exigências espúrias e recrimináveis pelos políticos de verdade, que sabem perfeitamente o valor e a importância do sagrado princípio da honestidade.

É bastante vergonhoso que pessoas se verguem ao sentimento da aceitação do "jeitinho brasileiro", como fez o então presidente do país, para salvar situação pessoal, fazendo, para tanto, uso de dinheiro público, mesmo que isso tenha sido péssimo exemplo para os verdadeiros brasileiros dignos e honestos.

O certo é que só existe uma maneira transparente e indiscutível de honestidade, que é aquela em que há evidente imaculabilidade.

Evidentemente que ainda não convencido sobre os meus argumentos, aquela pessoa disse o seguihte: “Estou falando em caráter e moral entre os dois, o Presidente Bolsonaro sai de cabeça erguida, já o Lula, sai como maior corrupto da história da humanidade.”.

Em resposta, eu disse que não sei por que a necessidade de correlação entre políticos, quando estamos tratando especificamente da honestidade de alguém?

Seria para se tirar proveito, em se tratando da falta de conceito de quem não tem?

O conceito de honestidade se avalia de per si, individualmente, sem envolvimento de outrem, que não serve de parâmetro.

Lembrando que a questão inicial diz o seguinte: (omiti o nome) vai passar para a história como o presidente mais honesto que o Brasil já teve", que é algo contestável, segundo o meu pensamento.

Vê-se que o tema é isolado e precisa ser analisado separadamente, tendo por base apenas aspectos relacionados com o ex-presidente do pais, à vista de seus atos, na vida pública, obviamente não se admitindo indevidas comparações.

Quem sai do governo de cabeça erguida, depois de ter se associado com o Centrão, realmente mostra o seu nível de honestidade, que certamente não é aquele desejável pelos brasileiros dignos e honrados.               

  Brasília, em 8 de fevereiro de 2026

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