O caso
envolvendo o ex-presidente é cada vez ainda mais complexo, porque seus
seguidores, na maioria, têm muita dificuldade para compreendê-lo, de vez que se
imaginam que ele somente se comportou com fidelidade aos princípios
democráticos e republicanos, vale dizer que ele teria observado rigorosamente a
liturgia prescrita para o relevante cargo presidencial.
Pois bem,
o seu erro capital e vital, que deu origem a toda a gigantesca tragédia
impingida ao Brasil e a ele próprio, foi o seu enrosco, em forma de debate
direto com integrantes de outro poder da República, envolvendo críticas e
agressões severas e desnecessárias, não compatíveis com as funções de
magistrado.
Na
verdade, esse notório desvio de conduta funcional culminou com a ira do sistema
dominante, que, em forma de vingança e perseguição, o classificou como
autêntico golpista, a ponto de o julgá-lo e condená-lo à prisão, precisamente
pelo crime de ato golpista, mesmo que ele nunca tenha praticado qualquer ação
capaz de a sua caracterização.
Não que
os atos agressivos do então presidente justificassem qualquer medida em forma
de vingança e sanções, mas isso tem o condão de se intuir que nada mais poderia
respaldar tamanha agressividade por parte do sistema dominante.
Seria
importante que o próprio político tivesse a humildade de reconhecer as suas
fraquezas e os seus erros, se manifestando perante seus seguidores que ele
somente deveria ter cuidado dos assuntos inerentes ao poder Executivo, sem se
imiscuir em matéria de competência de outros poderes da República.
Não
obstante, em se tratando de político aproveitador da situação, mesmo que em se
tratando de medida simplória, mas de altíssima impotência como essa, ela se
torna impensável nas circunstâncias, porque é preferível que os fanáticos
seguidores acreditem na figura da perseguição política, como parece bem
caracterizar isso a história corrente.
Por
derradeiro, frise-se que, no enfrentamento entre poderes, sempre há o vencedor
e o perdedor, sendo vitorioso aquele que tem mais controle dos instrumentos e
da competência, cabendo ao perdedor apenas o louro do reconhecimento do
resultado da contenda inglória.
Enfim,
importa que os brasileiros sempre avaliem o ex-presidente do país pelo conjunto
da sua obra, não somente pelos sucessos e bondades por ele alcançados, mas
também por outros atos por ele praticados contrariamente à conduta do
verdadeiro estadista, principalmente no que se refere à imperiosa observância
da independência dos poderes da República.
Acorda,
Brasil!
Brasília,
em 12 de janeiro de 2026
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