sábado, 3 de janeiro de 2026

Ausência de compaixão

 

Conforme notícia publicada na mídia, o último ex-presidente do país teve alta hospitalar, com recomendação médica de prosseguimento do tratamento domiciliar.

Não obstante, o juiz da corte maior do país negou pedido da defesa, no sentido de o ex-presidente obter prisão domiciliar humanitária, para tratamento médico, tendo determinado que ele, em seguida a alta hospitalar, fosse conduzido para a superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para voltar a cumprir sua pena de mais 27 anos de prisão.

Um filho do político, que é senador e candidato ao cargo de presidente da República, reagiu à aludida decisão, sustentando que o ex-chefe do Executivo precisa de cuidados que não podem ser garantidos em prisão.

O parlamentar alegou que seu pai tem até o risco de ser acometido por AVC, "em função das complicações em sua saúde".

No despacho, o mencionado juiz disse que, "diferente do que alegou a defesa", o quadro de saúde do ex-presidente melhorou.

O filho do ex-presidente sustentou que a decisão está "cheia de sarcasmo. Até quando (o omiti o nome) terá procuração para praticar tortura. Leia o laudo, ser abjeto", em referência ao documento que, segundo ele, é "claro" em apontar que o ex-presidente "precisa de cuidados permanentes que não podem ser garantidos em uma prisão.”.

À toda evidência, esperava-se que o ex-presidente do país, depois de ter submetido a quatro cirurgias, com certa delicadeza, tendo alto do hospital,  pudesse ser tratado com o mínimo de dignidade e humanismo, com direito a continuar a convalescência na sua residência.

Isso era o que se imaginava que iria acontecer, sob o prisma do bom senso e da sensibilidade humanos, caso não existisse o arraigado sentimento de antagonismo que tem sido alimentado em cada etapa desse processo desumano e persecutório, que somente contribui para animalizar as relações humanas.

Queira Deus que as pessoas possam se conscientizar de que a compaixão precisa ter relevância em termos de sentimentos humanos, principalmente em situação que seria simplesmente natural que houvesse o reconhecimento da valorização dos princípios humanitários, independentemente de qualquer desavenças ideológicas, que jamais deveriam ter influência em casos excepcionais envolvendo doenças.   

Enfim, apelam-se por que as pessoas possam privilegiar o importante sentimento de compaixão, como forma de mútua compreensão sobre a grandeza ínsita do ser humano, que não deveria ser prejudicada por razões de puro antagonismo, nas relações sociais.

Brasília, em 3 de janeiro de 2026

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