quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Capitania?

 

Já se encontra pacificado que o último ex-presidente do país indicou um de seus filhos para sucedê-lo na candidatura à Presidência da República, no próximo pleito eleitoral. sem necessidade de consultar ou ouvir ninguém para a sua decisão, em clara demonstração de que ele decide sozinho, em nome do Brasil.  

Em princípio, até pode parecer normal que o ex-presidente do país indique quem ele quiser, inclusive o filho dele para candidatar-se ao cargo mais importante do país, de presidente da República.

Isso sim tem a ver com o império sem o menor sentido, dando a entender que ele é o único dono do cercadinho chamado Brasil, algo que condiz precisamente como se o país fosse uma capitania hereditária, em que a sua direção passa de pai para filho, sem precisar dar satisfação nem respeitar os princípios democráticos, onde neles prevalecem o salutar direito de consulta, opinião e manifestação dos integrantes do partido ou grupo político ao qual ele integra e deve obediência programática.

Em melhor dizendo, a indicação, de moto próprio, do seu filho, o político mostra total desprezo aos saudáveis princípios democráticos e republicanos, quando simplesmente ele ignora todos os conceitos de civilização e cidadania exigido em casos que tais.

Ainda mais quando ele alega essa pérola, segundo a qual: “Trata-se de uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a representação daqueles que confiaram em mim.”.

Com isso, fica muito claro, na mensagem da lavra do político, que ele assume a indicação do filho e justifica, dizendo que ela atende à confiança manifestada por seus admiradores, em ao menos se atentar que, na política, a melhor decisão precisa atender aos anseios dos integrantes partidários.

Ou seja, o político mostra que ele é o centro do poder e acredita que os seus seguidores confiam na indicação de dele, não importando se o candidato preenche os atributos de experiência compatível com as exigências de competência, eficiência e demais capacitação à altura da importância do cargo presidencial.

Como o autor dessa maravilhosa ideia de empurrar de goela abaixo o seu candidato, sem precisar respeitar quaisquer outros interesses ou opiniões, mesmo o mais próximo de todos, que são as causas do Brasil, porque, inexplicavelmente, prevalece a vontade soberana do patriarca.

Com isso, todos os seus “súditos” o aplaudem e ainda o saúdam, na absurda compreensão que teria sido a melhor escolha, em que pese haver nomes com potencial condições de disputar o cargo presidencial.

Isso que aconteceu tem o nome de deformidade política, reprovável e repudiável por aqueles que valorizam e respeitam os saudáveis princípios democráticos, próprios dos países sérios e evoluídos, em termos políticos e republicanos, à vista da imperiosa necessidade do respeito à vontade da maioria dos integrantes partidários.

Em se tratando de candidatura à Presidência da República, é preciso que, como primazia, se leve em conta os interesses nacionais, precisamente o contrário do que fez o ex-presidente do país, que preferiu se antecipar e assegurar, pasmem, a candidatura logo de um filho, sem consultar ninguém, em termo partidário, em clara demonstração de inversão dos sagrados princípios democráticos.

Nas atuais circunstâncias, em que o Brasil atravessa enormes dificuldades estruturais e instituições, seria necessário e importante que fosse escolhido o melhor candidato, por meio de critério o mais justo e imparcial possível, de modo que tivesse a participação nesse processo dos principais nomes com potencial capacidade para melhor contribuir para a superação dos problemas nacionais, mesmo que o escolhido fosse o filho do ex-presidente do país, que teria a justificativa da escolha realmente consciente, legítima e amparada nos princípios democráticos e republicanos.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 13 de janeiro de 2026

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