Já se encontra pacificado que o último ex-presidente do país indicou um
de seus filhos para sucedê-lo na candidatura à Presidência da República, no
próximo pleito eleitoral. sem necessidade de consultar ou ouvir ninguém para a
sua decisão, em clara demonstração de que ele decide sozinho, em nome do Brasil.
Em princípio, até pode parecer normal que o ex-presidente do país
indique quem ele quiser, inclusive o filho dele para candidatar-se ao cargo mais
importante do país, de presidente da República.
Isso sim tem a ver com o império sem o menor sentido, dando a entender
que ele é o único dono do cercadinho chamado Brasil, algo que condiz
precisamente como se o país fosse uma capitania hereditária, em que a sua
direção passa de pai para filho, sem precisar dar satisfação nem respeitar os
princípios democráticos, onde neles prevalecem o salutar direito de consulta,
opinião e manifestação dos integrantes do partido ou grupo político ao qual ele
integra e deve obediência programática.
Em melhor dizendo, a indicação, de moto próprio, do seu filho, o
político mostra total desprezo aos saudáveis princípios democráticos e
republicanos, quando simplesmente ele ignora todos os conceitos de civilização
e cidadania exigido em casos que tais.
Ainda mais quando ele alega essa pérola, segundo a qual: “Trata-se de
uma decisão consciente, legítima e amparada no desejo de preservar a
representação daqueles que confiaram em mim.”.
Com isso, fica muito claro, na mensagem da lavra do político, que ele
assume a indicação do filho e justifica, dizendo que ela atende à confiança
manifestada por seus admiradores, em ao menos se atentar que, na política, a
melhor decisão precisa atender aos anseios dos integrantes partidários.
Ou seja, o político mostra que ele é o centro do poder e acredita que os
seus seguidores confiam na indicação de dele, não importando se o candidato
preenche os atributos de experiência compatível com as exigências de
competência, eficiência e demais capacitação à altura da importância do cargo
presidencial.
Como o autor dessa maravilhosa ideia de empurrar de goela abaixo o seu
candidato, sem precisar respeitar quaisquer outros interesses ou opiniões,
mesmo o mais próximo de todos, que são as causas do Brasil, porque,
inexplicavelmente, prevalece a vontade soberana do patriarca.
Com isso, todos os seus “súditos” o aplaudem e ainda o saúdam, na
absurda compreensão que teria sido a melhor escolha, em que pese haver nomes
com potencial condições de disputar o cargo presidencial.
Isso que aconteceu tem o nome de deformidade política, reprovável e
repudiável por aqueles que valorizam e respeitam os saudáveis princípios
democráticos, próprios dos países sérios e evoluídos, em termos políticos e
republicanos, à vista da imperiosa necessidade do respeito à vontade da maioria
dos integrantes partidários.
Em se tratando de candidatura à Presidência da República, é preciso que,
como primazia, se leve em conta os interesses nacionais, precisamente o contrário
do que fez o ex-presidente do país, que preferiu se antecipar e assegurar,
pasmem, a candidatura logo de um filho, sem consultar ninguém, em termo
partidário, em clara demonstração de inversão dos sagrados princípios
democráticos.
Nas atuais circunstâncias, em que o Brasil atravessa enormes
dificuldades estruturais e instituições, seria necessário e importante que
fosse escolhido o melhor candidato, por meio de critério o mais justo e
imparcial possível, de modo que tivesse a participação nesse processo dos
principais nomes com potencial capacidade para melhor contribuir para a
superação dos problemas nacionais, mesmo que o escolhido fosse o filho do
ex-presidente do país, que teria a justificativa da escolha realmente
consciente, legítima e amparada nos princípios democráticos e republicanos.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 13 de janeiro de 2026
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