sábado, 31 de janeiro de 2026

Carnaval

Conforme notícia veiculada em importante site de Uiraúna, Paraíba, um parlamentar destinou o valor de R$ 650 mil para a realização do carnaval.

Essa medida despertou em mim a lembrança da importante máxima popular segundo a qual governar é estabelecer prioridades.

Será então que entre as prioridades de Uiraúna estaria o carnaval ou não teriam outros projetos e obras na linha do que tem urgência para a satisfação dos interesses da população?

Que bom que o carnaval mereça a cobertura de substanciais recursos públicos, em quantia bastante representativa, evidentemente na certeza de que têm recursos sobrando para outros programas sociais do município, como a saúde, o saneamento, entre outros.

Não obstante, o momento é oportuno para se indagar se está havendo recursos suficientes para a conclusão do hospital, que vem se arrastando já há algum longo tempo, possivelmente por escassez de recursos?

Sim, não se pode olvidar que carnaval é o ópio do povão e faz parte da cultura de um povo, que até justifica a sua realização, como nos tempos idos, quando o povão fazia e bancava a própria folia, vale dizer, sem verbas públicas.

Na essência, carnaval é de suma importância para o povo, mas a prioridade, sem dúvida alguma, deve ser a conclusão do hospital, que, no momento, está acima de qualquer programa social de governo, à vista da carência da prestação de serviços médico-hospitalares de qualidade.

E olha que o bom senso e a racionalidade acenam que o expressivo valor de R$ 650 mil, na pior das hipóteses, ajudaria de forma substancial, no adiantamento das importantes fases de construção do hospital ou na aquisição de equipamentos, salvo se já tenha recursos sobrando, que parece que até parece ser o caso, tanto que não falta recursos para os foliões se divertirem às custas dos conformados contribuintes.

Certamente que a população não ficaria magoada, com a gestão pública, se houvesse o honesto e devido esclarecimento sobre a verdade de que somente haverá recursos para a festa momesca quando o município estiver resolvido todas as pendências de prioridades elencadas da população, com destaque para a saúde pública, com a construção do hospital e o seu aparelhamento.

Não se quer dizer com essa manifestação, porque eu apenas disse o óbvio, que, pessoalmente, eu seja contra a realização do carnaval com recursos públicos, em absoluto, porque se trata da maior festa popular, mas quero afirmar que sou a favor da priorização da aplicação do dinheiro do explorado contribuinte, justamente à vista da realização da festa popular com emprego de recursos públicos que seriam, sob o prisma do bom senso, muito mais bem destinados para obras de interesse essencial da sociedade.

Salve a brincadeira, em pleno século XXI, de se torrar dinheiro público na fogueira dos festejos momescos!

Brasília, em 28 de janeiro de 2026

  

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