A
indicação do filho para a sucessão na política tem as coesas características da
confirmação da condenável decadência ética e moral, ante a marca indelével da prevalência
do reprovável conflito de interesse, à vista da evidência do traço autoritário
de decisão monocrática em nome dos interesses visivelmente pessoais, com
desprezo às causas nacionais.
À toda
evidência, trata-se de o Brasil com a cara do Brasil, onde, ao meio de preocupante
e violenta crise institucional, que exige a união dos brasileiros visando ao
lançamento de candidato que melhor possa corresponder às expectativas de
enfrentamento das gravíssimas questões nacionais, aparece a truculência de
alguém que se julga dono dos votos de importante parcela de brasileiros a
indicar o próprio filho, dizendo que ele vai representá-lo, como se isso
pudesse resolver a terrível situação estrutural brasileira.
O mínimo
de bom senso e sensatez certamente acenaria que essa não era exatamente a
decisão que se esperava para a superação dos problemas nacionais, considerando
que existem outros nomes da direita, que têm muito mais experiência político-administrativa
que o filho do ex-presidente.
Na
decisão em apreço, esse fato foi completamente desprezado, por primazia de
projeto político de única pessoa, que, queira ou não, tem sido o principal alvo
das crises predominantes no Brasil, quando os fatos deploráveis começaram
precisamente a partir do seu desvio das funções presidenciais, para se imiscuir
na competência de outro poder da República, com direito de criticar e agredir,
de forma severa, em se tratando de assunto que ele poderia ter resolvido
tranquilamente, por meio de medida legislativa da sua competência
constitucional.
O certo é
que a incompetência, a arrogância, a intolerância e a deseducação mereceram o
apoio de seguidores do político, que aplaudiram a descortesia no enfrentamento
absolutamente sem causa, cujo resultado foi o pior possível para os interesses
nacionais também pessoal, ao se permitir que o país voltasse a ser presidido
pela classe política mais incompetente, desonesta e desmoralizada jamais
conhecida, conforme mostram os fatos.
O
político que indica o próprio filho para sucedê-lo deveria ter a humildade para
reconhecer que isso fere e agride de morte os salutares princípios
democráticos, que têm a faculdade de se permitir a conscientização de que o
exercício do poder emana do povo e em seu nome será exercido.
Essa
sábia lição é válida também e especialmente para a indicação de candidato a carto
eletivo relevante, que jamais deveria partir de única pessoa, como se ela fosse
a própria antidemocracia, por menosprezar claramente o direito de participação
de outros candidatos, possivelmente até com maior experiência na política e na
administração.
Enfim, o
momento é oportuno para se mostrar aos eleitores que a verdadeira democracia é
aquela em que todos têm direito de manifestação e participação no processo
eleitoral, a partir da indicação do candidato ao relevante cargo presidencial,
com embargo da vergonhosa manobra de somente uma pessoa indicar, o seu
candidato, ainda pior sendo pessoa da família, porque isso agride mortalmente o
direito sagrado de cidadania, que é um dos pilares da democracia.
Acorda,
Brasil!
Brasília,
em 30 de dezembro de 2025
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