sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

Golpe à democracia?

 

Conforme vídeo postado na internet, o filho do último ex-presidente do país se apresenta como candidato ao cargo de presidente da República, por indicação do próprio pai.

A indicação do filho para a sucessão na política tem as coesas características da confirmação da condenável decadência ética e moral, ante a marca indelével da prevalência do reprovável conflito de interesse, à vista da evidência do traço autoritário de decisão monocrática em nome dos interesses visivelmente pessoais, com desprezo às causas nacionais.

À toda evidência, trata-se de o Brasil com a cara do Brasil, onde, ao meio de preocupante e violenta crise institucional, que exige a união dos brasileiros visando ao lançamento de candidato que melhor possa corresponder às expectativas de enfrentamento das gravíssimas questões nacionais, aparece a truculência de alguém que se julga dono dos votos de importante parcela de brasileiros a indicar o próprio filho, dizendo que ele vai representá-lo, como se isso pudesse resolver a terrível situação estrutural brasileira.

O mínimo de bom senso e sensatez certamente acenaria que essa não era exatamente a decisão que se esperava para a superação dos problemas nacionais, considerando que existem outros nomes da direita, que têm muito mais experiência político-administrativa que o filho do ex-presidente.

Na decisão em apreço, esse fato foi completamente desprezado, por primazia de projeto político de única pessoa, que, queira ou não, tem sido o principal alvo das crises predominantes no Brasil, quando os fatos deploráveis começaram precisamente a partir do seu desvio das funções presidenciais, para se imiscuir na competência de outro poder da República, com direito de criticar e agredir, de forma severa, em se tratando de assunto que ele poderia ter resolvido tranquilamente, por meio de medida legislativa da sua competência constitucional.

O certo é que a incompetência, a arrogância, a intolerância e a deseducação mereceram o apoio de seguidores do político, que aplaudiram a descortesia no enfrentamento absolutamente sem causa, cujo resultado foi o pior possível para os interesses nacionais também pessoal, ao se permitir que o país voltasse a ser presidido pela classe política mais incompetente, desonesta e desmoralizada jamais conhecida, conforme mostram os fatos.

O político que indica o próprio filho para sucedê-lo deveria ter a humildade para reconhecer que isso fere e agride de morte os salutares princípios democráticos, que têm a faculdade de se permitir a conscientização de que o exercício do poder emana do povo e em seu nome será exercido.

Essa sábia lição é válida também e especialmente para a indicação de candidato a carto eletivo relevante, que jamais deveria partir de única pessoa, como se ela fosse a própria antidemocracia, por menosprezar claramente o direito de participação de outros candidatos, possivelmente até com maior experiência na política e na administração.

Enfim, o momento é oportuno para se mostrar aos eleitores que a verdadeira democracia é aquela em que todos têm direito de manifestação e participação no processo eleitoral, a partir da indicação do candidato ao relevante cargo presidencial, com embargo da vergonhosa manobra de somente uma pessoa indicar, o seu candidato, ainda pior sendo pessoa da família, porque isso agride mortalmente o direito sagrado de cidadania, que é um dos pilares da democracia.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 30 de dezembro de 2025

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