terça-feira, 26 de agosto de 2025

Herói?

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, é descrita a imagem do último ex-presidente do país como verdadeiro salvador da pátria, como se ele tivesse sido verdadeiro paladino, que teria sido o inspirador e iluminador da consciência de muitos brasileiros, de modo que ele tivesse contribuído para a transformação da mentalidade sobre o amor à pátria.

Impressiona sobremodo a maneira estratégica como é apresentada para os seus seguidores a figura do ex-presidente do país, como se ele tivesse sido verdadeiro herói nacional, além de modelo do paladino da democracia e moralidade, o mais competente e corajoso homem público, por ter enfrentado os malfeitores da pátria.

Sim, não há a menor dúvida de que não é sacrifício amar a pátria, mas o amor ao Brasil precisa seguir importantes princípios e condutas de civilidade competência, sensatez, tolerância, responsabilidade e respeito, que são regras fundamentais do verdadeiro estadista.

É evidente que o propósito da mensagem constante do vídeo é mostrar o político perfeito que vem sendo vítima perfeitamente do sistema dominante, tendo que suportar pesadas e injustas investigações. Não obstante, em se tratando de pessoa pública, convém que o seu histórico, perfil de vida política, também tenha os seus atos e procedimentos falhos ou desvios de conduta, posto que a verdade precisa ser, na medida do possível, fidedigna aos fatos realmente acontecidos.

Em primeiro plano, ressalte-se que o político foi eleito sob a promessa de sustentar o pilar da moralidade, que ruiu e espatifou logo no início do seu governo, com a colocação no seu colo do desprezível, recriminável e desmoralizado Centrão, grupo político conhecido por ser símbolo do fisiologismo no Congresso Nacional.

Esse mesmo grupo foi cognominado por ele de “velha política”, justamente por seu histórico de aproveitar de recursos públicos, dizendo que não acreditaria negócio com ele. É preciso ficar claro que a ida do Centrão para o Palácio do Planalto teve por finalidade blindar o presidente do país no Congresso, onde ele era ameaçado de impeachment.

Isso revela o uso de dinheiro público para o atendimento de fins particulares, fato este que caracteriza desvio de finalidade, uma vez que as verbas públicas, no caso de emendas parlamentares e cargos liberados para o Centrão não tiveram destinação ao atendimento das necessidades públicas, mas sim particulares, e isso evidencia a prática de ato corruptivo, ante o claro desvio de finalidade.

No combate à pandemia do coronavírus, o presidente de então não tinha como ser o mais insensível e insensato, ao procurar se imiscuir em todas as medidas de competência exclusiva do órgão com as atribuições institucionais de cuidar da saúde pública, a par de ter contrariado as normas emanadas do próprio governo, como o uso de máscaras, a recusa à vacina, entre tantos péssimos exemplos de rebeldia e indecisões que deveriam ter sido evitados, a vista da relevância do cargo ocupado por ele.

Como forma de total descaso ao combate à Covid-19, foi nomeado, pasmem, um general especialista em suprimentos das unidades do Exército, sem nenhum conhecimento de medicina, que era essencial à melhor compreensão sobre as ingentes questões relacionadas às medidas técnico-especializadas a serem adotadas ou aplicadas no combate à gravíssima crise sanitária.

É muito triste que tantas mortes poderiam ter sido evitadas com a adoção de providências sob os cuidados da discrição, da objetividade e da efetividade, posto que somente foi feito o necessário, quando a gravíssima crise sanitária exigia empenho extremado, não somente por parte do governo, mas também da sociedade, que dependia do incentivo para o engajamento na luta contra pandemia.

Acredita-se que a maior gravidade do desempenho desastroso do político teria sido mesmo a incursão suicida dele na briga feroz contra integrantes de outro poder da República, que aconteceu por todo o seu governo em luta absolutamente desnecessária e injustificável, por envolver questão que ele tinha competência institucional para resolver por meio de projeto de lei, permitindo o aperfeiçoamento do sistema criticado por ele, sem qualquer celeuma.

A verdade é que o triste e deprimente embate objetivava a sua vitimização, que se tornou realidade e instrumento de suma importância política, para mostrar forma ativa de perseguição à pessoa dele, que perdura até os dias presentes.

Enfim, algo que teria servido para demonstrar robustez e coragem, por ter como timbre o encorajamento para peitar fortes adversários, terminou constituindo a fortaleza da sua ruína política, pois a disputa inglória do poder cedeu lugar à criação do poderoso sistema, que cuidou de tramar o seu afastamento do poder e de organizar a destruição do Brasil, tal e qual como ele se encontra na atualidade, graças à insensatez, à intolerância, à estupidez, à incompetência, à irresponsabilidade e ao desamor à pátria.

Com esse conjunto de lembranças desagradáveis, fica à memória um pouco do que seja o político que vem sendo idolatrado pelo fanatismo que somente se digna a enxergar as qualidades, que o projetam para o píncaro da glória, quando os seus defeitos, que são omitidos por conveniência política, foram capazes de colocá-lo na sonolenta e angustiante lona, em pesadelo que nunca termina, da qual a incompetência impede que ele sequer consiga se mover um milímetro, conforme mostram os fatos político-jurídicos.

É preciso se ter a consciência cívica, quanto maior for a autoridade política, no sentido de que o verdadeiro e sincero amor à pátria implica, necessariamente, a renúncia aos arroubos de natureza pessoal, em nome da completa obediência aos princípios da moderação, da tolerância, da inteligência, da competência e sobretudo da responsabilidade, em respeito à supremacia nacional.

Por fim, apelam-se por que os brasileiros se despertem para a realidade da vida, de modo que os fatos políticos sejam avaliados segundo o prisma não da convivência político-ideológica, mas sim sob os salutares princípios da verdade, da racionalidade e da honestidade, para o bem do Brasil e dos brasileiros.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 24 de agosto de 2025

Nenhum comentário:

Postar um comentário