quarta-feira, 18 de março de 2026

Conscientização

 Na forma de mensagem mostrada em vídeo, o pastor de igreja evangélica sorteia bilhetes com relativos valores elevados, sugerindo o investimento do fiel segundo o seu desejo de ser merecedor das recompensas celestiais, à medida do valor investido no tempo, para onde deve ser destinada a doação em causa.

Imagina-se que a divulgação do vídeo em tela objetiva zoar a atitude do pastor, como forma de crítica à maneira como ele extra, mui espertamente, dinheiro dos fiéis da igreja sob a sua administração.

Sim, diferentemente disso, certamente que a imagem nem seria postada e partilhada nas redes sociais, como de maneira a se criticar a atitude bastante criativa de se amealhar dinheiro fácil.

Acontece que a censura recai exclusivamente sobre o líder do templo evangélico, pela astúcia da inusitada forma de arrecadação de fundos, que tem a aceitação das pessoas presentes ao sorteio dos bilhetes, todos aceitos.

Não obstante, é preciso se atentar que o pastor somente tem sucesso com o seu intento porque os fiéis aceitaram pacífica e voluntariamente as ofertas de contribuição, vale dizer, sem contestação aos apelos feitos, um por um, por ele.

Ou seja, em que pese o líder religioso tenha se tornado objeto de explícitas censura e crítica, se algo ou alguém que merece ser condenado seriam os fiéis, que concordaram plenamente com a ideia inusual e até milagrosa de se “tirar” dinheiro do bolso deles, sem trauma algum.

Do contrário disso, esse fantástico invento não teria o sucesso que foi mostrado no vídeo, quando os boletos ofertados tiveram total aceitação, sem qualquer restrição.

A conclusão que se pode ter é a de que as pessoas se preocupam indevidamente com que os outros fazem, mesmo que isso não seja da sua competência nem de nada que lhes diz respeito.

Vale dizer que cada qual precisa cuidar exclusivamente dos assuntos inerentes ao seu interesse.

            Brasília, em 15 de março de 2026

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