quarta-feira, 18 de março de 2026

Desumanidade

 

O governador de Minas Gerais afirmou que, em eventual segundo turno das eleições presidenciais, ele, caso a disputa fosse entre o atual presidente do país e “um cachorro”, a sua escolha seria pelo animal.

A fala reforça o posicionamento crítico do político mineiro em relação ao governo federal e ao atual presidente da República.

Aliado do campo político de direita, o governador mineiro tem adotado discurso de oposição ao Palácio do Planalto, inclusive com críticas frequentes nas áreas econômicas, além de decisões administrativas.

A grandeza que precisa predominar na política diz respeito precisamente ao respeito aos seus fundamentos e aos seus princípios que devem nortear o desempenho daqueles que militam sob a sua égide.

Isso significa que não é de bom tom o político fazer juízo de valor que permita menosprezar publicamente a imagem de ninguém, mesmo que ela nem a tenha, uma vez que se trata visivelmente de se atribuir a alguém o direito de se imiscuir na dignidade ou não honradez das pessoas, porque isso não condiz exatamente com o direito disponibilizado pela política, de se desvalorizar ou valorizar ninguém.

Em termos de ética política, exige-se que cada homem público se conscientize de que é do seu dever procurar ser ético em tudo, tanto na obrigação de ter conduta ilibada como mostrar maculabilidade perante a sociedade, mas jamais acusar os defeitos de seus adversários políticos, como forma de desprezo humano.

Sob a luz dos princípios éticos vigentes, talvez comportasse ao político dizer apenas que não votaria em determinado candidato, por razões de foro íntimo, sem qualquer necessidade do envolvimento, na história, de animal irracional como forma de parâmetro, por também não haver qualquer plausibilidade ao caso em discussão.

A verdade é que, quanto maior a importância da autoridade envolvida no caso, certamente que maior será a repercussão das consequências negativas ou positivas, sobrelevando o entendimento de que a declaração infeliz do político mineiro reverberou muito deploravelmente diante de quem aspira a melhor qualidade dos políticos, que precisam se pautar em agendas capazes da disseminação de atitudes dignas e produtivas do aproveitamento dos princípios ensejadores da Ciência Política.

Enfim, esperam-se que a péssima lição protagonizada pelo político mineiro seja marco que não frutifique como padronização necessária ao desempenho exemplar dos políticos, que precisam se valorizar por meio de atitudes de estrita observância aos salutares princípios éticos e de dignidade nos seus atos.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 15 de março de 2026

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