Segundo mensagem atribuída ao senador candidato à Presidência da
República, consta que ele disse que “vai decretar que o Brasil pertence a
Jesus Cristo.”.
A crença religiosa é algo facultado a quem acredita piamente nos
mistérios espirituais e cultua devoção por sentimento estritamente pessoal, na
forma do pensamento livre facultado e assegurado na Constituição brasileira.
Em todo país minimamente evoluído, em termos civilizados, políticos e
democráticos, há plena liberdade da crença religiosa, em que as pessoas sejam
livres para acreditar ou não em divindades espirituais.
Agora, isso de se idealizar a decretação de o país vir a pertencer a
importante unidade espiritual, por mais relevante que ela seja, não tem o menor
cabimento, porque isso tem o condão de transforma uma nação declarada
constitucionalmente laica em país cristão ou sob o domínio espiritual de
determinado ser supremo.
Na verdade, trata-se de medida absurda, em termos de nacionalidade, por
ferir, com gravidade jurídica, o direito individual de muitos brasileiros, que
não têm opção religiosa e isso precisa ser respeitado.
Na verdade, essa medida não condiz com os princípios democráticos de
nação séria e evoluída, em termos do livre pensamento.
Sim, parece ser importante que as pessoas possam acreditar em quem
quiser, sem isso de abusiva imposição religiosa, quando a melhor interpretação
que se pode ter é a de que o Brasil pertence aos brasileiros, que precisam ter
a liberdade para as suas crenças, inclusive religiosas.
Sim, também é importante, em sentido religiosa, que o candidato a cargo
público eletivo tenha crença na divindade espiritual que quiser, mas que isso
jamais possa ser objeto de materialização impositiva para toda a nação, uma vez
que a medida em si caracteriza verdadeiro contrassenso, sob o aspecto de
objetivos políticos, que devem ter centralidade às políticas voltadas para o
atendimento das importantes questões de efetivo interesse do bem comum da
sociedade.
Enfim, convém que os candidatos à Presidência do Brasil reafirmem suas
propostas de governo com ideias sólidas de que o Brasil pertence aos
brasileiros, que vão continuar a optar normalmente por suas crenças, inclusive
religiosas.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 24 de agosto de 2026
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