terça-feira, 29 de setembro de 2026

O dono do Brasil!

 

Segundo mensagem atribuída ao senador candidato à Presidência da República, consta que ele disse que “vai decretar que o Brasil pertence a Jesus Cristo.”.

A crença religiosa é algo facultado a quem acredita piamente nos mistérios espirituais e cultua devoção por sentimento estritamente pessoal, na forma do pensamento livre facultado e assegurado na Constituição brasileira.

Em todo país minimamente evoluído, em termos civilizados, políticos e democráticos, há plena liberdade da crença religiosa, em que as pessoas sejam livres para acreditar ou não em divindades espirituais.

Agora, isso de se idealizar a decretação de o país vir a pertencer a importante unidade espiritual, por mais relevante que ela seja, não tem o menor cabimento, porque isso tem o condão de transforma uma nação declarada constitucionalmente laica em país cristão ou sob o domínio espiritual de determinado ser supremo.

Na verdade, trata-se de medida absurda, em termos de nacionalidade, por ferir, com gravidade jurídica, o direito individual de muitos brasileiros, que não têm opção religiosa e isso precisa ser respeitado.

Na verdade, essa medida não condiz com os princípios democráticos de nação séria e evoluída, em termos do livre pensamento.

Sim, parece ser importante que as pessoas possam acreditar em quem quiser, sem isso de abusiva imposição religiosa, quando a melhor interpretação que se pode ter é a de que o Brasil pertence aos brasileiros, que precisam ter a liberdade para as suas crenças, inclusive religiosas.

Sim, também é importante, em sentido religiosa, que o candidato a cargo público eletivo tenha crença na divindade espiritual que quiser, mas que isso jamais possa ser objeto de materialização impositiva para toda a nação, uma vez que a medida em si caracteriza verdadeiro contrassenso, sob o aspecto de objetivos políticos, que devem ter centralidade às políticas voltadas para o atendimento das importantes questões de efetivo interesse do bem comum da sociedade.

Enfim, convém que os candidatos à Presidência do Brasil reafirmem suas propostas de governo com ideias sólidas de que o Brasil pertence aos brasileiros, que vão continuar a optar normalmente por suas crenças, inclusive religiosas.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 24 de agosto de 2026

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