Um gari rebateu declaração atribuída ao presidente do país sobre a
profissão de gari, ao afirmar que ela não orgulhava ninguém, em claro desprezo
a essa brava classe de importantes trabalhadores.
O gari disse que sentia orgulho do trabalho que realiza diariamente, ao
afirmar, in verbis: “Eu tenho orgulho, sim, da minha profissão, presidente”,
tendo acrescentado que “ele teria vergonha de ser ex-presidiário e
ladrão.”.
A declaração da principal autoridade do país, no sentido de que o gari
deveria se envergonhar do que faz, não poderia ter sido mais humilhante e
discriminatória para o trabalhador digno brasileiro, porque todo profissional
que exerce o seu ofício, não importando o seu nível de especialização, merece
ser respeitado pela nobreza do que executa em nome da sobrevivência digna e
honrada, dele e da sua família.
A profissão de gari tem a mesma importância, respeitado o grau de
responsabilidade, na vida pública, do que é feito pelo presidente do país, sim
guardadas as devidas proporções em termos de responsabilidade, que é fazer-se
limpeza e dirigir uma nação, todas tendo a sua devida importância para a
sociedade e tanto isso é verdade que ambas são remuneradas pelos contribuintes,
ante as suas importâncias por existirem.
Na verdade, o desprezo demonstrado pela autoridade por profissional de
qualificação considerada inferior, no seio da sociedade, traduz, em síntese, o
exato sentimento de prepotência reinante na senilidade que não se contém mais
sobre os sentimentos de racionalidade e respeito aos princípios humanitários.
Enfim, esperam-se que a autoridade se contenha em seu deprimente ímpeto
de humilhação e que os eleitores brasileiros se conscientizem sobre a
importância de o Brasil ser presidido por alguém que valorize não somente os
princípios essenciais de civilidade, mas também todos os demais inerentes à
excelência da administração do Brasil.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 30 de agosto de 2026
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