terça-feira, 29 de setembro de 2026

O gari!

 

Um gari rebateu declaração atribuída ao presidente do país sobre a profissão de gari, ao afirmar que ela não orgulhava ninguém, em claro desprezo a essa brava classe de importantes trabalhadores.

O gari disse que sentia orgulho do trabalho que realiza diariamente, ao afirmar, in verbis: “Eu tenho orgulho, sim, da minha profissão, presidente”, tendo acrescentado que “ele teria vergonha de ser ex-presidiário e ladrão.”.

A declaração da principal autoridade do país, no sentido de que o gari deveria se envergonhar do que faz, não poderia ter sido mais humilhante e discriminatória para o trabalhador digno brasileiro, porque todo profissional que exerce o seu ofício, não importando o seu nível de especialização, merece ser respeitado pela nobreza do que executa em nome da sobrevivência digna e honrada, dele e da sua família.

A profissão de gari tem a mesma importância, respeitado o grau de responsabilidade, na vida pública, do que é feito pelo presidente do país, sim guardadas as devidas proporções em termos de responsabilidade, que é fazer-se limpeza e dirigir uma nação, todas tendo a sua devida importância para a sociedade e tanto isso é verdade que ambas são remuneradas pelos contribuintes, ante as suas importâncias por existirem.

Na verdade, o desprezo demonstrado pela autoridade por profissional de qualificação considerada inferior, no seio da sociedade, traduz, em síntese, o exato sentimento de prepotência reinante na senilidade que não se contém mais sobre os sentimentos de racionalidade e respeito aos princípios humanitários.

Enfim, esperam-se que a autoridade se contenha em seu deprimente ímpeto de humilhação e que os eleitores brasileiros se conscientizem sobre a importância de o Brasil ser presidido por alguém que valorize não somente os princípios essenciais de civilidade, mas também todos os demais inerentes à excelência da administração do Brasil.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 30 de agosto de 2026

 

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