Acredita-se
que o estarrecimento exposto por algumas pessoas pelo fato de o presidente do
país agredir verbalmente a dignidade humana é absolutamente normal, à vista da
ideologia defendida por ele e seus seguidores, que não pouco importa o respeito
à dignidade humana, à vista da naturalidade como ele se expressou, em apenas
demonstrando, na forma pensada por ele, indignação pelo fato de negro
representar o povo brasileiro.
Não
obstante, em se tratando que ele imagina que tem o direito de dizer o que bem
quiser, inclusive de empregar termos claramente preconceituosos e
discriminatórios contra a dignidade do ser humano, tendo em conta a sua
condição especial de principal autoridade do país.
Isso se
torna possível diante da realidade brasileira, em que os rigores da lei devem
ser aplicados sim, mas somente contra quem comete desvio de conduta, que não
esteja alinhado com a ideologia defendida e por ele, que é tida como sinônimo
do bem e do amor.
No caso
visto no vídeo, trata-se apenas e talvez de deslize próprio e condizente com o
acúmulo do trabalho presidencial, que pode até querer tentar justificar que o
titular do cargo possa, vez por outra, se referir de forma grosseira e
desrespeitosa, sem qualquer consequência punitiva situação como essa de
desprezo à dignidade humana.
Nesse
caso, o silêncio dos fiéis seguidores, que também o aplaudem na surdina, tem o
condão de aprovar o que seria apenas ato falho perdoável, mas, ao contrário,
trata-se, sim, de crime de racismo, assim configurado na legislação penal
brasileira.
Afinal de
contas, tem muitos assuntos importantes sob os cuidados da Justiça, que isso
que foi dito como mero deslize não constitui quaisquer importância perante a
relevância institucional de quem tem a incumbência constitucional de julgar.
Ou seja, parece
apenas que se trataria de mera perda de tempo se investigar, na certeza da
inexistência de culpa do mandatário, à vista do atenuante que se atribui à
importância do cargo ocupado pelo autor de perdoável simples deslize.
Apelam-se
por que os brasileiros sejam tolerantes, em compreenderem a insignificância de
o presidente do país puder praticar, com normalidade, crime tipificado como de
racismo, porque há o sentimento de compreensão predominante no país de que
crime mesmo tem outra conotação delituosa.
Brasília,
em 30 de agosto de 2025
Nenhum comentário:
Postar um comentário