Um juiz da corte maior do país veio a público para confessar a sua forma de desempenho no cargo, tendo mostrado a maneira como tem se comportado no exercício das suas funções.
Não há a menor dúvida de que a opinião das pessoas e principalmente da
imprensa é muito importante para o homem público.
Não obstante, vejo com muita reserva os esclarecimentos prestados pelo
juiz que faz questão de esclarecer o seu propósito como servidor público de
alto escalão.
Salvo questão especial e pessoal, seria de melhor tom que ele não
fizesse qualquer pronunciamento acerca do que faz ou deixa de fazer, porque
isso não faz parte do seu dever funcional, que é tão somente de seguir à risca
a liturgia prevista constitucionalmente para as funções institucionais dele.
Ele apenas precisa se justificar quanto à sua atuação quando assim for
questionada, o que não é o caso, por enquanto.
Tudo isso que consta do seu pronunciamento é totalmente dispensável, sob
a ótica da discrição que se impõe ao magistrado de somente se manifestar nos
autos.
Nada do que ele disse se aplica senão à necessidade por parte dele de
querer parecer diferente de seus pares, fato este que não esclarece
absolutamente nada, em termos funcionais.
É preciso que o juiz se mantenha em absoluta discrição, evidentemente
fazendo exatamente o seu dever na forma constitucional, porque nem poderia ser
diferente disso, sem necessidade de dizer senão o necessário, na forma prevista
para o normal exercício do cargo de magistrado.
Assim, convém que o juiz se preserve, em termos funcionais, apenas se
pronunciando em situações especiais, quando assim se tornar necessário, por
imposição do ofício.
Acorda, Brasil!
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