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sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Lágrimas da cegueira

As imagens mostradas pela rede Globo de Televisão, na edição do Jornal Nacional do dia 03 último, revelaram, sem retoques ou truques, a nitidez de um pedaço do Brasil real, representado por uma população totalmente desamparada e maltratada com marcas profundas na carne e no seu íntimo, gravadas com a maldade dos truculentos narcotraficantes, que dominaram soberanamente, sem qualquer interferência das forças policiais ou das autoridades governamentais, um enorme território, assaltando e praticando as piores perversidades, inclusive assassinatos sem qualquer motivação. Enquanto isso, como se tudo estivessem às mil maravilhas, o Brasil mantém forças de pacificação em diversos países, com o patrocínio da ONU, e vem fazendo generosas e jamais explicadas ajudas, com dinheiros dos contribuintes, a países que sequer respeitam os mínimos direitos humanos, como Cuba e outros simpatizados. Os fatos emergidos com a provável liberação do Complexo do Alemão dão a exata dimensão do quanto, neste país, as vidas humanas não são realmente respeitadas, confirmando a absoluta cegueira que contagiou significativa parcela dos governantes, que somente estão aptos a enxergarem aquilo que lhes convém, aliás, com a visão ampliada com o auxílio das imagens trimendicionais, denominadas simplesmente de efeito 3D.  
                                      
ANTONIO ADALMIR FERNANDES                        

Brasília, em 07 de dezembro de 2010                                        

domingo, 2 de janeiro de 2011

Reparação da sociedade

Não fossem os recentes audaciosos e arrazadores atentados terroristas perpetrados pelos sanguinários narcotraficantes, aliados ao conjunto da nefasta obra de assaltos, assassinatos, destruição de patrimônio da sociedade etc., talvez o caos tivesse seguido seu curso normalmente e o resgate à civilidade nem sequer passasse da imaginação. Embora o resultado obtido até agora seja positivo, em absoluto convencimento pessoal, pode ser prematura a comemoração do controle da sanha do crime organizado imperante nas favelas cariocas. Não obstante, a eficiência dos combates reforça a absoluta convicção de que as autoridades envolvidas deveriam ser responsabilizadas, civil e criminalmente, pelos delitos, danos e malefícios causados à sociedade carioca, em virtude da omissão e da procrastinação para adotar as medidas pacificadoras em causa. À toda evidência, nada do que foi implementado é digno de algum agradecimento, porque a manutenção da ordem pública é obrigação constitucional do Estado, que regiamente arrecada para custear também a segurança pública. Espera-se que, doravante, as autoridades governamentais, sem tergiversação, tenham a iniciativa de empregar, tempestivamente, os meios possíveis para debelar os incidentes prejudiciais à sociedade, não permitindo que o monstro se fortaleça e dificulte o controle da situação, como evidenciado no caso do Complexo do Alemão.

Antonio Adalmir Fernandes

Brasília, em 02 de dezembro de 2010

A chama da violência

A violência deflagrada no Rio de Janeiro arde com chamas cintilantes, explode e arrebenta assustadoramente a consciência da pacata e ordeira sociedade brasileira, quiçá mundial, por perceber a insegurança, a falta de proteção e a impotência diante de tamanha selvageria. A operação bem orquestrada, organizada e coordenada por bandidos encarcerados a enorme distância expõe as vísceras da falência das autoridades governamentais, em todos os escalões, da segurança pública e dos sistemas de policiamento do Estado, pela evidente demonstração de despreparo e incapacidade, física e moral, das forças policiais para combater com, pelo menos, igual ferocidade com que lutam os seus adversários. Além de tudo isso ser estarrecedor, é lamentável que o título de Cidade Maravilhosa tenha sido, impiedosamente explodido pelos ares por bandidos, deixando a sociedade em pânico, em desespero, amedrontada e acima de tudo com a incerteza quanto à esperança de paz, tranquilidade e dias melhores e felizes. Importa sobretudo que a cidade que já foi maravilhosa volte a ostentar o título que jamais poderia ter sido destituído tão violenta e sofridamente.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                            
Brasília, em 25 de novembro de 2010