sexta-feira, 3 de julho de 2026

Jogo limpo?

 

Na tentativa de mostrar inocência em tudo praticado pelo último ex-presidente do país, uma pessoa diz que muitas das ações praticadas por ele foram transformadas em jogo sujo por seus adversários políticos.

Data vênia, o político mencionado acima não praticou qualquer erro inocente e também não só jogou limpo.

Acredita-se piamente que todos os lances no tabuleiro desse político foram tudo muito bem planejados, evidentemente visando à colheita de bons frutos em seu benefício político.

Se o jogo pode ter se transformado em sujo, isso teve enorme contribuição pessoal dele, que se imiscuiu onde havia limite constitucional quanto à autonomia de competência institucional, quando ele resolveu cogitar sobre fraudes em sistema de incumbência constitucional de outro poder da República sobre assunto que ele poderia muito bem ter simplesmente solucionado com o envio de medida legislativa para o saneamento de possíveis falhas.

Não obstante, ele preferiu criar gigantesca polêmica sobre questão eleitoral, para mostrar o seu poder presidencial, deixando enorme flanco aberto para futura exploração de seus potenciais adversários, aqueles mesmos que ele preferiu cutucar com vara curta e judiar com agressões e críticas de incompetência e omissão, quando o omisso terminou sendo ele próprio, que poderia ter ficado calado e providenciar as medidas da sua exclusiva competência constitucional.

Aquele político poderia sim ter jogado limpo se ele tivesse tido a dignidade de apenas cumprir com fidelidade a liturgia prevista na cartilha do chefe do Executivo, executando estritamente o dever do verdadeiro mandatário, sem intervir na autonomia de outro poder da República, quando ele teria, isto sim, jogado limpo e respeitado a competência institucional de outrem.

É preciso ficar muito claro para os seguidores cegos e fanatizados pela ideologia que o político não errou inocentemente, mas ele incorreu em gravíssima falha absolutamente consciente do que estava fazendo, ao agredir integrantes de outro poder da nação, para mostrar valentia perante os seus seguidores.

O certo é que a sua prodigiosa estratégia saiu pela culatra, quando ela simplesmente resultou na conceituação de que ele seria enquadrado como golpista, agressivo atentador dos princípios democráticos e potencial causador de ameaça à estabilidade republicana.

Enfim, tudo o que teria sido muito bem planejado pelo político astuto resultou em verdadeiro desastre, exatamente como mostram muito claramente os fatos históricos.

Acorda, Brasil! 

Brasília, em 11 de junho de 2026

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