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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Pena de compensação

No Estado da Paraíba, a Polícia Civil prendeu sete homens e apreendeu três adolescentes, por terem participado do estupro de seis mulheres e de matar duas delas em uma festa de aniversário de um deles. Com base nos depoimentos colhidos, a delegada responsável pela apuração desse monstruoso affaire concluiu que o estupro coletivo foi um "presente de aniversário" de um irmão para o outro e que os suspeitos sabiam do plano posto em prática nessa festa macabra, cujas vítimas conheciam os donos da casa. A delegada declarou que as duas mulheres assassinadas tinham reconhecido os estupradores. Importa ressaltar a eficiência da polícia paraibana, desvendando imediatamente a tragédia e prendendo os animais irracionais, que não têm o direito de conviver com a civilização. À Justiça compete o julgamento dos facínoras, mas desde logo já se pode antever que as penas estão longe de corresponderem à maldade por eles praticada, máxime porque o maior tempo de reclusão em xadrez não pode passar de trinta anos, passível ainda às ridículas e inaceitáveis regressões e reduções legais de pena. Atualmente no Brasil, diante da total impunidade ou até mesmo da brandura e da leveza da penalização, longe de punir os infratores, os crimes vêm acontecendo com maior incidência e crueldade requintada, sem qualquer espécie de arrependimento pelos envolvidos, como se tudo fosse normal. Diante desse quadro de perplexidade, que aterroriza e intranquiliza a sociedade, muitos criminalistas e significativa parcela da sociedade entendem que já passou da hora de ser pensada a adoção de penas duras compatíveis com os crimes, como a pena capital e a prisão perpétua, como forma de reduzir os crimes bárbaros como esses aqui abordados. Muitos alegam, entretanto, a necessidade de respeitar o direito humano como forma de sequer discutir essa crucial questão, porém não deixa de ser uma desculpa sem o mínimo de fundamento, porque os marginais podem sem o menor escrúpulo menosprezar tranquilamente o direito sagrado das pessoas de viverem com segurança e liberdade. Como tem sido desalentador ser obrigado a conviver com os bandidos sem os meios indispensáveis de proteção e da certeza da reparação dos danos sofridos. Não há dúvida alguma de que é extremamente pesado se falar em pena de morte neste país com predominância de população católica, motivo pelo qual a sua implantação jamais será discutida, como forma de punir severa e adequadamente os criminosos sanguinários. Não obstante, o mundo jurídico poderia ser despertado de forma benéfica com ampla e urgente campanha no âmbito da sociedade sobre a criação de pena de compensação para os crimes hediondos, ou seja, seria aplicada ao criminoso pena com a mesma intensidade e idêntico sacrifício com o qual ele submeteu a sua vítima, como forma de equilibrar, de ressarcir o seu ato delituoso. Conforme o caso, essa pena poderia ter o mesmo efeito da pena de morte, mas teria uma denominação suavizada, com nome mais elegante, menos drástico. A verdade é que está muito difícil de viver sem a proteção e a segurança do Estado e sem medidas duras capazes de pôr limites à ação dos criminosos. Há de se convir que o Brasil é um país constituído de pessoas de bem e a sua índole tem sido no sentido da permanente busca da paz e da harmonia, mas a consolidação desses princípios depende de ações corajosas, autênticas e necessárias, diante da calamidade pública sob o domínio descontrolado da criminalidade. Não há dúvida de que essas ações devem ter a iniciativa da sociedade, à vista das absolutas inépcia e indolência do governo, que, encastelados nos palacetes fortemente protegidos, assiste a violência crescer e fazer estragos na população e, de forma irresponsável, permanece imobilizado em berço esplêndido, sem mover qualquer ação com o objetivo de solucionar ou até mesmo arrefecer a ferocidade da alarmante criminalidade, que intranquiliza toda nação. Acorda, Brasil! 

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 15 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Loucura de tráfego

Atualmente, merece destaque a alarmante e crônica situação da violência no tráfico de veículos nas rodovias brasileiras, que vem ocorrendo em virtude do descontrole generalizado tanto nas cidades como nas estradas de todos os quadrantes do país, figurando, de forma negativa, no topo do ranking mundial de acidentes desastrosos, o que contribui para aumentar em escala assustadora as estatísticas de mortes e ferimentos, invariavelmente com irreparáveis mutilações de membros e corpos humanos. As causas para tantos sinistros, em especial nas estradas, são do conhecimento dos brasileiros, mas não há notícia que alguém tenha movido uma palha para solucionar a gravidade da questão, que só se acentua dia a dia, sendo alimentada com mais ingredientes incentivadores dos acidentes, como o aumento progressivo de veículos e a falta de políticas públicas destinadas ao melhoramento das estradas, em especial a sua manutenção adequada e suficiente para suportar a irracionalidade acentuada dos motoristas, que cada vez mais estão se comportando como verdadeiros animais destituídos de humanidade, não respeitando os limites de velocidades estabelecidos e muitos ainda insistem em dirigir embriagados, causando os piores desastres com suas máquinas potentes e mortíferas. Existem outros agravantes desse quadro de horror, como a importante contribuição do governo com sua indolente omissão, ao deixar de construir estradas de qualidade e claudicar com a manutenção das rodovias existentes, notadamente quanto à conservação reparadora da malha viária e à sinalização e limpeza dos acostamentos, aliados à falta ou deficiência de policiamento nas rodovias. Ainda merecem destaque as agressivas campanhas publicitárias das concessionárias, com o objetivo de vender seus veículos, o que contribui para encher e abarrotar as estradas de carros e torna cada vez mais crucial o problema do tráfego de veículos. Urge que o governo desperte da letargia quanto à crise exacerbada da violência no tráfego de veículos, devendo assumir a sua responsabilidade constitucional e adotar competente postura em prol da excelência do sistema de transportes públicos, com a promoção de políticas que garantam substancial melhoria em especial das rodovias, com a sua imediata ampliação, conservação, modernização e sinalização, providenciando policiamento preventivo e campanhas abrangentes e esclarecedoras sobre educação e prevenção de acidentes de tráfego de veículos, a exemplo das propagandas do setor privado para a venda de seus veículos. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 04 de outubro de 2011