quarta-feira, 3 de junho de 2020

Sujidade da liberdade de expressão


Vem circulando nas redes sociais a mensagem com o seguinte teor, verbis: “Liberdade de expressão é poder falar dos ministros do STF, deputados, senadores ou quaisquer agentes públicos, da mesma forma que se fala do presidente. Por que contra uns é livre manifestação e democracia, e contra outros, atentado às instituições?”. Caio Coppola, jornalista.
Em princípio, é preciso se compreender, de maneira racional, inteligente e civilizada, que se falar estritamente sob os auspícios do direito da liberdade de expressão impõe-se o respeito às regras de tolerância, em especial quando for o caso das críticas às autoridades e instituições públicas, que precisam se situar no que se costuma conceituar opiniões e ideias construtivas, mas ao que parece e isso é o dar a entender, muitos confundem agressão verbal como sendo mera liberdade de expressão.
Nos países civilizados, sérios e evoluídos, em termos políticos e democráticos as pessoas têm a exata consciência do que seja realmente liberdade de expressão, que nada mais é do que uso civilizado das palavras exatamente como forma de se puder falar o que pensa, de maneira respeitosa e educada, na mesma forma em sentido recíproco, levando-se em conta o uso de mecanismo destinado ao aperfeiçoamento e à consolidação dos princípios republicano e democrático.
Nessa linha de pensamento, compreende-se perfeitamente que o princípio da liberdade de expressão somente existe nos países civilizados e evoluídos, em termos democráticos, porquanto essa riqueza de se puder pensar e dizer, de forma livre, não tem lugar nos países de regime totalitário, sob a égide do socialismo, onde inexiste a exuberância da expressão.   
Já nas republiquetas, as pessoas fazem questão de confundir liberdade de expressão com o direito de agredir verbalmente quem bem entender, não se  importado sobre as suas consequências, no caso se isso pode causar dano à imagem e à dignidade de pessoas ou instituições.
O mais grave é que essas pessoas ainda se acham injustiçadas e incompreendidas por suas atitudes irresponsáveis e levianas perante a sociedade.
Convém que as pessoas com o mínimo de civilidade compreendam que o seu direito termina exatamente quando começa o do outro e isso é princípio constitucional, que precisa ser observado nos países com o mínimo de evolução, sob pena de imperar a balbúrdia e o desrespeito à dignidade humano.
Não tem o menor cabimento que cada qual se ache no direito de dizer o que pensa, muito além da normalidade do seu direito de se expressar no âmbito da civilidade tolerável, achando que pode agredir com palavras de baixo calão e outras verbalizações impróprias, com o intuito de denegrir a imagem e a dignidade de pessoas e instituições, como se isso fosse normal, sob pretexto e amparo, pasmem, do direito da liberdade de expressão.
Causa espécie que as pessoas inteligentes são aquelas que alegam o direito da liberdade de expressão para se blindarem dos crimes de agressões e danos verbais, dando a entender que são injustiçados, ao fazerem vistas grossas para a real finalidade desse direito, que existe exatamente com a finalidade de contribuir para a construção do bem e não da difamação e de outras formas que não condizem com os princípios civilizatórios.
Urge que as pessoas tenham o mínimo de consciência no sentido de que a essa suprema liberdade é princípio sagrado que também pode ser invocado para a manifestação de ideias, pensamentos e críticas de cunho construtivo sobre determinadas situações, exatamente em harmonia com o salutar princípio garantidor do Estado Democrático de Direito, onde a individualidade da cidadania impera com os melhores ares de liberdade, respeito e aceitação, mas isso fica prejudicado quando se usa, de forma errônea, a liberdade de expressão de maneira diferente, para o fim de xingamento, esculhambação ou tentativa da sujidade da imagem de pessoas ou instituições.
Brasília, em 3 de junho de 2020

terça-feira, 2 de junho de 2020

Compartilhamento de princípios



Dias atrás, um conterrâneo de Uiraúna, Paraíba, preocupadíssimo com as crises que grassam na República brasileira e aproveitando a discussão sobre outro assunto, disse que entendia meus pontos de vista sobre os acontecimentos, mas ele adiantou outro caso preocupante, qual seja, verbis:  “(...) eu também estou (preocupado), agora que há sim uma escancarada intromissão do Celso de Melo e do Alexandre de Morais nas ações do executivo não se pode negar se dão ao disparate de querer apreender o cel do presidente. Isso é um escancarado abuso deles que se arvoram de fazer o papel do executivo do país. Não e mesmo fácil a um presidente aguentar esses ataques 24hs por dia.”.
Em resposta à aludida mensagem, eu disse que, com a devida vênia, essa questão do celular do presidente não tem o menor cabimento.
Vejam-se que o governo mandou um general fazer ameaças descabidas, completamente antecipadas e extremamente desnecessárias, que só o desgastam, por se tratar de medida intempestiva.
Ora, em qualquer órgão público, os pedidos, os recursos devem seguir os trâmites regulamentares, a exemplo do que acontece também no Supremo Tribunal Federal.
Houve a entrada naquele órgão de três pedidos de partidos, no âmbito da normalidade democrática de se recorrer aos órgãos competentes, no sentido de que fossem recolhidos os celulares do presidente do país e de um dos filhos dele.
Pois bem, a praxe da Corte diz que os pleitos desse gênero devem ser enviados previamente à Procuradoria Geral da República, ou seja, o ministro do Supremo não podia devolvê-los aos interessados nem os mandar para o arquivo, sem o devido pronunciamento desse órgão.
O ministro fez o procedimento correto, em harmonia com o figurino, mas o presidente, seus assessores, as Forças Armadas, seus apoiadores e até a mãe Joana imediatamente botaram a boca no mundo, fazendo o maior escarcéu, em violento sinal de protestos, com ameaças as mais violentas possíveis, inclusive de ruptura da democracia e das relações entre a instituições republicanas, sob perigo, inclusive, de deflagração da terceira guerra mundial, a partir do Brasil, tudo por absolutamente nada, mas a revolta foi simplesmente generalizada, sem nada que justificasse tamanha precipitação.
Vejam só o extremo do absurdo que fez, na ocasião, ministro do Gabinete de Segurança Institucional, por meio da divulgação, horas depois de o pedido ser enviado à PGR, de manifesto à nação, considerando “afronta” caso o telefone celular do presidente do país fosse apreendido por ordem da Justiça, sob o alerta de que a decisão causaria, pasmem, consequências imprevisíveis, nestes termos: “O Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República alerta as autoridades constituídas que tal atitude é uma evidente tentativa de comprometer a harmonia entre os poderes e poderá ter consequências imprevisíveis para a estabilidade nacional”.
O alerto do general causou enorme perplexidade e espanto, porque houve a convocação das tropas sem que houvesse qualquer motivação para tanto.
Na verdade, o que tinha havido, até aquele momento, estava absolutamente em consonância com o Regimento do Supremo, porque as demandas dirigidas àquela Corte, conforme o caso, são, necessariamente, examinadas e julgadas em estrita observância às normas internas.
Na ocasião, fiz o registro segundo o qual, no caso, o procurador-geral da República já havia se manifestado pelo arquivamento dos referidos pleitos, cabendo ao ministro acompanhar essa sugestão, porque normalmente os ministros concordam com aquele órgão ministerial.
De fato, a presunção acima se confirmou, em o que o ministro do Supremo, relator do caso em comento, determinou o arquivamento do processo pertinente, em acolhimento à sugestão oferecida pelo procurador-geral da República, que já havia se manifestado contra a apreensão em causa.
O órgão ministerial entendeu que, “como a investigação é competência do MPF, não cabe intervenção de terceiros no processo, como no caso de partidos e parlamentares.”.
Na decisão, o decano do Excelso Tribunal de Justiça brasileiro reafirmou a posição da Corte, tendo afirmado, ipsis litteris: “Torna-se essencial reafirmar, desde logo, neste singular momento em que o Brasil enfrenta gravíssimos desafios, que o Supremo Tribunal Federal, atento à sua alta responsabilidade institucional, não transigirá nem renunciará ao desempenho isento e impessoal da jurisdição, fazendo sempre prevalecer os valores fundantes da ordem democrática e prestando incondicional reverência ao primado da Constituição, ao império das leis e à superioridade político-jurídica das ideias que informam e que animam o espírito da República”.
Em conclusão, o general que se mostrou cheio de autoridade ditatorial, fazendo as mais veementes e absurdas ameaças, vai ser obrigado, agora, a pôr a sua espada entre as pernas, por ter se precipitado deseducada e grosseiramente, ao extremo, e ainda ficar com cara de tacho, diante da  assinatura de manifesto à nação completamente desnecessário, tendo ainda a irresponsabilidade de insuflar a opinião pública em se revoltar contra o Supremo, exatamente em momento em que as relações entre as instituições republicanas estavam de mal a pior, sob intenso fogo cruzado, de lado a lado.
Ou seja, quando se esperava que o general, com a sua experiência da caserna, tivesse o mínimo senso de prudência e sensatez, diante da terrível situação de animosidade entre os poderes, ele simplesmente lançou barris de combustíveis na fogueira, para aumentar sensivelmente as chamas.
Espera-se o mínimo do general, se ele tiver senso de patriotismo, no sentido de ele vir a público, agora, também por meio de nota oficial, para apresentar desculpas por sua atitude extremamente precipitada e prejudicial à paz social e à ordem pública, prometendo ser mais comedido e responsável em situações semelhantes a essa.  
Ressalte-se que os demais apoiadores do presidente, inclusive ele, vão contabilizar bastante tempo perdido e dor de cabeça com aborrecimentos e xingamentos desnecessários, agora que o caso foi encerrado, com o arquivo dos pleitos.
É lamentável que, por pouco, quase houve a eclosão de revolução institucional a troco de absolutamente de nada, o que só demonstra a urgente necessidade, não somente por parte do governo, mas também de pessoas, de paciência, calma e civilidade diante dos fatos.
Urge que o governo admita, com o máximo de urgência, a necessidade de sensatez, sensibilidade e Inteligência político-administrativas, para se encontrar mecanismos capazes de realmente liderar e coordenar políticas de segurança funcional no Palácio do Planalto, de modo que o presidente da República e seus assessores passem a avaliar, com o máximo de responsabilidade, as suas atitudes como pessoas públicas, ante a premência de moderação, tolerância e compreensão no relacionamento com as instituições públicas e privadas, os meios de comunicação e a sociedade, no âmbito do entendimento de que esse é o verdadeiro caminho para o compartilhamento das ações próprias de governo para o povo, tendo como princípios a harmonia e os bons exemplos.
Brasília, em 2 de junho de 2020

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Intervenção militar?


Com muitíssimo respeito às pessoas inteligentes que defendem a intervenção militar urgente, porque esse sentimento de pensar e defender as suas ideias se assenta normalmente no princípio democrático de entender o que seja o melhor para o país e o seu povo, evidentemente sob a convicção de que ela será a salvação da pátria amada Brasil.
Pois bem, parece que parte dos brasileiros chegou a essa simplista conclusão de que o melhor mesmo, para o país, é a ruptura da democracia, por meio do qual somente passa a funcionar a vontade militar, com o imediato fechamento do Congresso Nacional, do Supremo Tribunal Federal e, por via de consequência, da Presidência da República, porque intervenção militar propriamente dita compreende a eliminação do Estado Democrático de Direito e passa a funcionar o regime militar de exceção, com normas próprias, sob a égide do pensamento do comandante que for liderar a transição, absolutamente sem as estruturas democráticas, porque essa ordem será imediatamente substituída pelo regime de exceção, que será ditado segundo o pensamento de algum general ou de alguns oficiais generais das Forças Armadas, onde, a partir de então, a sardinha poderá ser assada somente segundo o pensamento rigoroso da cartinha das academias, que acompanham com eles o resto da vida.     
E somente Deus tem condições de saber o verdadeiro destino dos brasileiros, inclusive daqueles que estão mais do que ávidos por intervenção militar de verdade, certamente por acharem que essa é melhor maneira para consertar as crises política, econômica, de saúde pública e outras.
Não que eu menospreze o regime militar, que nem teria motivo para isso, porque servi, como militar, com muita honra, à Força Aérea Brasileira, tendo acompanhado, não participado, ativamente do auge dos movimentos da época, por ter entrado no serviço militar no meado de 1966 e permanecido na Aeronáutica até março de 1979, e posso dizer que tenho experiência do que estou falando como pessoa que compreende perfeitamente o que seja realmente o regime militar.
É consabido que a intervenção militar teria, em princípio, a finalidade de consertar alguns pontos que não estariam se encaixando perfeitamente no sentimento de parcela de alguns brasileiros, que acham que a solução é a presença de militares no poder, para a pronta adoção das medidas de saneamento de poderes da República.
A experiência diz que, após o saneamento desses pontos carentes de reparo, os militares poderiam tomar gosto pelo poder e permanecerem ad eternum no poder, evidentemente mais do que o tempo necessário para o seu trabalho, vindo a causar enormes prejuízos aos brasileiros, que ficariam privados do usufruto do exercício da democracia plena, que é direito consagrado e defendido nos países civilizados e evoluídos, em termos políticos e democráticos, por saberem conscientemente sobre a real importância do pleno funcionamento dos poderes da República, onde o povo possa eleger normalmente seus representantes para a ocupação dos cargos públicos eletivos, tendo plena liberdade para opinar com consciência sobre as atividades da República.
É preciso que o povo tenha mais amadurecimento cívico e patriótico, para tentar se conscientizar mais amplamente sobre o que realmente significa o processo referente à intervenção militar, principalmente na dimensão que ela poderá abranger, notadamente se seu pensamento for o de ter poderes excepcionais bastantes elastecidos, com capacidade para intervir em tudo, inclusive na individualidade dos cidadãos e simplesmente ninguém poderá reclamar de absolutamente nada, tendo apenas o direito de aceitar a realidade nua e crua.
Aliás, é bem provável que muitas pessoas que defendem a intervenção militar estejam completamente despreparadas, apenas vagando no mundo da lua, cheias de sentimentos de mudanças mirabolantes na cabeça, sem atinarem exatamente para as consequências das drásticas transformações, na vida dos brasileiros, quando, a partir de então, eles já vão se preocupar em lutar pela reconquista dos direitos fundamentais do ser humano do livre, pertinente ao saudável exercício da política e da democracia.    
Urge que os brasileiros de boa vontade, no âmbito da sua responsabilidade cívica e patriótica, repensem profundamente o seu ardente desejo de intervenção militar, porque pensamento nesse sentido nada mais é do que o antídoto dos salutares princípios políticos e democráticos, que são a essência defendida pelos povos das nações imbuídas dos sentimentos de seriedade, civilidade e evolução, em termos humanitários.
Brasília, em 1° de junho de 2020

O governo está certo?


Diante de crônica que escrevi sobre a situação política do governo, o querido irmão Valnei se manifestou em defesa do presidente da República, nos seguintes termos: “Mano Adalmir, falando do  artigo que você escreveu dia 25/05/20, acerca de fatos que ocorreram em frente ao Palácio da Alvorada por parte dos simpatizantes e seguidores do presidente Bolsonaro, a imprensa local, de serem agredidos com palavras grosseiras. No meu entender o presidente tem suas razões por parte da imprensa não noticiar as coisas boas que ele fez e faz. As coisas ruins a imprensa põe em primeira página e é manchete em todos os meios de comunicação. Por que a imprensa não falava mal do Lula e nem dos filhos dele porque Lula dava dinheiro para imprensa. E agora presidente Bolsonaro não dá  dinheiro pra eles aí a imprensa pega de pau nele?
Em resposta à citada mensagem, eu disse ao querido mano Valnei que respeito a opinião dele, mas esse argumento é muito vago.
É preciso entender que, com dinheiro ou sem ele, não interessa, quanto à avaliação do governo, que sempre precisa agir com correção e, atuando assim, nunca ele será criticado.
Outro dia, um amigo me disse que eu deveria mostrar as boas realizações do governo.
Então eu disse que o presidente foi eleito com a obrigação de só fazer coisa boa e isso é desnecessário citar.
Agora, os desvios, estes sim, precisam ser apontados, exatamente para que eles possam ser corrigidos.
Posso até estar errado por pensar diferentemente das pessoas, mas, nesse caso da imprensa, há verdadeiro retrocesso de interpretação sobre os fatos.
Por que somente a Folha e a Globo criam caso com o governo?
Não importa que seja por dinheiro ou o que for, porque governo sério e competente não tem que discutir em público algo da esfera pública.
O que alguém publicar que não seja verdadeiro ou prejudicar a imagem do governo ou do presidente, discute-se, se for o caso, o fato na Justiça e não em público, ensejando, de forma absurda, que a população se envolva em algo que não deve.
Desculpe a sinceridade, mas acho que tenho mentalidade bastante retrógrada, que pensa com a lógica fora da curva, ou seja, diferente das pessoas, que sempre conseguem encontrar desculpa, muitas vezes distanciada da realidade, para justificar o injustificável.
Não pense que seja o seu caso, porque você é pessoa inteligente e está longe da mediocridade nacional.
Brasília, em 25 de maio de 2020

A capacidade presidencial de recuperação


À vista da longa experiência de dezessete meses no comando do principal cargo da República, parece ser possível que os brasileiros tenham ideia razoável quanto à avaliação sobre reais condições se o presidente está ou não à altura dos gigantescos desafios que hão de advir no futuro próximo, principalmente depois da superação da pandemia do coronavírus, que praticamente se encontra do seu ponto agudo, com a atingimento da famosa e temível curva, onde poderá acontecer dramáticas tragédias, com a perda de milhares de vidas humanas.
A verdade é que o Brasil será obrigado a encarar enormes desafios com a necessidade da reconstrução de todas as políticas, com destaque, como não pode ser diferente, para o realinhamento da economia, que já saiu da linha e precisa reencontrar os rumos da história, em que todos os esforços são buscados para a recuperação dos estragos causados com a intensa e longa  paralisação das atividades econômicas.
O que se sabe é que o acúmulo de resultados negativos não tem sido favorável ao presidente, que tem sido useiro e vezeiro ao confronto e ao debate sobre fatos nem sempre relevantes, mas com bastante perda de energia que, possivelmente, poderá fazer falta precisamente nesse momento especial, em que as experiências saudáveis poderiam contribuir para ajudar na recuperação dos prejuízos acumulados nesse período sombrio.
À frente do governo, o presidente até que poderia ter evitado uma série de estripulias e impropriedades completamente dissociada da função presidencial, ao atrair para seu colo questões de somenos importância, principalmente com a imprensa, com quem ele poderia ter sido apenas aliado e colaborador, mas, ao contrário, sempre que pôde, preferiu estar em atrito, ao seu estilo irrequieto de não levar desaforo para casa, no melhor folhetim popular, embora esse jeitão nada comedido só ajudou aos brasileiros terem a ideia de que o presidente conseguiu se distanciar bastante das suas funções de verdadeiro estadista, fato que contribui para se imaginar que ele terá muitas dificuldades para conduzir o Brasil ao lugar que ele merece e precisa.
Extremamente fiel ao seu estilo de boquirroto, como gosta de ser, o presidente foi capaz de confrontar o Estado Democrático de Direito, atacar princípios civilizatórios e democráticos, ferir ordenamento jurídico, além de ter sido acusado de desprezar a prática política, ao limitar cenário destinado ao debate das ideias democrática entre os contrários.
A verdade é que o país está mergulhado em gravíssima crise sanitária, certamente a mais aguda da sua história, com seríssimo agravamento da recessão econômica, com reflexos jamais vistos, pasmem, nos últimos cem anos, segundo as avaliações de analistas de mercado e economistas, que ainda projetam a crise, possivelmente, para os anos de 2021 e 2022.
No torvelinho de inevitáveis dificuldades de governabilidade, ainda existe enorme tensão que sido crônica entre o presidente brasileiro e o Congresso Nacional e o Supremo Tribunal Federal, que somente contribui para piorar em potencial o péssimo cenário que tem todos os indicadores propícios para a formalização de convulsão social, principalmente se não houver o milagre da pacificação entre as principais autoridades dos poderes da República, no sentido do entendimento maior de que se encontra em jogo é exatamente a salvação da pátria, a redenção do Brasil e dos brasileiros, de modo que as vaidades políticas sejam deixadas em um canto, em forma de armistício, enquanto for possível a retomada da normalidade, tanto principalmente na governabilidade e como na economia, que, por enquanto estão se degenerando perigosamente, levando o país ao tenebroso abismo, que seria verdadeiro desastre jamais imaginado, quando as perspectivas eram de governo de auspiciosas mudanças.  
Essa situação caótica poderá se intensificar ainda mais caso a pandemia se prolongue por período além das previsões iniciais e que não se encontre alguma forma de conciliação entre o isolamento e à volta às atividade de trabalho, porque há o risco de demissão em massa de milhões de trabalhadores, com enorme e preocupante reflexo direito na economia, diante do maciço desemprego e do fechamento de pequenas empresas, não conseguiram se sustentar com a inevitável paralisação forçada pelo isolamento social.
À toda evidência, a configuração de quadro conjuntural bastante adverso, em todos os sentidos, contribui para vislumbrar-se que o presidente da República, pelo o que ele já demonstrou, dificilmente terá condições e equilíbrio para comandar o Brasil em situação a mais periclitante possível, porque é notório que falta na pessoa dele os requisitos essenciais de gerenciamento, capacidade de liderança e coordenação, além de conhecimentos específicos da economia, que serão indispensáveis em situação extremamente delicada do país, sem mencionar que é imprescindível haver disposição para o diálogo, a discussão de alto nível e a compreensão necessária à adoção da melhor decisão que apossa realmente atender aos interesses nacionais.
Em que pesem tempos sombrios, com muitas nuvens pesadas e carregadas de preocupações e incertezas, os brasileiros esperam e confiam que o presidente da República consiga readquirir reais condições para avaliar e dimensionar a magnitude da capacidade necessária para o enfrentamento da gigante capacidade de liderança necessária à coordenação dos ingentes trabalhos pertinentes à reestruturação e à redefinição do Estado e das políticas nacionais a serem adotadas, em especial nas áreas da economia, da saúde pública e de outras indispensáveis à recuperação dos estragos causados pelo poderoso e monstruoso coronavírus, com vistas à urgente retomada do desenvolvimento socioeconômico brasileiro.
Brasília, em 1° de junho de 2020

domingo, 31 de maio de 2020

Pronto para a crise?


O presidente da República publicou mensagem, na data de ontem,  em redes sociais, com afirmação de que "tudo aponta para uma crise", elencando fatos acontecidos e divulgados pelos meios de comunicação acerca de atividades do Poder Judiciário e do Tribunal de Contas da União, dizendo que se relacionam com o seu governo.

O presidente do país começa dizendo que as "Primeiras páginas dos jornais abordaram com diferentes destaques, as decisões envolvendo a atuação do Supremo Tribunal Federal, da Polícia Federal, do Tribunal de Contas da União e do Tribunal Superior Eleitoral em relação ao governo Bolsonaro e seus aliados".
Ele começa fazendo referência ao envio, por um ministro do Supremo, ao procurador-geral da República de pedido de investigação sobre o deputado federal filho dele, versando sobre possível "incitação à subversão da ordem política ou social previsto na Lei de Segurança Nacional".
Na verdade, tratando-se de notícia-crime recebida pelo Supremo, que é o caso, o seu teor precisa, segundo a praxe naquela Corte, ser informado às autoridades de investigação, que é o assunto versado pelo citado deputado, que criticou decisões recentes de dois ministros do Supremo e defendeu reação enérgica contra a Excelsa Corte de Justiça.
O presidente menciona o pedido de prorrogação de prazo, por 30 dias, formulado pela Polícia Federal a um ministro do Supremo, para a conclusão do inquérito que apura se o mandatário interferiu naquela corporação, que ainda pende do depoimento do presidente brasileiro.
O presidente aponta movimentações do Tribunal Superior Eleitoral relacionadas ao inquérito das fake news, que tramita no Supremo, da atuação do TCU sobre o chamado "gabinete ódio", que funciona dentro do Palácio do Planalto e investigado pelo Supremo, e a manifestação de procuradores da República a favor da formação de lista tríplice para a chefia da Procuradoria Geral da República, a despeito de o atual procurador-geral não ter participado da última lista.
Finalmente, a mensagem presidencial cita a notícia de que o ministro da Educação teria ficado em silêncio em depoimento à Polícia Federal, ocasião em que ele poderia ter esclarecido as estapafúrdias afirmações feitas em reunião ministerial de que, na opinião dele, seriam botados "esses vagabundos todos na cadeia, começando pelo STF".
À vista dos fatos alinhados pelo presidente do país, não existe absolutamente quase nada, à exceção da citação do TSE, que possa se imaginar que isso seja capaz de ensejar qualquer crise, por menor que seja, porque, à toda evidência, os casos praticamente se relacionam a movimentações com causas absolutamente estranhas ao interesse do Estado, sem a menor importância de vinculação com o interesse público e aquele que se aproxima do TSE também não tem o peso para se lembrar de crise.
Chega a ser risível que o presidente da nação seja capaz de perceber que a maioria desses fatos refoge completamente da sua área de competência constitucional e não passa de brutal inocência ficar se preocupando com algo que é fichinha não somente para a finalidade da sustentação de crise, na forma sugerida por ele, mas também diante da gigantesca crise que grassa país afora, totalmente assoberbado com a terrível incidência do novo coronavírus, que se alastra e assombra a população, do Acre ao Chuí.
Não obstante, o presidente do país prefere vir a público para alardear iminente crise, com base em picuinhas que dizem respeito, na maioria, a questões de terceiros, dando a entender que ele está muito mais preocupado com situação pessoal de filho dele, conforme o caso mencionado no seu relato, e de outros apoiadores do seu governo, do que dos casos da saúde pública, quando ele teria a obrigação de, no mínimo humanitária, entrar de corpo e alma na condução dos trabalhos árduas de combate à pandemia do coronavírus, diante do precário desempenho pessoal dele, que tem sido contumaz menosprezador das orientações indispensáveis ao isolamento social, que é forma essencial de se evitar o contágio com o Covid-19, cabendo ao presidente liderar as políticas nesse sentido.
O presidente do país está tão preocupado com a saúde pública que o titular do Ministério da Saúde é um general intendente, que até pode entender de medicina, mas não é especialista nato, capaz de compreender, com o mínimo de profundidade, as questões próprias da área, fato este que só demonstra o grau de irresponsabilidade do governo, perante a saúde dos brasileiros.
A situação da saúde pública chega a ser tão deplorável que, depois da aprovação do protocolo da cloroquina, não se fala mais em assunto algum sobre as medidas pertinentes ao combate ao coronavírus, notadamente com relação às normas de isolamento social, que são carentes há bastante tempo, além de outras instruções próprias da competência daquele órgão.
Enfim, nem precisa de muito esforço para se perceber que o presidente simplesmente tenta se passar por vítima e, como reação pueril e irresponsável, insinua reação sobre algo que não tem a mínima ligação com República, não passando de mentalidade que valoriza as questões de terceiros, em detrimento dos reais interesses dos brasileiros, que estão mergulhados em gravíssimo sofrimento, enquanto há quem se ocupe em criar crise com base em fumaça.
É preciso ficar muito claro que as funções de presidente da República estão previstas na Constituição Federal, tendo como parâmetro institucional, em essência, o zelo e o cuidado, com competência e eficiência, da coisa pública, do patrimônio dos brasileiros, não se incluindo nenhuma obrigação relacionada com a preocupação de interesses pessoais de familiares e terceiros, embora esse fato não tem importância para presidente do país.
Enfim, é extremamente estranho que mente povoada por fantasmas possa imaginar crise com base em elementos imaginários e fora dos padrões capazes de assegurar o mínimo de requisitos para fundamentar a crise dimensionada,
É preciso que o presidente do país tenha consciência do que ele imagina sobre crise, porque a loucura da sua decretação, por motivos de pouca consistência, poderá transformar  a nação m enorme  tragédia, com base em elementos sem a menor significância, porque todos os casos por ele mencionados ainda estão sendo investigados, sem nenhuma prova concreta e mesmo que ela já existisse não seria motivo para o desespero mostrado por quem tem o dever de dar o exemplo de acatamento às decisões judiciais, à vista do entendimento de que, em todos os casos, ainda tem o remédio do recurso.
Não há a menor dúvida de que a escolha da precipitação acaba não sendo o melhor caminho para a solução das crises, que exige moderação, ponderação e inteligência para a superação dos problemas, principalmente quando elas só depende da boa vontade e da compreensão, notadamente quando, na realidade, não existe motivo algum para a sua existência.  
Urge que os brasileiros, no âmbito da sua responsabilidade patriótica, se despertem para a realidade dos fatos e repudiem, com veemência, atitudes absolutamente desvinculadas dos interesses do Estado, que tem por essencial incumbência a administração, com zelo e eficiência, do patrimônio nacional e das causas da população, com embargo de pensamentos retrógrados voltados à vinculação de casos que precisam ser tratados exclusivamente por seus interessados.      
Brasília, em 31 de maio de 2020

Mensagem de Adauto para dona Lourdinha


Diante da mensagem que elaborei em homenagem à professora Lourdinha Bastos, por motivo da sua passagem para o plano superior, o conterrâneo Adauto Galiza escreveu a seguinte mensagem: “Justíssima homenagem a essa imponente personalidade uiraunense. Fui seu aluno no colégio estadual de desenho e artes. Era impossível vê-la fora de sua fleuma vidagal. Foi um exemplo as mocas daquela época de como uma mulher podiam ser nobres e humildes ao mesmo tempo.”.
Em resposta à aludida mensagem, em que, infelizmente, não cheguei a ser aluno dela, mas apenas acompanhei, como seu contemporâneo, pouco tempo no Jovelina Gomes e na vida normal, sendo o suficiente para que eu a admirasse pela beleza ímpar das suas qualidades como pessoa excepcional, em todos os sentidos, exatamente pela finesse da sua formação moral, social e intelectual, que impressionava positivamente a todos, sendo digna e merecedora do respeito e da admiração.
Uiraúna perde pessoa que foi referência para a sociedade, que tinha prazer em ser gentil, prestativa, amorosa e humilde, em termos de relacionamento com as pessoas.
Ressalte-se que ela deixou formidável legado, em especial nas áreas da educação, da cultura e das artes, tendo contribuído com o melhor dela para a formação de grandes e ilustres filhos de Uiraúna.          
Sinto-me feliz a agradecido a Deus pela bondade de me permitir falar, com carinho de gratidão, de pessoa com as qualidades da professora Lourdinha Bastos, porque há um sentimento de alegria que invade o coração, cheio de muita saudade.
Que a paz de Deus seja o paraíso da alma dela...
          Brasília, em 28 de maio de 2020