Um amigo me confidenciou que eu não o entendo quanto à
preferência dele pela intervenção militar, a despeito da sugestão do uso de
medida nos moldes do AI-5, porque ele entende que, para o conserto dos graves erros
brasileiros, somente existem dois caminhos, o da via democrática, por meio da paz
e do amor, ou, no popular, com base no grito do mais forte, com o uso de
remédio “amargo, azedo, picante, fedido”, com possibilidade de cura para todos
os males.
E então, eu digo ao sempre atento amigo que entender, eu o entendo
perfeitamente, mas tenho entendimento diferente, o que é natural, à luz dos
princípios democráticos.
Sei e entendo que ele quer o melhor para o Brasil e isso,
por evidência, poderá acontecer por qualquer meio, mesmo que se inclua alguma
forma de intervenção e, sobre isso, eu não tenho a menor dúvida.
Não
obstante, a minha índole é estritamente democrática, em que a intervenção deixa
de ser normal e passa a ser destoante do regime democrático.
O que eu defendo é que o regime de exceção somente se
justifique em casos de extrema necessidade, a exemplo de distúrbios da ordem
pública, deflagrados, em que não seja possível o controle da situação por outra
forma que não o uso da borracha e do cassetete e assim por diante.
Sobre isso eu não tenho a menor dúvida de que é preciso
agir em defesa da sociedade.
Afora isso, não se justifica o uso de medida extrema para
se administrar o país, somente porque determinado poder seja desfavorável ao
presidente da República, que simplesmente demonstra montanhas de incompetência
para o diálogo junto aos demais poderes, para o encaminhamento das questões nacionais
e a sua solução, para depois alegar dificuldades para gerenciar o país.
É preciso que haja entendimento e diálogo para que a gestão
dos negócios do Brasil se encaixem nos trilhos da normalidade, tendo por
finalidade a coesão de pensamentos e ideais, com vistas ao desenvolvimento do
Brasil, que não pode acontecer quando todos estão se dirigindo em sentidos
contrários, cada vez mais colocando dificuldades quanto à convergência de
entendimentos.
Convém que o presidente se disponha a dialogar com todo
mundo, mesmo dizendo que a conversa não envolve a concessão de benesses, porque
isso faz parte de governo sério, mas o estadista de verdade é aquele que
conversa e sabe ouvir com moderação, ponderação, inteligência e competência,
sempre disposto a encontrar solução para os variados problemas da nação.
Nada disso se percebe por parte do governo, que, para todos,
ele tem motivos de explosão e estupidez, estando na claríssima contramão do que
precisa ser o estadista moderno, que não seja tolerante com tudo, mas que deva
agir em consonância com a liturgia do cargo de príncipe da República, com a
necessária moderação, mostrando compreensão e boa vontade para a solução dos
problemas nacionais, sejam eles quais forem.
É bem provável que 99% dos problemas somatizados na
República teriam deixado de existir se a Presidência da República tivesse à sua
frente o verdadeiro estadista, dotado de equilíbrio, moderação, compreensão,
competência, sabedoria e paciência para, no momento da dificuldade, ter
condição de contar, no mínimo, até 10, para a segura tomada de decisão que
exige o máximo de responsabilidade, principalmente se ele tivesse a consciência
de que seus atos são 100% voltados para a satisfação do interesse público, em
que ele nunca pode errar nem prejudicar o Brasil e os brasileiros.
Infelizmente, o atual presidente somente se conscientiza de
que ele não pode levar desafora para o Palácio da Alvarado, para onde jamais
deveria entrar um cisco de preocupação, para que as decisões nacionais tivessem
a pureza dos homens sábios, inteligentes, equilibrados e compreensivos.
Brasília, em 1º de novembro de 2019
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