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segunda-feira, 11 de maio de 2015

A poder em decadência

Um importante jornalista, com destaque de atuação em defesa do petismo, analisa com extrema sinceridade e lucidez o isolamento, a falta de discurso e a real ameaça do ex-presidente da República petista nas investigações da Operação Lava-Jato.
Ele disse que “Fiquei triste ao ver e ouvir o discurso de Lula neste 1º de Maio da CUT, no Vale do Anhangabaú, em São Paulo (…) Em toda a sua longa trajetória, do sindicato ao Palácio do Planalto, Lula nunca ficou tão isolado num palanque, sem estar cercado por importantes lideranças políticas, populares e sindicais (…) A presidente Dilma já tinha avisado que não viria, mas desta vez nem o prefeito Fernando Haddad apareceu. Só havia gente desconhecida a seu lado e, ainda por cima, um deles segurava o cartaz em que se lia ‘Abaixo Plano Levy - Ação Petista’, mostrando o descompasso entre a CUT, o partido e o governo. Também não me lembro de ter visto Lula falando para tão pouca gente, e tão desanimada, num Dia do Trabalhador. Não havia ali sinais de alegria e esperança em quem o ouvia, como me acostumei a acompanhar desde o final dos anos 70 do século passado, nas lutas dos metalúrgicos no ABC. Lamento muito dizer, mas o discurso de Lula também não tem mais novidades, não aponta para o futuro. Tem sido muito repetitivo, raivoso, retroativo, sempre com os mesmos ataques à mídia e às elites, sem dar argumentos para seus amigos e eleitores poderem defendê-lo dos ataques”.
O ex-presidente demostra visível destempero, por ser considerado o símbolo intocável do maior partido brasileiro que se encontra ameaçado por investigações de lobismo internacional e revelações de empreiteiros, ou seja, por tráfico de influência, com possível evidência de que a sua estrutura de homem todo-poderoso pode ser destruída diante das apurações dos fatos levantados pelo Ministério Público Federal, que poderão resultar em crime, nos termos de dispositivos do Código Penal.
Além desse fato lastimável, uma revista publicou reportagem denunciando possível favorecimento pessoal ao petista, por empreiteira investigada na Operação Lava-Jato, especificamente na reforma do sítio onde ele utiliza para passar os finais de semana.
Na atualidade, os brasileiros estão revelando nova capacidade de odiar pessoas, políticos, partidos e principalmente de repudiar as enganações, as desonestidades, as trapaças, as mentiras, os conchavos, as coalizões espúrias, as bravatas etc., porque isso tem sido a causa do caos na administração do país, cujas mazelas estão sendo refletidas na deficiente prestação dos serviços públicos da saúde, da educação, da segurança pública, dos transportes, da infraestrutura, do saneamento básico, além de ajudar na inexistência de investimentos em obras capazes de contribuir para o progresso do país, que dá sinal de intenso cansaço diante dos enormes entraves e empecilhos dispostos no seu trajeto de grande nação, à vista da gigantesca resistência dos governantes às reformas estruturais do Estado, como forma de domar o dragão do custo Brasil, que impede, entre outros fatores, a competitividade da produção nacional e a modernização do parque industrial.
          A degradação das práticas políticas, protagonizada pelos homens públicos tupiniquins ilustram com riquíssimos pormenores a completa desmoralização reinante no mundo político brasileiro, cujo cenário espelha a triste realidade pela qual os homens dignos e honestos desprezarem a vida pública, fato que dificulta a melhoria da qualidade da administração pública.
Os exemplos de degeneração das atividades políticas são bastante visíveis quando se percebe a quantidade de congressistas se unir, com unha e dentes, com o propósito de defender as mazelas, os desmandos, as imoralidades e as precariedades estampadas no governo, em nítida demonstração de despudor quanto aos princípios da dignidade que devem imperar na política, porquanto é sabido que muitos estão totalmente indiferentes aos interesses nacionais e à situação caótica do país, com a economia em frangalhos e a ética atolada no lamaçal da corrupção.
Na realidade, eles estão literalmente preocupados em garantir a sua participação nas benesses propiciadas pelo poder, com o usufruto dos cargos públicos e a livre traficância de influência entre a máquina pública, aliado aos favores paralelos, em benefício pessoal decorrentes dos indecentes e repudiáveis privilégios inerentes ao exercício dos cargos públicos eletivos, por força, o que é pior, da representação constituída legalmente pelos bestas dos brasileiros, com o sufrágio do seu voto.
É extremamente vergonhoso para o país da grandiosidade como o Brasil ter seu povo desinformado, desmemoriado e absolutamente desinteressado, que nunca aprende a votar com o devido acerto em benefício dele próprio e do país, uma vez que seus representantes, na maioria, continuam sendo sempre aqueles que já deram mostras de incompetência, desonestidade, indignidade, ilegitimidade, improbidade, que são conceitos contrários às expectativas capazes de contribuir para a construção do país com perspectivas de crescimento social, político, econômico e democrático, que tem sido o caminho trilhado em sentido contrário, sob o comando da classe política dominante, por terem por metas políticas de exclusiva satisfação de seus interesses pessoais ou partidários, estes em planos secundários.
Caso o Brasil fosse um país com pouquinho de seriedade e seu povo tivesse o mínimo de sensibilidade e de bom senso, este terrível momento por que passam de humilhação as lideranças e o governo petistas seria evitado, porquanto a presidente da República é obrigada a se confinar nos palácios, com medo de ser apupada pela população, uma vez que as práticas de corrosão da ética, moralidade e dignidade na administração pública, consolidadas pelos reiterados casos de corrupção, a exemplo do mensalão e petrolão, além da incompetência na condução das políticas públicas, notadamente quanto ao horroroso desempenho da economia, que foi capaz de conduzir o país à tragédia da recessão econômica, justificariam o afastamento do governo, ainda na origem dos fatos lesivos aos interesses públicos.
Essa salutar prática do afastamento do governante por incompetência e irregularidade na gestão pública é modelo que vem do sistema parlamentarista, de modo a se permitir a interrupção, o quanto antes, do processo deletério e prejudicial à nação e a eleição de novo mandatário, que seja capaz de adotar sistemas eficientes e eficazes de combate à incompetência e à corrupção, sendo que esta foi terrivelmente inspirada como instrumento de fundamental importância para dar suporte ao famigerado projeto de perenidade no poder, em completa afronta aos saudáveis princípios do decoro, da moralidade e da dignidade que são inarredáveis na administração do país.
O certo é que o PT optou pelos rumos contrários às boas condutas na condução das políticas públicas, tanto que as tentativas de justificativas apresentadas pelas lideranças petistas, inclusive do petista-mor, elas terminam caindo na vala comum do descrédito e da desconfiança, diante da constatação de que os fatos objeto das investigações da Operação Lava-Jato são extremamente concretos e refletem o tanto de muito dano causado aos interesses do país, merecendo intenso repúdio e recriminação, com o máximo da veemência da sociedade, que tem sido extremamente prejudicada pelas mazelas e precariedades demandas pela prestação dos serviços públicos do governo.
No momento, o único ato de grandeza capaz de demonstrar respeito à dignidade dos brasileiros, por parte do governo e do PT, seria o reconhecimento de suas graves falhas perpetradas contra os interesses do país e a imediata correção de tudo que contraria os princípios da dignidade e da probidade na administração pública, a exemplo, entre outros casos censuráveis, dos inexplicáveis, inadmissíveis, indecentes e vergonhosos inchamento da máquina pública e do seu aparelhamento, bem assim da coalizão de governabilidade, fundamentada no escrachado fisiologismo consolidado na administração pública, que não encontra paralelo nem mesmo nas republiquetas, por haver nelas o mínimo de respeito aos princípios da dignidade e moralidade na gestão dos recursos públicos. Acorda, Brasil!
                          
          ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 11 de maio de 2015

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Condescendência com a indignidade

Segundo importante blogueiro com sede no site IG, o novo presidente da Câmara dos Deputados, denominado por ele como o mais novo nobre da República, teria merecido os melhores mimos por parte da mídia, a par de ter sido conivente com o lado pouco difundido sobre o político carioca.
Na opinião desse jornalista, a eleição do presidente da Câmara teve a maciça condescendência dos grandes grupos da mídia, permitindo a consolidação do caos da ordem sociopolítica, que teria sido possível porque os “jornalões e as emissoras de TV e rádio esconderam de seus espectadores as seguintes informações: 1. No STF (Supremo Tribunal Federal), pelo menos vinte e dois processos têm Eduardo Cunha como parte. 2. Dentre esses processos, há três inquéritos (2123, 2984 e 3056) para apurar possíveis crimes cometidos por Cunha quando presidente da Companhia de Habitação do Estado do Rio de Janeiro (CEHAB-RJ) entre 1999 e 2000. 3. Cunha tornou-se sócio do deputado Federal Francisco Silva (PRN), da bancada evangélica na rádio Melodia. Juntos foram acusados de participação no escândalo das notas fiscais falsas para sonegação de ICMS por parte da Refinaria de Manguinhos. 4. O inquérito 2984 apura uso de documentos falsificados, inseridos em processo do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, para conseguir o arquivamento de inquérito aberto contra Cunha. O ex-subprocurador-geral Elio Gitelman Fischberg, que participou da falsificação, perdeu o cargo e foi condenado 3 anos e 11 meses de prisão. O STF autorizou abertura de processo contra Cunha, que corre em segredo de Justiça. 5. O primeiro inquérito contra Cunha ocorreu no bojo das ações contra PC Farias. Cunha era o braço de PC na Telerj. 6. Em 2000, um ano antes de assumir mandato como deputado estadual pelo Rio de Janeiro, Cunha teve seu nome envolvido problemas com o fisco. A Receita Federal detectou incompatibilidade entre a movimentação financeira do deputado e o montante declarado ao Imposto de Renda. 7. Foi acusado de ligações com o doleiro Lúcio Funaro, investigado pela CPI dos Correios. Segundo reportagem da revista Época, Funaro pagava o aluguel do deputado em um luxuoso flat em Brasília. 8. No mesmo ano, época em que ocupava o cargo de vice-presidente da CPI do Apagão Aéreo, Cunha foi acusado pela deputada estadual Cidinha Campos (PDT-RJ) de realizar operações com o traficante colombiano Juan Carlos Ramírez Abadía. Em discurso na Assembleia do Rio, a parlamentar acusou o deputado federal de vender uma casa em Angra dos Reis por US$ 800 mil e, pouco tempo depois, comprar de volta por US$ 700 mil. 9. Em 2011, Cunha foi alvo de investigações da Controladoria-Geral da União (CGU), que apontou que Furnas, estatal do setor elétrico, cobriu prejuízos causados pela participação da Companhia Energética Serra da Carioca II (empresa ligada a Cunha) na sociedade montada para construir a Usina Hidrelétrica da Serra do Facão, em Goiás. Na época, Furnas tinha vários quadros da direção da empresa em mãos de pessoas ligadas ao próprio Eduardo Cunha. Os prejuízos da estatal ultrapassaram os R$ 100 milhões.”.
Num país minimamente sério, diante de ficha tão carregada de sujeira como essa, à luz da moralidade e da legalidade, o nobre parlamentar teria condições de se candidatar a poucos cargos na iniciativa privada, onde se exige a apresentação de ficha corrida para se aquilatar a vida pregressa do interessado, ou seja, exigem-se referências sobre boa conduta do cidadão e comprovação, em princípio, da sua dignidade e honestidade perante a sociedade.
No caso do presidente da Câmara dos Deputados, há forte evidência, conforme mostram os fatos acima aludidos, de que sua excelência atingiu patamares elevados na política com o emprego de práticas espúrias, inescrupulosas, nada recomendáveis para as pessoas de caráter ilibado, ante a pletora coleção de processos que ele respondeu ou responde na Justiça, contendo acusações gravíssimas sobre o cometimento de atos infracionais nada compatíveis com as relevantes funções e atribuições de representante do povo, que exige, no mínimo, quitação com a Justiça do país.
Agora, no pior das hipóteses, parece absolutamente inadmissível que os parlamentares não demonstrem o menor pudor para eleger esse deputado com o histórico bastante desabonador e malévolo ao interesse público, dando a entender com clareza que as questões que afetam a ética, a moralidade e o decoro não têm a menor importância ou nenhum reflexo na condução da respeitável instituição da República, que tem o dever constitucional e legal de dar bons exemplos aos demais parlamentos estaduais.
Não há dúvida de que a eleição desse deputado mostra que o país ainda terá enormes dificuldades para, ao menos, pretender a sua moralização, ante o terrível e crônico processo de descrédito, resultante dos endêmicos e sistemáticos casos de corrupção envolvendo parlamentares, a exemplo dos escândalos que implodiram a tão conceituada Petrobras, cujos protagonistas integram partidos da base de sustentação do governo no Congresso, conforme depoimentos prestados à Justiça Federal pelo ex-diretor de Abastecimentos da estatal, que teria citado o PT, PMDB e PP e alguns congressistas como beneficiários das falcatruas denunciadas.
A desmoralização das instituições está tão banalizada que, mesmo que houvesse estardalhaço, por parte da mídia, sobre as participações trapalhadas e deletérias do novo presidente da Câmara noticiando o envolvimento do deputado em irregularidades graves, não seria capaz de demover a arraigada indolência dos parlamentares, que não estão nem aí para mudar seu desempenho nada responsável, a exemplo de seus votos não somente no candidato à presidência da Câmara, mas também do Senado Federal, cujos eleitos estão com processos na Justiça, por corrupção.
É evidente que a culpa originária deve ser atribuída ao povo que ainda vota e elege cidadãos com histórico que, à toda evidência, não teria condições de representar com dignidade a sociedade.
Compete à sociedade, por força da sua consciência cívica, se mobilizar, com urgência, para evitar que homens públicos, envolvidos em irregularidades com recursos públicos, sejam eliminados, in limine, da vida pública, como forma imprescindível de moralização das atividades político-administrativas do país, que padece, de forma extremamente prejudicial ao interesse público, cada vez que políticos desavergonhados e ímprobos são eleitos para o exercício de cargos públicos eletivos, que deveriam ser ocupados exclusivamente por cidadãos com comprovada dignidade e honestidade. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 03 de fevereiro de 2015