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domingo, 12 de julho de 2015

Insensibilidade aos clamores sociais

Conforme a última pesquisa divulgada pelo Ibope, no mês de junho último, abrangendo 2.002 entrevistados, em 141 municípios, o governo petista foi avaliado em 9% como ótimo/bom, 21% regular e 68% ruim/péssimo, demonstrando amplamente a sua desaprovação pelas pessoas pesquisadas, fato que revela, com muita clareza, que a gestão do país se encontra completamente na contramão da vontade popular.
Há notória queda da aprovação da presidente, se comparada a atual pesquisa com a divulgada em abril, quando a aprovação do seu governo se encontrava também em nível muito baixo, em 12% entre ótimo e bom, contra 64% dos entrevistados, que se manifestaram entre "ruim" ou "péssima" para a administração do país.
Agora, a pesquisa promoveu levantamento sobre outros importantes elementos quanto à avaliação do desempenho da presidente, a exemplo da confiança sobre o trabalho dela. Os ouvintes, em 20%, disseram confiar nela e 78% se manifestaram sem confiança na petista, representando que ela conta com o crédito de mais de um quarto dos entrevistados.
Já os eleitores ouvidos que aprovam a maneira de governar da presidente atingiram os 15%, enquanto 83% deles a desaprovam, evidenciando extraordinário inconformismo com a maneira como o país vem sendo governado, ou seja, há clara demonstração de que muitos brasileiros se encontram insatisfeitos com a administração do país.
Na mesma linha de entendimento, os entrevistados avaliam, em 82%, que o segundo mandato da petista está sendo pior que o primeiro, enquanto outros 14% acreditam que a gestão dela é igual à anterior.
Apenas 11% das pessoas ouvidas acreditam que o restante do segundo governo será ótimo ou bom, enquanto 61% consideram que será ruim ou péssimo e 23% acham que será regular.
A pesquisa também avaliou a percepção da população quanto às notícias sobre o governo, veiculadas pela imprensa. Somente 8% dos ouvidos são favoráveis, 64% são desfavoráveis, 17% representam nem favorável nem desfavorável e 11% não souberam/não responderam.
Conforme o levantamento em apreço, a notícia sobre o governo mais lembrada pela população foi, com maior destaque, a que se refere às investigações da Operação Lava-Jato, que trata da roubalheira na Petrobras, objeto do maior escândalo de corrupção da história republicana, com a marca da gestão petista de ser, à vista das assombrosas irregularidades representadas pelo famigerado caso do mensalão.
Curiosamente, a pesquisa em causa também abordou a política de combate à fome e à miséria, sendo que 29% dos entrevistados a aprovam e 68% deles a desaprovam, ou seja, a maioria absoluta dos entrevistados discorda da maneira como vem sendo executadas as ações que o governo estabeleceu como prioritárias.
Por seu turno, os entrevistados, em 24%, aprovam as políticas pertinentes à educação, que são desaprovadas por 74%, fato que não poderia ser diferente, ante as desastradas avaliações dos organismos internacionais sobre o desempenho da educação, a exemplo do Índice de Desenvolvimento Humano, que tem sido simplesmente catastrófico.
A segurança pública teve aprovação de apenas 14% dos ouvidos e desaprovação altíssima de 84% deles, em evidente mostra da enorme insatisfação com a condução dessa política pública pelo governo, que se encontra quase em completo abandono, justamente por falta de priorização para a solução das graves questões que afetam terrivelmente a população, cada vez mais jogadas à própria sorte.  
A saúde pública também teve expressiva desaprovação de 86% dos entrevistados e apenas 13% de aprovação, ficando muito claro que as ações do governo na assistência vital da população se encontram em estado crônico de falência de seus órgãos incumbidos do gerenciamento de tão importante sistema de atendimento da população, que clama por urgente socorro do governo, que, ao contrário, prefere fazer-se de ouvidos moucos, em completa insensibilidade quanto à calamidade e ao caos que imperam nas políticas públicas, permitindo que os brasileiros paguem pela incompetência e ineficiência administrativas, que são responsáveis pelo sacrifício de vidas de expressiva massa populacional que, igualmente, atinge o percentual dos 86% que devem corresponder à classe dos brasileiros impossibilitada de arcar com os altíssimos custos dos planos de saúde e é submetida aos terríveis atendimentos nos hospitais e nas unidades de saúde superlotados de doentes, que não encontram adequado, digno e merecido atendimento.
O combate à inflação também mereceu elevada desaprovação de 86% e aprovação de 11% dos entrevistados, mostrando que o governo é péssimo no controle do custo de vida dos brasileiros, de vez que a elevação dos preços corrói o bolso dos trabalhadores.
Quanto à cobrança dos tributos, os entrevistados esbanjaram desaprovação de 90% e somente 7% disseram que estão felizes com a sua imposição, mas nada disso é suficientemente capaz para sensibilizar o governo com relação à necessidade de reforma do extorsivo sistema tributário, que representa uma das maiores cargas tributárias do mundo.
No mesmo diapasão, os entrevistados, em 90%, desaprovam a taxa de juros e apenas 6% a aprovam, indicando que os brasileiros estão insatisfeitos com a enorme dificuldade para a obtenção de crédito, diante dos absurdos juros mais altos da face do planeta.
O resultado da pesquisa em referência, contendo revelações estarrecedoras sobre o pífio desempenho do governo, à luz da execução de suas políticas públicas, dá mostra real sobre as precariedades que precisam de urgentes medidas saneadoras, mas as visíveis deficiências gerenciais já evidenciadas pela presidente do país acenam claramente pela sua continuidade e quiçá pelo seu adensamento, à vista da indiferença e da insensibilidade aos clamores sociais.  
Urge que a legislação eleitoral seja reformulada, para se permitir, em benefício do interesse público, que os brasileiros possam decidir em sufrágio universal, ante a notória situação de penúria e de calamidade da administração do país, como se deflagra claramente no presente momento, se governante inepto, incompetente, despreparado e desacreditado, que tenha causado enormes e irreparáveis prejuízos às causas nacionais, com seu lastimável e maléfico desempenho, possa continuar ou não comandando a nação, à vista da sua comprovada incapacidade de iniciativas para contornar e solucionar a crise e retomar o caminho da reconstrução do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 12 de julho de 2015

quinta-feira, 3 de julho de 2014

A excrescência política

O pleito eleitoral de 2014 se aproxima e, no seu bojo, vai constar a excrescente figura do suplente de senador, que agora não pode mais ser parente do candidato e foi limitado a somente um suplente, mas nem por isso deixa de ser vergonhoso e indecente o procedimento, por não se harmonizar com o princípio democrático segundo o qual o voto emana do povo, que tem o poder constitucional de eleger seus representantes. No caso, o suplente de senador conspira a favor da indignidade e do descrédito do Congresso Nacional, que deveria ter a proficiência e decência de excluir em definitivo essa aberração do sistema político-eleitoral, por não corresponder à modernidade democrática, uma vez que ele pode se investir no cargo de senador, para representar o povo sem a devida legitimidade, justamente por não ter merecido sequer o voto dele. É bem provável que essa esculhambação política somente deva existir nas republiquetas, onde não há a menor preocupação dos políticos para com o aperfeiçoamento e a modernização do sistema político-eleitoral, que funciona à mercê das conveniências políticas e dos interesses pessoais e partidários, em contraposição às causas nacionais e da sociedade. Além da patente ilegitimidade, o suplente de senador normalmente é o principal financiador da campanha, que banca significativa parcela das despesas, como verdadeiro caixa do candidato titular. Essa indigna e degradante figura da suplência de senador é tão prejudicial à qualidade da representatividade política que ela é capaz de mudar a mentalidade dos congressistas, pelo fato de se votar em algum candidato em razão da sua plataforma política e das suas propostas de realizações para a sociedade, mas que, de repente, o senador eleito, por qualquer motivo, se afasta do cargo e outro cidadão assume o seu lugar, repita-se, sem ter tido um único voto e ainda com a possibilidade de o suplente ter ideologias bem diferentes das defendidas pelo candidato que obteve os votos do eleitorado, podendo haver, nesse caso, completa dissintonia com os princípios republicano e democrático, de alguém ter votado num representante e ele ser substituído sem a sua aprovação. Nesse particular a sociedade termina sendo ludibriada, por imposição de sistema obsoleto e retrógrado, que já deveria ter sido eliminado há século. Veja-se como a o sistema atual é injusto e ilegítimo, pelo fato de existirem 16 suplentes ocupando cargo de senador. Entre os quais, consta o caso mais suspeito e emblemático da Câmara Alta, que se refere à assunção ao cargo de senador pelo filho cujo pai assumiu o cargo de ministro no Executivo. Além de outros casos em que pai assume em lugar do filho, em verdadeira esculhambação no órgão que, em princípio, deveria funcionar como exemplo de decência, decoro e dignidade e até mesmo como modelo para os demais órgãos da administração pública. No caso de vacância do cargo, poderia ser convocado o candidato em seguida mais votado no mesmo pleito, a exemplo do que ocorre com o preenchimento do cargo de deputado, em que o candidato suplemente mais votado do partido ou da coligação assume na vaga existente. Não se justifica nova eleição para a escolha do senador, em face dos elevados gastos, quando já existem outros candidatos que foram votados no mesmo pleito do senador afastado e que tem a mesma legitimidade obtida nas urnas, diferentemente da suplência, que não tem voto. Ressalte-se que o poder emana do povo e em seu nome será exercido, segundo os princípios constitucionais, mas, no caso do suplente de senador, essa regra não prevalece, por inexistir voto para ele. Muito provavelmente, nos países evoluídos social, política, econômica e democraticamente esse sistema ilegal e injustificável não deve existir, certamente porque o conceito de democracia é cultuado segundo a legislação aperfeiçoada e modernizada, de modo que a figura do suplente é inexistente. O Brasil precisa evoluir, em termos de legislação político-eleitoral, acabando com os vexaminosos feudos nos cargos públicos. A construção de um Brasil desenvolvido e modernizado exige que os homens públicos tenham consciência sobre a necessidade de urgentes e radicais mudanças na legislação retrógrada ainda vigente, de modo que, nas funções e atividades político-eleitorais, prevaleçam somente a satisfação do interesse público. Acorda, Brasil!   
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
Brasília, em 02 de julho de 2014