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quarta-feira, 20 de novembro de 2013

À busca de sensatez e competência

Pesquisa sobre pesquisa do Ibope, a partir de julho último, mostra que a presidente da República tem conseguido recuperar o cacife eleitoral depois da onda de manifestações que esfarelou a sua popularidade. Na última pesquisa divulgada, o cenário evidencia que a petista lidera a corrida presidencial com 43% de intenção de voto, vindo, na sequência, o senador tucano com 14% e o governador socialista com 7%. O percentual de brancos e nulos atingiu a taxa alta de 21%, enquanto outros 15% não souberam responder, evidenciando boa margem para os candidatos que tiverem um pouco mais de competência para convencimento quanto à sua capacidade para administrar o país com programa de governo consistente e eficiente. De julho a novembro, a presidente conseguiu sair de 30% para 43%, enquanto o tucano mantém desempenho quase estável, variando apenas entre 11% e 14%. Já o governador de Pernambuco partiu de 3% em julho para chegar a 7% agora. O certo é que a presidente da República se encontra em franca reconquista de parte significativa do que havia perdido depois das manifestações de protestos, quando já estava no patamar folgado de 58% de intenção, o máximo que ela alcançou no Ibope, em março deste ano, enquanto, naquela época, a senadora da Rede tinha 12%, o senador tucano estava com 11% e o governador socialista não passava de 4%. É evidente que ainda é longo o caminho a ser percorrido até o encerramento da campanha presidencial, no qual muitos clarões, pesadas turbulências e possíveis bonanças vão surgir, com possiblidade de beneficiar ou atrapalhar as pretensões dos presidenciáveis, que podem conquistar ou perder preciosos pontos nas avaliações do eleitorado, principalmente dos eleitores ainda indecisos. Parece compreensível que os concorrentes da oposição sejam políticos pouco conhecidos do povão, o peso do eleitorado, por ainda não administrar nenhum programa do tipo Bolsa Família, principal mecanismo impulsionador da vitalidade da presidente da República, no seu imbatível reconhecimento de popularidade de quem se encontra no governo, com o poder de garantir a expansão desse programa, que funciona em forma de distribuição de renda, que não deveria se estender além das famílias estritamente carentes. O quadro atual demonstra que a presidente não tem concorrente à sua altura e seria reeleita ainda no primeiro turno. Na realidade, a oposição precisa se esforçar bastante para criar estrutura capaz de mostrar à sociedade que a forma de administrar o país carece de significativas mudanças, principalmente de qualidade de gestão que possa satisfazer os princípios da eficiência, legalidade, moralidade, competência, economicidade e principalmente de seriedade com a coisa pública. A pesquisa mostra, com absoluta clareza, que os candidatos têm pouca qualificação para implementar reformas estruturais no país e o pior é que a pessoa mais conhecida, embora sem maiores predicativos, estranhamente se destaca com bastante vantagem e desenvoltura sobre os demais candidatos, a ponto de surfar de braçadas rumo à reeleição, que parece se encaminhar para desfecho tranquilo, caso não aconteça grande desastre de percurso. Não obstante, causa enorme perplexidade se verificar que a presidente da República, depois de quase três anos à frente do governo, consiga conquistar a simpatia de parcela significativa da população, conforme revela a pesquisa em apreço, apesar de ter apresentado desempenho sofrível na sua gestão, em termos de obras públicas e investimentos de impacto capazes de gerar crescimento econômico e social. Além disso, ela foi incapaz de promover a reformulação das estruturas do Estado, notadamente fragilizadas pelo total descaso quanto aos seus reflexos principalmente nas atividades econômicas, terrivelmente prejudiciais ao desempenho do parque industrial, ante os pesados tributos, elevados encargos previdenciários, juros escorchantes, injustificáveis obrigações fiscais e burocráticos, entre tantos gargalos que impedem a competitividade da produção nacional e a expansão dos segmentos econômicos. A presidente também teve a invulgar habilidade de patrocinar o fortalecimento do indecoroso fisiologismo na administração pública, ao dar continuidade ao vergonhoso loteamento dos ministérios e das empresas estatais entre os partidos da sua base de sustentação política, em troca de apoio ao seu famigerado projeto de reeleição e de continuidade no poder. Também constituiu falha grave da presidente da República a falta de iniciativa de exonerar os ministros denunciados em envolvimento nos casos de corrupção com recursos públicos. Na verdade, ela foi salva do maior vexame porque os ministros tidos por corruptos pediram para sair do governo, se retirando pelas portas dos fundos dos ministérios, fatos conhecidos por faxina que nunca houve. Na realidade, é certo que, nos assentamentos de desempenho da presidente, não se contabiliza nenhum fato relevante que seja motivador do reconhecimento do eleitor consciente sobre o seu real merecimento de continuar na administração da nação, ante a falta de realizações consideráveis. No entanto, a pesquisa mostra que o quadro de estadista para dirigir os destinos do país é simplesmente preocupante, por sinalizar pela continuidade da inapetência quanto às priorizações das políticas públicas capazes de promover o desenvolvimento do país. A sociedade aspira por que os candidatos tenham inspiração nos grandes estadistas mundiais, de modo a formular programas de governo compatíveis com a grandeza das pretensões de crescimento e de modernidade do país, observada a essencialidade dos princípios democráticos e constitucionais. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 19 de novembro de 2013

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Basta de ideias medíocres

Na sua costumeira e peculiar forma de proceder, o ex-presidente da República petista voltou a ironizar o candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, ao lembrar o episódio da bola de papel atirada contra o tucano durante a campanha presidencial de 2010, quando ele foi atingido na cabeça por um rolo de fita adesiva e uma bola de papel durante caminhada no Rio de Janeiro. O ex-presidente fez questão de relembrar o triste fato com a finalidade de pedir cautela aos militantes do partido, dizendo, de forma sarcástica: "A gente não pode nesses últimos dias (da eleição) aceitar nenhuma provocação, porque nós sabemos que tem muito candidato aí que até uma bolinha de papel que alguém jogou na cabeça dele ele diz que foi uma agressão e culpou o PT. Então, por favor, nada de brincar com bolinha de papel, nada de brincar de bolinha de isopor, nada. A partir de agora, nem bolinha de sabão vocês podem fazer". Ainda em tom de deboche e desdenho, ele disse que o tucano é "frágil" e que "qualquer coisa o machuca". A maneira agressiva com que o ex-presidente petista procura atingir seus adversários, de forma gratuita e relembrando fatos ocorridos há tempos passados, demonstra a pobreza de espírito e a deselegância cultural de quem não tem argumentos de nível razoável para defender com equilíbrio e inteligência as ideias programáticas, em sintonia com os princípios democráticos, que devem imperar as disputas nas campanhas eleitorais. Essas críticas depreciativas, que não são novidades, partindo de onde se originou, são extemporâneas, totalmente fora do atual contexto político e ainda têm o condão de revelar a nítida vontade apelativa de menosprezo ao ser humano, de desqualificá-lo na sua honra e integridade moral, a completa falta de argumentos produtivos e construtivos ao aperfeiçoamento dos princípios da democracia e a decadência dos discursos políticos, contribuindo para que a oratória nas campanhas eleitorais decaia a nível deplorável de intelectualidade. A participação na política de pessoas com mentalidade retrógrada e pouco desenvolvida constitui verdadeiro desserviço à civilidade e ao respeito à dignidade humana. Com certeza, o povo não concorda com procedimentos deprimentes de desdenho nem gostaria que os discursos dos políticos descessem ao nível da baixaria e da falta de racionalidade, não somente porque não seria inteligente respaldar imbecilidade, se nivelando ao seu protagonista, mas, sobretudo, por entender que o momento da campanha deve servir para a apresentação de programas de governo, de metas para o benefício da sociedade. Urge que o povo se conscientize sobre a necessidade de sopesar a contribuição negativa e nefasta dos políticos que menosprezam deliberadamente seus adversários com o propósito de diminuir a sua dignidade, tendo em conta que o exercício da política não comporta mediocridade nem muito menos ideias vazias e destituídas de conteúdos saudáveis à desconstrução da democracia de qualidade. Acorda, Brasil!   
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 07 de outubro de 2012