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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Conivência oficial

Presentemente, a sociedade brasiliense encontra-se atônita e inquieta com o recrudescimento do consumo de drogas no coração da capital do Brasil, numa demonstração inconteste da degradação moral do ser humano, indistintamente de idade ou sexo dos usuários. Na mesma proporção, a violência vem crescendo de forma igualmente insuportável. Fica evidenciado que as autoridades públicas são coniventes com esse estado deplorável, por nada fazerem, para solucionar, com efetividade, a grave questão que se expõe à luz do dia ou à noite, ostensiva e incontrolavelmente. Aliás, tem sido comum se ouvir, por parte de quem deve combater essa calamidade, a afirmação de que a lei não autoriza a internação do usuário de drogas ou outras medidas capazes de propiciar o seu tratamento. Isso é um verdadeiro contrassenso, porque não condiz com a realidade da triste e precária situação, em que o Estado tem a obrigação de atuar com energia e não tentar justificar o seu fracasso com base na fria letra da lei, em detrimento à importância da vida. Essa desculpa deslavada funciona mais como reafirmação da inércia e do descaso das autoridades, que terminam convivendo e concordando com essa indecente chaga social. O indigno comportamento governamental não tardará a merecer, com mérito, o título desonroso de capital brasileira das drogas e dos viciados, conferido pelo Comitê Central do Narcotráfico, em contraposição ao título de capital Patrimônio da Humanidade, conferido pela UNESCO. É patente a falta de políticas mínimas de apoio aos consumidores de drogas e de combate ao tráfego dos entorpecentes. Não há dúvida de que se trata de caso de responsabilização dos governantes incompetentes, por todo esse caos social. Estranhamente, o Ministério Público não esboça nenhuma medida no sentido de fazer valer a sua competência constitucional e legal, exigindo do Estado a adoção das medidas cabíveis. Também não se pode isentar a sociedade de culpa, quanto à sua passividade diante desse quadro alarmante e inadmissível. Em face do estado avançado de dilaceramento que aflige toda sociedade, exige-se que as autoridades governamentais tenham a sensibilidade necessária para combatê-la com a devida seriedade digna da vida, que deve ser valorizada acima de qualquer pretexto, inclusive jurídico.

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 11 de agosto de 2011

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

A chaga social

 A sucumbência da sociedade, principalmente de celebridades prestigiadas mundialmente, ao terrível e devastador efeito das drogas demonstra claramente que o combate contra o narcotráfico fracassou redondamente, há bastante tempo. Constantemente, o mundo despede-se, comovido e consternado, de pessoas talentosas que são levadas ao vício de entorpecentes, possivelmente na expectativa de que as substâncias alucinógenas e mortíferas seriam medicamento ideal para beneficiar suas capacidades intelectual e artística. Não se pode mais acreditar ou ter esperança de que seja possível a criação de instrumentos capazes de impedir o prosseguimento desvairado das drogas na sociedade, que tem enorme dificuldade de se conscientizar dos seus malefícios à saúde física e mental, com graves e destruidores reflexos nos relacionamentos familiares e sociais dos envolvidos. Paradoxalmente, muitas celebridades, inclusive políticas, não se envergonham em defender a descriminalização, ou seja, a liberdade da venda de drogas, como se isso pudesse ajudar à conscientização da sociedade para a tragédia dessa chaga da humanidade. Essas pessoas renomadas poderiam muito bem usar a sua fama mundial para a defesa de causas verdadeiramente justas e edificantes em prol de vida saudável, com a criação e o incentivo de campanhas, de âmbito nacional e internacional, no sentido de que os países produtores de matérias-primas de drogas sejam beneficiados com maciços recursos financeiros, oriundos de fundo instituído especificamente para essa finalidade, e apoio material em substituição ao cultivo e tráfego dessas malditas substâncias que estão entorpecendo a vitalidade do ser humano. Ironicamente, tem sido comum a invasão de países por simples interesse econômico, principalmente pela exploração de petróleo, mas jamais qualquer nação tenha sido ocupada por outra sob o argumento da extrema necessidade da preservação da qualidade e dignidade da vida humana. Não se pretende, em absoluto, propugnar por invasão de país algum, mas se isso ocorresse até que se justificaria em nome de causa nobre e humanitária e no direito de revidar a enorme agressão que as republiquetas vêm praticando permanentemente com a exportação de suas drogas. A sociedade clama por que o mundo político e influente se preocupe, com a necessária urgência, com a discussão, em alto nível de responsabilidade e de forma prioritária e abrangente, de meios, medidas e instrumentos que levem ao efetivo extermínio desse mal que inferniza e infelicita toda humanidade.
 ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 03 de agosto de 2011