sexta-feira, 29 de maio de 2026

Parcimônia

 

Conta-se que o então presidente da França, famoso Charles de Gaulle, que residia no Palácio do Eliseu, cercado de muitos luxos, mas ele rejeitava qualquer uso de dinheiro público para despesas pessoais, sob o argumento de que ser presidente não era para se beneficiar do erário, mas responsabilidade que exigia absoluta integridade.

A primeira-dama francesa controlava tudo o que a família consumia, desde energia elétrica, refeições, roupas e até o sabonete usado no dia a dia, para o fim de providenciar o devido ressarcimento dos gastos devidos e pertinentes.

Ela justificou tamanho rigor, dizendo que “Tudo o que não é público é privado e o que é privado, nós pagamos.”.

Essa regra valia para todos da família presidencial, que não usufruía  de qualquer privilégio inerente ao cargo.

É surpreendente que, além de pagar as despesas da família, o presidente francês teve a ousadia, no bom sentido, de dispensar o salário inerente ao cargo que ocupava, tendo preferido viver apenas com sua aposentadoria militar, mostrando que seu compromisso com o país não tinha preço.

Quando Charles de Gaulle morreu, não deixou fortuna nem grandes contas bancárias, como herança.

O presidente francês passou para a história universal esse lindo e maravilhoso legado como exemplo muito claro de homem público digno,  honrado e íntegro, no sentido de que “O poder não é sobre o que você pode tirar, mas sobre o que você escolhe respeitar.”.

Trata-se de caso raro e magnífico de integridade que continua merecendo ser divulgado e esfregado na cara dos políticos desavergonhados, indignos e aproveitadores dos chamados homens públicos brasileiros.

Acredita-se que, no país tupiniquim, seguiu-se precisamente o excelente exemplo da dignidade e do extremo respeito ao emprego do dinheiro público pelo presidente francês, Charles de Gaulle, para a implantação das regras ao contrário, com a prevalência da depravação, da instituição da esbórnia e do exagero nas mordomias palacianas, sem nenhum escrúpulo.

Em todos os palácios e governos brasileiros, há tudo transparente, às claras, as mais explícitas e incontroláveis gastanças com o dinheiro do explorado contribuinte, que cobre todas as despesas pessoais dos aproveitadores, desonestos e desavergonhados políticos.

A exploração do dinheiro público pelos políticos não só ridiculariza a dignidade da nobreza da res publica como inferioriza moralmente os ocupantes dos cargos públicos, pela evidência do exagerado abuso dos gastos notoriamente indevidos, diante de dispêndios que são feitos para a manutenção pessoal dos representantes políticos, diferentemente dos recursos destinados ao atendimento do interesse público, em obras e serviços para o bem comum da sociedade.

Na verdade, é preciso que se diga que essa inadmissível deformidade moral e ética dos políticos tem muito com a mediocridade do povo, que tem o poder constitucional de eleger os seus representantes políticos, mas ele não tem a menor preocupação na escolha deles, principalmente quanto à imperiosa necessidade de se exigir rigor e moderação, como forma de parcimônia na aplicação dos orçamentos públicos, especialmente no emprego dos recursos, que precisam se destinar exclusivamente aos fins públicos, proibidas, em quaisquer hipóteses, as despesas de caráter personalistas.

Aqui, abrem-se parêntesis para citar os excelentes exemplos do príncipe brasileiro, Dom Pedro II, que deve ter sido pioneiro em exemplo de austeridade com o emprego do dinheiro público, pois ele mantinha tudo dele e da sua família às suas expensas, como os empregados e as despesas pessoais e da sua residência, tendo sempre o compromisso com o bom e o regular emprego do dinheiro público.

Enfim, apelam-se por que os aproveitadores e desavergonhados políticos brasileiros se conscientizem sobre a importância da dignificação pessoal, se comprometendo publicamente que os recursos públicos possam ser aplicados exclusivamente em finalidades públicas, no atendimento das necessidades da população.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 7 de maio de 2026

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