Conta-se que o então presidente da França,
famoso Charles de Gaulle, que residia no Palácio do Eliseu, cercado de muitos
luxos, mas ele rejeitava qualquer uso de dinheiro público para despesas
pessoais, sob o argumento de que ser presidente não era para se beneficiar do
erário, mas responsabilidade que exigia absoluta integridade.
A primeira-dama francesa controlava tudo o
que a família consumia, desde energia elétrica, refeições, roupas e até o
sabonete usado no dia a dia, para o fim de providenciar o devido ressarcimento
dos gastos devidos e pertinentes.
Ela justificou tamanho rigor, dizendo que
“Tudo o que não é público é privado e o que é privado, nós pagamos.”.
Essa regra valia para todos da família
presidencial, que não usufruía de qualquer privilégio inerente ao cargo.
É surpreendente que, além de pagar as
despesas da família, o presidente francês teve a ousadia, no bom sentido, de
dispensar o salário inerente ao cargo que ocupava, tendo preferido viver apenas
com sua aposentadoria militar, mostrando que seu compromisso com o país não
tinha preço.
Quando Charles de Gaulle morreu, não deixou
fortuna nem grandes contas bancárias, como herança.
O presidente francês passou para a história
universal esse lindo e maravilhoso legado como exemplo muito claro de homem
público digno, honrado e íntegro, no sentido de que “O poder não é
sobre o que você pode tirar, mas sobre o que você escolhe respeitar.”.
Trata-se de caso raro e magnífico de
integridade que continua merecendo ser divulgado e esfregado na cara dos
políticos desavergonhados, indignos e aproveitadores dos chamados homens
públicos brasileiros.
Acredita-se que, no país tupiniquim,
seguiu-se precisamente o excelente exemplo da dignidade e do extremo respeito
ao emprego do dinheiro público pelo presidente francês, Charles de Gaulle, para
a implantação das regras ao contrário, com a prevalência da depravação, da
instituição da esbórnia e do exagero nas mordomias palacianas, sem nenhum
escrúpulo.
Em todos os palácios e governos brasileiros,
há tudo transparente, às claras, as mais explícitas e incontroláveis gastanças
com o dinheiro do explorado contribuinte, que cobre todas as despesas pessoais
dos aproveitadores, desonestos e desavergonhados políticos.
A exploração do dinheiro público pelos
políticos não só ridiculariza a dignidade da nobreza da res publica como
inferioriza moralmente os ocupantes dos cargos públicos, pela evidência do
exagerado abuso dos gastos notoriamente indevidos, diante de dispêndios que são
feitos para a manutenção pessoal dos representantes políticos, diferentemente
dos recursos destinados ao atendimento do interesse público, em obras e
serviços para o bem comum da sociedade.
Na verdade, é preciso que se diga que essa
inadmissível deformidade moral e ética dos políticos tem muito com a
mediocridade do povo, que tem o poder constitucional de eleger os seus
representantes políticos, mas ele não tem a menor preocupação na escolha deles,
principalmente quanto à imperiosa necessidade de se exigir rigor e moderação,
como forma de parcimônia na aplicação dos orçamentos públicos, especialmente no
emprego dos recursos, que precisam se destinar exclusivamente aos fins
públicos, proibidas, em quaisquer hipóteses, as despesas de caráter
personalistas.
Aqui, abrem-se parêntesis para citar os
excelentes exemplos do príncipe brasileiro, Dom Pedro II, que deve ter sido
pioneiro em exemplo de austeridade com o emprego do dinheiro público, pois ele
mantinha tudo dele e da sua família às suas expensas, como os empregados e as
despesas pessoais e da sua residência, tendo sempre o compromisso com o bom e o
regular emprego do dinheiro público.
Enfim, apelam-se por que os aproveitadores e
desavergonhados políticos brasileiros se conscientizem sobre a importância da
dignificação pessoal, se comprometendo publicamente que os recursos públicos
possam ser aplicados exclusivamente em finalidades públicas, no atendimento das
necessidades da população.
Acorda, Brasil!
Brasília, em 7 de maio de 2026
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