sexta-feira, 29 de maio de 2026

Valentia?

 

Em mensagem que circula na internet, consta texto atribuído ao admirável historiador e folclorista Luiz da Câmara Cascudo, que teria afirmado, in verbis: “Você pode entender Lampião, sem se solidarizar-se com ele. O sertanejo não admira o criminoso, mas o homem valente.”.   

A verdade precisa ser dita e deixada às claras, como forma de desmascaramento de quem dissemina a história que não condiz com a realidade, muito de valentia, quando tudo acontecia sob o perverso manto da agressão, da violência e dos maus-tratos contra o ser humano indefeso e inocente.

O lampião nunca pode ser considerado homem valente, porque ele tinha todas as características de autêntico covarde e de criminoso frio e absolutamente sem caráter, que só merece total desprezo dos brasileiros que valorizam os direitos e a dignidade do ser humano.

Esse criminoso desequilibrado mental foi verdadeiro covarde porque ele agia, sob a sua liderança, na forma de poderoso grupo, chamado bando assassino de cangaceiro.

Esse infeliz e desprezível grupo atacava as pessoas de forma traiçoeira e agressiva, não permitindo qualquer possibilidade de defesa, que sempre estavam em minoria e não tinham como se defender, o que vale dizer que esse demônio cometia crueldades, assassinatos, atrocidades, judiações, violências as mais diversas e formas, sempre para a satisfação do seu instinto perverso, maligno e desumano, por causa absolutamente injustificável e irracional contra a sociedade inocente e indefesa.

Nada disso de tão demoníaco e desumano tem a ver, minimamente que seja, com a nobreza da valentia, porque o homem valente é justo e jamais concordaria com a barbaridade como princípio de vida, assim como fez no cangaço, que foi servido para a prática permanente somente de desgraças, na forma da pior violência contra importantes famílias e pessoas inocentes e indefesas.

Causa perplexidade que pessoas inteligentes, sensatas e minimamente humanas ainda tenham a indecência de considerar um genuíno covarde como se fosse pessoa valente, visto que os seus atos foram todos desprezíveis e contrários à dignidade humana.

Não parece de bom tom interpretar ou confundir a imagem de facínora com quem tem valentia, de vez que seus atos foram de pura perversidade, com índole maldosa, em intensa judiação contra o semelhante dele, sem qualquer motivação para justificar absolutamente nada do que aconteceu de aterrorizante e por muito tempo.

Essa compreensão distorcida da verdade dissente do maravilho sentimento que se apregoa sobre o bravo sertanejo, aquele que cultua os sagrados princípios da justiça, da verdade e do amor entre os homens, porque isso sim é a valentia sobrejacente própria de quem é realmente valente.

A propósito, cito que o meu saudoso e amado papai Vaneir, com apenas três meses de vida, foi vítima desse perverso bando, quando foi obrigado, mesmo com tão pouca idade, a se refugiar nas matas, nos braços da sua mãe, para evitar a violência praticada pelos desprezíveis cangaceiros, que invadiram o casarão do Sítio Canadá, em ação agressiva e violenta contra poucas pessoas inocentes e indefesas. 

Enfim, nesse particular do cangaço, é de se lamentar que não houve e nem há evolução humana para quem ainda não se envergonham de tentar abonar ou proteger os gravíssimos crimes causados contra a humanidade, como nessa horrorosa barbaridade praticada contra pessoas inocentes e indefesas, que causou verdadeiro rastro de medo, desassossego e sofrimento ao verdadeiro povo bravo do Nordeste.

Apelam-se por que os brasileiros do bem reflitam sobre a importância da conscientização de que o horroroso e facínora império do cangaço precisa ser interpretado como ele realmente aconteceu de algo que precisa ser suplantado das memórias e não da história como a pior desgraça humana que se abateu contra pessoas inocentes, vítimas de baderneiros sanguinários, que agiam contra a lei dos homens e os maltratavam por mero prazer da perversidade pelo instinto demoníaco. 

Brasília, em 28  de maio de 2026


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