sexta-feira, 29 de maio de 2026

Recursos para filme

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, há alguns militantes da direita, em tom de entusiasmo, tentando defender a regularidade do envolvimento do senador e candidato do pai dele à Presidência da República, tendo afirmado que não existe nada de anormal nesse caso. 

Há impressionante correria de apoiadores do candidato do filho do ex-presidente do país, para tentar defendê-lo da acusação de que ele teria interferido junto ao dono do Banco Master, para a liberação de recursos para ajudar nas filmagens cinematográficas contando a história política do pai dele.

Sim, isso é verdade que vem à lume, tendo o poder de conspirar contra a moralidade do candidato, porque, queira ou não, ele interferiu no processo, que até pode não constituir benefício direto para ele, mas os recursos beneficiaram diretamente o interesse do pai dele.

Ou seja, isso pode não significar propriamente mácula pessoal, mas o fato de ele ter agido em busca de recursos mostra falta de isenção e falta de imparcialidade, que são requisitos básicos que precisam existir no político, não importando as circunstâncias.

Por seu turno, pessoas tentam justificar a operação nada ética apontando o financiamento de filmes de outros políticos pelo mesmo banco, como se um erro tivesse o condão de abonar outra falha grave, também digna de censura, porque, em ambas as situações, tiveram certamente a influência direta de políticos inescrupulosos e oportunidades, interessados em resolver situação de algum interesse pessoal, conforme mostram os fatos.

Ou seja, é preciso que fique muito claro que um erro não justifica outro, mesmo que seja da mesma espécie.

A ética e a moralidade do político se comprovam com a sua ausência em qualquer assunto que não esteja ligado aos interesses públicos, porque isso é a razão primordial do exercício do mandato para o qual ele foi eleito.

É imperdoável, sob a ótica da finalidade da ética política, a participação de pessoa pública interferindo em negócio que envolve interesse particular e ainda mais quando o pai pode figurar no cerne do assunto discutido.

Apelam-se por que os brasileiros se conscientizem sobre a importância da escolha de candidato que comprove ficha limpa, sem ter participado de qualquer situação suspeita, no exercício de mandato eletivo.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 13 de maio de 2026

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