Um rei amante das artes resolveu realizar concurso para incentivar a salutar prática da pintura, com vistas à escolha do melhor trabalho artístico, de modo que fosse capaz de retratar, na tela, a paz desejável da alma.
Concluídas as pinturas, todas de altíssima qualidade artística, que
foram obviamente avaliadas e valorizadas por sua majestade, que observou e
admirou atentamente todas as pinturas com cuidado, mas apenas duas realmente
chamaram sua especial atenção.
A primeira era uma verdadeira e maravilhosa paisagem que mostrava
impressionante imagem, sobressaindo belo lago tão perfeito que parecia
fantástico espelho na água, onde se refletiam formidáveis e plácidas montanhas
que o rodeavam.
As montanhas eram emolduradas com o céu azul com discretas nuvens
brancas, que transmitiam o real poder da paz como fonte da inspiração
objetivada pelo rei, pois o seu cenário traduzia esse sentimento instantâneo.
A segunda pintura também versava sobre cenário de estonteantes
montanhas, cujos contornos mostravam enormes rochas e estavam despidas de
vegetação.
Ao seu redor pesava a imagem de céu revolto e cinza, com precipitação de
fortes tempestades, ao meio de relâmpagos e trovões e ainda transparecendo
descer, montanha abaixo, turbulenta torrente de água, dando a ideia, à primeira
vista, de que nada disso poderia se interpretar como pacífico, na forma
pretendida pelo rei.
Não obstante, quando observada a pintura com a devida atenção, poderia
se verificar, atrás da cascata, havia arbusto crescendo da fenda de uma rocha
e, nele, podia-se ver um ninho de pombinhos.
Exatamente ali, em meio ao ruído e à violência da cena construída na
pintura, estava aquela ave na maior calma a chocar seus ovinhos, prestes a
darem vida a novos ocupantes da Terra.
Foi daí que o rei concluiu que seria aquela a pintura escolhida por ele,
diante da sábia explicação de que a “Paz não significa estar em um lugar sem
ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor. A paz significa que,
apesar de estar no meio de tudo isso, nosso coração deve e pode permanecer
calmo.”.
À toda evidência, o verdadeiro significado da paz perfeita reside na
pacificação do coração, mesmo que o ambiente ao seu redor esteja tumultuado por
tempestades e incômodos ruídos, que precisam ser isolados daquela consciência
que diz estar em sintonia com o seu bem-estar.
Brasília, em 4 de junho de 2026
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