terça-feira, 30 de junho de 2026

A paz perfeita

 Um rei amante das artes resolveu realizar concurso para incentivar a salutar prática da pintura, com vistas à escolha do melhor trabalho artístico, de modo que fosse capaz de retratar, na tela, a paz desejável da alma.

Concluídas as pinturas, todas de altíssima qualidade artística, que foram obviamente avaliadas e valorizadas por sua majestade, que observou e admirou atentamente todas as pinturas com cuidado, mas apenas duas realmente chamaram sua especial atenção.

A primeira era uma verdadeira e maravilhosa paisagem que mostrava impressionante imagem, sobressaindo belo lago tão perfeito que parecia fantástico espelho na água, onde se refletiam formidáveis e plácidas montanhas que o rodeavam.

As montanhas eram emolduradas com o céu azul com discretas nuvens brancas, que transmitiam o real poder da paz como fonte da inspiração objetivada pelo rei, pois o seu cenário traduzia esse sentimento instantâneo.

A segunda pintura também versava sobre cenário de estonteantes montanhas, cujos contornos mostravam enormes rochas e estavam despidas de vegetação.

Ao seu redor pesava a imagem de céu revolto e cinza, com precipitação de fortes tempestades, ao meio de relâmpagos e trovões e ainda transparecendo descer, montanha abaixo, turbulenta torrente de água, dando a ideia, à primeira vista, de que nada disso poderia se interpretar como pacífico, na forma pretendida pelo rei.

Não obstante, quando observada a pintura com a devida atenção, poderia se verificar, atrás da cascata, havia arbusto crescendo da fenda de uma rocha e, nele, podia-se ver um ninho de pombinhos.

Exatamente ali, em meio ao ruído e à violência da cena construída na pintura, estava aquela ave na maior calma a chocar seus ovinhos, prestes a darem vida a novos ocupantes da Terra.

Foi daí que o rei concluiu que seria aquela a pintura escolhida por ele, diante da sábia explicação de que a “Paz não significa estar em um lugar sem ruídos, sem problemas, sem trabalho árduo ou sem dor. A paz significa que, apesar de estar no meio de tudo isso, nosso coração deve e pode permanecer calmo.”.

À toda evidência, o verdadeiro significado da paz perfeita reside na pacificação do coração, mesmo que o ambiente ao seu redor esteja tumultuado por tempestades e incômodos ruídos, que precisam ser isolados daquela consciência que diz estar em sintonia com o seu bem-estar.

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            Brasília, em 4 de junho de 2026

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