terça-feira, 30 de junho de 2026

Desprezo

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, o presidente do país se vangloria de ter colocado político comunista e amigo pessoal dele na principal corte do país, quando ele entendia, na campanha eleitoral, conforme a sua afirmação, que se tratava de algo muito errado a colocação de amigos nesse tribunal.

A base da nação é o povo, que tem a competência privativa de eleger os seus governantes e representantes políticos, na forma da Constituição brasileira, ex-vi do disposto no parágrafo único do art. 1º, que estabelece que "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".

Em princípio, isso significa que quem é eleito com o apoio do eleitor tem a chancela do povo, por se identificar com os seus ideais políticos e seus planos de governo, isso em termos de caráter, personalidade e pensamento ideológico, o que vale dizer que o representante do povo é aquilo que o próprio povo pensa, assim como os atos emanados de seus delegados têm a sua chancela, ou seja, a do povo.

Quando o candidato diz o que pensa, ele assume exatamente o que declara e promete, levando a se acreditar na sua sinceridade de propósito e honestidade do que assume, mas quando isso é totalmente desviado do que foi comprometido o povo também assume a falta de caráter e atitude de quem disse que não faria determinada medida, mas a faz, depois de eleito, com o requinte de crueldade, valendo dizer que isso se caracteriza como autêntico crime de calote eleitoral

Isso porque o candidato havia jurado não fazer algo, mas o faz, depois de eleito, com o instinto visivelmente intencional e maldoso agora com o poder advindo do povo, como se isso fosse normal e tudo realizado às claras, mostrando completo desprezo à dignidade do povo que acreditou nas suas promessas de campanha.

A verdade é que, queira ou não, o povo tem o governo que bem merece, no caso de quem o apoiou com o seu voto, devendo ter a dignidade de assumir os resultados advindos da sua gestão, tanto as boas medidas como também os desvios de conduta, em contrariedade às promessas de campanha.

Infelizmente, essa é a realidade brasileira, em que o candidato se mostra cordeirinho de bondade, mas não tem o menor escrúpulo em, depois de eleito, se julgar com o direito de fazer o que bem quiser, ignorando, muitas das vezes, completamente as promessas de campanha, como é o caso mostrado no vídeo em referência.

Sou de opinião de que já deveria existir, no Brasil, a lei do recall, em que o político que deixar de fazer ou fazer em contrário ao que foi prometido em campanha, fica sujeito à perda do mandato, por meio de avaliação dos eleitores, também pelo normal processo eleitoral.

Enfim, essa notória e gravíssima violação da afirmação feita na campanha eleitoral, mostrada no vídeo em apreço, contrariada no exercício do mandato, tem o condão de suscitar a reflexão dos brasileiros sobre a avaliação da importância da dignificação do seu voto e do próprio eleitor, quando da escolha dos candidatos, não pela ideologia, mas sim por seu caráter político em defesa da verdade e da honestidade de propósitos.

Acorda, Brasil!

Brasília, em 22 de junho de 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário