terça-feira, 30 de junho de 2026

Mão é mentira!

 

O parlamento do País de Gales aprovou lei descrita como sendo “globalmente pioneira”, por impor sanção para quem mentir intencionalmente em campanha eleitoral, prevendo inclusive o potencial da perda de mandato para parlamentares condenados.

A lei respeita a liberdade de expressão, mas obriga o governo galês a criar um novo crime especificamente focado em falsidades factuais (coisas que podem ser verificadas, tipo número, data, fato verificável), não opinião política ou exagero retórico.

A medida entrará em vigor a partir de 2030, o tempo necessário para possíveis denúncia, julgamento e recurso, embora o sinal já foi dado aos maus políticos.

Especialistas afirmam que nenhuma outro país do mundo tem mecanismo com essa abrangência focada na verdade e na sinceridade na política, cujo objetivo é realmente moralizar as atividades inerentes às campanhas eleitorais.

À toda evidência, já passou do tempo de o Brasil também implantar medida nesse sentido, uma vez que a mentira política deveria ser considerada crime gravíssimo punível com a perda do mandato, diante da perpetração da falsidade perante o eleitor;

Estou absolutamente pasmo que se chegue ao ponto de se precisar de lei para punir os políticos mentirosos, quando isso poderia ser medida automática e sem apelação.

Diante da gravidade da falha, quem mente precisa se afastar espontaneamente da vida pública, à vista da importância da dignidade que deve imperar nas atividades políticas.

Não obstante, a aprovação de lei tem o caráter de reafirmação, para se dizer que o mentiroso atingiu o limite de tolerância na convivência com as pessoas dignas e respeitadoras das salutares condutas que a civilidade aprova como aceitável nas relações sociais.

 Aqui, no país tupiniquim, mentir é regra sem necessidade de lei, em que os políticos não se envergonham de mentir como se isso fizesse parte normal e necessária das atividades políticas.

Seria interessante que fosse apresentado projeto de lei, no Congresso brasileiro, versando exatamente sobre a perda de mandato para quem mentisse, apenas para avaliar a repercussão da medida, pois a reação seria a mais violenta possível, porque isso afrontaria gravemente a índole da maioria dos desavergonhados políticos brasileiros.

Acredita-se que seria indignação geral dos congressistas, abominando essa desastrada medida, pois mentir é tudo que fortalece o ego dos políticos desonestos e irresponsáveis.

Em conclusão, resta-nos aplaudir a medida legislativa aprovada pelo país de Gales, reconhecendo que ela tem o condão de elevação, em forma de prestígio, do princípio da verdade, que é um dos alicerces não só da democracia, mas especialmente da humanidade.

Brasília, em 1º de junho de 2026

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