terça-feira, 30 de junho de 2026

Afronta ao decoro

 

Segundo os seguidores do candidato da direita, a narrativa que a esquerda usou para massacrar a família dele ruiu por completo, após o depoimento oficial do banqueiro dono do Banco Master à Justiça.

Ele teria confessado que o patrocínio ao filme se revestiu da legalidade, na forma de empréstimo bancário normal, em que pese a polêmica que o assunto rendeu por parte da oposição.

A verdade pode ser que o empréstimo em causa teria sido fidedigno, revestido de regularidade, como todas as demais operações bancárias da espécie, em que teriam sido observados os termos contratuais de repasse e pagamento do valor correspondente. Isso é o que pode se confirmar em conspiração em favor da verdade, que é imprescindível, nas circunstâncias.

Pois bem, isso é uma coisa e a outra, também da maior relevância, diz com a participação do senador e candidato à Presidência da República, que se empenhou ao máximo em forma de lobby junto ao bancário para a liberação dos recursos acertados contratualmente.

Ele, como pessoa pública, eleita exclusivamente para tratar de interesse da sociedade, somente poderia atuar na defesa da causa pública.

Está muito claro que o empréstimo se destinou à implementação das filmagens cinematográficas sobre a história da vida política do pai do congressista.

Isso diz respeito a assunto de interesse particular, ainda mais envolvendo interesse direto do pai dele, que não cabia ao senador se imiscuir, nas circunstâncias, por ser assunto alheio às suas atribuições institucionais, sendo ele pessoa pública, investida de mandato eletivo.

Mutatis mutandis, seria possível que esse mesmo senador se dignaria a negociar empréstimo de recursos para o financiamento do filme sobre a história da vida do jardineiro Fernandes ou do pedreiro Souza, com a mesma disposição com que ele se dedicou quanto ao que fez no caso do pai dele?

Parece que esse assunto ainda resta pendente de explicação, no que diz respeito ao desvio do decoro parlamentar, quando se exige conduta ética também nesses casos de defesa de assunto da conveniência pessoal e familiar, por ser estranho às funções legislativas.

A verdade é que, na vida pública, ser ético não se refere exclusivamente às práticas de irregularidades com recursos públicos, mas também contra a fidelidade ao dever funcional inerente ao cargo que é exercido pelo político.

Acorda, Brasil! 

Brasília, em 9 de junho de 2026

Nenhum comentário:

Postar um comentário