quarta-feira, 16 de outubro de 2019

Desprezo à verdade?


O ex-presidente da República petista concedeu entrevista ao canal de TV de Portugal, a RTP, onde fez, ao seu estilo, com viés de detonação crítica ao atual governo brasileiro. 
O político brasileiro afirmou que "Você não tem um cidadão que foi eleito para governar o país e pensar na melhoria do Brasil, na melhoria do povo brasileiro. Você tem um cidadão que é um demolidor, um destruidor das coisas da democracia neste país".     
O ex-presidente disse àquele canal de televisão que o presidente brasileiro não gosta da liberdade do povo, "por isso tem que ter as milícias".  
O petista também acusou o atual presidente de não saber administrar os bens do Brasil, tendo afirmado, in verbis: "por isso pede que o ministro da Fazenda venda tudo, eles querem privatizar tudo".             
O político disse que "Não acho que ele esteja governando o Brasil, ele está, na verdade, dando autorização para vender este país", tendo criticado as privatizações já feitas pelo atual governo, envolvendo empresas ligadas à Petrobras e os planos para os Correios, Eletrobras e outras.
À luz dos princípios, do bom senso e da razoabilidade, não assiste a mínima razão ao petista para ele se referir ao atual presidente do país, da maneira como se posicionou, quanto mais que a sua entrevista vai ser divulgada no exterior, dando a entender que ele é realmente “demolidor, um destruidor das coisas da democracia neste país”, sem que haja fatos concretos e plausíveis para se tomar por base, pelo menos isso ele não apontou que pudesse respaldar as suas afirmações, a demonstrar a demolição e a destruição de algo que existia e agora deixou de existir.
Outra afirmação nada alegante diz respeito ao fato de o atual presidente não gostar da liberdade do povo, sugerindo que ele mantém as milícias, como se estas nunca tivessem existido nos governos anteriores, inclusive no dele e noutros mais, fato este que evidencia falta de assunto sério para se discutir em entrevista versando sobre a verdade dos fatos, mas, ao contrário, há nítida intenção de denegrir a imagem do atual presidente, ao atribuir-lhe a autoria de fatos que não correspondem à verdade, quando seria apenas justo que ele focasse em fatos reais e factíveis, dizendo a verdade, inclusive sobre ele, que se encontra preso, cumprindo condenação de prisão pela prática de crimes contra a administração pública, pelos menos enquanto ele não comprovar a própria inocência.
Também não é verdade que o presidente tenha mandado o ministro da Economia vender tudo, com a privatização de tudo, porque há planejamento para a venda de algumas empresas estatais, pouco mais de vinte, entre aquelas que são consideradas deficitárias, antieconômicas e que se encaixam muito mais fora do Estado, por não fazerem parte das atividades públicas, ou seja, as privatizações já decididas estão em conformidade com estudos de viabilidade técnica ou econômica, em harmonia com as políticas responsáveis do governo, que pretende enxugar a máquina pública, privilegiando o princípio da economicidade e as atividades estritamente públicas, na forma da lei.         
Com relação às críticas às privatizações do atual governo, nesse ponto, o ex-presidente se mostrou extremamente coerente com a sua filosofia de gestão pública, quando muitas foram as empresas criadas nos governos petistas e quiçá nenhuma tenha sido privatizada por ele, o que teria sido para melhorar o desempenho do Estado, em termos de eficiência e economicidade.
É preciso lembrar que, na gestão petista, os contribuintes brasileiros receberam sobre seus ombros pesadíssimo ônus decorrente da criação de empresas estatais, com expressivo aumento dos encargos com pessoal, que se elevaram a bilhões de reais, fruto da execução de políticas equivocadas como a da criação de empresas públicas, inclusive subsidiadas, por via do BNDES.
De acordo com pesquisa realizada pelo Instituto Teotônio Vilela, ligado ao PSDB, publicada no jornal Valor, no período de 2003 a 2016, até o afastamento do PT do governo, foram criadas 43 estatais, totalizando 148, restando, na atualidade, 138 empresas públicas, muitas das quais abarrotadas de funcionários que nada ou quase nada produzem para o Estado, em benefício do interesse público senão servirem de cabide de emprego.
Nesse período, empresas que não fazem parte do ramo financeiro contribuíram com prejuízo acumulado de R$ 8 bilhões.
Na verdade, a ideia petista sempre foi no sentido de que a solução dos problemas nacionais inclui o aumento da interferência do Estado nas atividades econômica e social do país, em especial com o fortalecimento e a proliferação de empresas públicas.
Com essa distorcida e retrógrada visão, os governos petistas aproveitaram muito bem a sua passagem pelo Palácio do Planalto para criar dúzias dessas empresas, sem nenhum critério senão atender aos interesses políticos, não importando o custo-benefício, que precisa ser levado em consideração no ato administrativo.
Impende ressaltar que a chaga da política de proliferação de estatais representou algo sem precedente na história do país, por ter gerado, de forma injustificável, conta muito onerosa para os bolsos dos brasileiros.
De acordo com estudo do Instituto Teotônio Vilela, as operações das 28 estatais não financeiras, criadas nos governos petistas, geraram prejuízo acumulado de R$ 7,99 bilhões. Além disso, no período de 13 anos, a folha salarial dessas novas empresas consumiu mais de R$ 5,4 bilhões.
Entre essas novas estatais, duas subsidiárias da Petrobras foram as mais deficientes, como demonstra o prejuízo acumulado da Citepe, desde a sua criação, em 2009, do montante de R$ 4,1 bilhões.
Em segundo lugar, aparece a Petroquímica Suape, com o saldo negativo de R$ 3 bilhões.
A ânsia petista de criar estatais foi mais intensa até mesmo que a observada nos governos militares, período marcado por forte presença do Estado na vida econômica.
Vejam-se que, durante os vinte e um anos de governos militares, foram criadas 47 empresas estatais, enquanto os governos petistas, em 13 anos, surgiram 43 novas estatais, cujo número é muito mais que expressivo, tendo em conta que, segundo o Ministério do Planejamento, em 2016, existiam 149 empresas estatais, caindo para 138, agora.
Surpreende a diversidade das áreas de atuação das empresas estatais criadas nos governos petistas, como fábrica de semicondutores, produção de medicamentos, fábrica de chips para o rastreamento bovino e a identificação de veículos, entre outras completamente incompatíveis com as atividades do Estado, porquanto elas são próprias da iniciativa privada.
Entre as obras-primas da administração petista, está a “joia” da Empresa de Transporte Ferroviário de Alta Velocidade, criada para supervisionar a expansão das obras de infraestrutura e implantação do trem de alta velocidade, que ligaria Campinas a São Paulo e Rio de Janeiro, só que isso nunca saiu do papel, mas a empresa foi transformada em outra, que também não faz nada, embora tiveram as suas competências ampliadas, para cuidar dos estudos e das pesquisas sobre o planejamento integrado de logística no país, compreendendo rodovias, ferrovias, portos, aeroportos e hidrovias.
Nada disso fez mudar a estatura da empresa, que continua sem prestar serviço relevante a justificar a sua criação, havendo, ao contrário, evidente desperdício de recursos públicos, por manter estatal sem ter qualquer aproveitamento para o interesse público, em termos de benefício social ou econômico.
Trata-se de delirante empreendimento, desde a sua ideia, como muitas outras, que geraram enormes prejuízos e, neste caso, não houve projeto nem mesmo um dormente foi fixado.
Sem dúvida alguma, a debacle do projeto petista representado pelas crises social, política, moral, econômica e administrativa também tem ressonância na criação desenfreada de estatais, onde se vê a marca da ideologia dirigista e corporativista, tendo por acentuado objetivo o empreguismo e prejuízos grandiosos e pesados para o contribuinte, sem haver aí a mínima demonstração de preocupação com o alívio dos bolsos dos contribuintes, já sacrificados com pesada carga tributária.
Há de se ver ainda que, em que pese a onda de privatização nas décadas de 80 e 90, o Brasil é o país que tem o maior número de estatais entre as 36 nações da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
No total catalogado, são 418 empresas controladas direta ou indiretamente por União, Estados, Distrito Federal e municípios, sendo que, dessas, 138 são federais e algumas poderão ser alvo de privatização no atual governo, justamente porque elas se tornaram dispensáveis para Estado há bastante tempo, que precisa economizar e se tornar eficiente e eficaz na implementação de suas políticas públicas próprias.
Essas estatais, juntas, empregam mais de 800 mil pessoas, sendo cerca de 500 mil só pelo governo federal, que poderão ser aproveitadas, na sua maioria, em caso de privatização, diante das experiências delas.
Nesse particular, o Brasil também é campeão, em termos de empresas públicas, entre os países da OCDE, seguido de perto pela França, conforme mostra levantamento do Observatório das Estatais, da Escola de Economia da Fundação Getúlio Vargas.
Nesse grupo, estão algumas das maiores empresas brasileiras, como Petrobrás, Eletrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
Como é do conhecimento geral, algumas dessas empresas públicas controladas pelo Estado foram alvo, nos últimos anos, de abuso do poder controlador e de elevado nível de influência político-partidária, além de estarem envolvidas em recorrentes escândalos de desvio de finalidade e de corrupção.
Com a finalidade de melhorar a gestão e reduzir a ingerência política nessas empresas, foi criada, em 2016, a chamada Lei das Estatais, com regras específicas para nomeação de diretores, membros do conselho e um rígido programa de regras de conduta.
No caso específico das privatizações, os especialistas independentes entendem que esse é o único caminho para a redução do tamanho do Estado, com vistas à sua modernização e à busca da eficiência e economicidade, permitindo a eliminação das influências e interferências políticas.
O atual presidente já demonstrou que pretende enxugar a máquina pública, com a promoção de imprescindíveis privatizações, tendo assegurado que elas não envolvem empresas estratégicas do Estado.
Não resta a menor dúvida de que, a princípio, a intenção presidencial suscita uma série de dúvidas sobre o que isso significa, notadamente quanto às empresas que poderão ser transferidas para a iniciativa privada.
Com a finalidade de se evitar especulações sobre o tema, o governo anunciou, em 21 de agosto último, a lista de 17 empresas estatais que serão privatizadas, quais sejam: Emgea (Empresa Gestora de Ativos); ABGF (Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias); Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados); Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social); Casa da Moeda;
Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo); Ceasaminas (Centrais de Abastecimento de Minas Gerais); CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos); Trensurb (Empresa de Trens Urbanos de Porto Alegre S.A.); Codesa (Companhia Docas do Espírito Santo); EBC (Empresa Brasil de Comunicação); Ceitec (Centro de Excelência em Tecnologia Eletrônica Avançada); Telebras; Correios; Eletrobras; Lotex (Loteria Instantânea Exclusiva); Codesp (Companhia Docas do Estado de São Paulo).
Segundo relatório divulgado pelo Tesouro Nacional, no ano passado, a União gastou R$ 9,3 bilhões a mais com empresas estatais do que arrecadou, ou seja, tem empresas deficitárias que precisam ser privatizadas, diante do princípio de que a iniciativa privada tem muito mais condições de gerenciá-las com a eficiência que o Estado não soube e nem sabe administrá-las.
O governo federal recebeu R$ 5,5 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio das estatais federais no ano passado, mas desembolsou R$ 14,8 bilhões em gastos com pessoal, investimento ou manutenção dessas empresas.
Somente se justifica a manutenção de empresas deficitárias e ineficientes no governo quando a iniciativa privada não tiver interesse ou condições para a realização dos serviços que ela faz, o que vale dizer que não atribuição do Estado competir com o particular, porque essa não a sua função, salvo nos casos reconhecidamente estratégicos, em que o governo tem obrigação constitucional e legal de participação, como forma de regulação ou outra situação que realmente justifique a manutenção de serviços que são próprios da iniciativa privada.
O certo é que a diversificação da atuação das estatais criadas pelos governos petistas só demonstra a ineficácia quanto à necessidade da criação de estatal, que acontecia para resolver qualquer problema pontual, em harmonia com a infeliz ideia fixa de uma empresa para cada crise, ficando muito claro o alto custo social para o atendimento primaríssimo da gestão pública, conforme mostram os fatos concretos.
Com a forma empírica de administração pública, é fácil se compreender o reflexo negativo nas políticas públicas prioritárias, como saúde, educação, saneamento básico, segurança pública etc., uma vez que o governo petista se preocupava em desviar recursos para outras áreas sem nenhuma finalidade pública, com a canalização de dinheiro para atividades inúteis e absolutamente injustificáveis, como empresas públicas nem sempre necessárias, conforme mostram os fatos.
À toda evidência, o prejuízo decorrente dessa política predatória foi indiscutível e causou enorme rombo econômico e ainda ajudou, em muito, para prejudicar outras atividades próprias do Estado.   
A criação de empresas públicas no Brasil é um episódio recente, que acompanha o forte crescimento da intervenção do Estado no domínio econômico, fato este que precisa sim ser repensado, notadamente porque isso não condiz exatamente com a finalidade pública, eis que a ação administrativa do Estado é definida em lei e visa exclusivamente à satisfação do interesse público, como forma de se garantir o bem comum.
Enfim, seria maravilhosamente importante que os homens públicos brasileiros se conscientizassem de que, nos tempos modernos, é preciso que haja a preservação da integridade, da verdade e da honestidade no exercício das atividades políticas, somente declarando fatos passíveis de comprovação, de modo que, à toda evidência, as críticas infundadas certamente conspiram contra a própria dignidade, porque fica mais do que claro que o forjamento de situação não contribui para o aperfeiçoamento dos princípios político e democrático.
Brasil: apenas o ame!
Brasília, em 16 de outubro de 2019 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

Vida de animal


Alguém fez postagem de figura de cavalo puxando carroça, abarrotada de volumes, nas alturas de volumes, sem possibilitar se aquilatar se eles eram pesados ou não, e ainda com três rapazes como passageiros.
Diante desse episódio, que é muito comum nas cidades, havia a inscrição: “Você é a favor da proibição do uso animal?”.  
Na minha opinião, à primeira vista, a impressão que se tem é a de que o cavalo faz enorme esforço para puxar a carroça, com muitos fardos, não sabendo se eles são pesados ou não.
O animal se mostrava de pescoço e cabeça abaixados, dando impressão de fazer enorme esforço.
Nesse caso, talvez poder-se-ia haver meio termo, não proibindo o uso do animal, mas estabelecendo limites sobre o peso transportado na carroça, o horário de trabalho, com tempo para alimentação e descanso, e outras regras que evitassem o sacrifício do animal.
Afinal de contas, animal também tem limites e sofre no trabalho diário, muitas vezes penoso.
O bicho homem precisa entender que, sendo o animal seu companheiro no ganha-pão do dia a dia, precisa ser poupado e bem cuidado, de modo a se evitar abusos que podem ocorrer costumeira e intoleravelmente, diante da insensibilidade do homem, que não foi preparado para respeitar os limites do animal.
À toda evidência, compete ao poder público fiscalizar e regulamentar as atividades desenvolvidas com o emprego de animal, de maneira que se evite exploração prejudicial a ele, por ser de natureza absolutamente indefesa, tanto que tudo faz sem reclamar, como visto na figura mostrada do animal, que vai seguindo o seu caminho normalmente, em passos firmes, aparentemente, numa boa.
Brasil: apenas o ame!
Brasília, em 15 de outubro de 2019  

Os milagres da santa baianinha


Até ontem, estava faltando uma santa genuinamente nascida no Brasil, quando se sabe que já existe o nosso representante masculino, o paulista de Guaratinguetá,  Santo Antônio de Sant’Ana Galvão, conhecido anteriormente como Frei Galvão.
Com as graças de Deus, agora, temos também uma doce mulher de luz, em forma de anjo bom, na sagrada constelação das almas santificadas, representada pela Santa Dulce dos Pobres, que foi canonizada ontem, no Vaticano, pelo papa, a quem são atribuídos centenas de milagres e aproximadamente quatorze mil intercessões, em indiscutível comprovação das suas excelentes relações junto ao Todo-Poderoso, que tem a chave para a realização dos bons acontecimentos espirituais, ungidos e processados com a força da fé.
No Brasil, ao se falar o nome da Irmã Dulce, a baianinha generosa, todo mundo a identifica imediatamente como sendo sinônimo de caridade e amor ao próximo, porque a sua vida de caridade e amor foi trilhada por caminhos que levaram ao cumprimento das obras de Deus, mediante a assistência aos necessitados, em harmonia com os ensinamentos e princípios cristãos, de bem servir ao próximo.
A Santa Dulce dos Pobres, nasceu em Salvador (BA), em 1914, em berço de ouro, no seio de família abastada, mas decidiu, desde cedo, servir a Deus, no acolhimento de pessoas doentes, famintas e excluídas da sociedade, tendo falecida pobre na mesma cidade, em 1992, depois de dedicar a sua vida aos doentes e mendigos das calçadas, manjedouras, carentes de pão e prece.
A vida religiosa da Santa Dulce dos Pobres junto a Deus começou logo na pré-adolescência, quando, aos treze anos, ela “sentiu o chamamento para ingressar em um convento”, em Salvador, mas foi impedida em razão da pouca idade.
Ela teve a ideia de ir para Sergipe, cidade de São Cristóvão, onde ingressou na Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, tendo obtido a formação em professora, que demonstrava não gostar de lecionar, e retornada a Salvador, depois de feitos os votos perpétuos e a profissão de fé.
Nessa fase da vida, a cidadã Maria Rita de Souza Brito Lopes Pontes já se chamava Irmã Dulce, em homenagem à sua mãe e é o mesmo nome de santa, acrescido de “dos Pobres”, ou seja, Santa Dulce dos Pobres, com o qual será agora venerada nas igrejas e santuários, nas romarias, novenas e por onde seu santo nome foi invocado, na busca da sua intercessão junto a Deus.
A bem da verdade, a sua santidade já poderia ter sido amparada com fulcro tão somente nas importantes obras humanitárias que foram realizadas em vida, diante da magnificência de quem foi só sacrifício, bondade, dedicação e empenho e amor ao próximo, no atendimento de pessoas socialmente abandonadas e desassistidas, que receberam dela o que se chama amor ao seu humano, em forma de gestos de valorização social e humana.
Mas, para a Igreja Católica, em termos de mérito para se avaliar o merecimento da santidade, é preciso que haja dois milagres realizados já no plano espiritual, ou seja, à luz do bom senso e da razoabilidade, as obras terrenas tão suntuosas e de relevância humanitária, na caso do que ela fez,  não teriam validade alguma para esse propósito, valendo apenas os referidos milagres de natureza espiritual, que realmente são importantes, mas, quem já foi santa na Terra, como foi o caso comprovado da Santa Dulce dos Pobres, que nem precisaria provar mais nada para entrar no reino celestial já com a áurea de santa, com todos os louvores e honras.  
               Não obstante, dois importantes milagres espirituais, por sua intercessão, entre centenas de outros já catalogados e atribuídos à sua intercessão, foram essenciais para assegurar a santidade da então Irmã Dulce.
O primeiro milagre atribuída à Santa Dulce dos Pobres diz respeito ao estancamento de hemorragia de mulher que, ao longo de dezoito horas de incontrolável sangria após o parto, teria sido desenganada pelos médicos, mas um padre apareceu para visitá-la e lhe perguntou se ela acreditava que Irmã Dulce poderia salvá-la. A resposta foi que sim e, segundo a mulher enferma, o religioso clamou por sua vida e o sangue estancou.
O outro milagre da Santa Dulce dos Pobres tem relação com pessoa deficiente visual, que não enxergava nada, por 14 anos, e que, certa vez, ele pediu em pensamento para a Irmã Dulce lhe aliviar a dor do glaucoma e eis que, segundo seu relato, verbis: “de um momento para o outro, passei a enxergar normalmente”.
Afora esses milagres efetivos e marcantes atribuídos à Santa Dulce dos Pobres, vários são os relatos de seguidores dela que tiveram seus pedidos atendidos na via espiritual e que certamente eles não vão constar dos austeros registros do Vaticano, mas, por certo, a voz do povo, que é reconhecida verdadeira voz de Deus, constitui precioso registro de muitos milagres já contabilizados, o que só aumenta a devoção à santa baianinha, que terá, por certo, uma legião de ávidos admiradores indo, doravante, em direção ao velho Pelourinho, para admirar a gigantesca obra deixada pela santa dos pobres e também dos não pobres, porque pedintes de milagres existem em todas as classes sociais e certamente a santa milagreira há de recebê-los carinhosamente no seu expediente celestial.
Amada Santa Dulce dos Pobres, rogai por nós! 
Brasília, em 14/10/2019

Publicação do meu 41º livro



É sempre com o coração saltitando de felicidade que anuncio a conclusão de mais um importante livro na minha carreira literária, que tem sido excelente motivação para quem ama escrever, ainda mais quando recebo muito mais incentivo de aprovação do que críticas negativas.
Aproveito a oportunidade para agradecer a magnanimidade de Deus, que tem me inspirado em escrever e elaborar as minhas crônicas, a evidenciar a graça que sempre tem acontecido com o surgimento de uma mensagem depois da outra, em sequência que me anima a escrever continuamente, tanto para o meu deleite como para agradar a quem ainda não se cansou de meus alfarrábios.
A verdade é que me sinto motivado e alegre de viver este momento, em puder participar desse mundo mágico trabalhando com as letras, as palavras e as ideias, fato que me ajuda a sentir que meu coração fica em permanente estado de graças, por ser merecedor do maravilhoso presente dos deusas da literatura à minha pessoa.
Trata-se, agora, do meu 41º livro, que foi intitulado de “Panorama sobre os fatos”, o qual versa, como de costume, sobre a análise de fatos da vida, na forma como gosto de interpretá-los, com destaque para as matérias mais importantes do dia a dia, evidentemente sob o meu prisma de avaliação.
Impende ser enfatizado que a análise do noticiário político-administrativo continua em realce nas minhas crônicas, que também têm sido o foco da mídia, diante das discussões sobre os projetos e as reformas de interesse do governo, que, para variar, sempre se encontra em permanentes atritos com os demais poderes da República, em eternas discussões sobre questões econômica, política e jurídica.
Nessa mesma linha de análise dos fatos, despontam, nas minhas crônicas, matérias relacionadas com a governabilidade do país, entre outros assuntos que são modelados e analisados diariamente, versando, em especial, sobre a abordagem, o esclarecimento e a opinião pessoal, sempre enfocados com minúcia, envolvendo temas da atualidade, com a devida relevância para a sociedade.
Como já houve a benfazeja institucionalização, que se tornou praxe nos meus livros, sempre reitero o prazer de prestar carinhosa e merecida homenagem, em forma de dedicatória, a uma personalidade considerada importante na minha vida, que é digna da sua lembrança, nestes momento e local especiais.
Desta feita, tenho a alegria de prestigiar em singela homenagem uma pessoa de grande estima, que guardo na memória como sendo especial na minha vida, por ter trabalhado com ela, na sua mercearia, na minha adolescência, sendo certo que esse contato de trabalho foi muito importante, em termos de aprendizagem e experiência.
Este livro é dedicado, com muito carinho, a Cosme de André, como reconhecimento e gratidão pela oportunidade que se me foi oferecida para trabalho na sua mercearia, onde aprendi muitas lições de importância para a vida.
A fotografia da capa do livro em causa mostra lindo e encantador pé de Ipê roxo, em floração, que é árvore símbolo de Brasília, DF.
Eis a seguir a citada dedicatória registrada, com muito carinho, no meu 41º livro:
                                                 “DEDICATÓRIA
É com alegria no coração que dedico este livro ao amigo Cosme de André, nome popularmente conhecido, em reconhecimento por ter trabalhado com ele, na minha adolescência, em Uiraúna, Paraíba. Lembro-me ainda dos arroubos e entusiasmos de jovem promissor comerciante do ramo do comércio no varejo, com a diversificação de louças, alumínios, rendas, botões, plásticos etc. O que se percebia era o bom gosto do dinâmico empreendedor, que se tornou pioneiro nos lançamentos de novidades em xícaras, pratos, rendas e tudo o mais para agradar a sua clientela já acostumada com o seu estilo arrojado, inovador e moderno do mundo dos negócios da época. A sua parceria com outro extraordinário comerciante, o versátil e inteligente José de Lica, era algo impressionante, porque os dois se combinavam e se completavam em dupla afinadíssima, no seu tempo, procurando oferecer aos seus clientes os produtos de fina qualidade, em preços competitivos. É da minha obrigação revelar, agora, fato auspicioso e da maior importância para as comunicações brasileiras, quiçá, mundiais. A dupla dinâmica encontrou fórmula revolucionária para se comunicar entre as lojas, com a instalação de uma mangueira de jardim interligada de um recinto ao outro e, em cada ponta, foi instalado um  apito, de modo que, por meio de assopro, era possível a formalização da comunicação entre eles, ou, pelos menos, a vontade da interlocução entre si. Em síntese, penso que as comunicações atuais, com todos os avanços e as conquistas de modernidade tecnológica, têm muito a agradecer a esses pioneiros, que são autores dessa ideia extraordinária, na falta do telefone. Salve os pioneiros nas comunicações de Uiraúna, com o seu invento que, enfim, funcionou e foi útil, fazendo as vezes do telefone extremamente rudimentar. Sempre ficam na memória da gente as boas lições do firme caráter de pessoa zelosa, organizada, cuidadosa, íntegra e responsável, que fazia tudo ao seu alcance para bem servir aos seus fregueses, estando sempre atento e interessado em servir os seus clientes com presteza e qualidade. Tenho muito a agradecer a Cosme de André por seu exemplo de forte sentimento de honestidade, profissionalismo e amor ao trabalho e às pessoas, a quem rendo minha singela homenagem nesta obra literária, dizendo que o seu acolhimento a mim, na sua mercearia, certamente teve valiosa importância para mim, diante da sua habilidade em lidar com o público, que terminou sendo experiência de vida. Muito obrigado, de coração, Cosme de André e que Deus abençoe sempre a sua vida...”.
Com o meu muito obrigado.
Brasília, em 14 de outubro de 2019

Ao mestre, com carinho


É comemorado, nesta data, o Dia do Professor, que é o dia em que a maioria das pessoas há de se lembrar da sua professora, do seu professor ou do mestre que, mesmo não sendo professor propriamente, consegue transmitir um pouco do seu conhecimento, em benefício do seu semelhante.
Desde os primórdios do Homo sapiens, sempre existiu a figura do professor, porque a base do conhecimento exige a presença de alguém para orientar, ensinar, mostrar as artimanhas do saber, da educação e, enfim, a luz que melhor possa facilitar e ajudar a superação da ignorância.     
No meu caso específico, depois de me formar, senti-me a atração do forte sentimento da motivação e da vocação para lecionar, seguindo o exemplo de meus professores e professoras, que demonstravam absoluto empoderamento no comando da sala de aulas, na avidez dos alunos pelos conhecimento e aprendizagem.
Até que cheguei a ser contratado para ministrar o pouco do que tinha acumulado nos bancos escolares, mas as circunstâncias da vida me impediram de dar continuidade ao projeto que eu sempre sonhara como profissão e que até havia me preparado para o mister.  
Sinto enorme frustração por ter sido professor por muito pouco tempo, que nem posso afirmar que já fui professor, mas posso dizer que seria a pessoa mais feliz do mundo se eu tivesse tido condições de continuar no magistério, porque sinto no coração a grandeza das pessoas que se dedicam de corpo e alma à missão mais nobre entre todas as demais.
Na verdade, com a ausência do professor, não existe conhecimento pleno e, se houver conhecimento, não será tão completo se houvesse a presença dele, para transmitir a arte do saber, da educação e da formação, com a segurança da experiência e da certeza de que o seu trabalho é desenvolvido com base nas lições carinhosamente preparadas pelo mestre, que se especializa a fundo na sua profissão, exclusivamente para transmitir o que se imagina seja do bom e do melhor, em termos de sabedoria, conhecimento e amor aos seus alunos.
Com o máximo de admiração, veneração e ternura, parabenizo os professores e as professoras, na merecidíssima comemoração do Dia do Professor, suplicando a Deus que aumente cada vez a vocação das pessoas para a escolha de missão tão importante para a humanidade e que os governantes tenham o discernimento de valorizar, em termos salariais e condições de trabalho, a profissão de professor, que é considerada a mãe das demais, porque sem ela até pode haver tudo o que há neste mundo, porém sem a perfeição que se pretende para o bem da humanidade.
Ao mestre, com carinho!
Brasília, em 15 de outubro de 2019  

domingo, 13 de outubro de 2019

Doce luz

O dia 13 de outubro de 2019 passa para a história do Brasil como a data em que uma santa genuinamente brasileira é oficializada pela Igreja Católica, ganhando as graças divinas da veneração dos cristãos de todo o mundo.
Para materializar a canonização da Santa Dulce dos Pobres, o papa leu, na missa especialmente para essa finalidade, texto em latim, conhecido como fórmula da Igreja Católica, que tornou a então beata oficialmente santa, com o seguinte teor: "Em honra da Santíssima Trindade, pela exaltação da fé católica e para incremento da vida cristã, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e Nossa, depois de refletir por muito tempo, ter invocado a ajuda divina e ouvido a opinião de muitos Irmãos no Episcopado (bispos), declaramos e definimos Santos os beatos (...) Dulce Lopes Pontes (...) e os inscrevemos no registro dos santos, estabelecendo que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os santos. Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.".
Por ocasião da Homilia o santo papa disse: "Hoje, agradecemos ao Senhor pelos novos Santos, que caminharam na fé e agora invocamos como intercessores. Três deles são freiras e mostram-nos que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais do mundo"
Agora os católicos e cristãos do Brasil e do resto do mundo podem rezar ao Senhor Jesus Cristo, pela intercessão da Santa Dulce dos Pobres, para fazer seus pedidos sobre os casos que acharem que ela pode cuidar, no plano celestial.
Para facilitar a comunicação dos fiéis com a Santa Dulce dos Pobres, o Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil, escreveu a oração que foi criada por seu antecessor, cujo texto destaca a importância do amor aos pobres e excluídos, exatamente em harmonia com o trabalho espiritual-religioso da então Irmã Dulce e agora Santa Dulce dos Pobres, tanto em vida como depois da sua morte, ao ter deixado seu gigantesco legado nas Obras Sociais Irmã Dulce (Osid), em Salvador, e por tantos milagres, para mais de centenas já confirmados e atribuídos à sua intercessão. Eis a oração à Santa Dulce dos Pobres:
“Senhor nosso Deus,
lembrados de vossa filha,
a santa Dulce dos Pobres,
cujo coração ardia de amor por vós e pelos irmãos,
particularmente os pobres e excluídos,
nós vos pedimos:
dai-nos idêntico amor pelos necessitados;
renovai nossa fé e nossa esperança
e concedei-nos, a exemplo desta vossa filha,
viver como irmãos,
buscando diariamente a santidade,
para sermos autênticos discípulos missionários
de vosso filho Jesus.
Amém.”
Especialmente para a cerimônia de canonização da Santa Dulce dos Pobres, foi criada canção intitulada de "Doce luz", que tem a composição de Léo Passos e Chico Gomes, e foi interpretada por Waldonys, cantor que se apresentou ao lado de Margareth Menezes, em Roma, durante a cerimônia de canonização. Eis a canção ao “Anjo bom da Bahia”:  
"Doce Luz"
Eu sinto seu cheiro de flor
Eu sei que você está aqui
Sua presença é de amor
de mim
Luz, das doces palavras
Luz, me dá confiança
Luz...
Luz que cuida de mim
Que acalma o meu coração
Me acolhe com seu abraço
Afasta a solidão
Luz que luta por mim
Que ampara e estende a mão
Que nunca duvida do amor
Quem em nome do sim
Não tem medo do não
Doce Luz
Eu sinto seu cheiro de flor
Eu sei que você está aqui
Sua presença é de amor
Doce Luz
Que nunca abandona um irmão
Conceda sua força de fé
Me guia, minha luz, pela escuridão:/
Se o fardo é pesado
Com amor tudo passa
Se a dor dilacera
Com amor tudo passa
Completo abandono
Com amor tudo passa
Se aperta a saudade
Com amor tudo passa
Se a porta se fecha
O amor escancara
Se há desespero,
o amor leva calma
Se há solução,
com amor você acha
Estou onde o amor estiver
Pois se tem amor, tudo passa
Doce Luz
Eu sinto seu cheiro de flor
Eu sei que você está aqui
Sua presença é de amor
Doce Luz
Que nunca abandona um irmão
Conceda sua força de fé
Me guia, minha luz, pela oração”.
Como o Brasil tem a predominância da religião católica, por sua tradição de longa data, desde o seu descobrimento, passando pelas colonizações e outros movimentos religiosos, finalmente uma santa brasileira sobe aos altares das igrejas, na esperança de que ela possa ouvir os fiéis que depositarem confiança nos seus milagres, que já estão acontecendo na simplicidade de seu amor a Jesus Cristo.  
Não há a menor dúvida de que a Santa Dulce dos Pobres é verdadeiro exemplo de amor cristão, que mostrou ao mundo a sua fortaleza à frente das obras sociais criadas e dirigidas com muita competência, enquanto pôde, sendo realmente merecedora da canonização, que é título máximo atribuído pela Igreja Católica às pessoas que deram lições angelicais de bondade e amor ao seu próximo.
Este dia é de muita alegria para os brasileiros, em especial, diante da certeza de que fazer o bem ao próximo é contribuir para o engrandecimento das obras celestiais.
Em razão disso, a Santa Dulce dos Pobres passará para a história como a pessoa que teve a vida confundida com a caridade e com a disseminação do amor de Deus, na sua integridade, sendo, como os devidos méritos e justiça, santificada para a honra dos brasileiros, que muito agradecem o seu legado expresso em sublime amor ao seu irmão em Jesus Cristo.
Peço permissão ao santo papa para fazer apologia ao texto do Sermão baseado no Evangelho de Jesus Cristo, para dizer que “Hoje, os brasileiros agradecem ao Senhor Jesus Cristo pela nova Santa Dulce dos Pobres, que caminhou, com muito sacrifício e amor, na fé e agora invocamos como intercessora. Ela, foi religiosa freira e mostrou-nos que a vida religiosa é um caminho de amor nas periferias existenciais de Salvador, Brasil”.  
          Brasília, em 13 de outubro de 2019 

sábado, 12 de outubro de 2019

Salve a Santa Dulce dos Pobres


A Irmã Dulce, mais conhecida como “O anjo bom da Bahia”, se tornará santa a partir de amanhã, em reconhecimento da santa Igreja Católica, em razão de suas virtudes como a mais perfeita obreira de caridade e santidade quando estive na Terra, que teve a sua vida totalmente marcada pelas peculiaridades de quem se dedicou integralmente às obras de caridade, em harmonia com os verdadeiros princípios cristãos.
A baiana de bom coração se dedicou de corpo e alma às causas sociais e, por isso, faz todo sentido que, depois de ter deixado expressiva obra de sublime amor ao próximo, ela seja canonizada, tornando-se, com os méritos celestiais, a primeira santa brasileira.
Em homenagem à Santa Dulce dos Pobres, o site G1 levantou 13 curiosidades sobre a sua vida, conforme abaixo:
1 – A vida da Irmã Dulce foi acompanhada por fatos acontecidos em harmonia com o número 13, sendo considerados como marcantes, a começar das suas obras de caridades, que aconteceram logo aos 13 anos de idade, com o atendimento de doentes na porta da sua casa. Em 13 de agosto de 1933, recebeu o hábito de freira das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus. Por isso, 13 de outubro foi escolhido para render graças ao “Anjo bom da Bahia”.
Ela morreu em 13 de março de 1992, aos 77 anos. A cerimônia de canonização da beata vai ser realizada no dia 13 de outubro de 2019, no Vaticano. Ela tinha devoção especial por Santo Antônio, que recebe homenagens no dia 13 de junho. Além disso, ela foi batizada no dia 13 de dezembro de 1914.
2 - Irmã Dulce tinha saúde muito frágil, mas ninguém conseguia transmitir tanta força para os que eram cercados por ela e precisavam da sua ajuda. Por causa de enfisema pulmonar, ela  tinha apenas 30% da capacidade respiratória e chegou a pesar apenas 38 quilos. Os últimos 30 anos de vida foram os mais difíceis, ainda assim, continuou trabalhando em prol dos mais carentes de ajuda e amor.
3 Ela passou 30 anos dormindo sentada em cadeira para pagar promessa, cuja penitência foi feita em agradecimento à recuperação de uma irmã, que, em 1955, teve gestação de alto risco e poderia ter morrido. Somente em 1985, a religiosa voltou a dormir em uma cama, após ser convencida pelos médicos de que o estado de saúde dela poderia piorar.
4 -Irmã Dulce nasceu em 26 de maio de 1914, no bairro do Barbalho, na freguesia do Santo Antônio Além do Carmo. Era considerada criança doce, mas determinada, levada e firme.
Ela gostava de brincar de boneca, empinar pipa e jogar futebol com a garotada. A paixão pela bola era grande e ela adotou o Esporte Clube Ipiranga como time do coração.
5Aos 15 anos e escondida da família, a Irmã Dulce pediu admissão no Convento do Desterro, em Salvador, mas seu gesto foi descoberto pelo pai dela, que somente permitiu que ela se tornasse freira após concluir os estudos.Ela formou-se em professora pela Escola Normal da Bahia, concluiu o curso de Oficial de Farmácia e recebeu o título de Auxiliar de Serviço Social.
Ela deu aulas para crianças e lecionou Geografia e História no Colégio Santa Bernardete, no Largo da Madragoa, pertencente à congregação dela.
6 – Por 10 anos, a Irmã Dulce esteve afastada da congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, por força das atividades sociais, já que não seguia as regras rígidas impostas para as freiras. Só foi aceita de volta ao adoecer. Ela não deixou de ser freira nesse período, mas não precisava seguir os horários de reclusão.
7 - Em 1937, ela criou a União Operária São Francisco, que foi a primeira organização operária católica da Bahia, tendo inaugurado, dois anos depois, o Colégio Santo Antônio, escola pública voltada para operários e filhos de operários, no bairro da Massaranduba.
8 - Em 1939, Irmã Dulce invadiu cinco casas vazias na localidade então conhecida como Ilha dos Ratos, onde passou a abrigar doentes. Foi expulsa e os levou para as imediações da Igreja do Bonfim.
9 – Irmã Dulce era apreciadora das artes, com preferência para a música. Ela tocava acordeon e gostava de forró. Em 1948, fundou o Cine Teatro Roma, na Cidade Baixa. O local foi primeiro palco do rei da MPB, na Bahia. Ela também fundou outros dois cinemas: o Plataforma e o São Caetano.
10 - Irmã Dulce procurava políticos, empresários e pessoas influentes em busca de donativos para os doentes atendidos por ela. Batia na porta de escritórios e lojas para pedir dinheiro, roupas, colchões, alimentos, remédios, produtos de higiene, entre outros itens de primeira necessidade.
11 - Em 1947, o ex-presidente Eurico Gaspar Dutra visitou a capital baiana e foi cercado por Irmã Dulce e mais 300 crianças. O grupo criou bloqueio ao acesso da comitiva presidencial para a Igreja do Bonfim. Ela queria chamar a atenção para os excluídos da capital baiana, tendo conseguido dinheiro para as suas obras sociais.
12 - Em 1988, Irmã Dulce foi indicada pelo então presidente da República, com o apoio da Rainha da Suécia, que é brasileira, para o Prêmio Nobel da Paz, que, embora não tendo sido premiada, ela passou a ser muito mais conhecida mundialmente.
13 - Irmã Dulce demonstrava ter enorme admiração pelo papa João Paulo II, mas foi desautorizada pelos médicos a ir ao encontro dele, quando ele esteve em Salvador, em 7 de julho de 1980, por causa dos problemas no pulmão.A religiosa desobedeceu aos médicos e foi se encontrar com o papa, mas ela tomou muita chuva na ocasião, o que a fez contrair pneumonia e passar 20 dias hospitalizada. Valeu todo o sacrifício, pois na ocasião ela foi chamada a subir ao altar e receber uma bênção especial do papa, sendo ovacionada por meio milhão de baianos que acompanhavam a celebração.
Além disso, recebeu um terço de presente de João Paulo. Na segunda visita ao Brasil, em outubro de 1991, o papa quebrou a agenda de compromissos oficiais e fez questão de ir até o Convento Santo Antônio, para visitar Irmã Dulce, que já estava bastante debilitada. Cinco meses após a visita do Pontífice, o “Anjo bom da Bahia” morreu.
Eis, em síntese, um pouco sobre a belíssima vida de uma das pessoas mais importantes do Brasil e do mundo, do século XX, que nasceu, viveu e morreu em contexto estritamente relacionado com os princípios de santidade, porque toda sua obra se resume em servir o próximo com muito amor.
O sentimento que se tem é o de que Deus sabe perfeitamente que o caminho da santificação não será percorrido sem sacrifícios  e renúncias, conquanto a Irmã Dulce, em que pese a sua extrema fragilidade, se enquadro nesse figurino, tendo conseguido fortaleza e audácia suficientes para trilhar sua trajetória grandiosa de muitos e terríveis obstáculos, porém de muitos sucessos, para, enfim, alcançar a glória que somente alguns conseguem  e são escolhidos para integrar o grupo seleto dos santos, exatamente em razão de seus méritos de lutas permanentes, que agradaram os propósitos celestiais.
Salve a Santa Dulce dos Pobres, que já coleciona centenas de expressivos milagres, com sua intercessão junto a Deus, seguindo a sua missão alma de luz, em benefício de pessoas que acreditam na seu poder de ajuda celestial, na esperança de que a sua santidade, agora autenticada pela Igreja Católica, possa continuar cada vez mais poderosa, na realização de importantes milagres, como prova da sua pureza espiritual junto a Deus Pai Todo-Poderoso. Amém!
 Brasília, em 12 de outubro de 2019