quarta-feira, 8 de abril de 2020

Belo gesto de solidariedade


Alguns postes de simples rua de um bairro de Sorocaba (SP) ganharam, desde o último dia 1º, dizeres de solidariedade e esperança junto a suportes com água e sabão, sob a iniciativa de duas irmãs, de 12 anos e 9 anos.
As duas meninas tiveram a genial ideia de proporcionar um pouco de higiene para as pessoas que dependem da reciclagem para tirar o sustento da sua família e não podem deixar de trabalhar, ao meio da pandemia do coronavírus.
As irmãs imaginaram colocar, em garrafas pets, separadas, água e sabão líquido, penduradas em outra garrafa pet furada na lateral, que foram amarradas com barbante, nos portes.
As cabecinhas cheias de criatividade e boas intenções das duas irmãs foram notadas e logo fizeram sucesso na rua onde elas moram, ao se despertar o interesse da disseminação da ideia delas, com a continuidade da colocação de outros kits das garrafas.
De acordo com a mãe das garotas, a família assistia ao noticiário quando viu uma reportagem expondo a situação dos coletores, sem nenhuma proteção contra possível contágio, em que pesem os casos de Covid-19, em plena atividade, país afora.
A mãe das meninas disse que "Vimos que muitos estavam com medo de mexer nos contêineres, aí tivemos essa ideia juntas, porque onde moramos passam vários coletores".
A necessidade veio à tona quando um coletor passou pela rua das irmãs e elas notaram que, logo depois de separar os materiais, o homem passou a mão pelo rosto para limpar o suor e isso pode contribuir para o contágio com bactérias e vírus, inclusive o Covid-19.
Além da colocação de água e sabão, na maneira acima indicada, as meninas disseram que "Amarramos o suporte no poste e elas ainda colaram o cartaz com a frase: ‘Mais vida e menos mortes’, além da hashtag #contra o coronavírus.”.
Uma das irmãs disse que "Eu me senti com orgulho de mim mesma, por saber que podia ajudar alguém. Essas pessoas que vivem na rua. Me senti feliz, porque não tem muita gente que lembra deles.".
Segundo a menina, o projeto da sua iniciativa já ganhou mais adeptos, porque seus coleguinhas da rua também vão espalhar os suportes por outros pontos do bairro.
É evidente que é muito bom ter orgulho de si, linda menina, porque o seu coração exprime real sentimento de amor ao próximo, que tanto precisa disso, uma vez que o Estado jamais vai lembrar de proteger o povo que não tem condições de viver sem essa forma de reciclagem.
Como é bom se conhecer iniciativa vindo da imaginação de crianças, que se preocupam com o seu próximo, em atitude que muito contribui para a elevação do ser humano, que ainda tem tempo para entender, até involuntariamente, que o ensinamento do Evangelho é exatamente esse de bem servir o seu irmão.
Trata-se de duas garotas de ouro, que demonstram que ter o Espírito Santo nos seus corações, ainda na flor da idade, que batem felizes por terem a oportunidade de fazer obra que eleva o seu sentimento de ser humano especial, diante de obra digna de reconhecimento, tanto útil como saudável.
Essas garotas especiais merecem os parabéns e o incentivo para que elas continuem praticando boas ações e as pondo em prática, porque a sua obra, que parece de muita singeleza, constitui maravilhoso exemplo que deve ser seguido Brasil afora, diante da criação de algo que pode contribuir para se evitar contaminações e doenças graves.
Espero que esse grande Brasil, tão cheio de gente desacreditada, receba como importante lição de amor ao próximo esse maravilhoso exemplo que nasce exatamente na periferia, onde é preciso aumentar os cuidados com a higienização das pessoas, que têm muito pouca assistência do Estado, nesse sentido.
Confesso que meu coração se encheu de alegria, tão logo tomei conhecimento dessa feliz iniciativa e só queria agradecer a Deus pelo fato de que as boas ações podem surgir a qualquer momento, bastando ter boa vontade no coração, até mesmo com inacreditável singeleza, como foi a colocação, separadamente, de água e sabão, que tem a finalidade de facilitar a assepsia de pessoas.
Parabenizo as graciosas meninas de Sorocaba, São Paulo, por seu gesto de amor e solidariedade ao seu semelhante, na esperança de que sua ideia se multiplique e sirva de lição para outras igualmente maravilhosas.    
Brasília, em 7 de abril de 2020

segunda-feira, 6 de abril de 2020

O carinho de neto


Circula nas redes sociais notícia dando conta de que um senhor de 88 teria sido colocado em asilo, pelos filhos e deixado lá, à própria sorte, mas o neto de nome Gabriel, de 21 anos, ao conseguir a propriedade da própria casa, resgatou o amado avô para viver com ele.
Trata-se de história bem interessante, com final muito feliz e agradável, em que o generoso netinho, de coração muito humano e amoroso, mostrou a importância da valorização da família, ao acolher o seu querido avô no seu lar, em gesto não muito comum na atualidade, onde as pessoas cada vez mais fazem questão de se distanciar, até mesmo por comodismo e menosprezo ao salutares sentimentos do vínculo familiar, mesmo tendo condições financeiras para a convivência em família.
A atitude do neto merece admiração e elogio de todos, obviamente sem condenação aos filhos do avô, porque não se sabe precisamente os motivos que os levaram a, praticamente, abandonar o pai, mas o grande neto Gabriel sabe que tem condições de cuidar de seu querido avô, em gesto que serve de nobre exemplo para muita gente, porque a família precisa ser cuidada com muitos carinho e amor.
Com certeza, o neto quis cuidar de seu querido avô porque este soube conquistar o amor do jovem ainda na fase da infância dele, quando deve ter sido criado vínculo especial  forte entre ambos e isso certamente deve ter contribuído para que o neto decidisse apoiar causa que simboliza pura forma de amor aos sentimentos familiares.
A vida mostra que há muitos casos em que o avô faz as vezes daquele paizão, que não se cansa de estar ao lado do neto, distribuindo carinho, atenção e amor, sempre quando isso seja possível
Digo isso com cátedra muito especial com referência ao vivido com meu avô amado, porque eu nasci e me criei no casarão do Sítio Canadá, residência oficia da família do meu amado vovô Juvino, onde tivemos vínculo muito estreito de convivência familiar e de amizade, como se ele fosse meu verdadeiro paizão, que estava presente e permanentemente na minha infância, cuidando do neto como se fosse filho.
É muito importante que os avôs sejam compreensíveis e possam  demonstrar amor aos netos, mediante atitude espontânea de carinho e amizade, principalmente porque o amanhã dos avôs pertence a Deus e o destino deles  pode depender das circunstâncias da vida.
 Esse caso noticiado nas redes sociais é demonstração de que funcionou a mão amiga do neto que soube valorizar o sentimento familiar, como forma de apoio mais do que valioso, naturalmente quando os avôs se encontram em momento difícil da vida.
É motivo de muita alegria e felicidade quando aparece na mídia notícia dessa natureza, em que há forte evidência do resgate do amor familiar, merecendo os aplausos para o seu protagonismo, diante do belo exemplo de boa vontade afirmativa, que precisa ser colocado em destaque, para o fim da sua propagação no mundo, como forma de incentivo à multiplicação de boas e generosas ações em benefício da humanidade.
Parabéns, menino Gabriel, pelo expressivo gesto que muito dignifica e valoriza os sentimentos de amor familiar, ao acolher o querido avô no seu lar.    
Brasília, em 6 de abril de 2020

domingo, 5 de abril de 2020

Convergência dos brasileiros

O Datafolha divulga, neste domingo, resultado de pesquisa realizada entre 1.511 entrevistados, por via de telefone, nos dias 1* a 3 do fluente mês, versando, basicamente, sobre fato bastante explorado, no momento, pela oposição, que pretende a renúncia do presidente da República.
Aquela empresa informa, segundo consta da notícia, que a cogitada renúncia “é rejeitada por 59% dos brasileiros”, em contrapartida da opinião de que “37% dos entrevistados”, que entendem que o chefe do Executivo deveria deixar o cargo.
De acordo com o Datafolha, o apoio à renúncia do presidente cresce entre jovens de 16 a 24 anos (44%) e mulheres (42%), enquanto homens (65%) e trabalhadores que recebem entre cinco e dez salários mínimos (69%) são contrários.
A pesquisa também mostra, com base na resposta dos entrevistados, que o presidente tem condições de liderar o país, para 52% deles, enquanto outros 44% discordam dessa opinião, e 4% não souberam responder.
Por sua vez, a empresa responsável pela pesquisa esclarece que a região Nordeste concentra o maior percentual de apoiadores da renúncia em apreço, com 47%, enquanto na região Sul, maior reduto bolsonarista na eleição, 28% querem que o presidente desocupe o posto.
Salta aos olhos, com muita tristeza, a forma irresponsável como é divulgado o resultado da pesquisa, diante da contradição de afirmações, quando aqueles entrevistados, no total de tão somente 1.511 pessoas ouvidas, totalizando 891 entrevistados (59% de 1.511) representam os “brasileiros”, ou seja, mais de duzentos milhões, menos mal, só que esse dado não condiz com a realidade, enquanto os outros 620 gostariam que o presidente desinfetasse o principal trono da República.
Nada impede, no formato republicano e democrático brasileiro, que se realizem pesquisas e o mais que quiserem, mas, em pleno massacre da agudeza da crise causada pelo temível coronavírus, ficar instigando o povo sobre renúncia do presidente do país não parece ser de bom tom, notadamente porque existe questão de primordial importância que precisa ser discutida pelos brasileiros, e carece de imediata solução, qual seja, a tragédia do século, representado pelo coronavirus.
Ressalte-se que a renúncia do presidente ganhou as manchetes da mídia a partir do manifesto formulado por partidos de oposição, pleiteando que o capitão da reserva do Exército deixe o cargo, que tem sido hipótese já descartada por ele, em reiterados pronunciamentos.
Entre os políticos à frente do movimento pedindo a renúncia do presidente estão três ex-candidatos da oposição à Presidência da República, que, como brasileiros, têm legítimo direito de formular o que bem quiserem, mas, sob a ótica da dignidade do civismo aos ideais republicanos, melhor representaria para a grandeza de seus projetos políticos que eles e os demais homens públicos pudessem criticar a atuação do mandatário da nação, como é próprio dos regimes republicano e democrático, sem olvidar da importante contribuição em forma de apoios e sugestões construtivos para o efetivo combate ao perigoso coronavírus, que vem aterrorizando a humanidade.
Os políticos brasileiros e a população precisam entender que o presidente da República é pessoa que pode perfeitamente ter ideologia, mas esta deve ser devotada à defesa das causas nacionais e jamais pode contrariar ao interesse público, que está acima de tudo, porquanto em qualquer circunstância, mesmo no fogo cruzado da guerra e das batalhas, como no caso do embate contra o coronavírus, o mandatário precisa ser considerado unicamente como estadista, que luta incansavelmente em defesa de todos os brasileiros, o que significa dizer que a vitória ou a derrota é compartilhada igual e solidariamente entre os mesmos patrícios, que precisam se conscientizar que o único partido de todos, neste momento difícil, é o Brasil.
Diante disso, não constitui nenhum absurdo qualquer ilação no sentido de que as ideias da oposição ou de quem for contra ao governo, inclusive dos meios de comunicação, pertinentes à cogitação da renúncia ou de outra hipótese do gênero do presidente do país, serem consideradas oportunistas e contrárias aos princípios civilizatórios, justamente em razão da travessia do momento delicado da guerra declarada contra o coronavirus, que envolve, necessariamente, a participação dos brasileiros, independentemente de ideologia, preferências pessoais e partidárias ou outras ambicionantes metas, porque nada, absolutamente nada, pode justificar pretensões senão no sentido de convergências de todos na busca dos melhores resultados para a população em geral, que anseia unicamente que o Brasil possa conquistar o pódio, para o bem de todos.     
            Brasília, em 5 de abril de 2020

sábado, 4 de abril de 2020

Incrível amor filial


Em razão das rigorosas regras de isolamento social, em todo o mundo, multiplicam-se as ideias para a visita dos entes mais queridos com as devidas distâncias.
Os Estados Unidos da América já são, no momento, o país onde se registra o maior número de infectados pelo novo coronavírus e as regras de isolamento  aumentaram substancialmente. 
O combate à pandemia do Covid-19 obriga todos a manterem o isolamento social e a cumprirem as devidas distâncias de segurança, mas isso não invalida que surjam ideias para surpreender e agradar os entes mais queridos. 
Foi exatamente o que aconteceu com um senhor de 45 anos, que decidiu surpreender a mãe dele, de 80 anos, que se encontra em um lar de terceira idade, em New Middletown, Ohio, Estados Unidos.
Diante da privação de entrar no aludido lar, por questão de segurança sanitária, o impulsivo filho resolveu visitar a querida mãe, tendo feito uso de uma grua, uma espécie de guindaste, que pertence à empresa onde ele trabalha, em situação bem pitoresca e até surreal, em face das circunstâncias apresentadas pelas imagens.
A um programa da televisão americana, o filho explicou que o motivo dessa surpreendente visita foi para satisfazê-la, porque "Ela continuava a me ligar e a dizer que queria sair para jantar. Eu explicava sempre: 'Mãe, isso não é possível... Não podemos fazer isso agora'. Ela estava ficando frustrada e decepcionada".
A reação da mãe foi interessante, porque "Ela disse: 'Oh, meu filho, incrível, o que é que está fazendo aí?", não compreendendo ela que se tratava de visita para ela, para lá de especial e inusitada.
Segundo o filho, amigos e família ligaram para ela, para cumprimentá-la e ela ficou feliz e animada.
Trata-se de demonstração especial de sublimes amor e carinho à mãe, que vale toda e qualquer iniciativa, mesmo dessa maneira estravagante de se usar uma grua, indo pelo ar, à grande e perigosa distância, para satisfazer o desejo de ver a querida mãe e amenizar um pouco a saudade dela.
Não há dúvida de que a amada mãe merece qualquer sacrifício do filho, para tentar fazê-la feliz, em vê-lo mesmo nas alturas e em situação bastante desagradável, como nesse caso.
Na verdade, como é próprio da natureza, qualquer filho seria capaz de se esforçar e se sacrificar para visitar a mãe, onde ela se encontrar, porque ela merece que o filho mostre permanentemente o seu melhor amor por ela, e tudo que for feito para agradá-la é somente o mínimo do carinho filial, que não tem nem pode ter limites.
Acredito que o mundo seria bem melhor se os filhos demonstrassem essa feliz vocação para tentar agradar às suas mães, para que elas sentissem no coração o quanto são de suma importância na vida de seus eternos bebês, mesmo se tratando de marmanjos amorosos.  
Brasília, em 2 de abril de 2020

Quebra de confiança?


O presidente da República convocou reunião com médicos que estão na linha do combate ao novo coronavírus, mas deixou de convidar logo o ministro da Saúde, que soube do evento por colegas que foram chamados.
O ministro imagina que o aludido encontro serviria para tratar sobre o cloroquina, que ainda não há confirmação acerca dos efeitos do medicamento no combate ao coronavírus, em que pese o seu uso ser defendido abertamente pelo presidente e seus familiares.
O ministro da saúde acredita que a reunião seja uma ideia da área de “marketing” do Palácio do Planalto para “bater uma foto” com os principais médicos do país, o que não passaria da confirmação sobre “nova polêmica” do governo.
Segundo a imprensa escrita, a cúpula do hospital Sírio-Libanês proibiu que seus médicos participassem do encontro com o presidente do país, talvez diante da ausência do ministro, que poderia dar respaldo ao evento.
Sabe-se que, durante o encontro, o presidente brasileiro defendeu, mais uma vez, o uso de hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19, embora, à toda evidência, os testes sobre o medicamento são insuficientes e ainda não foram concluídos, em nenhum lugar do mundo, nem mesmo nos países evoluídos, o que bem demonstra o açodamento e a precipitação do mandatário tupiniquim, que quer se antecipar, na marra, sem a devida segurança, com relação ao tratamento que precisa de comprovação sobre a sua eficácia, na forma dos protocolos de análises médico-científicas.
Enfim, não há a menor dúvida de que o relacionamento entre o presidente do país e o ministro da Saúde é o pior possível, a ponto de haver explícitas críticas do mandatário sobre o comportamento de seu principal assessor para a saúde, com afirmações nada elegantes a respeito do desempenho dele, como a de que “faltava humildade no ministro”, embora ele tenha declarado que não pretende demiti-lo em meio à grave crise, mas garantiu que ninguém é "indemissível", tendo dito que o seu assessor precisa "ouvir um pouco mais o presidente da República".
O presidente fez a seguinte declaração sobre o ministro da Saúde, em entrevista à Rádio Jovem Pan, ipsis litteris: “Olha, o Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo. Não pretendo demiti-lo no meio da guerra. Em algum momento, ele extrapolou. Respeitei todos os ministros, ele também. A gente espera que ele dê conta do recado. Tenho falado com ele. Ele está numa situação meio... Se ele se sair bem, sem problema. Nenhum ministro meu é indemissível. Ele (ministro) tem responsabilidade, sim. Ele cuida da Saúde, o Paulo Guedes cuida da Economia, e eu entro aqui no meio para cuidar das duas áreas.”.
Fica bastante difícil para o presidente da República explicar para a opinião pública a convocação de reunião de alto nível, para tratar de questão importantíssima relacionada com a crise causada pelo poderoso coronavírus, sem a importante e fundamental presença do principal coordenador e articulador das políticas governamentais pertinentes.
Isso demonstra absoluta falta de racionalidade, bom senso, sensibilidade e  responsabilidade por parte do comandante da nação, que não pode abdicar da imprescindível presença de quem vem cuidando diretamente, com eficiência ou não, a depender da visão dele, das questões relacionadas com a crise do coronavírus.
Não há a menor dúvida de que isso só demonstra falta de confiança no trabalho desenvolvido pelo ministro da Saúde, que, em princípio, demonstra absoluta aptidão e competência à frente de atividades extremamente complexas que exigem o máximo de cuidados e zelo, porque está em jogo milhares vidas humanas, que foram entregues às mãos de ministro que não pode falhar o mínimo que seja, sob pena de a nação inteira padecer por qualquer deslize por parte dele.
O presidente da República tem todo direito de se reunir até com a mãe Joana, mas, em momento algum, ele pode prescindir da participação ativa e importante do ministro da Saúde, para tratar de assuntos referentes à área da competência dele, porque é, à toda evidência, a pessoa que compete tratar e decidir sobre as principais questões pertinentes à saúde pública, que dizem com a saúde dos brasileiros, além de que o dono do poder não entende absolutamente nada sobre as questões estratégicas de saúde e bem menos dos meandros envolvendo o coronavírus.
O presidente do país precisa ter a honestidade e a dignidade de substituir quem, sob a sua visão, não tenha mais confiança no assessoramento da principal política de saúde pública, embora o atual ministro parece ser a pessoa que vem se dedicando em trabalho árduo, difícil, penoso e acima de tudo criterioso relacionado com a saúde dos brasileiros, porque tudo deve ser feito, sobretudo, visando à preservação de muitas vidas humanas, diante das ferozes ameaças do Covi-19, que tem o poder de matar quem aparecer à sua frente, a depender do grau de imunidade.
O presidente da nação precisa ter consciência e racionalidade para entender que a perda de confiança de qualquer de seus assessores só lhe resta a alternativa de dispensá-lo, porque o desprezo dele, demonstrado no caso em comento, evidencia cristalina falta de sintonia e coordenação entre o mandatário do país e o ministro da Saúde, além de mostrar que este é absolutamente dispensável, à vista da falta de justificativa plausível para o ocorrido, a suspeitar-se da execução paralela das políticas de saúde pública no âmbito do governo, que precisa funcionar ajustado e alinhado como um conjunto harmônico, em todos os sentidos, diante de situação comparável à guerra, onde o inimigo pode se tornar vitorioso apenas por pequeno detalhe: falta de competência de gerenciamento.
É preciso que o presidente do país tenha o mínimo de consciência e responsabilidade sobre a gerência da coisa pública, além de dignidade, competência e inteligência, no sentido de vislumbrar os fatos não somente sobre o seu exclusivo ângulo de visão, porque este pode carecer de mais experiência em área específica, como forma de se contribuir para a grandeza de seu governo, tendo a sensibilidade de prestigiar seus principais colaboradores, que são responsáveis diretamente pelas políticas essenciais à prestação dos serviços necessários à satisfação do interesse público. 
Brasília, em 3 de abril de 2020

Usurpação da função pública?



A imprensa brasileira vem noticiando que um dos filhos do presidente da República assumiu, em definitivo, o principal cargo referente às comunicações do governo federal, sem ter qualquer vinculação com o serviço público, estando trabalhando de maneira graciosa, em condições nada republicana.
À toda evidência, essa situação absurda e esdrúxula vem causando enorme incômodo a partidos e políticos da oposição, conforme demonstrado em ações práticas e efetivas, consistentes na impetração de recursos na Justiça Federal, solicitado que o mencionado cidadão seja proibido de ocupar qualquer gabinete no Palácio do Planalto, além de determinar que ele não pratique, mesmo que informalmente, qualquer ato ou política próprios do governo.
Um dos partidos aponta as suspeitas de que, mesmo sem cargo no Executivo, o vereador licenciado do Rio de Janeiro tem orientado não somente a comunicação digital do governo como pronunciamentos e declarações do próprio presidente do país, dando como exemplo as manifestações dele contra o isolamento social em combate à pandemia do novo coronavírus.
A aludida agremiação alegou, na citada petição, ipsis litteris:Ao desempenhar ilegalmente atribuições na Presidência da República, cometeu, em tese, crime de usurpação de função pública”.
O partido solicita ainda à Justiça Federal que, em caso de decisão favorável ao recurso, a sentença pertinente seja remetida à Câmara dos Vereadores do Rio do Janeiro, com vistas às medidas que possam levar à cassação do mandato do citado político.
Mesmo que o parlamentar tenha se afastado do cargo de vereador da cidade que já ostentou o charmoso título de Maravilhosa, parece muito estranho que alguém se eleja para o exercício de determinado cargo público e se proponha a exercer, de forma absolutamente irregular, diante da falta de vinculação oficial, outro cargo completamente sem o devido amparo legal, ou ainda pior, em contrariedade a dispositivo do Código Penal Brasileiro.
É consabido que configura prática de delito contra a administração pública, na forma prevista no art. 328 do Código Penal, a pessoa que executa ato para o qual não tenha sido nomeado, que pode ser o caso do filho do presidente, que tem gabinete dentro do Palácio do Planalto, sem competência legal para tanto, eis que ele não foi nomeado para exercer qualquer função em nome do serviço público.
O citado art. 328 tem o seguinte teor: “Usurpar o exercício de função pública.”, por indivíduo sem qualquer vinculação com os quadros do serviço público.
O disposto nesse mesmo artigo estipula que quem for enquadrado nesse crime está sujeito à reclusão de três meses a dois anos.
O exato sentido de usurpação condiz com a situação em que o particular finge possuir qualificação de servidor público, investido de poderes inexistentes, para o fim da prática de atos pertinentes ao poder público, que pode perfeitamente ser o caso desse cidadão, que certamente ele não se afastaria do relevante cargo de vereador para ficar à disposição da Presidência da República, conforme comprovado pela imprensa escrita, somente para mostrar a sua elegante simpatia.  
A verdade é que a maior culpa não pode ser atribuída somente ao ingênuo usurpador, mas sim da parte de quem permite que, em pleno século XXI, com os avanços da modernidade da administração científica, essa prática ridiculamente abominável, por ser irregular e inaceitável, se concretize à luz do dia, diante da nação desinformada do que realmente isso significa, sob a lupa dos princípios da transparência, moralidade e legalidade.
Isso só demonstra incompetência e falta de experiência gerencial, porque todo gestor público precisa se cuidar para que seus atos estejam, no mínimo, revestidos da legalidade, evitando que absurdo dessa natureza fique exposto à visão pública, como se fosse algo comum e normal na gestão pública, quando se trata de ato recriminável.
O mesmo vereador filho presidencial incumbido, informal e indevidamente, pela estratégia digital do pai, mas deveria ser do governo, se nomeado para tanto, atacou o vice-presidente da República em postagem no Twitter, nesta sexta-feira, por meio de forte e grave insinuação de que ele conspira para derrubar o governo do seu pai.
Esse fato tem o condão de pôr querosene na fogueira com temperatura prestes a se tornar fora de controle, cujo incêndio pode se alastrar perigosamente no âmbito militar, que tem passado por situação bastante tensa dentro da sua ala no governo, por não ter conseguido contornar os sucessivos e gigantescos conflitos entre o presidente, os governadores e seu próprio ministro da Saúde, no que concerne à gestão da enorme crise causada pelo novo coronavírus.
Ou seja, além de se encontrar desempenhando função irregular, por não ter sido designado oficialmente, dando a entender que há algo mais do que estranho nisso, o filho do presidente ainda parte para a briga direta com membros importantes do Executivo, o que bem evidencia que o seu DNA paternal, nada conciliador e ponderado, só contribui para elevar os atritos no âmbito do governo, conforme mostram os fatos.
Não à toa que os resultados de pesquisas de opinião pública apontam para enormes dificuldades para o presidente conquistar a popularidade entre os brasileiros, à vista justamente da visível falta de sensibilidade e competência mostrada seguidamente por ele.
Na verdade, o presidente do país já teve bastante tempo para aprender minimamente que administrar o país com as grandezas continentais do Brasil não tem mistério nem dificuldade, porquanto é preciso apenas boa e generosa pitada de competência, bom senso, racionalidade e inteligência, evitando a todo custo se desgastar em discussão cujo assunto precisa ser analisado e resolvido, essencialmente, por especialistas e entendidos por suas experiências nas respectivas áreas.
O presidente brasileiro precisa somente confiar o desempenho das principais e importantes funções públicas a quem estiver legalmente habilitado para tanto, não permitindo, jamais, que familiares se intrometam no seu governo, porque isso só afiança e atesta completa e cabalmente incapacidade para administrar o país, à vista de seus próprios atos, que são, em grande maioria, desaprovados pelos brasileiros.
O governo cônscio da sua obrigação primordial de zelar pelo elevado padrão de moralidade e legalidade da gestão pública, teria cuidado para se evitar a suscitação de questões como essa envolvendo o seu filho, notadamente porque ele é absolutamente prescindível, salvo se o mandatário quiser exatamente que a sua gestão esteja permanentemente cercada de polêmicas, como forma de desviar o foco da imprensa para escândalos que são mais atraentes do que a ansiada eficiência da administração do país.
Urge que os brasileiros, no âmbito da sua consciência cívica e republicana, manifestem-se em repúdio a atos da administração pública sem o devido amparo legal e exijam do mandatário máximo do país que se esforce quanto à fiel observância ao compromisso de posse, acerca da necessidade de ser seguida a Constituição Federal e a legislação pátrias.   
Brasília, em 4 de abril de 2020

quarta-feira, 1 de abril de 2020

O padre de Deus


Um  padre italiano, de 72 anos, morreu em Bergamo, no norte da Itália, depois de ter se recusado a ser colocado em um respirador que seus paroquianos haviam comprado para ele.
O religioso resolveu que um paciente mais novo do que ele deveria usar o equipamento e foi exatamente o que aconteceu, fato este que resultou na morte dele.
Em que pese o padre ter falecido em Bergamo, ele era o vigário de igreja da cidade próxima, de nome Casnigo.
Como sempre acontece nesses casos, o corpo do cônego foi enterrado sem velório, mas os moradores de Casnigo o aplaudiram de suas janelas, ao saberem da morte dele, que era muito querido na região.
Segundo a imprensa, ao menos 70 padres já morreram na Itália, em razão de terem sido acometidos pelo terrível Covid-19, cuja doença foi largamente disseminada naquele país, onde já morreram mais de onze mil pessoas, sendo o país que lidera os números de óbitos, no mundo.
O papa liderou oração pelos médicos e padres que morreram por causa da doença, em ato religioso, em cuja ocasião o papa fez agradecimento a esses profissionais, afirmando, verbis: “pelo seu exemplo heroico ao servir aqueles que estão doentes”.
A Itália é o país mais atingido pela pandemia, já tendo contabilizado mais de onze mil mortos, até o momento.
A Europa é considerada agora o epicentro da grave crise causada pelo coronavírus e a Itália é o país mais atingido pela pandemia, cujo número diário de mortes tem a média de 600 pessoas, quantidade considerada alarmante, por dá a impressão de que o vírus saiu do controle dos órgãos de saúde pública, à vista da enorme incidência de contaminação, em torno de cem mil pessoas.
Convém se ressaltar o gesto de sublime altruísmo do religioso, que, em momento decisivo e muito importante da sua vida, resolveu optar pela tentativa de salvação de seu semelhante, certamente imaginando que a sua vida já estivesse por um fio, com o que preferiu abdicar do aparelho destinado a ele, mesmo sabendo que isso o levaria à morte.
Não há a menor dúvida de que, no momento derradeiro da sua vida, o padre tenha enxergado e interpretado a essência do Evangelho de Jesus Cristo, que tem por princípio a pregação do amor ao próximo como a si mesmo e foi precisamente o que o religioso fez, abrindo mão do respirador para possibilitar a salvação de outra pessoa, embora o aparelho tenha sido doação da comunidade para o uso exclusivamente dele.
É preciso que seja reconhecido que a atitude do padre se torna ainda mais nobre, como maneira especial de demonstrar amor ao seu próximo, notadamente em razão de ele saber e tinha certeza de que a sua opção equivalia a decretação da própria morte, considerando que o aparelho de respiração o ajudaria à possível superação da insuficiência de ar nos pulmões, que já estavam debilitados e somente funcionariam com a ajuda artificial, por meio de aparelho.
À toda evidência, pelo menos no momento derradeiro da sua vida, o religioso se houve como autêntico santo, pela materialização de atitude própria dos escolhidos por Deus como pessoa abençoada com os dons divinos, em especial porque não é comum que alguém decida, sem vacilar, pela salvação do seu próximo, quando haveria alguma esperança sobre a superação dos obstáculos e salvação da própria vida, como foi o caso desse padre muito generoso.
Em que pesem as tragédias causadas pelo poderoso e impiedoso coronavírus, vislumbram sobre os escombros dessa horrorosa tragédia gestos de bastantes esperança, solidariedade e amor cristãos, onde um padre consegue protagonizar ação própria dos verdadeiros santos, diante da possibilidade de conceder a vida a pessoa que se encontra igualmente batalhando, como ele, contra a desgraça disseminada por esse vírus desumano e severamente letal.
          Brasília, em 1* de abril de 2020