terça-feira, 3 de novembro de 2020

Discurso insatisfatório?


O presidente da República teve a primazia de abrir os trabalhos da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) e o fez agora com a marca pessoal de também criar discordância sobre os principais temas abordados por ele, com destaque para a gigantesca crise decorrente dos incêndios no Pantanal e na Amazônia.

Em nota, o presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) criticou duramente o presidente do país, em razão do conteúdo de seu discurso, tendo afirmado que ele mentiu e contribuiu para que o Brasil "caminhe para se tornar um pária internacional. Sem qualquer compromisso com a verdade, o presidente afirmou que seu governo pagou um auxílio emergencial no valor de mil dólares para 65 milhões de brasileiros carentes, durante a pandemia. O auxílio foi de 600 reais".

Em outro trecho da nota, a ABI disse que "O presidente responsabilizou índios e caboclos pelos incêndios na Amazônia e no Pantanal, que alcançam níveis nunca antes vistos no País. Todas as investigações, inclusive de órgãos oficiais, indicam que fazendeiros estão na origem das queimadas".

A ABI ressalta que "O presidente transferiu a responsabilidade para governadores e prefeitos pelos quase 140 mil mortos vítimas do coronavírus. Todo o país é testemunha de sua leviandade, ao classificar a pandemia de 'gripezinha' e ir na contramão dos procedimentos defendidos pelas autoridades de saúde".

A Associação Brasileira de Imprensa afirma, em conclusão, que "A ABI repudia esse comportamento que vem se tornando recorrente e conclama o povo brasileiro a não aceitar o verdadeiro retrocesso civilizatório".

Diante do comportamento sistemático do presidente brasileiro, que tem sido reiteradamente contestado por entidades de classe e especialistas sobre importantes matérias em discussão, tem-se a ideia de que ele se alimenta dessa forma esquisita de suscitar polêmica absolutamente dispensável, porque as suas posições polêmicas não contribuem em nada para a elevação do seu governo.

Ao contrário, sempre que o presidente tenta esclarecer ou justificar questões relevantes as celeumas afloram ainda mais, porque nem sempre ele converge com a realidade dos fatos, a exemplo dos incêndios, em que o mundo acompanha com estarrecimento a dizimação das florestas, mas o governo apenas põem culpa, com ou sem razão em índios, caboclos, fazendeiros e outros incendiários, mas o que é essencial passa ao largo, que é investigar os incêndios criminosos e, se for o caso, punir com severidade os culpados, além de adotar medidas preventivas para se evitar novos, alarmantes e incontroláveis incêndios.

O governo com o mínimo de competência jamais iria à Assembleia Geral da ONU levando reclamações sobre estórias da Carochinha, dizendo que querem sabotar o seu governo, por meio de denúncias no exterior e outras falácias estritamente compatíveis com incompetências e má gestão.

O governo sério, competente e responsável se dirige ao mundo levando consigo fatos concretos sobre a sua administração, mostrando aos quatro cantos o resultado das apurações e investigações pertinentes e as medidas concretas adotadas por seu governo sobre os fatos denunciados e/ou questionados, de modo que não se permitam quaisquer dúvidas acerca da correção e da licitude da sua gestão.

Em uma República com o mínimo de seriedade e respeitabilidade, seria compreendido como da maior indignidade o seu mandatário ser classificado como mentiroso e “Sem qualquer compromisso com a verdade.”, porque isso significa completa desmoralização para quem exerce o principal cargo do país, de quem se exige o máximo de dignidade e conduta ilibada, o que vale dizer que deixar de ter compromisso com a verdade é o mesmo que desonrá-lo em definitivo.

Nesses casos dos incêndios das florestas pantaneira e amazônica e da pandemia do novo coronavírus, não há a menor dúvida de que a participação do presidente do país poderia ter melhor reflexo, caso ele tivesse agido com medidas tendentes à investigação dos fatos e responsabilização dos envolvidos e maior discrição comportamental na condução do combate ao contágio, fatos estes que contribuíram para desacreditá-lo como confiável na seriedade exigida em ambos os casos.

Enfim, não é nada elegante nem saudável que o presidente da República seja tratado como homem público mentiroso, diante de seus atos na lídima representação dos interesses do país, porque isso tem o condão de desacreditá-lo perante a opinião pública, que espera dele somente atos de grandeza e de dignificação do relevante cargo que ocupa.

              Brasília, em 3 de novembro de 2020 

O quê disse o papa, mesmo?

 

Em crônica, eu afirmei que o direito à felicidade é universal, sendo impossível negá-lo a quem quer que seja, não importando as razões de consciência, pensamento nem ideologia e nesse ponto o papa jamais poderia pensar diferente, diante do Evangelho de Jesus Cristo, que tem como princípio exatamente a busca da fraternidade e do amor entre os homens, sendo que a síntese disso se confunde com a própria felicidade.

Uma distinta e inteligente conterrânea disse, em mensagem, que “O que o Papa diz é que os pais não podem excluir um filho gay. E que eles devem ser amparados civilmente. Isso não significa que a Igreja e o Papa aprovem a união. Amar o pecador e desprezar o pecado. Isso em qualquer pecado.”.

Em resposta à aludida mensagem, eu digo que desde que eu venho escrevendo sobre a declaração do papa, acerca da questão envolvendo o homossexual, tem sido com base no pronunciamento dele, vazado no seguinte texto,  ipsis litteris: "As pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família, são filhos de Deus, possuem direito a uma família. Não se pode expulsar ninguém de uma família, nem tornar sua vida impossível por isso. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil, eles têm direito a estarem legalmente protegidos. Eu defendi isso".

Eu e muita gente entendemos, com clareza, que o sumo pontífice está se referindo, de forma cristalina, em união homossexual, de pessoas do mesmo sexo, o “casal” de homem com homem ou mulher com mulher, por afirmar literalmente sobre a necessidade, ou seja, a aprovação  de "lei de convivência civil", precisamente para oficializar a convivência como duas pessoas normais, em reconhecimento da união como se casal fosse.

É preciso se atentar que a relação normal de filho homossexual com a família, no caso de pais e filhos, ou seja, irmãos, não precisa de lei de convivência civil, porque já basta tão somente a lei natural da compreensão, da amizade ou do amor próprio da família, como fazem normalmente as famílias que aceitam seu filho amado, independentemente da maneira como ele prefere viver, se relacionar no seio da sociedade, porque o amor filial sempre fala mais ato e está acima de tudo e ninguém vai expulsar de casa o filho ou a filha amado (a) da sua convivência.

Contrário senso, pensando bem, não faria o menor sentido o papa sugerir a criação de lei de convivência para a aceitação pacífica entre pai e filho/a, porque não seria a existência de norma legal que iria promover o entendimento familiar ou a conciliação, por depender apenas de superação de momento. É preciso que as pessoas compreendam que o exato entendimento sobre a declaração papal é no sentido de que precisa reconhecer e oficializar, na esfera civil, a convivência de aceitação entre pessoas do mesmo sexo.

O paradoxo reside exatamente no sentido de que, ao defender a união entre pessoas homossexuais, o papa simplesmente fê-la somente em relação à esfera civil, tendo ignorando e fechado os olhos, ou seja, feito vista grossa, para a doutrina existente na Igreja Católica, no sentido de que “o respeito pelas pessoas homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais".

Em análise, mais fria possível, sobre esse relevante tema explorado pelo papa, voluntária e pessoalmente, pode-se se intuir, à luz do bom senso e da racionalidade, que, na qualidade de dirigente máximo da santa madre Igreja Católica, antes de opinar, da maneira explícita como o fez, o cardeal dos cardeais deveria cuidar de pacificar seu entendimento sobre a união homossexual no seio da igreja, para ter autoridade eclesial para sugerir medida na esfera civil, porque isso pode demonstrar nenhum interesse na bênção da igreja aos homossexuais que o desejem fazer parte das atividades religiosas por ela oficiadas.

Estranha-se quanto o mais o fato de o papa dizer que os homossexuais “são filhos de Deus, possuem direito a uma família.”, mas, ao mesmo tempo, ele se abstém de providenciar eles sejam igualmente reconhecidos como tais pela própria igreja.

Não há a menor dúvida de que a atitude do papa evidencia forma parcial de amor ao próximo, independentemente da orientação sexual, porque isso realmente não pode servir de pretexto para nenhuma forma de discriminação, nem mesmo dentro da Igreja Católica, porque, se fosse assim, haveria necessidade da aplicação da antiga lei do “Olho por olho, dente por dente”, em que a instituição não poderia aceitar o tanto de sacerdotes homossexuais, porque eles seriam vistos como eternos pecadores, à vista da doutrina que renega a existência de quem se diz aderir a essa orientação.  

Ante o exposto, para que o amor do papa à causa homossexual se materialize como verdadeiro, é preciso que a doutrina da Igreja Católica seja flexionada para acolher também as pessoas que seguem aquela orientação sexual, diante dos sagrados princípios de que as pessoas merecem respeito e todas as formas de amor valem a pena e precisam ser valorizadas, principalmente porque não há qualquer pretexto para justificar absurdas discriminações contra o ser humano.

Brasília, em 3 de novembro de 2020  

Intervenção militar?


Está veiculando nas redes sociais manifesto de simpatizantes à causa da “intervenção militar”, como se essa medida de extrema exceção fosse a salvação da pátria, à vista da existência de alternativa realmente satisfatória e inteligente, em harmonia com os princípios evoluídos e democráticos.

As pessoas que entraram na onda da “intervenção militar” estão longe de imaginar que se trata de maluca pregação que tem o condão de implicar na perda dos sagrados direitos da liberdade e das garantias individuais dos brasileiros, assegurados na Carta Magna.

Essa forma de reivindicação pode estar acontecendo em nome de indesejável projeto que funciona explicitamente como verdadeira ditadura, com inspiração em modelo que conspira contra os princípios republicano e democrático.

Na verdade, esse movimento segue advertências mais ou menos veladas, mas em outros casos nem tanto, de altas autoridades da República de que pode haver iminente ruptura constitucional, como forma de ameaça eufêmica de golpe de Estado nada agradável, por vir na contramão da prevalência do Estado Democrático de Direito, defendido por todas as nações evoluídas e modernas, em termos políticos e democráticos, que refutam bravamente ideias retrógradas como essa, diante da imersão do país nas escuridão e incertezas político-democráticas.

Vejam-se que o presidente da República, conquanto declara respeito aos princípios democráticos e à soberania dos demais poderes, vinha, até pouco tempo, se confraternizando com quem advogava, às escâncaras, o fechamento do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal, além de demonizar a oposição, parte da imprensa e quem prega críticas à sua atuação, dando nítida impressão de que a democracia e as instituições muito mais atrapalham do que ajudam o seu governo, que tem dificultado ao máximo o diálogo, na busca de entendimentos políticos.

É preciso se entender que essa forma de democracia de demonizar aqueles que não estão alinhados com o governo não pode ser considerada construtiva para o desenvolvimento da nação, tendo em vista que o progresso do Brasil nunca será possível sob o degradante e recriminável processo predominante, até pouco tempo, do “nós contra eles”, dando nítida indicação de condenável separação radicalizada entre brasileiros, como se fosse possível a dicotomia de interesses público e nacional.

Convém que a democracia brasileira passe a ser autêntica, no seu verdadeiro sentido de servir para unir as autoridades públicas, em todas as esferas, com o povo, tendo como objetivo primordial a pacificação de ideário que mire a consecução de metas voltadas para a consolidação dos direitos sociais, do progresso econômico, da justiça na distribuição dos frutos da produção, do aumento do emprego e, enfim, da harmonização e da integração dos interesses dos brasileiros.

A verdade precisa ser posta à mesa, para se evidenciar que o quadro de desarmonia, descontentamento, desilusão, enfim, de insatisfação somente reflete preocupantes inoperância e incompetência na condução das políticas de interesse nacional, exatamente em razão da ausência de interesse e projetos capazes de satisfazer às ânsias da sociedade, nas suas múltiplas vicissitudes, que se mostram antagônicas, ou seja, diante da apatia demonstrada por parte de quem tem o dever de oferecer a matéria prima para a discussão da sociedade, que tem avidez quanto à solução das suas necessidades político-sociais.

É evidente que nada será possível viabilizar de construtivo para os brasileiros sob a prevalência de ideias retrógradas e malformadas de intervenção de qualquer natureza e muito menos militar, uma das mais radicais, porquanto, como o próprio vernáculo já diz, o sentido de intervenção precisa ser acionado em caso apenas emergencial, quando nada mais restar para se fazer, a ter exaurida a inteligência do ser humano para lutar em prol das forças ativas, no caso, dos princípios democráticos.

Brasília, em 3 de novembro de 2020

segunda-feira, 2 de novembro de 2020

Aderência à imoralidade

Conforme notícia publicada na imprensa, o líder do governo na Câmara dos Deputados teria se aliado a deputado de oposição, do PT-SP, relator do projeto, para a defesa da medida cogitada, que abranda os efeitos da Lei de Improbidade Administrativa.

A aludida reportagem também afirma que o citado líder é crítico da Operação Lava-Jato e vê com ressalvas a atuação do Ministério Público Federal.

A proposta em discussão é vista no Congresso Nacional como nova forma de restringir os poderes de procuradores, na esteira da reação contra os trabalhos da Lava-Jato, um ano após a aprovação da Lei de Abuso de Autoridade.

Articulador político do presidente da República no Parlamento, o líder do governo tem contribuído com o relator do projeto a levar o texto à votação, evidenciando, com isso, que o governo encampa perfeitamente a ideia de abrandamento do combate à criminalidade, de quem, na campanha eleitoral, se dizia radical inimigo.

O líder do governo disse que "A atividade política se transformou no alvo principal da ação do Ministério Público. A Lei de Abuso de Autoridade veio em uma direção correta. Agora, a mudança que estamos propondo na lei de improbidade vai acabar com essa história de improbidade por ofensa a princípios da Constituição, que é muito aberta e só gera desgaste. Noventa por cento dessas denúncias não dão em nada. A culpa é também do Parlamento, que tem de mudar a lei."

O texto substitutivo apresentado pelo petista objetiva afrouxar norma da lei vigente, para excluir a possibilidade de punição a uma série de condutas atualmente vedadas, a exemplo de práticas de nepotismo e "furada de fila" em serviços públicos deixariam de resultar em sanção por improbidade.

O projeto prevê, ainda, limitar as situações em que o juiz pode determinar o bloqueio de bens dos acusados e encurta prazos de prescrições, fatos que, na prática, restringem as sanções apenas a casos em que houver comprovadamente enriquecimento ilícito ou danos aos cofres públicos.

Como não poderia ser diferente, o Ministério Público Federal criticou o projeto, por meio de nota técnica, dizendo  que a medida representa "um dos maiores retrocessos no combate à corrupção e na defesa da moralidade administrativa".

Trata-se de estranha e inaceitável participação direta do governo na cogitação de mudança de norma legal que objetiva o abrandamento de controle sobre criminalidade, com enfoque, mais diretamente, para as atividades parlamentares, cujos titulares não podem, evidentemente no entendimento deles, ser incomodados com o rigor das sanções, em especial nos casos especificados no projeto em discussão.

Se há clara pretensão do abrandamento da norma vigente é porque ela vem incomodando os políticos prejudicados que, com a mudança efetivada, podem tranquilamente praticar legalmente os atos antes proibidos em seu benefício e isso só demonstra a falta de caráter do homem público e a voluntariedade de levar vantagem com o aproveitamento da lei aprovada por eles próprios.

Essa maneira de atuação parlamentar fica patente no ato a promiscuidade e a pequenez da personalidade política, quando, à luz dos princípios da ética e da moralidade, essa forma de mudança da lei jamais deveria ser permitida senão para arrochar ainda mais, em termos de combate à esculhambação da moralidade defendida pelos próprios parlamentares, como nesse caso, que é prova cristalina da decadência moral dos legisladores, que agem em prol de seus interesses.

É preciso que fique registrado que o governo cada vez mais se complica com a perda de credibilidade quanto à gestão pública, porque é exatamente o seu líder na Câmara que, de forma voluntária, se associa ao trabalho de petista, logo a quem, para abrandar ainda mais o que pouco existe de combate à criminalidade da corrupção, ao contribuir para mandar para o espaço dispositivo que impede algumas pequenas práticas que tanto incomodam nobres parlamentares, porque eles jamais se preocupariam em alterá-lo se o alvo da sanção visada fosse o povo ou outros destinatários senão eles.

A tristeza maior mesmo, em forma decepção, fica por conta justamente por parte do governo, que foi eleito com o empunhamento da bandeira da mudança, no estridente grito em defesa da moralidade, como principal arma apresentada no palanque e nas praças públicas.

Não obstante, agora ele não se envergonha nem se deprime em defender, descaradamente, o abrandamento de legislação de combate à criminalidade, o que bem demonstra a falta de palavra do homem público, que jamais deve se envergar e se prostituir diante das circunstâncias, como parece que deva ser o caso, em que o governo adere à causa que não condiz com o seu sentimento, o que tudo indica, falsamente propalado com o propósito de conseguir o apoio popular, cuja sociedade continua cada vez mais forte no anseio, ao contrário do governo, de muito mais moralidade.

Convém que os brasileiros se convirjam em mobilização de repúdio e protesto contra a participação de apoio do governo à aprovação de medida contrária aos princípios da moralidade, à vista do abrandamento da eficácia da Lei de Improbidade Administrativa, lembrando ao presidente da República que tal atitude suja com lama pútrida a linda promessa de mudanças visando à limpeza do Brasil.

          Brasília, em 2 de novembro de 2020   

Lembranças eternas...

 

Hoje é dia 2 de novembro, reservado especialmente como o Dia de Finados, no calendário destinado às homenagens póstumas aos saudosos entes queridos que foram responsáveis pela nossa existência, como os nossos pais, avós, bisavôs..., e conviveram conosco, como os familiares e amigos.

É o dia que bate no peito o sentimento muito forte de boas lembranças sobre fatos passados no trajeto de nossas vidas, cujo convívio com eles ajudou a forjar naturalmente as situações maravilhosas de cada um de nós, que tivemos a alegria do compartilhamento e do usufruto das coisas da vida, para a construção do que somos.

A recordação é algo especial que precisa sim transformar em sentimento de simbólica homenagem em reverência aos saudosos e queridos entes da maior importância, que deixaram conosco marcas e legados que nunca se afastam de nós, porque eles são eternizados nos nossos corações, sempre saudosos e agradecidos pelas dádivas oferecidas por meio da amizade, do carinho, do afago, da dedicação, enfim das melhores formas de amor, que jamais se esvaem de nós.

Os finados merecem não somente a lembrança especial e carinhosa, mas o nosso sublime reconhecimento por toda semente plantada, pelos bons frutos que eles colheram e principalmente pela existência de árvores frutíferas que eles cultivaram e continuam alimentando a vida dos que aqui estamos, na continuidade natural do ciclo da vida.

A verdade é que as pessoas que estiveram conosco e amamos jamais serão esquecidas, porque elas ficam guardadas no cantinho das lembranças, reservado no coração, que tem a responsabilidade de preservar carinhosamente esse arquivo maravilhoso chamado de saudade, que nunca será deletado por nós.

Os momentos vividos no relacionamento familiar e de amizade fazem parte de feições de belezas que se consolidaram e eternizaram no mosaico especial entre muitos que ajudam a compreender o sentido da vida, que se compõe necessariamente pelas fases da nossa existência, entrelaçadas de alegrias, tristezas, ternuras, entretenimento, bons momentos, todos conduzidos pelos sentimentos da alma e que ajudaram a formar o jardim mais belo da vida, com a importante ajuda daqueles que têm, agora, outras lindas missões como o assessoramento a Deus, nas suas relevantes atividades celestiais.

Cada um de nós, por certo, tem a sua galeria especial onde permanece em destaque, em retrato vivo e perfeitamente delineado, a imagem de todas aquelas pessoas que foram e são caras em nossas vidas, que foram responsáveis pela existência, criação e formação como gente e ajudaram, de alguma forma, na construção do que somos.

Com os meus carinho e agradecimento, em especial, aos meus queridos e saudosos pais, avós, irmão, tios, demais parentes e amigos, rendo as minhas reverencias a vocês, neste dia reservado para lembrança e orações, com a devoção de que todos estejam na maravilhosa e saudável companhia do Pai eterno.

Com muita saudade de meus entes queridos e inesquecíveis, familiares e amigos, rogo a Deus que todos os finados estejam na paz celestial e gozem da permanente comunhão com os santos e anjos.     

 Brasília, em 2 de novembro de 2020  

domingo, 1 de novembro de 2020

Mensagem de ajuda

 

Uma pessoa amiga do Facebook me relatou, no Messenger, que tinha muita vontade de ajudar a irmã dela que estava no plano superior e sentia que ela podia estar precisando do apoio espiritual.

Com o pensamento imbuído da melhor intenção, eu disse para a amiga que a história dela pode ser explicada pelo fato de que o poder espiritual dela diante Deus é muito acentuado e, nesse sentido, é bem possível que a irmã dela veio à sua procura para pedir ajuda espiritual.

Eu a aconselhei que ela precisava corresponder imediatamente aos anseios da irmã, por meio de orações e preces dirigidas a Deus e aos santos da devoção dela, pedindo que a aflição da irmã se transformasse em paz e amor celestiais.

Orientei no sentido de que ela pedisse aos guias santificados de bondade e amor que estejam presentes nesse caso e atuem na proteção da irmã e que ela possa conseguir se encontrar com o conforto do sossego, da harmonia e da compaixão, como forma de se libertar de algo que a perturba e a deixa desesperada à busca de ajuda espiritual.

Formulei desejo de que ela pudesse se concentrar e se fortalecer com os melhores pensamentos de bons propósitos, como maneira necessária para puder transmitir bons fluidos em benefício de quem precisa realmente desse bálsamo divino de caridade cristã.

Roguei a Deus que a amiga se concentrasse e adquirisse as melhores forças para a prática do bem e que a intercessão dela pudesse propiciar bons e benfazejos frutos, tanto no plano terreno quanto espiritual, porque tudo isso faz parte da vida e que apenas precisa ser compreendido e correspondido com o melhor sentimento de caridade.

Desejei que a amiga ficasse na paz de Deus e alertei que meu texto reflete momento de quem gostaria muito de puder ajudar o seu semelhante.

          Brasília, em 21 de outubro de 2020  

Valorização do professor

Em uma das crônicas que escrevi em homenagem ao professor, interessante mensagem sobressaiu entre tantas outras, da lavra do senhor Elmar de Oliveira, pondo em destaque a atual situação de desrespeito pela qual vem sendo submetido o professor, na sala de aula.

Eis a aludida mensagem, in verbis: “NO MEU TEMPO, PROFESSORES ERAM COMO SE FOSSEM PAIS FORA DE CASA... PORÉM, VIERAM ‘TEMPOS MODERNOS’, E OS MESTRES SE TORNARAM, QUANDO NÃO, ALVO DE BALAS, DE PANCADAS.”.

Realmente, essa é a triste realidade do Brasil, em que, praticamente, entendeu-se que é normal inverter a ordem da disciplina, onde muitos pivetes acham que podem bater, agredir ou desmoralizar o professor e o pior é que, depois da violência em sala de aula, normalmente não acontece absolutamente nada, quando o mestre ainda não se tornar culpado pelo malfeito do aluno baderneiro.

Esse terrível estado de coisas conspira contra a dignidade do ensino e da educação brasileiros e contribui para a banalização da decadência moral do Brasil, diante da gravíssima indiferença aos maus-tratos contra justamente o profissional que tem a incumbência original de formar bons e respeitáveis cidadãos.

A propósito dessa deplorável e inaceitável situação, que caracteriza como verdadeiro flagelo aos princípios fundamentais da educação, lanço aqui, neste momento, apelo veemente para que os governos federal, estaduais e municipais, além de outras medidas que visem proteger a postura do professor,   institucionalizem, com urgência urgentíssima, fortes campanhas publicitárias, com abrangência nacional e visando ao fortalecimento das estrutura e imagem do desse valioso profissional, no seu trabalho na sala de aula, de modo que seja enaltecida a sua suprema importância à altura do que ele realmente representa para a cultura e o saber da sociedade.

Acredito que pesada campanha publicitária nesse sentido tem o objetivo de resgatar a dignidade esgarçada do professor, que se encontra em visível nível de muita penúria e preocupação, à vista do que ele precisa realmente representar de modelo moral para o desenvolvimento da nação, em termos educacionais e morais, tendo em conta que a valorização da sua autoridade e do seu prestígio há de corresponder na mesma intensidade da evolução do ensino e da educação.

É bem possível que essa maneira de agressividade e incivilidade contra o professor não tem lugar nem mesmo nas piores republiquetas, porque nelas os estudantes primam pela veneração àqueles que se dedicam à sublime arte de transmitir conhecimentos e educar bons cidadãos, que são justamente aqueles que dirigir o país, no futuro.

Fora de quaisquer dúvidas, de certa forma, os governantes e os homens públicos são cúmplices com a balbúrdia que impera impunemente nas escolas do país, onde tem sido frequentes atos explícitos de desrespeito e agressão aos professores e profissionais da educação, como um todo, e ninguém levanta a voz, em atitude que levem a alguma medida capaz de pôr freios aos abusos da juventude que desrespeita até mesmo seus pais, que pecam pela precária educação de seus filhos, no lar.

Diante do reconhecimento da brutal deformidade comportamental, é aconselhável que os governos resolvam encontrar mecanismos para cortar pela raiz esse mal que tende a se expandir, se não houver iniciativa no sentido de se pôr limites, por meio de medidas cabíveis de contenção dos abusos contrários aos princípios de civilidade e da formação de bons cidadãos.

          Proponho a criação, com urgência, de medidas de cunho educativo voltadas para a conscientização dos alunos, com a inserção de expressivas campanhas publicitárias, no sentido de se mostrar a necessidade do respeito ao professor e da sua integridade moral e física, de modo que seja possível a formação da mentalidade dos discentes quanto à valorização e à intocabilidade dessa figura muito especial para a vida social, que merece tratamento realmente especial, respeitoso e diferenciado, à vista da importância e da reverência ao seu trabalho, em benefício da sociedade e do desenvolvimento do Brasil.        

           Brasília, em 1° de novembro de 2020