quinta-feira, 12 de novembro de 2020

Nada de irregular...

 

De acordo com reportagem publicada pelo jornal New York Times, de ontem, dirigentes eleitorais de dezenas de estados e representantes das forças partidárias democrata e republicana indicaram que não foram encontradas provas de que o resultado das eleições presidenciais tenha sido alterado por fraude ou outras irregularidades, desmentindo, mais uma vez, as insistentes acusações da administração do republicano derrotado.

Conforme a referida notícia, foi feito levantamento junto às comissões eleitorais de todos os estados norte-americanos, nos dias 9 e 10, sendo que, ao menos 45 responderam diretamente, por meio de entrevistas ou comunicados, e, no restante dos estados, houve contato com os responsáveis estaduais ou secretários de estado.

A reportagem afirma que todas as fontes garantiram que o processo decorreu sem problemas, em que pese a afluência recorde de eleitores e das complicações causadas pela pandemia.

O secretário de estado no Ohio, que é republicano, disse que "Existe uma enorme capacidade humana para inventar coisas que não são verdade. As teorias da conspiração e rumores florescem. Por alguma razão, as eleições geram esse tipo de mitologia".

Um democrata secretário de estado no Minnesota afirmou que "Não conheço um único caso de alguém que se queixasse de um voto que contou e não devia ou de um voto que foi descartado e não devia. Não houve fraude".

O porta-voz do republicano Scottchwab, do Kansas, disse que não há qualquer prova de fraude, tendo afirmado que "O Kansas não assistiu a quaisquer problemas sistemáticos ou generalizados de fraude, intimidação, irregularidades ou violação de voto.".

É muito estranho que a administração do presidente derrotado esteja fazendo tudo para dificultar a transição de poder para o presidente eleito, em que pesem os votos apurados não deixem mais margem de dúvidas sobre a vitória do democrata.

O mais grave de tudo isso é que o Partido Republicano esteja dando cobertura às acusações de fraude eleitoral, sem que sejam apresentadas provas capazes de macular o processo apuratório, de modo a justificar esse mal-estar, que não se harmoniza com a respeitável democracia americana.

Embora alguns republicanos já tenham cumprimentado o presidente eleito, reconhecendo a vitória dele, outros importantes líderes republicanos seguem trilhando na mesma linha defendida pelo presidente derrotado, no sentido de intensa contestação dos resultados das eleições presidenciais, com vistas à reversão do resultado das urnas.

Em declaração mais contundente, o responsável pela diplomacia norte-americana disse que está em curso a preparação "para uma transição tranquila para a segunda administração de Trump", o que evidencia total  desprezo aos resultados das urnas e à vontade dos americanos que deram mais de cinco milhões de votos a mais ao democrata.

Nesse estapafúrdio estado de declarada confrontação, importantes membros da Casa Branca têm dado instruções aos responsáveis das agências federais para não colaborarem com o planejamento da transição de poder, até que haja resultados oficiais das eleições, de acordo com fontes citadas pela imprensa norte-americana.

          Essa vexatória situação inventada pelo republicano inconformado com a sua derrota nas urnas, sem qualquer base jurídica, porque não foram apresentadas as provas sobre as fraudes por ele alegadas, faz lembrar, com muita propriedade, as primorosas republiquetas, que, de maneira truculenta, não respeitam a vontade popular, que, no caso em exame, elegeu o candidato democrata, em processo eleitoral revestido da regularidade e da legitimidade, conforme atestam a sua lisura pelo órgãos competentes.

Ao que tudo indica, o presidente republicano vai conseguir passar para a história não somente como ultradireitista que foi verdadeiro desastre no comando dos Estados Unidos, mas também como o primeiro presidente que não teve a decência e a dignidade para aceitar as regras democráticas do sistema eleitoral vigente naquele país, levando consigo o deplorável legado de incivilidade de mau perdedor.

Brasília, em 12 de novembro de 2020  

quarta-feira, 11 de novembro de 2020

O sonhado hospital?

             Em crônica, eu escrevi que a construção do que estão chamando de hospital municipal, dificilmente Uiraúna contará com unidade de saúde pública com a importância que o seu povo merece, porque haverá a acomodação natural com a existência dele e ninguém ousará reivindicar a construção de hospital de verdade.

Um ilustre e atento conterrâneo fez a seguinte indagação: “Será que vai construir esse "hospital”, caso o candidato (atual prefeito) não tenha êxito no pleito eleitoral? Duvido. Vamos ver. Eita Uiraúna sem prioridades.”.

          Com relação à obra em referência, já escrevi mais de meia dúzia de artigos mostrando que Uiraúna precisa de hospital de verdade, que não pode ser construído com a “merreca de 540 mil reais, dinheiro este que, aqui em Brasília, só daria para comprar um apartamento de dois ou três quartos, mas políticos resolveram tocar importante projeto para a frente, mesmo com escassos recursos.

          Fica muito evidente que essa total precariedade só se justificaria, ao que parece, em caso de interesse político-eleitoral, no sentido de se tentar convencer os eleitores sobre a capacidade de se realizar trabalho em benefício da comunidade, ou seja, no afã de se mostrar serviços, de qualquer maneira, cujo resultado certamente poderá ser verdadeiro desastre.

No caso em comento, até pode ser que o prédio seja construído, mas é possível que faltem recursos para a compra dos equipamentos e instrumentos essenciais ao funcionamento do chamado hospital municipal.

Seria bem diferente se as forças políticas de Uiraúna tivessem o mínimo da sensibilização conjunta, quanto à conscientização de que o ideal mesmo seria a construção do hospital regional, nos moldes daqueles de Sousa e Cajazeiras, que funcionam sob a tutela de recursos federais, onde se teriam a participação e a solidariedade do SUS, em termos de recursos materiais e de pessoal, em condições absolutamente satisfatórias para a cidade e a população, que ganhariam o hospital de verdade, com aparelhamento, estrutura, manutenção e atendimento médico-hospitalares em vários serviços e especialidades e ainda contando com todos os equipamentos necessários às atividades básicas e garantidas para o povo de Uiraúna.

Tudo isso eu falei em crônicas, mostrando que o hospital cogitado e apoiado, infelizmente, por todos os políticos, inclusive da oposição, que fez o maior esforço em contribuir para a aprovação do projeto apresentado pelo Executivo, dando a ideia de que ela também se satisfazia com a obra cogitada, talvez por entender que tudo estaria sendo resolvido, na área da saúde pública, deixando de aprofundarem os estudos que poderiam resultar na construção de hospital de verdade para a cidade.

 De modo geral, a concordância dos políticos foi unânime à construção do chamado hospital municipal, porque todos foram favoráveis ao projeto e às obras pertinentes, evidentemente que não houve uma única voz a favor de hospital de verdade, mesmo que se demorasse um pouquinho mais de tempo, o que não faria muita diferença, diante de tanta demora e do muito sacrifício da população, até o presente momento.

Na minha modesta avaliação, a obra em apreço pode sim ser construída, mas certamente na base da improvisação, porque foi necessário o aproveitamento do edifício ocupado pela Secretaria de Saúde municipal, restando ainda a incerteza quanto aos recursos para a compra dos equipamentos necessários.

Torso para que tudo se resolva da melhor forma possível, em que pese se vislumbrar enormes transtornos que, por certo, não existiriam tanto se tivesse sido buscado, previamente, recursos federais, por meio de emendas parlamentares, que poderiam ser viáveis com a intermediação política junto aos parlamentares da bancada da Paraíba, no Congresso Nacional.

Somente depois disso e se nada fosse possível, na obtenção dos recursos necessários, se poderia então partir para isso que eu, com as devidas vênias,  denomino de verdadeira improvisação e aventura político-administrativas, nos moldes como vem sendo implementada a obra referente ao projeto que os homens públicos de Uiraúna entendem que se trata do importante hospital que o povo merece e será exatamente esse que logo em breve vai ser inaugurado, certamente com banda de música, discurso e aplausos, quando, repito, meus amados conterrâneos bem mereciam aqueloutro hospital, em condições de jamais se precisar sair em busca de atendimento somente em casos excepcionais, porque o Hospital Regional de Uiraúna estaria apto a atender aos principais serviços médico-hospitalares.

É preciso que fique bem claro que é louvável a bravura dos políticos que abonaram a construção do hospital municipal, porque uma cidade do porte de Uiraúna, inclusive que tem um dos maiores índices de médicos per capita da Paraíba, bem o merece, mas fica a minha sincera mensagem de que um pouquinho mais de boa vontade política e interesse público talvez pudessem levar à viabilização daquele sonhado hospital que tão merece o sempre querido povo de Uiraúna.

          Brasília, em 11 de novembro de 202

O hospital municipal de Uiraúna/PB

          O deputado estadual de Uiraúna postou, nas redes sociais, propaganda sobre o Hospital Municipal de Uiraúna, onde ressalta a importância dele para a população da cidade.

Aproveitei o ensejo para parabenizá-lo, exatamente por ele aparecer em público para reconhecer a importância de hospital em Uiraúna, a sua terra natal.

É pena que ele apareça com bastante disposição para enaltecer a imperiosa necessidade de tão importante obra, mas tão somente na proximidade da eleição para prefeito e prometer que tudo fará para que o hospital funcione maravilhosamente, porque o povo de Uiraúna bem merece ter essa unidade de saúde, para atender às suas necessidades médico-hospitalares.

A propósito, trago à colação importante mensagem cuja autoria não vou declinar, que foi firmada em 2017, por ocasião de encontro para tratar do hospital regional de Uiraúna, com a reunião da nata das autoridades políticas da cidade, justamente para a discussão sobre a premência da necessidade do reclamado hospital.

O entusiasmo foi aflorado pelos presentes, com promessas de esforços e empenhos com vistas à obtenção dos recursos financeiros para tal finalidade.

Um jovem político de Uiraúna, que, à época, exercia o relevante cargo de deputado federal, asseverou, in verbis: “Firmo meu compromisso de contribuir com a busca por recursos para a construção desse hospital, que é um grande sonho da população de Uiraúna e vai ajudar a melhorar a assistência em saúde de toda região”.

O mencionado político assegurou que “Vou destinar emendas para a construção dessa obra e pedir que os demais parlamentares também possam contribuir”.

Como já disse, não vou declinar o nome do parlamentar porque ele sabe de quem falo, cabendo a ele esclarecer as emendas da lavra dele, para a construção do hospital de Uiraúna.  

Como normal promessa de político, parece que nada foi feito para a realização das apaixonadas promessas, o que é bastante triste que obra da maior relevância tenha ficado apenas no embalo de tão esperançoso encontro.

Também é incrível que as pessoas venham a público, ao ensejo da campanha eleitoral, para elogiar e ressaltar a construção de mera unidade de saúde melhorada, como se hospital de verdade fosse, quando o tanto tempo que o povo vem sofrendo à espera de hospital digno da sua importância, essa obra nunca vai ter a feição de unidade de saúde à altura do que realmente merece a população da cidade.

 É de se lamentar e sobretudo de se estranhar que a cidade administrada, por tanto tempo, por especialistas da saúde, ou mais precisamente médicos, não tenha aparecido nenhum que tivesse ao menos pensado em satisfazer o interesse da população, por meio de hospital, na acepção da palavra, bastaria ter tido interesse político e vontade de atender aos anseios primordiais da população, ou seja, não custaria ter pensado ao menos um momento em beneficiar o povo, até mesmo como recompensa do voto recebido dele.

A verdade é que a obra pública somente existe se houver interesse dos políticos e isso realmente fica claro que não nunca houve, salvo agora, por conta de interesse visivelmente político, como mostram os fatos.

Acredito que também faltou conscientização do povo para cobrar ação efetiva por parte dos homens públicos sobre a sua sensibilização para a verdadeira importância de hospital de verdade, para o atendimento do pessoal da cidade e da vizinhança, em condições de oferecer múltiplas especialidades médicas e aparelhos de última geração, como radiografia, tomografia computadorizada, ressonância magnética e tudo o mais que não precisasse de se recorrer aos hospitais fora da cidade.

Certamente que o hospital em construção não passa de mero paliativo, que sequer chega a envergonhar as autoridades que tanto empenho vem fazendo para a sua conclusão, quando, repita-se, a população de Uiraúna merece hospital que possa realmente honrar esse maravilhoso nome.

Fico, de certa forma, decepcionado, como filho de Uiraúna que pensa que seu povo merece sempre tudo do melhor, inclusive o hospital, que os embalos políticos possam servir para justificar a construção de simples unidade de saúde melhorada, que até pode ser motivo de aplausos e orgulho, exatamente à falta de algo melhor, já que inexiste a prestação de serviços médico-hospitalares.

Tal situação pode ser vista como verdadeiro paradoxo, à vista de Uiraúna já ser vista como a terra que nasce médico em todas as casas (força de expressão), mas infelizmente a cidade está fadada a nunca dispor de hospital de verdade, onde eles possam exercer as suas especialidades.

O certo é, com a construção do que estão chamando de hospital municipal, dificilmente Uiraúna contará com hospital da importância do seu povo, porque haverá a acomodação natural com a existência dele e ninguém ousará reivindicar a construção de hospital de verdade, o que seria mais viável, se nada tivesse sido feito, porque a resposta dos órgãos públicos sempre será a de que Uiraúna já tem o seu hospital, ou seja, pode até ser que isso seja verdade, mas insisto que o povo dessa cidade certamente não o merece, mas sim uma unidade de saúde com amplos e abrangentes atendimentos, sob o nome de Hospital Regional de Uiraúna.

          Brasília, em 10 de novembro de 202

terça-feira, 10 de novembro de 2020

A supremacia do interesse nacional

 

A anunciada provável derrota do presidente norte-americano parece sinalizar duríssimo golpe às pretensões políticas do presidente tupiniquim, que demonstra ter sentido na pele e na alma a pancada transmitida pelas urnas, à vista de ele ser um dos poucos mandatários que se recusam a cumprimentar o virtual vitorioso do pleito americano, eis que os principais líderes mundiais já o fizeram e há algum tempo, porque apenas trata-se de mera práxis diplomática.

Com base em estratégia visivelmente ideológica, visando trunfos eleitorais, o presidente brasileiro seguiu fiel e cegamente o pensamento estruturado pelo presidente americano, mesmo que isso não estivesse em conformidade com os interesses brasileiros, ou seja, da nação.

Os fatos mostram que, na linha do pensamento republicano, o presidente brasileiro ousou criticar os organismos multilaterais, a exemplo da Organização Mundial de Saúde e a Organização Mundial de Comércio, engrossou com a China, que é o maior parceiro comercial brasileiro, e, de maneira desastrada, conseguiu se indispor logo com os líderes europeus, cujas nações mantinham  tradicionais, saudáveis e construtivas alianças comerciais e diplomáticas com o Brasil.

Com inspiração no republicano, o presidente brasileiro ainda ensaiou sair do Acordo de Paris, sem entender que a motivação do americano faz sentido, porque ele agiu dessa maneira com a finalidade patrocinar a indústria petrolífera americana, quando, no caso do Brasil, não passaria de mera loucura, diante da falta de objetividade, mas haveria a evidente demonstração de desprezo à preservação do meio ambiente do país, como assim ele o faz com muita eficiência, conforme mostram os desastres materializados nos incêndios das florestas.

Causa perplexidade que o presidente brasileiro incentive atividades ilegais por grileiros e garimpeiros e ainda contribua para desmontar o arcabouço de proteção ambiental contra o próprio interesse do agronegócio, que, por via de consequência, sofre com os prejuízos advindos das dificuldades nas exportações dos produtos, por causa da terrível fama de que o Brasil conseguiu passar para os consumidores estrangeiros.

Na verdade, com o visível acobertamento pelo governo dos crimes contra o meio ambiente, o Brasil se colocou na contramão dos esforços mundiais na tentativa de preservação dessa riqueza natural, tendo conseguido, por via de consequência, espantar e tanger para distante os potenciais investidores estrangeiros.

Por certo, o Brasil há de precisar de muita habilidade e até mesmo de transformações estratégicas para não ser prejudicado pelo novo governo democrata norte-americano, justamente na área do meio ambiente, porque as políticas que estão em curso pelo governo tupiniquim só têm conseguido colher reprovação e insatisfação do resto do mundo, diante da sua mentalidade pueril de apenas ficar se justificando contra as acusações sobre omissões e negligências nessa tão importante área.

Na verdade, tem sido opinião unânime dos especialistas em afirmarem que as eleições americanas representaram excelente oportunidade para o governo brasileiro promover reavaliação sobre a sua política externa, com vistas ao seguimento de nova realidade inevitável para o contexto mundial, posto que a filosofia de trabalho do democrata é oposta à do republicano e as demais nações dependentes da economia daquele país são as mais interessadas a se adaptares à nova ordem mundial.

Não obstante, ao contrário disso, o “todo-poderoso” mandatário tupiniquim, de pragmático mesmo, preferiu se manter firme e obediente à sua arcaica ideológica, de fidelidade ao contestável republicano.

Sem o menor senso crítico, diante da enorme possibilidade de se colocar o Brasil em risco perante o governo democrata, à vista dos interesses brasileiros nas consolidadas relações com os EUA, o presidente brasileiro declarou que “Estou confiante com a reeleição de Donald Trump, porque será boa para as relações comerciais e diplomáticas com o Brasil”, sem imaginar que o seu firme apoio ao republicano, virtual perdedor da eleição presidencial, pode deixar o Brasil em situação extremamente desconfortável, porque isso é forma de ofensa ao novo presidente daquele país.

A antipolítica externa do governo brasileiro pode resultar em enormes estragos aos interesses brasileiros, quando ela tem por base a ideologia muito mais aos moldes pessoais do mandatário, que adota projetos estratégicos voltados para o atendimento de seus sentimentos ideológicos, conforme evidenciam as suas atitudes visivelmente danosas aos interesses nacionais.

Vejam-se que, em um dos debates entre os candidatos à Presidência dos EUA, o democrata mencionou o Brasil, de maneira explícita, tendo proposto a criação de fundo no valor de US$ 20 bilhões, com a destinação exclusiva  para a proteção da floresta amazônica, mas, ao mesmo tempo, ele suscitou possível aplicação de retaliações comerciais se o Brasil não mudar sua política ambiental, o que parece, em princípio, muito justo, porque é indispensável que o governo brasileiro adote as medidas necessárias para adaptação às regras da aplicação desses importantes recursos.

Em outra ocasião, o democrata disse que “O presidente Bolsonaro deve saber que se o Brasil deixar de ser um guardião responsável da Floresta Amazônica, minha administração reunirá o mundo para garantir que o meio ambiente seja protegido”, o que parece se tratar de alerta natural, caso esse ele tiver relação com o repasse dos aludidos recursos, porque não faz sentido o aporte de tanto recurso se o governo brasileiro se mostrar omisso e negligente com relação à preservação do meio ambiente, que vem merecendo política meramente devastadora por parte dele, conforme mostram as notícias sobre a transformação em cinzas dos biomas pantaneiro e amazônico.

Vejam-se que o presidente brasileiro foi duro ao criticar o novo presidente americano, quando ele fez defesa à preservação da Amazônia, tendo em conta que, à vista dos princípios civilizatórios e diplomáticos, não custaria nada que ele tivesse o mínimo de educação no sentido de esclarecer que o americano fez juízo de valor com base em possíveis dados equivocados ou imprecisos, posto que as afirmações dele estariam fulcradas em dados sem a necessária precisão ou algo similar, uma vez que a verdade sobre o tema é bem diferente do que foi afirmado, porque o que se passa é “isso e isso, assim e assim”, bastando apenas a transmissão de informação pertinente aos fatos verdadeiros, sem necessidade de nenhuma discordância ou agressão, como tem sido a maneira recriminável própria dele, à vista do que aconteceu com os mandatários europeus, quando se viu o seguimento do desprezível padrão do seu guru republicano.

O governo com o mínimo de competência, eficiência e inteligência, precisa entender que é da maior importância o apoio da maior potência mundial, tendo em conta que estão em jogo os interesses da nação brasileira e não a causa pessoal, como o faz de maneira extremamente precipitada, prejudicial e irresponsável o presidente do Brasil, que precisa se conscientizar, com  urgência, de que a importância da nação jamais pode ser confundida com amizades pessoais, à vista do que se passa neste momento, que é prova mais do que suficiente de prática cristalina do crime de lesa-pátria, quando os interesses nacionais estão sendo colocados em planos secundários, conforme mostram os fatos.

Brasília, em 10 de novembro de 2020  

segunda-feira, 9 de novembro de 2020

Insensibilidade patriótica?

        O presidente dos Estados Unidos da América, derrotado na tentativa de reeleição, reitera manifestações no sentido de que há fraudes no resultado eleitoral e insiste em críticas à imprensa americana, em contestação a vitória do democrata.

O presidente escreveu: "Desde quando a 'grande mídia patética' liga para quem será nosso próximo presidente? Todos nós aprendemos muito nas últimas duas semanas! Houve fraude eleitoral. Esta foi claramente uma eleição roubada".

Apesar dessas fortes acusações, o candidato republicano derrotado não apresentou nenhuma prova sobre das fraudes que alega, a par de não reconhecer a vitória do seu adversário, que já foi reconhecida pela imprensa norte-americana, e finalmente disse que “A eleição está longe de terminar.”, sugerindo que é preciso a recontagem dos votos.

Na mesma linha do marido, a primeira-dama daquele país reforçou o discurso do republicano, dizendo: "O povo americano merece eleições justas. Cada voto legal – não ilegal – deve ser contado. Devemos proteger nossa democracia com total transparência.".

A primeira-dama invoca a necessidade de transparência, mas, sob total incoerência, o marido dela não revela o teor das fraudes segundo as quais ele estaria se escudando para não aceitar a realidade das urnas, que já foi amplamente aceita pelo imprensa e pelos americanos.

Enquanto isso acontece, o advogado da campanha eleitoral republicana informou à imprensa que recorrerá à Justiça, sob a alegação de que "Todos nós sabemos por que Joe Biden está se apressando em fingir que é o vencedor e por que seus aliados da mídia estão se esforçando tanto para ajudá-lo: eles não querem que a verdade seja exposta. O simples fato é que esta eleição está longe de terminar".

Ora, causa estarrecimento o fato de o acusador sobre a existência de fraudes e não as revelar, para o fim de materializar a verdade que todos precisam saber, quando, para o bom entendedor do direito, é exatamente a parte prejudicada que cabe a obrigação de mostrar o que está errado, com vistas a se chegar à verdade.  

O advogado acusa que "Nenhum voto (enviado) pelos correios foi inspecionado", fato que é contestado pelas autoridades responsáveis pelas apurações.

O presidente insiste nas reclamações, pelo Twitter, sob alegações da existência de fraudes, tendo afirmado que venceu a disputa, o que não é verdade, conforme mostram os resultados das urnas, apuradas segundo as regras e os critérios democráticos.

O presidente norte-americano afirmou, sem comprovação, que “os observadores não tiveram acesso às salas de contagem de votos, que pessoas receberam cédulas de votação sem ter pedido e que venceu a eleição com 71 milhões de votos.”.

Por último, o republicano derrotado disse que “Devíamos olhar os votos. Estamos apenas começando o estágio de tabulação. Devemos examinar essas alegações. Estamos vendo uma série de declarações de que houve fraude eleitoral. Temos neste país uma história de problemas eleitorais”.

A última notícia sobre esse affaire vem da Casa Branca, dando notícia de que a primeira-dama dos Estados Unidos aconselhou, ontem, o presidente americano a reconhecer a derrota nas eleições, segundo adiantou a CNN americana, ao afirmar que ela teria dito ao esposo que “chegou a hora dele aceitar” que perdeu.

Nessa mesma entonação, teria seguido um genro do republicano, que é o principal conselheiro dele, também sugerindo que o candidato republicano  aceite a vitória do democrata, já considerada eleito como novo presidente dos EUA.

De maneira reiterada, o Twitter vem colocando alertas sobre desinformação nas mensagens do presidente norte-americano, fato que mostra para a sociedade a pouca credibilidade das colocações postadas por ele, que termina contabilizando desconfiança sobre o que ele diz.

Enfim, o presidente republicano não teve a grandeza para aceitar a sua derrota nem a capacidade para mostrar qualquer prova referente às supostas irregularidades que vem denunciando.

Por seu turno, as autoridades envolvidas no processo de apuração dos votos, nos estados, afirmam, de maneira categórica, que, “até agora, nenhum indício de fraude foi encontrado.”, o que demonstra a fragilidade das afirmações do republicano derrotado.

O candidato democrata passa ao longe das birras do republicano desesperado com a fragorosa derrota, e, com base na contabilização de mais dos 270 delegados, no colégio eleitoral, ele já se manifestou pelos meios de comunicação televisiva e pela imprensa em geral, com o seu discurso da vitória, e agradeceu aos eleitores, dizendo para eles que será presidente de todos os americanos.

O candidato vitorioso disse que "Sinto-me honrado pela confiança que o povo americano depositou em mim e na vice-presidente eleita, Kamala Harris. Diante de obstáculos sem precedentes, um número recorde de americanos votou. Provando, mais uma vez, que a democracia bate fundo no coração da América. Com o fim da campanha, é hora de colocar a raiva e a retórica dura para trás e nos unirmos como uma nação. É hora de a América se unir. E se fortalecer. Somos os Estados Unidos da América. E não há nada que não possamos fazer, se fizermos juntos", tendo aproveitado para pregar a pacificação entre os americanos.

O republicano demonstra abissal incoerência, quando somente questiona os votos referentes às urnas que deram a vitória ao democrata, quando, por justiça, seria preciso questionar também os votos depositados nos estados onde ele foi vitorioso, dando a entender que ali não houve fraude, onde só há regularidade.

Isso só evidencia a falta de seriedade das alegações sobre a existência de fraudes, por não haver, em princípio, fato grave que possa ser notificado como irregular, salvo os votos enviados assim pelos correios, exatamente na conformidade com as normas aprovadas bem antes das eleições, não havendo qualquer constatação de falha, conforme atestam as autoridades incumbidas das apurações.

Conclui-se que a situação de não aceitação da vitória do opositor pode levar o candidato derrotado nas eleições presidenciais à possibilidade de conduzir o povo à gravíssima desordem civil, com imprevisíveis consequências para a nação e o mundo, fato este que só demonstra desequilíbrio e insensibilidade por parte do seu protagonista, à vista dos princípios da civilidade e do patriotismo.

           Brasília, em 9 de novembro de 2020

domingo, 8 de novembro de 2020

A força da democracia?

 

No discurso da vitória, o presidente norte-americano eleito disse, entre outras palavras de cunho democrático, na tentativa de unificação nacional, que “Serei um presidente para todos os americanos – quer vocês tenham votado em mim ou não. Eu garanto que serei um presidente que não quer dividir, mas unificar. A América nos convocou para comandarmos as forças da decência, da justiça, da ciência e da esperança.”.

É possível se avaliar que a vitória do candidato democrata norte-americano pode significar a recolocação dos Estados Unidos da América ao seu verdadeiro status de líder da democracia mundial, dando basta ao período do governo republicano de incerteza, provocação, tensão e obscurantismo.

Pouco importa que a vitória tenha sido alcançada ao meio de processo eleitoral traumático, vantagem apertada de votos, em alguns estados, mas em outros nem tanto, e guerra judicial lançada pelo candidato republicano, que demonstra visível inconformismo com o inesperado resultado das urnas, com evidente na tentativa de interromper a regular contagem dos votos enviados pelo correio, que obedeceram aos procedimentos absolutamente regulares e democráticos, posto que eles seguiram as normas usadas nas eleições anteriores e foram usados com maior intensidade nestas eleições, justamente em razão da pandemia do novo coronavírus, como forma cautelar de se evitar o contágio com o Covid-19.

No entanto, em visível gesto antidemocrático, por contrariar frontalmente a vontade dos eleitores, o candidato republicano chegou ao ridículo de se declarar vitorioso, de forma prematura, por que sem qualquer suporte jurídico fático, tendo se negado, como tem sido normal em casos que tais, a reconhecer a derrota, como fazem os verdadeiros estadistas.

É preciso se reconhecer que o resultado das urnas mostrou enorme imperfeição do sistema eleitoral norte-americano, tendo por base a arcaica eleição indireta de delegados, por estado, para a formação de Colégio Eleitoral destinado à confirmação do candidato eleito à Casa Branca, o que, na prática, dá pesos diferentes aos votos dos cidadãos, dependendo da população do estado.

Trata-se de modelo tradicional que foi criado, pasmem, no século XVIII, para se evitar a sub-representação de estados, que não condiz, a bem de se vê, com a modernidade e os avanços da humanidade, mas esse sistema descentralizado permite, como visto, reveses por meio de desorganização e desuniformidade de regras que podem propiciar manobras, contestações e questionamentos, como vem acontecendo por parte do candidato republicano, que, inconformado com a vontade popular, promete complicar o processo das apurações, com a sua judicialização, com vistas à reversão dos votos desfavoráveis a ele, fato este que pode implicar no indesejável adiamento do resultado oficial, que certamente não será diferente ao atual, já conhecido.

Nesse processo eleitoral, o derrotado presidente republicano decidiu não somente ignorar o resultado das urnas, mas também tentar deslegitimar as eleições, sem que haja qualquer fato jurídico capaz de respaldar as suas injustificáveis atitudes de puro inconformismo com a realidade nua e crua vinda da vontade popular.

A vitória do democrata manda de volta para a casa dele o republicano que tentava encarnar o discurso triunfalista, mas ele não passava da defesa de atitudes divisionistas e contrárias aos avanços da humanidade e da modernidade, centradas na arraigada filosofia dos interesses únicos dos Estados Unidos, com desprezo à globalização, em negação à tentativa do desenvolvimento uniforme do planeta.

Os infundados inconformismos do republicano tem como pano de fundo a inevitável constatação da conclusão de gestão visivelmente destrutiva para os valores democráticos próprios dos Estados Unidos, quando ele foi pródigo em surfar na polarização, na mentira e no fake news, tendo atacado a imprensa, ressuscitado o protecionismo comercial, insuflado a xenofobia e promovido o racismo, além de ter sido negacionista do aquecimento global, a ponto de tirar o país do Acordo de Paris, e, por pior, da ciência, quando instilou a desconfiança dela, por ocasião da mais grave pandemia do novo coronavírus, de quem foi autêntico crítico, embora ele também tivesse sido acometido pelo Covid-19.

A administração do republicano foi realmente marcante, por sua grande sinceridade contra a globalização e as organizações multilaterais, como a ONU, a Organização Mundial da Saúde e a Organização Mundial do Comércio, além de ter promovido o  rompimento com importantes aliados históricos dos Estados Unidos, em todo o mundo.

Não obstante, o candidato democrata vitorioso terá a incumbência de contornar e sarar os graves danos causados pelo atual governo norte-americano, como forma de reconquistar a confiança e a segurança dos importantes princípios democráticos, além de se incumbir de promover a reunificação do país, que foi tomado pela maléfica polarização, que persistirá como perniciosa divisão do seu povo, à vista do mesmo mal que grassa no país tupiniquim, cuja chaga precisa ser extirpada o mais rapidamente possível, tendo em conta que a unificação nacional, por objetivo únicos, é a certeza de que a nação poderá encontrar os rumos certos na direção do progresso e do desenvolvimento político, administrativo, democrático e socioeconômico.

A vitória do democrata já conseguiu transformar os ânimos dos mercados financeiros, à vista da sua promessa favorável ao fomento de medidas econômicas, envolvendo recursos trilionários, com capacidade para revitalizar e reanimar as economias americana, em especial, e mundial, proporcionando enorme estímulo aos investimentos no planeta.

Não somente a possibilidade do incremento da economia mundial, mas a vitória do democrata reacende o alívio para os líderes de várias nações, quando ele promete o restabelecimento de programas de cooperação internacional e a retomada de consensos como a preservação do meio ambiente, entre outras medidas que visem acabar com as restrições estabelecidas pelo republicano.

O mundo espera que o triunfo do democrata, com os Estados Unidos voltando a exercer seu papel de liderança do planeta, seja possível se reavaliar e se descartar a conturbada era do governo republicano, com a maior brevidade possível, de modo a se vislumbrar o futuro com melhores perspectivas, ante a volta das políticas menos restritivas e protecionistas impostas no país de tio Sam.

À primeira vista, vislumbra-se que a vitória do democrata pode sim significar a volta à realidade, ao otimismo e ao progresso civilizatório, em que pese a existência do mal-estar, que ainda exige muita cautela da população.

A verdade é que o presidente eleito, de quem se espera dele a promoção de grandes transformações nas políticas de seu país, terá longo caminho para conseguir curar a enorme fenda aberta pelo republicano na sociedade americana, mas há fundadas esperanças de que o mundo poderá respirar mais aliviado, a contar do dia 20 de janeiro de 2021, quando certamente nova mentalidade político-administrativa comandará os destinos da maior potência mundial.

Brasília, em 8 de novembro de 2020  

sábado, 7 de novembro de 2020

Desprezo ao mérito?

 

Circula, nas redes sociais e na imprensa, notícia sobre a estranheza de que o presidente da República decidiu nomear o reitor da Universidade Federal da Paraíba, na pessoa do professor indicado na terceira colocação da lista tríplice.

Com absoluta certeza, isso pode mostrar que o padrinho político do novo reitor tinha muito mais poder do que os padrinhos dos outros dois candidatos à sua frente, porque já tornou “regra” que não basta somente competência profissional para se galgar tão importante cargo, mas sim que a “pistolagem” seja bastante afinada com a autoridade da República, que assina o ato pertinente.

Infelizmente até possa ser que os outros dois candidatos tenham até mais capacidade e tem, pelo menos, em termos de simpatia junto aos colegas que os elegeram, mas o poderoso sistema do “mérito” em vigor funciona sob a estranha forma de bastante influência junto às autoridades da pobre e retrógrada República.

Não se pode ignorar, porque não há nada demais nisso, que o terceiro colocado na preferência daqueles que os indicaram tenha sido o escolhido pelo presidente do país, para assumir o relevante cargo de reitor da UFPB, porque, entre os três, ele pode escolher qualquer um deles, que se trata da lista de três para a indicação de um deles, mas, em princípio, o primeiro indicado deveria merecer o mínimo de consideração, exatamente para justificar e prestigiar a lisura e a importância do processo democrático de seleção vigente nas universidades, que é o caminho melhor indicado, em termos de civilidade e democracia.

Certamente que algum atributo o primeiro colocado tem a mais em relação ao terceiro, que pode ser muito competente também, mas, enfim, não seria mais justo que o primeiro da lista tivesse a confirmação do seu nome, à vista da rigorosa seleção havida, por ter seu mérito reconhecido e validado pelos pares e quem mais tenha participado do certame?

Não se pode dizer que o presidente do país tenha sido injusto com relação ao primeiro colocado, mas, com absoluta certeza, a sua decisão contou com a ajuda do "jeitinho" brasileiro, que normalmente funciona soberanamente nesses casos, em claro detrimento do verdadeiro mérito, porque a formação da lista tríplice para facilitar a escolha do presidente, dizendo que o primeiro é o candidato que, no processo democrático de escolha, conseguiu reunir os requisitos ideais para preencher as exigências para o árduo e relevante comando da instituição.

Não obstante, depois de tudo concluído e acertado, em estrita obediência ao rito normativo, pela ordem de preferência dos participantes do processo considerado justo, aparece alguém estranho ao sistema, que não conhece absolutamente nada sobre o métier da instituição, mas tem notórios influência e poder, e simplesmente resolve alterar o que teria sido ajustado e resolvido pelos interessados, de maneira democrática, causando nítido transtorno ao salutar processo de escolha democrática.

Diante do acorrido, é aconselhável que o professor primeiro colocado da liste de que se trata, tenha o devido cuidado, no próximo pleito, de se agarrar, com unhas e dentes, a padrinho político bastante poderoso, sob pena de sua senhoria levar a segunda carona consecutiva, na sabença de que, neste pobre e escorregadio Brasil, anda na frente quem tem a inteligência de se segurar, infelizmente, em padrinho de “costas largas”.

Enfim, desejo bastante sucesso na gestão do reitor nomeado para comandar a Universidade Federal da Paraíba, por ter demonstrado muito mais competência, em termos de articulação política, do que os seus igualmente brilhantes concorrentes.

Parabéns, mestre!

Brasília, em 7 de novembro de 2020