segunda-feira, 4 de abril de 2022

Modelo de eficiência

 

Circula nas redes sociais vídeo que trata da passagem do comando do Ministério da Infraestrutura, onde o ex-ministro, basicamente, agradece o colaboração da equipe que trabalhou na gestão dele e desejo muito sucesso ao seu sucessor, que era o seu principal assessor.

Diante disso, eu disse que os brasileiros se engrandeceram bastante com o extraordinário desempenho desse competentíssimo ex-ministro, que foi capaz de mostrar, em forma de execução de várias obras, todas importantes para o desenvolvimento do Brasil, a melhor maneira e o ideal estilo de ser ministro de Estado.

Certamente que o seu trabalho será lembrado como legado fantástico de verdadeiro e intrépido homem público que foi capaz de revolucionar o sistema brasileiro de transportes, com a execução de ações nas mais diversificadas áreas estratégicas do setor, tendo conseguido alavancar muitos empreendimentos, onde prevaleciam a estagnação, a incompetência e o desperdício de recursos públicos, inclusive pela expansão da corrupção.

A passagem dele pelo Ministério da Infraestrutura poderia ser não somente aprovada com louvores, mas aproveitada como verdadeiro modelo de ensinamentos para os demais ministérios, ante a formosura, a desenvoltura e a motivação empreendidas na realização das obras sob a sua padronização de eficiência e efetividade bem acima de seus pares, em condições de mostrar, com muita clareza, a real finalidade institucional dos órgãos públicos, como forma de bem cumprir o desiderato que é o de realmente satisfazer, com competência, eficiência e efetividade, às necessidades essenciais dos brasileiros, na área de transportes.

Os brasileiros têm enorme preito de agradecimento e gratidão a esse valioso cidadão, por tudo de importante que ele realizou na sua gestão, desejando que o seu amor ao Brasil seja cada vez mais intenso, de modo que seu exemplo viceja é frutifique em muitos brasileiros.

Muito obrigado, Tarcísio, com votos sinceros de sucesso na sua próxima missão de bem servir ao Brasil.   

Brasília, em 4 de abril de 2022

À luz dos fatos?

 

Escrevi crônica analisando críticas feitas pelo presidente da República a um ministro do Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento nos seguinte termos: “Para sermos uma grande nação, para sermos exemplo para o mundo, o que nos falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideia, cala a boca, bota a tua bata e fica aí, sem encher o saco dos outros. Como atrapalha o Brasil.”.

Em síntese, estranhei que a principal autoridade do país fosse capaz de descer a nível tão baixo, de enorme indelicadeza, a ponto de mandar recado para ministro da Excelsa Corte de Justiça calar a boca, por ser ato de desrespeito ao princípio da dignidade humana, em clara dissonância com a liturgia do relevante cargo que ele ocupa, que tem o dever constitucional de se comportar como modelo de educação e disciplina, em harmonia com as condutas de civilidade.

          Um amigo muito especial escreveu mensagem, expondo a opinião dele sobre o tema em referência, conforme o texto a seguir.

Adalmir meu amigo diante das barbaridades que alguns togados do STF vem praticando em ‘nome da justica’ com o devido respeito o presidente Bolsonaro não mentiu e nem agrediu em suas falas, talvez tenha errado na forma mas nao no conteúdo... Esses senhores ministros têm rasgado diuturnamente a carta política brasileira deixando o Congresso acovardar... Ora se ele Senado não grita alguém tem que gritar...E simples assim... ok amigo... A título de sugestão escreva sobre as decisões malucas produzidas por alguns togados A da Suprema Corte... Gostaria de saber o que pensar sobre isso.”.

Os gravíssimos erros atribuídos ao Supremo, que, em muitos casos, há clara infringência aos princípios constitucionais, e são inaceitáveis nos países sérios, evoluídos e civilizados, em termos político-democráticos, não têm o condão de permitir que o presidente da República saia da linha do equilíbrio inato do verdadeiro estadista, que tem o dever institucional de primar pela harmonia entre os poderes republicanos.

Não é lícito nem cabível que o chefe do Executivo brasileiro saia do prumo da legalidade sob o pretexto de que o Supremo tenha cometido atrocidade jurídica, com o possível e inescrupuloso atropelamento de princípios constitucionais, sob suspeita da prática de verdadeiro e promíscuo abuso de autoridade.

Somente nas republiquetas, um erro poderia servir de arrimo para justifica o outro igualmente grave, como se eles tivessem conexão entre si, porque realmente não tem, à luz da responsabilidade vinculante aos cargos, pelos quais seus titulares respondem, em princípio, por desvio de conduta funcional, em afronta à dignidade republicana.

Sinto muito pelas pessoas que pensam diferentemente de mim, porque o meu entendimento é no sentido de que o mandatário da nação deve se preocupar apenas com a licitude das suas atribuições constitucionais, independentemente de os integrantes dos outros poderes extrapolarem os limites da Constituição, porque as responsabilidades deles são definidas e delimitadas na forma da Carta política do pais.

Convém que se busquem mecanismos capazes para se coibirem os possíveis abusos praticados pelo tribunais superiores, os quais poderiam vir por parte do Legislativo, que tem competência constitucional para tanto, mas boa parte de seus integrantes tem processos penais no Supremo e, para pôr isso em prática, há entendimento, na surdina, de que não se julga processo algum ali, deixando que eles se consumam pela prescrição da pena, como forma de possibilitar serenamente o seu arquivamento.

Por seu turno, como em forma de reciprocidade de favorecimento, conforme mostram os fatos, os congressistas não se atrevem em intrometimento nos possíveis atos e decisões erráticos do Supremo, embora o Senado Federal seja o único órgão que tem competência legal para pôr freios aos possíveis abusos da Excelsa Corte de Justiça.

Tenho evitado fazer análise crítica sobre a atuação específica de ministros do Supremo, embora muitas decisões sejam visivelmente estranhas e absurdas aos princípios constitucionais, inclusive revestidas de perversidades prejudiciais aos interesses dos brasileiros e do Brasil.

Deixo claro que sou leigo em questões jurídicas, quanto mais no que se refere aos seus meandros, porque elas normalmente têm origem nos processos pertinentes aos fatos nos quais o ministro ou o Supremo se baseia para proferir as sentenças pertinentes.

Para que eu pudesse analisar e avaliar o pleno desempenho do Supremo, em cada caso, e emitir opinião a respeito, seria importante e até necessário o conhecimento dos citados processos, o que é tarefa absolutamente impossível.

A verdade é que, para os bolsonaristas, somente o Supremo interfere no Executivo, sem sequer imaginar, porque isso faz parte intrínseca da ideologia, que é o presidente do país que vive eternamente afrontando o poder Judiciário, com críticas e agressões às decisões e às homologações dos tribunais, batendo de frente com os magistrados, em público, em especial com ministros do Supremo e do Tribunal Superior Eleitoral, pregando a insubordinação e a desobediência civil, em claro desrespeito aos ditames constitucionais.

Não obstante, a pregação do presidente do pais mostra que ele é permanentemente agredido pelo poder Judiciário, como se ele fosse o eterno injustiçado, que até possa ser, posto que não cabe aqui se discutir questões de mérito, mas é bom que fique claro que as demandas judiciais, pelo menos em nível de civilidade republicana, devem ser discutidas exclusivamente na seara própria, ou seja, por meio de diálogo e argumentos expostos em recursos apropriados, sem necessidade da exploração indevida e escandalosa em via pública, em forma sensacionalismo, que somente tem o claro condão de mostrar a fartura de irracionalidade e insensibilidade no trato da coisa pública.

A compreensão que se tem desse comportamento presidencial estranho e oblíquo é que ele se adere perfeitamente a plano estratégico de conveniência pessoal, no sentido de que as criticadas erráticas decisões dos tribunais superiores são forma de injustiçamento à pessoa do mandatário, que tem por objetivo mostrar aos apoiadores dele que o seu governo é prejudicado com as indevidas interferências alienígenas, quando nada de distorcido aconteceria se todas as questões de natureza jurídica fossem discutidas e encaminhadas apenas pela via prevista no art. 5º da Constituição Federal, transcrito abaixo, ou seja, por meio de convenientes recursos.   

No caso específico do presidente do país, a situação diz com o desempenho das funções administrativas, vinculadas à missão constitucional inerente ao cargo presidencial, que precisa apenas ter competência, sensibilidade, equilíbrio, eficiência, efetividade, tudo em harmonia com as regras do bom senso e da racionalidade previstas na cartilha do verdadeiro estadista, que precisa apenas atentar para a observância aos salutares princípios republicano e democrático, como normalmente procedem os governantes de países evoluídos, onde prevalecem o respeito aos princípios e às condutas de civilidade republicana.

Quando o estadista deixa de cuidar das suas funções básicas inerentes ao cargo, como nesse caso de o presidente do país mandar recado desnecessário e agressivo para membro de outro poder, ele deixa de atuar em conformidade com a Constituição, ficando muito claro que ele invade indevidamente o campo da normalidade jurídica, por motivo completamente alheio às suas atribuições presidenciais, não havendo a menor dúvida dessa infringência institucional.

Na verdade, o objetivo disso tem como cerne os aplausos de seus fiéis apoiadores, que vêm nisso forma corajosa e extraordinária de enfrentamento, que seria apropriado se fosse por meio de ações efetivas e não por medida que somente empobrece o seu respeito e a sua credibilidade, em termos de qualidade das suas ações de competência constitucional do estadista, quando ele se expõe ao atrevimento de mandar autoridade de outro poder calar a boca, que não tem qualquer sentido prático e ainda caracteriza forma direta de tentativa de censura e cerceamento do direito à liberdade de expressão, que são próprias de governos totalitários, sem menor compromisso com a grandeza dos princípios da legalidade.

O certo mesmo é que, de nada adianta o presidente do país perder a compostura nem ficar feito louco mandando recados inócuos aos ministros da corte, inclusive desejando que alguns calem a boca, porque ele só perde tempo, como se ele estivesse gritando sozinho no deserto, porque ninguém vai ouvir as barbaridades dele e os seus apelos inúteis.

Isso somente contribui para mostrar que ele poderia muito bem cuidar melhor das atribuições inerentes ao seu cargo, sem se preocupar com as atrocidades jurídicas praticadas pelo Supremo e os demais tribunais.

De outra feita, entendo que, ao invés de o presidente do país ficar se esgoelando inutilmente, com xingamentos, agressões e críticas estranhas ao seu cargo, ele poderia observar o compromisso dele feito, depois de reconhecer as suas atrocidades quanto às agressões a membros de outro poder, conforme consta da Declaração à Nação, nestes termos, verbis: "6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art. 5º da Constituição Federal.".

Era exatamente isso e somente isso que ele deveria fazer, mas prefere não fazer, quando ele estaria absolutamente tendo o respaldo das normas pertinentes às suas atribuições constitucionais, sem necessidade desse desespero de xingamentos, que não resolvem simplesmente nada nem contribui para arrefecer as tensas relações entre os poderes da República.

Eu venho defendendo exatamente isso, porque é o caminho natural apontado pela Carta Magna, mesmo que as suas demandas não sejam exitosas, como é de se esperar, não importa, mas o xingamento e a esculhambação e algo do gênero, que ele faz corriqueiramente e com precisa maestria, não resolvem absolutamente nada, salvo a possibilidade de mostrar que ele tem instinto de valentia, mas que em nada isso se aproveita na administração do país e também não consegue intimidar ninguém do Supremo nem dos demais tribunais.

Tenho a lamentar pelas pessoas que apoiam o presidente nos atos de desrespeito aos ministros do Supremo, porque o verdadeiro estadista somente tem a obrigação de bem cumprir a sua missão constitucional, em estrita observância aos princípios republicano e democrático.

Diante de meus comentários acima, o nobre amigo houve por bem escrever a seguinte mensagem: “Valeu meu amigo... De todo seu relato vejo que vc não é eleitor de Bolsonaro... Daí fica fácil para vc fazer seu julgamento de forma parcial.”.

Em resposta, eu disse que o seu juízo de valor pode ter sido equivocado, porém compreensível nas circunstâncias, por achar que todo eleitor de terminado candidato precisa fechar os olhos para os erros praticados por ele e isso você, lamentavelmente, deixou muito claro.

Ao contrário do que você avalia, eu votei nesse presidente, mesmo sabendo que ele não preenchia os requisitos necessários para um perfeito estadista, sob a minha interpretação quanto aos princípios da competência, da sensibilidade, da ponderação e da tolerância exigidos no exercício do relevante cargo presidencial.

No momento, diante do cenário político ainda não pacificado, o presidente do país, pode levar vantagem sobre os demais adversários do principal opositor dele, que imagino que nem candidato será, porque se trata de política em plena decadência moral, que há de reconhecer, de moto próprio, por sua inutilidade ante a grandeza do Brasil, que não o merece, justamente em razão do seu tenebroso e nefasto patrimônio político dissonante da importância da República brasileira.

Em nome do Brasil, não tem outra alternativa senão votar no menos ruim de todos os candidatos, em forma de voto útil, que tem por finalidade não se permitir a volta do caos para o Brasil, ressalvando que isso é o meu entendimento, independentemente do que as pessoas  possam pensar, lamentando que alguém se precipite em fazer juízo de valor sobre as outras pessoas, como no meu caso, que reconheço que preciso ainda aprender muito para alcançar melhor nível sapiência, para a melhor interpretação dos fatos da vida.

O certo é que eu não me atreveria a julgar as outras pessoas, em especial sobre as preferências eleitorais delas, exatamente porque eu acho que isso não é de bom tom, como conduta de civilidade, diante da evolução da humanidade.

Repilo que não faço julgamento parcial, como foi afirmado acima, porque as minhas avaliações são fruto da minha modesta capacidade de análise sobre os fatos da vida, procurando ser a mais completa e ampla possível e sem parcialidade, porque isso não presta à defesa da boa causa.

Aliás, convém ficar claro que não sou obrigado a idolatrar o presidente do país, mesmo que eu venha a votar nele, como muitas pessoas fazem, naturalmente sob seus critérios de julgamento, porquanto cada pessoa tem a sua verdade e os seus valores de avaliação e a minha não é igual à de ninguém, que deve ser muito mais aprimorada do que se imagina, para enxergar somente excelentes qualidades no presidente do país, embora se trate da mesma pessoa, mas o desempenho e o comportamento dele são vistos por ângulos diferentes pelas pessoas diferentes e isso é preciso ser respeitado, em atenção aos salutares princípios democráticos.

Por esse motivo, não tem o menor cabimento que alguém julgue o comportamento de outrem como sendo parcial e ainda tenha a indelicadeza de atribuí-lo como tal, porque isso não condiz com os princípios da civilidade e do respeito que precisam imperar no âmbito da sociedade.

Sei que não tenho direito algum de dizer toda verdade que escrevi neste texto, mas fui obrigado a fazê-lo em nome do respeito à dignidade ao ser humano, uma vez que eu sou pessoa pública e não poderia me calar diante de fortes acusações, em especial à de parcialidade nos meus julgamentos, quando o meu silêncio sobre isso implicaria a aceitação tácita de tão grave e graciosa acusação, segundo penso, porque ser parcial é o mesmo que ser injusto e a injustiça é sempre condenável, sob a ótico dos homens bons, puros e justos.

Enfim, gostaria de desculpar-me pela franqueza das palavras, na esperança de que sejam respeitados as opiniões e os sentimentos das pessoas e evitados os juízos de valor sobre as outras, porque os conceitos e os critérios de avaliação, julgamento e valorização são certamente dissonantes das verdades sobre o mesmo fato.

Brasília, em 4 de abril de 2022

domingo, 3 de abril de 2022

O dever da transparência

 

Uma ministra do Supremo Tribunal Federal negou pedido do procurador-geral da República para arquivar o inquérito contra o presidente da República, no caso referente ao processo da compra da vacina indiana Covaxin, em que ele é investigado sob a suspeita de prevaricação.

O caso Covaxin se tornou centro da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid, no Senado Federal, inflamou protestos pelo impeachment do presidente do país e expôs uma série de contradições no discurso dele acerca das vacinas e do combate à corrupção.

A suspeita de prevaricação foi atribuída ao chefe do Executivo por um deputado federal e o seu irmão, este então servidor do Ministério da Saúde, que, em depoimento, afirmaram sobre alerta feita ao presidente do país acerca de supostas irregularidades na compra da Covaxin, negociada com a intermediação da empresa Precisa Medicamentos.

No encontro havido com o presidente do país, que teria ocorrido no dia 20 de março, em conversa presencial, segundo o parlamentar, o chefe do Executivo teria ligado o líder do governo às supostas irregularidades, enquanto o irmão do deputado disse ter sofrido pressão incomum para assinar o contrato para a compra da vacina.

O aludido pedido de arquivamento do processo segue o entendimento da Polícia Federal, que já havia dito que não foi identificado crime, nas investigações, porque não havia dever funcional do presidente da República de "comunicar eventuais irregularidades de que tenha tido conhecimento a órgão de investigação.”.

A Polícia Federal concluiu que, "juridicamente, não é dever funcional, decorrente de regra de competência do cargo, a prática de ato de ofício de comunicação de irregularidades pelo presidente da República".

Ao discordar da tese, a ministra afirmou que "é perfeitamente possível extrair, do próprio ordenamento jurídico-constitucional, competência administrativa vinculada a ser exercida pelo Chefe de Governo. Embora a gestão superior da administração envolva, de fato, tal como defende a Procuradoria Geral da República, inúmeras decisões discricionárias, não há espaço para a inércia ou a liberdade de 'não agir' quando em pauta o exercício do controle da legalidade de atos administrativos - ou, mais especificamente, do poder-dever de anular atos contrários ao ordenamento jurídico - e do poder disciplinar em face de desvios funcionais".

A magistrada foi atentou para a precisão no seu parecer, tendo ressaltado, com propriedade, que "Ao ser diretamente notificado sobre a prática de crimes funcionais (consumados ou em andamento) nas dependências da administração federal direta, ao Presidente da República não assiste a prerrogativa da inércia nem o direito à letargia".

A juíza da Suprema Corte afirmou que, nesses casos, o presidente do país deve "acionar os mecanismos de controle interno legalmente previstos, a fim de buscar interromper a ação criminosa - ou, se já consumada, refrear a propagação de seus efeitos. Esses são, portanto, os atos de ofício reclamados, no contexto acima descrito, do Chefe de Governo. Retardá-los ou omiti-los, injustificadamente, 'para satisfazer interesse ou sentimento pessoal', constitui, sim, conduta apta a preencher o suporte fático da cláusula de incriminação prevista no art. 319 do CP".

Impende se observar que não tem sido praxe a negação de pedido de arquivamento de inquérito pelo procurador-geral da República, mas, esse caso, a ministra afirmou que essa hipótese é possível porque houve conduta atípica, com "verdadeiro julgamento antecipado do mérito da controvérsia criminal, atividade inequivocamente inserida nas atribuições do Estado-juiz".

Não há a menor dúvida de que os fatos mostram que o presidente da República tomou conhecimento de fato suspeito de irregularidade no seu governo, que exigia a urgente adoção de medidas saneadoras, em especial, as investigações de praxe, quando se tem conhecimento da prática de atos, em princípio, incompatíveis com a normalidade administrativa, ficando patente que o silêncio dele caracteriza indiferença ao zelo patrimonial.

No caso, mesmo que o presidente do país tivesse absoluta convicção da regularidade dos procedimentos denunciados, o seu dever funcional e legal o obriga a determinar as devidas apurações dos fatos pertinentes, justamente para se verificar e confirmar a lisura, de modo a se cumprir a exigência constitucional da devida prestação de contas à sociedade sobre os atos pertinentes à gestão pública.

Quando a autoridade máxima fica sabendo de possível fato irregular no seu governo e deixa de adotar as medidas cabíveis, fica patente o desprezo aos ditames normativos constantes da cartilha presidencial, podendo, conforme o caso, caracterizar abuso de autoridade, quando a regra manda, como dever ínsito, que se promovam as investigações pertinentes.

O certo é que, não havendo amparo legal para possibilitar deliberada omissão do dever legal, como parece que é a situação aventada nesse caso, o presidente do país, ao deixar de cumprir exigência constitucional, pode ter cometido o crime de prevaricação, como tal previsto no ordenamento jurídico, que ninguém pode desconhecer.

É preciso que fique claro que realmente inexiste dever funcional do presidente da República para "comunicar eventuais irregularidades de que tenha tido conhecimento a órgão de investigação.”, quando, na verdade, é da sua obrigação constitucional determinar as imediatas investigações tão logo ele fique sabendo sobre a existência de possíveis irregularidades no seu governo.

Assim, o arquivamento puro e simples do inquérito em causa, na forma proposta nos autos pela Polícia Federal e pelo Ministério Público, não condiz exatamente com o verdadeiro desiderato que almeja a valorização da gestão pública, uma vez que o salutar princípio constitucional da transparência exige a prestação de contas sobre os atos do governo, com inspiração na legalidade e na correção como conduta a ser seguida pelo verdadeiro estadista, que, como guardião da coisa pública, tem o dever legal de confirmar a regularidade dos atos públicos.

Brasília, em 3 de abril de 2022

sábado, 2 de abril de 2022

Julgamento justo?

 

Circula nas redes sociais vídeo em que o presidente da República faz severas críticas, em reiteração, a um ministro do Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento nos seguinte termos: “Para sermos uma grande nação, para sermos exemplo para o mundo, o que nos falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideia, cala a boca, bota a tua bata e fica aí, sem encher o saco dos outros. Como atrapalha o Brasil.”.

Diante indevida manifestação, eu disse que o presidente do país desrespeita o princípio da dignidade humana, ao mandar um ministro do Supremo “calar a boca”, em clara dissonância com a liturgia  do relevante cargo que ele ocupa, que tem o dever constitucional de se comportar como modelo de disciplina às condutas de civilidade.

          Um amigo especial escreveu mensagem, expondo a opinião dele sobre o tema em referência, conforme o texto a seguir.

“Meu estimado irmão, o que não diz do Sr. Alexandre de Morais?  Que vem rasgando a constituição e a pretexto de decisão monocrática, que não é  nada disso!  Tudo já combinado  com os demais ministros, pois quem cala consente!  Ficam na do vai lá testa de ferro, decide e nós ficamos num silêncio sepulcral! Ficando tudo como eles querem, é ainda se arvoram em dizer que resguardam o Estado Democrático de Direito! O Tal de xandão, acusa, julga e manda prender, virou o Monarca da Corte e consequentemente do país! O cara interfere no executivo a torto e a direito, e sempre tudo ficando ao bel prazer dele!  Agora o Bolsonaro coitado, tem que ser o polido, conforme. manda a liturgia do cargo!  Distribuiu grana preta para os estados, uma boa parte deles desvia a verba, chegando até faltar recipientes de oxigênio nos hospitais, morrem pessoas e o Presidente é o genocida!  Pelo amor de Deus, sejamos mais justos nos julgamentos!  Então se o JB é um fracasso para o Brasil, o Lula deve ter sido uma maravilha para uma boa parcela dos brasileiros! Para isso, a NEUROCIÊNCIA  tem a explicação:”.

Em momento algum, eu fiz análise sobre a atuação do ministro referido na mensagem acima, em que aborda alguns fatos com riqueza de detalhes, inclusive citação a algumas perversidades julgadas prejudiciais aos interesses dos brasileiros.

Deixo claro que sou leigo em questões jurídicas, quanto mais no que se refere aos seus meandros, porque elas normalmente têm origem nos processos pertinentes aos fatos nos quais o ministro ou o Supremo Tribunal Federal se baseou para proferir as suas decisões.

Para que eu pudesse analisar e avaliar o pleno desempenho dele e emitir opinião, seria importante e até necessário o conhecimento dos citados processos, o que é tarefa impossível.

No caso específico do presidente do país, a situação diz com o desempenho das funções administrativas, vinculadas à missão constitucional inerente ao cargo presidencial, que precisa apenas ter competência, sensibilidade, equilíbrio, eficiência, efetividade, tudo em harmonia com as regras do bom senso e da racionalidade previstas na cartilha do verdadeiro estadista, que precisa apenas observar os princípios republicano e democrático, como normalmente procedem os governantes de países evoluídos, onde prevalecem o respeito aos princípios e às condutas de civilidade.

Quando o estadista deixa de cuidar das suas funções básicas inerentes ao cargo, como nesse caso de o presidente do país mandar recado desnecessário e agressivo para membro de outro poder, ele deixa de atuar nas quatro linhas da Constituição, ficando muito claro que ele invade indevidamente o campo do adversário, por motivo completamente alheio às suas atribuições presidenciais.

Na verdade, o objetivo disso tem como cerne os aplausos de seus fiéis apoiadores, que vêm nisso forma corajosa e extraordinária de enfrentamento, que seria apropriado se fosse por meio de ações efetivas e não por medida que somente empobrece o seu respeito e a sua credibilidade, em termos de qualidade das suas ações de competência constitucional do estadista, quando ele se expõe ao ridículo de mandar autoridade de outro poder calar a boca, que não tem qualquer sentido prático e ainda caracteriza forma direta de tentativa de censura e cerceamento do direito à liberdade de expressão, que são próprias de governos totalitários.

Não se trata, em absoluto, de se ficar em “silêncio sepulcral“, como dito na mensagem acima, porque os brasileiros somente podem se manifestar, nesses casos, à vista da Constituição, em forma de plebiscito, devendo, nessas circunstâncias, deixar que as autoridades competentes adotem as medidas convenientes e necessárias, nos termos do ordenamento jurídico pátrio, sem necessidade alguma de se agredir verbalmente nem mandar recado para o ministro calar a boca, porque isso é absolutamente estranho à competência do verdadeiro estadista e mostra infinito distanciamento da realidade de agir com competência e responsabilidade.

O estadista precisa se ajustar exclusivamente à sua cartilha onde constam todos os sábios ensinamentos de boa conduta no exercício do relevante cargo presidencial, que precisa centralizar as suas ações em procedimentos de retilineidade vinculados às suas atribuições funcionais, independentemente das precariedades e monstruosidades protagonizadas por integrantes de outros poderes, conquanto as suas missões são distintas e vinculadas às suas responsabilidades.

Sim, é preciso  que o “Bolsonaro coitado” seja polido, porque isso é exigência constitucional da maior importância inerente ao cargo de presidente da República, independentemente do que as outras autoridades dos demais poderes façam de errado ou prejudicial aos interesses dos brasileiros.

A liturgia do cargo presidencial é clara quanto à necessidade da fiel e rigorosa observância aos princípios da decência e da dignidade, da qual ele não pode se afastar sequer um milímetro, sob pena de ferir os ditames constitucionais, repita-se, pouco importando o que as outras autoridades da República façam ou deixem de fazer, tendo em vista que as responsabilidades são individuais e inerentes aos cargos por elas ocupados.

Deixo claro que me considero justo ao extremo nas minhas análises e nos meus julgamentos sobre os fatos da vida, sempre procurando fazer minhas avaliações apenas com base na minha consciência e na minha verdade, que são inalienáveis, como também são as de todos os brasileiros, que, diferentemente de muitos, consideram o presidente do país perfeito, o que é normal, porque se trata de avaliação pessoal, que é ditada por sua incensurável consciência.

Causou-me estranheza eu ser admoestado para fazer julgamento justo, dizendo, em resposta, que eu repilo o conselho, não o admitindo, de forma alguma, ante o seu descabimento, tendo em vista que julgo conforme o os meus conhecimento e pensamento, respeitando a adversidade de sagradas e múltiplas opiniões.

De seu turno, é bem de se ver, neste caso, em que o presidente do país perde o respeito em mandar um ministro do Supremo calar a boca, em clara dissonância com o princípio da dignidade humana, eu julguei, conscientemente, que se trata de ato falho, absolutamente desnecessário e condenável, enquanto muitas pessoas consideram isso apenas normal e justo, sob o argumento de que o magistrado não presta e ofende os interesses dos brasileiros.

Ou seja, uma coisa não tem nada a ver com a outra, mas apenas a confirmação do sentimento de leviandade de se dizer, em forma de justificativa, ora, se o ministro pode errar, então, com maior e muito mais razão, o presidente do país também pode e tem o direito de cometer atos falhos à vontade, como se um erro tivesse o condão justificar o outro, quando eles são absolutamente contrários aos princípios republicano e democrático, em termos filosóficos da prática do bem comum, compreendida para as atividades públicas.

À toda evidência, o pensamento divergente faz parte da normalidade democrática, que é direito das pessoas, assim como é o meu direito de avaliar e até condenar o que eu achar o fato se ele é errado, evidentemente sob a minha ótica, uma vez que o mesmo fato pode ser perfeitamente interpretado diferentemente, sob outro ângulo de visão.   

Eu também ainda não preciso ver filme sobre neurociência, para me comportar como cidadão normal, porque eu entendi que a ideia da exposição do vídeo, junto com a mensagem em causa, é claro acinte à minha dignidade, sabendo que essa ciência estuda e descreve os mistérios do sistema nervoso central, de modo a se compreender, em especial, as doenças do sistema nervoso.

Nada tenho contra quem discorda do meu pensamento, porque isso é direito democrático das pessoas, mas, fazer juízo de valor sobre os meus julgamentos, isso merece o meu repúdio.

Embora eu ache normal que as pessoas pensem assim de mim, fico triste que um amigo de longa data se sinta magoado com os meus comentários, uma vez que eles são expressão verdadeira do meu pensamento, isento de ideologia política ou preferência a quem quer que seja, senão fruto do meu amor ao Brasil.   

Brasília, em 2 de abril de 2022

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O dever do enfrentamento

Em vídeo que circula nas redes sociais, o presidente da República criticou duramente, mais uma vez, um ministro do Supremo Tribunal Federal, em pronunciamento vazado nos seguinte termos: “Para sermos uma grande nação, para sermos exemplo para o mundo, o que nos falta? Que alguns poucos não nos atrapalhem. Se não tem ideia, cala a boca, bota a tua bata e fica aí, sem encher o saco dos outros. Como atrapalha o Brasil.”.

Diante disso, eu escrevi que o presidente do país perde o respeito em mandar um ministro do Supremo calar a boca, em clara dissonância com o princípio da dignidade humana, em sendo isso considerado ato falho, absolutamente condenável.

  Uma amiga especial escreveu mensagem, expondo a opinião dela sobre o tema, nestes termos: “Adalmir, contra as barbaridades que esse senhor tem praticado não há argumento algum! Vamos pegar o caso do Deputado Federal Daniel Silveira. Mesmo não concordando com a fala do Daniel Silveira, abstraindo o que ele falou a respeito de alguns Ministros, já foram tantas arbitrariedades contra ele, inadmissíveis partindo da mais alta Corte de Justiça. Prisão em flagrante por um vídeo gravado… até quando seria flagrante? Um ano, dois anos… um absurdo. Ahhh, prisão após horário noturno permitido. Pagamento de fiança estipulada pelo Ministro… mas a conta judicial estava encerrada, impossibilitando o depósito. Multa arbitrada em 15 mil reais por dia e bloqueio de contas e de bens sem previsão legal alguma, da cabeça dele. Isso foi o que lembrei, por alto.”    

Realmente, como você disse, alguém - que, no caso, é o presidente do país - tem que enfrentar tudo que precisa ser corrigido, saneado, normalizado, para o bem do interesse público, quando as questões se refiram ao Estado.

Nesse caso, é preciso, penso, que as armas utilizadas sejam as mais eficazes possíveis, exatamente em harmonia com o interesse público, que tem como princípio a objetividade da eficiência de resultados, que jamais serão conseguidos com o emprego de xingamento, agressão, críticas, em posição de nivelamento ao opositor, em exposição com o uso de expediente absolutamente inepto, somente, ao que parece, para mostrar desnecessária valentia, que só contribui para dificultar a solução dos problemas, quando o diálogo inteligente seria o melhor caminho.  

Seria aconselhável que as medidas contra as monstruosidades do ministro se elevassem ao patamar da competência, da ponderação, da racionalidade e da eficiência, como se faz normalmente nos países sérios, evoluídos e civilizados, em termos republicanos e democráticos, mesmo que isso não leve a nada, mas é assim que o mandatário deve se comportar, com a dignidade à altura da relevância do cargo que ocupa, quanto à observância aos elevados princípios da decência e do respeito à tradição democrática, sem necessidade alguma de se descer ao nível da indelicadeza do xingamento, somente para agradar aos seus apoiadores, que entendem que o desprezível ministro precisa ser enfrentado, de qualquer maneira?

Sim, é preciso que ele seja enfrentado, mas que seja por métodos apropriados, apenas em harmonia com a grandeza da República, de modo que isso possa refletir em resultado exitoso, mas, que não sendo, pelo menos, o mandatário o teria enfrentado com as forças e os mecanismos da decência e da competência.

Só para se lembrar, vou transcrever a carta que o presidente do país pediu ao seu antecessor que a redigisse para ele assinar, que foi endereçada à nação, em momento de lucidez dele, logo depois que ele foi ameaçado a perder o cargo, pelos líderes do Centrão, que não ficaram nada satisfeitos de o presidente dizer o diabo contra o mesmo ministro que agora ele manda calar a boca.

Eis o texto da Declaração à Nação, sim assinada pelo presidente da República:

“No instante em que o país se encontra dividido entre instituições, é meu dever, como Presidente da República, vir a público para dizer:

1. Nunca tive nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes. A harmonia entre eles não é vontade minha, mas determinação constitucional que todos, sem exceção, devem respeitar (todo mundo sabia, diante dos acontecimentos, que se tratava de grossa mentira).

2. Sei que boa parte dessas divergências decorrem de conflitos de entendimento acerca das decisões adotadas pelo Ministro Alexandre de Moraes no âmbito do inquérito das fake news.

3. Mas na vida pública as pessoas que exercem o poder, não têm o direito de “esticar a corda”, a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia.

4. Por isso quero declarar que minhas palavras, por vezes contundentes, decorreram do calor do momento e dos embates que sempre visaram o bem comum.

5. Em que pesem suas qualidades como jurista e professor, existem naturais divergências em algumas decisões do Ministro Alexandre de Moraes.

6. Sendo assim, essas questões devem ser resolvidas por medidas judiciais que serão tomadas de forma a assegurar a observância dos direitos e garantias fundamentais previsto no Art. 5º da Constituição Federal (É exatamente isso que eu defendo, porque é o caminho natural apontado pela Carta Magna, mesmo que não se obtenha êxito, mas o xingamento não resolve nada, salvo a possibilidade de se mostrar valentia, que em nada se aproveita na administração do país).

7. Reitero meu respeito pelas instituições da República, forças motoras que ajudam a governar o país (palavras jogadas ao vento) (pura demagogia, ao dizer uma coisa e fazer outra, não tendo interesse algum à integração esforços comuns dos três poderes da República).

8Democracia é isso: Executivo, Legislativo e Judiciário trabalhando juntos em favor do povo e todos respeitando a Constituição.

9Sempre estive disposto a manter diálogo permanente com os demais Poderes pela manutenção da harmonia e independência entre eles (outra mentira jogada ao vento).

10. Finalmente, quero registrar e agradecer o extraordinário apoio do povo brasileiro, com quem alinho meus princípios e valores, e conduzo os destinos do nosso Brasil.

DEUS, PÁTRIA, FAMÍLIA

Jair Bolsonaro”.

Depois da divulgação desse texto, o presidente ligou várias vezes para o ministro arqui-inimigo dele, na tentativa de conquistar a simpatia dele, mas, ao que parece, foi tudo em vão, conforme mostram o fatos, que apenas contribuíram para o agravamento da tensão entre ambos.  

O presidente do país divulgou essa pérola de declaração no dia 9 de setembro, em texto intitulado "Declaração à Nação", em que ele afirma, pasmem, que nunca teve "intenção de agredir quaisquer dos poderes".

Segundo ainda a carta "as pessoas que exercem o poder não têm o direito de 'esticar a corda', a ponto de prejudicar a vida dos brasileiros e sua economia", mas os fatos mostram exatamente o contrário, valendo para o caso do presidente que poderia ser exemplo de jamais participar do esticamento da corda, mas ele o faz com frequência, em especial mandando o ministro calar a boca.

É preciso lembrar que ato público de 7 de setembro do ano passado, em São Paulo, o presidente do país foi muito claro ao "Dizer a vocês que, qualquer decisão do senhor Alexandre de Moraes, este presidente não mais cumprirá. A paciência do nosso povo já se esgotou, ele tem tempo ainda de pedir o seu boné e ir cuidar da sua vida. Ele, para nós, não existe mais", só que ele substituiu isso pela declaração à nação, frustrando o entusiasmo de seus apoiadores, que esperavam que ele tivesse adotado alguma tendente a colocar freios aos abusos, em especial, de parte do Supremo Tribunal Federal.

A carta do presidente do país tinha no seu bojo a velha tática oportunista de sobrevivência política, para maquiar o difícil momento contaminado e envenenando da democracia por ele, conforme o seu discurso agressivo e desrespeitoso de 7 de Setembro, a qual sentia os ares do golpismo, que o obrigou à humilhação de desculpa insincera, na forma da carta, ao enfrentamento da crise que a sua gestão havia gerado.

Enfim, compreende-se que, em momento algum, a prática de erros justifica o enfrentamento da situação com o uso de outros erros, porque ambos são condenáveis, sob a ótica do interesse público e do bem comum.

Quero afirmar que não sou contra o pensamento de ninguém, apenas fico feliz em ainda puder dizer o que sinto sobre os fatos da vida, mesmo que isso possa contrariar a opinião de pessoas, mas o que importa mesmo é que todos tenham as suas ideias e sejam fiéis a elas.  

          Brasília, em 1º de abril de 2022 

Violência no Oscar

 

Em vídeo que circula nas redes sociais, uma pessoa mostra apoio ao ator que agrediu seu colega de profissão, por ocasião da entrega do Oscar, dizendo ele sobre a importância de as pessoas que se respeitam precisar seguir o exemplo de bravura adotado em defesa da honra da sua família, com a mesma disposição corajosa protagonizada pelo bravo ato.

          Como deixei muito claro no meu texto anterior, sempre vou repudiar e condenar a violência, especialmente a física, como aquele horroroso episódio acontecido ao vivo, deixando claro que, no caso, a minha reprovação atinge as violências tango do agressor como do agredido, por considerar que ambos erraram, por não se comportarem com a dignidade própria dos civilizados, em termos de respeito aos princípios humanitários.

No caso em comento, o primeiro, por fazer piada indevida e desumana, em ambiente especial e solene da entrega do Oscar, que não comportaria senão a observância do script do evento.

E o segundo, por ter se comportado como verdadeiro animal selvagem, ao ter violado o salutar princípio da racionalidade, porque agredir fisicamente é próprio dos brutos e dos ignorantes e jamais dos civilizados, quando querem pensar e agirem como gente.

‘O ator poderia, por ser de direito, defender a imagem da esposa dele usando apenas o microfone, de forma civilizada, para demonstrar o seu inconformismo, em termos educados e à altura de revide apropriado, mas sem violência física, apenas procurando agir com elegância e civilidade, mostrando bom senso e inteligência, como fazem normalmente as pessoas evoluídas e sociáveis.

Respeito as pessoas que pensam diferentemente de mim, porque é o seu direito democrático de pensar e de discordar, apenas eu acho que fazer justiça com as próprias mãos não se harmoniza, segundo penso, com os princípios de civilidade, mesmo que tenha havido agressão verbal do humorista.

As pessoas que defendem o revide em forma de agressão, quando há outros meios civilizados para tanto, apenas mostram seu instinto animalesco, porque racionam igualmente de forma irracional e desumana, se nivelando com o pensamento rasteiro dos envolvidos no episódio.

Lamento, profundamente, a existência de pessoas que pensam assim, em defesa da violência, porque isso somente contribui para dificultar cada vez mais as boas relações sociais e as relações sociais.

Na verdade, a manifestação e a atitude pessoais são livres e espontâneas e ninguém é dono da verdade, o que vale dizer que cada pessoa tem sua verdade, mesmo que esse pensamento seja em defesa da injustificável violência.

Acho que tenho o direito de pensar diferente de quem produz vídeo em defesa da violência e do agressor, como se ele fosse o herói de verdade, quando eu penso que a atitude dele foi mais de covardia, em agredir de surpresa o seu colega de profissão.

Na minha limitada concepção, nada justifica a violência, mas tem gente que a defende como defesa da honra, quando, na verdade, isso só mostra a fraqueza humana, diante da existência de outros importantes e civilizados meios que também são capazes para propiciarem eficazes revides, em que o antes considerado vítima pode se elevar ao nível de verdadeiro cavalheiro.

É evidente que isso somente se torne possível em razão da atitude de nobreza e tolerância, em contraposição à agressão sofrida, apenas dizendo a verdade sobre o seu sentimento acerca do ocorrido e mostrando o quanto foi difícil suportar tamanha dor que não desejaria nem mesmo para o piadista agressor.

Aqui, vale lembrar o adágio popular que diz que cada cabeça, uma sentença e a minha sentença é pela aplicação, no caso, dos mecanismos que levem à construção da paz e do amor contra a violência, principalmente a física, porque ela não leva a lugar algum, mesmo que a pessoa tenha sido agredida, em forma de revide, mas nada se equivale ao se dizer as verdades sentidas sobre o corrido, porque, dependendo da forma sábia e elegante de se manifestar, isso pode ter o condão de ferir muito mais do que uma violenta tapa.

Sob a minha modesta avaliação, nada justifica o uso da violência, precisamente porque isso não é próprio do homem, que tem o dom do raciocínio, para pensar com inteligência, para o seu  próprio bem, mas sim dos brutos, que normalmente não têm o sentimento do amor nem do respeito, que são próprios do ser humano, quando ele tem o equilíbrio e a compreensão sobre a importância desses princípios de grandeza e valor humanos.

Brasília, em 30 de março de 2022

O presente

            Hoje, entreguei pessoalmente à Adriana, filha de Almeida, o livro que dediquei a ele, em homenagem de carinho ao amigo que tem lugar cativo no meu coração.

Para a minha surpresa, a Adriana me presenteou, em nome da família, o relógio que Almeida tinha muito apego por ele.

Depois, mandei mensagem à Adriana, para agradecer o honroso presente, dizendo que tinha ficado muito feliz de ser lembrado e distinguido com o relógio que Almeida gostava realmente de usá-lo.

Já até o usei e ele se adaptou muito bem ao novo dono, não tendo reclamado de nada, pelo menos, por enquanto.

Prometo que terei cuidado especial com ele, pois sei perfeitamente do amor que Almeida tinha por importante e fiel companheiro de jornadas da vida.

Acredito até que o relógio ficaria bem melhor sendo cuidado por um dos filhos de Almeida, mas, com certeza, ele vai estar também em boas mãos comigo, porque eu me sinto como se irmão fosse do querido e inesquecível amigo.

Com o meu carinho de agradecimento a você, Adriana, à sua querida mãe e aos amados irmãos.

Muito obrigado.

Mais tarde, recebi mensagem de Adriana, que diz o seguinte: “Eu e meus irmãos ficamos contentes que essa singela lembrança do nosso querido Valdemar está com um amigo muito querido e estimado por ele! Não poderia estar em melhores mãos! A amizade é um dos sentimentos mais nobres e a de vocês, será eternizada. Um grande abraço para o Sr., sua esposa e família e que Deus os abençoe cada vez mais E gratidão pelos livros e pela belíssima e emocionante dedicatória que não canso de reler. E encaminharei para os meus irmãos que moram em SP. Mais uma vez, obrigada por tudo.”.

Finalmente, eu disse que bom esse maravilhoso pensamento de vocês, em reconhecerem que a minha admiração ao querido amigo Almeida era realmente eterna, porque se tratava de amizade de longa data, que o tempo contribuiu para consolidá-la.

Muito obrigado pelo carinho.

          
          Brasília, em 26 de março de 2022