quarta-feira, 1 de março de 2023

Apelo à paz!

A guerra entre Rússia e Ucrânia completou um ano, no dia 24 último, cujo resultado, como não poderia ser diferente, é simplesmente aterrorizante, com a contabilização de mais de 300 mil mortes, mais de 18 milhões de ucranianos migrantes, entre milhares de mutilados e atingidos pelos efeitos trágicos causados pelo conflito absolutamente desnecessário.

Vejam-se que a motivação de guerra que somente vem causando generalizada destruição foi, pasmem, a inacreditável aproximação do governo ucraniano do leste europeu e a sua firme intenção de integrar a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que vinha em expansão desde a Segunda Guerra Mundial em direção ao Oriente.

O presidente russo teria avisado que, se a Otan não parasse as conversações com a Ucrânia, haveria fatalmente o conflito, uma vez que ele se sentia "cercado" pela adesão de nações àquela organização.

 A aludida absurda ameaça foi cumprida, já assim motivada, já depois, por interesses territoriais, políticos, econômicos e até culturais, cuja estratégia inicial era somente atacar Kiev, capital da Ucrânia, e depor o presidente do país, no máximo, em curtíssimo praza de apenas uma semana ou 10 dias.

Não obstante, a meta foi frustrada pela pronta reação dos militares ucranianos que impediram a dominação da capital da Ucrânia, fazendo com que a guerra se prolongasse e de maneira selvagem, em que o mundo foi estarrecido com ataques russos a residências, hospitais, escolas e espaços ocupados por civis, matando gente inocente, como crianças, mulheres, jovens e idosos, aos milhares.

Como era de se esperar, desde o início da guerra, muitas nações a condenaram, em esforço completamente inútil para dissuadir o mostro russo de prosseguir na insana e injustificável escalada bélica contra a Ucrânia.

O certo é que todos os apelos de paz foram ignorados pelo presidente russo, tendo, ao contrário, a iniciativa de ameaçar o uso do arsenal atômico para conquistar a vitória.

Diante da incontrolável obstinação do presidente russo, tendo como objetivo frear o impulso doentio do presidente russo, Estados Unidos e países da União Europeia impuseram sanções econômicas contra a Rússia e concederam ajuda bélica e financeira ao governo ucraniano, como forma de facilitar melhor enfrentamento dos embates da guerra sangrenta.

Agora, depois da consumação da tragédia humanitária, os presidentes da Rússia e da Ucrânias mostraram-se simpáticos à proposta de solução para o conflito apresentada pelo presidente do Brasil, que propõe a criação de grupo de representantes de nações neutras, que cuidaria de discutir os termos de acordo de paz.

Conforme declaração do governo chinês, ele encampa a ideia oferecida pelo presidente brasileiro, tendo divulgado opinião também favorável ao fim do conflito, por condenar o uso de armas atômicas, e aconselhando a retomada das negociações de paz.

O governo chinês entende que a guerra não beneficia ninguém, sendo preciso que haja racionalidade e moderação, para se evitar que a crise fique cada vez mais acirrada ou saia do controle, embora esse controle nunca existiu, conforme mostram os próprios conflitos bélicos.

A verdade é que conflitos bélicos são apenas terríveis e monstruosos exemplos de destruição da humanidade, que são completamente ignorados pelo ditador russo, que deveria perceber que as guerras somente constroem derrotados e o saldo triste de horrores que nunca mais haverá saneamento.

Enfim, a guerra é a transformação da sensatez, da sensibilidade, da racionalidade humanas em sentimentos de ódio, vingança e destruição do próprio homem, cujos maléficos resultados não podem satisfazer a honra do ser humano, porque toda conquista é apenas fruto da ruína, da morte, enfim, do horror generalizado, conforme mostra o rastro deixado no seu caminho.

O apelo que se faz pela paz tem a precípua finalidade de ressuscitar no coração dos mandatários a importância suprema da vida humana, cuja grandeza de valores tem prevalência sobre todos e quaisquer interesses terrenos.

Convém que realmente haja a iniciativa para o diálogo diplomático de tolerância, para que possa coexistir a convergência de sentimentos de racionalidade entre seres verdadeiramente humanos, de modo que seja possível a solução dos conflitos, da melhor maneira possível, em benefício da humanidade, com a prevalência dos princípios do bom senso, da compreensão e da civilidade, especialmente levando-se em conta que nem havia motivação para a guerra.

Brasília, em 1º de março de 2023

terça-feira, 28 de fevereiro de 2023

Exemplo de insensibilidade?

 

O presidente da Coreia do Norte discutiu com o partido comunista sobre a necessidade do desenvolvimento agrícola do país, após fortes relatos acerca de "grave" escassez de alimentos, tendo por premissa básica se "analisar e revisar (...) o programa da revolução rural na nova era e decidir sobre as tarefas imediatas e as tarefas urgentes.”.

A frequência incomum das reuniões sobre agricultura alimenta as especulações de que aquele país pode estar tendo grave crise de escassez de alimentos.

Segundo a imprensa, os participantes "aprovaram os tópicos da agenda, por unanimidade, e iniciaram a discussão sobre o tema".

Recentemente, o ministério da Unificação da Coreia do Sul destacou relatos referentes à crise de fome na Coreia do Norte, tendo declarado: “Nós consideramos que a escassez de alimentos é grave" e que Pyongyang parece ter solicitado ajuda do Programa Mundial de Alimentos, da ONU, ante o drama da fome naquele país.

O site 38 North, que monitora a situação na Coreia do Norte, afirmou que a atual escassez de alimentos no país é a mais grave dos últimos tempos.

A análise sobre os preços do arroz e do milho, no mundo e na Coreia do Norte, mostra divergência "significativa" desde o início de 2021, o que significa que estes alimentos são muito mais caros no Norte, fato este que tem influência no abastecimento de alimentos e indício do possível "colapso" de escassez, segundo explicado pelo mencionado site.

Não obstante, comentário recente publicado pelo jornal estatal norte-coreano Rodong Sinmun afirma que o país deve continuar com sua "economia autossuficiente" como parte de sua luta contra os "imperialistas".

A Coreia do Norte, por ser alvo de várias sanções, em especial econômicas, em razão da sua insistência com seus programas armamentistas, com destaque para as experiências nucleares, enfrenta dificuldades para a obtenção de alimentos, já há bastante tempo.

O país se tornou vulnerável aos desastres naturais, como inundações e secas, devido à ausência crônica de infraestrutura, desmatamento e décadas de má administração do Estado, sob o regime comunista.

Essa grave situação também foi agravada pelo fechamento prolongado das suas fronteiras, a partir do início da pandemia do coronavírus, o qual somente foi flexibilizado recentemente, para permitir o comércio com a China, que tem sido um dos únicos países que ainda mantém relações diplomáticas normalmente com aquele país.

A história mostra que a Coreia do Norte já foi afetada por vários episódios de fome, mas, na década de 1990, a fome matou centenas de milhares de pessoas, conquanto tenham estimativas afirmando que foram milhões de vítimas fatais.

A verdade precisa ser mostrada para o mundo, no sentido de que esse país, que é exemplo da prática do comunismo na essência, tem dado prioridade às experiências com armamentos nucleares, para onde são destinados seus escassos recursos, em visível detrimento da dignidade do seu povo, que paga pelas incompetência e insensibilidade humanitárias protagonizadas pelo ditador, sendo obrigado ao risco da fome, por conta da escassez de alimentos.

A verdade é que, caso a Coreia do Norte consiga ajuda humanitária, mediante a ajuda em alimentos, aquele país vai continuar investindo desnecessariamente em armas nucleares, independentemente de que a sua população esteja morrendo de fome, que deve será isso que irá  acontecer, justamente porque a vida humana não é prioritária naquele país comunista.

Ou seja, se não houver firme ultimato ao ditador, no sentido de não ter ajuda de alimentos enquanto tiver investimentos em armas nucleares, a Coreia do Norte vai preferir que a sua população morra do que decidir pela paralisação das desnecessárias pesquisas de armas nucleares, à vista de fortes pressões nesse sentido, que resultaram infrutíferas.

Como se trata de questão humanitária, que obriga, necessariamente, a priorização do suprimento de alimentos aos famintos, o Programa Mundial de Alimentos da ONU tem a obrigação de exigir, mesmo que haja ajuda, que a Coreia do Norte aplique os recursos destinados às experiências de armas nucleares em programa contra a fome, uma vez que a vida humana tem prevalência sobre todos os outros programas, por mais que eles sejam importantes.

Brasília, em 28 de março de 2023

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

O dever do cumprimento

Em crônica, eu disse que competia ao então presidente da República decretar a intervenção militar, cabendo às Forças Armadas, por dever constitucional, o seu imediato cumprimento, sem qualquer questionamento nem reação contrária, porque ele era o comandante-em-chefe dos militares, sob pena do crime de prevaricação.

Diante disso, uma pessoa houve por bem dissentir do meu texto e escreveu o seguinte: “Você afirma no texto que o ex-presidente tinha que ter feito isso e as FFAA teriam que acatar. Então, por que eles não acataram a Dilma que quis fazer isso? A verdade é que a cúpula traiu o ex-presidente e só teve um que estava de fato com ele e esse era o Comandante da Marinha. É muito fácil fazer conjuntura, mas a realidade por trás dos bastidores é outra.”.      

Eu disse que o presidente da República decreta a intervenção militar e as Forças Armadas são obrigadas a executá-la imediatamente, sem questionar absolutamente nada, sob pena de praticarem o crime de prevaricação, que consiste no descumprimento do dever funcional, que seria o caso em comento, eis que a aludida medida teria sido ordenada com base constitucional e os militares somente teriam única alternativa, qual seja, cumpri-la de imediato.

Qualquer outra conjectura não tem amparo constitucional, porque o texto a que se refere o artigo 142 da Constituição é muito claro, no sentido cogente, ou seja, a sua definição dispensa interpretação, porque ela diz exatamente que “As Forças Armadas (…), organizadas com base na hierarquia e na disciplina, sob a autoridade suprema do Presidente da República, e destinam-se à defesa da Pátria, à garantia dos poderes constitucionais e, por iniciativa de qualquer destes, da lei e da ordem.”.

Ou seja, poderia haver outra alternativa, no caso de exceção, se, depois do verbete “ordem”, tivesse escrito algo como, por exemplo, “salvo se houver opinião contrária nesse sentido.”, onde se encaixariam as absurdas e até ingênuas interpretações que se fazem por defensores e fantásticos do ex-presidente, no sentido de que a intervenção militar não foi implementada porque oficiais generais não estavam de acordo com a medida.

Isso não passa de balela, de conversa para boi dormir, porque esses militares não passavam de subordinados diante da autoridade do presidente da República, que é o comandante-em-chefe das Forças Armadas, ex-vi do disposto no citado artigo 142, que tinha competência para exonerá-los imediatamente dos cargos e até determinar a prisão deles, pelo crime de insubordinação.

Acontece que só tem única interpretação plausível para a traição presidencial: falta de amor à grandeza e aos valores da pátria, causada especialmente por medo de ser preso, ou seja, covardia, em que essa forma de frouxidão tem ares de vermelhidão que possa a ser enquadrada como crime de lesa-pátria.

O certo é que a omissão presidencial permitiu que o poder fosse entregue, sem nenhuma resistência, à nefasta esquerda, mesmo na sabença de que a nação estaria sendo sob o comando da banda podre da política brasileira, à vista de seus antecedentes de desonestidade e degeneração dos princípios republicanos da moralidade, da desonestidade e da dignidade, na administração pública.

Enfim, à vista do exposto, fica a certeza de que a única traição havida foi de quem tinha competência constitucional para decretar o ato de intervenção militar, porquanto os militares eram subordinados e tinham o dever legal de executar as determinações presidenciais.

             Brasília, em 27 de fevereiro de 2023 

sábado, 25 de fevereiro de 2023

Sem esperança

Em mensagem que circula em vídeo, nas redes sociais, há a mensagem que diz o seguinte: “Antes tínhamos a esperança de que os militares pusessem ordem na casa... Agora nem isso temos mais... Eles não vão dar chance de alguém ameaçar ganhar eleições... Agora é daí para o fim. Só uma rebelião mesmo. Verdade se não mudar o sistema eles não saem mais do poder eles tem tudo corrupção generalizada aliados do STF, Senado, Câmara e FFAA/generais. Esta verdade e a realidade senhores patriotas.”.

Diante dessa mensagem, eu disse que as aludidas palavras estão corretíssimas, com importante destaque, como indagação: a quem interessa “mudar o sistema”?

A verdade é que só se altera alguma coisa, no caso específico, o sistema vigente, se ele não estivesse satisfazendo, logo agora que só começou, na plenitude, o usufruto das benesses e das prerrogativas inerentes ao poder para os seus integrantes.

Só havia única oportunidade para mudança, mas ela foi inexplicavelmente desprezada, ignorada leviana e irresponsavelmente pela imposição das incompetência, insensibilidade e fraqueza de antipatriota, que não pensou na grandeza dos valores do Brasil nem na tragédia causada aos brasileiros com a entrega do poder, sem resistência, à nefasta esquerda, a despeito das premonições sobre a sua tomada, na forma exatamente como aconteceu, sob fortes suspeitas de irregularidades na operacionalização do sistema eleitoral brasileiro.

A verdade mais especificamente sobre o funcionamento das urnas eletrônicas, cujas dúvidas mereciam as devidas averiguações, por meio da fiscalização que era pretendida pelas Forças Armadas, mas elas se tornaram inviáveis depois da negativa ao acesso ao “código-fonte”, pela Justiça eleitoral.

Por incrível que pareça, essa auditoria seria implementada normalmente pelas Forças Armadas, por partido político ou entidade legalmente autorizada, caso tivesse sido decretada a medida salvadora do Brasil, por meio da intervenção militar, que tinha o respaldo constitucional, na forma dos artigos 37 e 142 da Carta magna, com vistas à garantia da lei, como forma de transparência dos resultados das últimas eleições, entre outras medidas de saneamento da calamidade que vem imperando no Brasil.

A princípio, é preciso ficar claro que não se pode imputar qualquer responsabilidade ou culpa a oficiais generais pela traição à pátria, por conta da falta da intervenção militar, exatamente porque eles não tinham competência constitucional para assinar a medida pertinente.

É preciso ficar definitivamente claro que somente o presidente da República, nas circunstâncias, tinha competência para a implementação dessa importante medida de salvação nacional, quer generais queiram ou não, porque a medida não dependia da vontade ou não deles, mas sim, exclusivamente, da competência privativa do presidente do país, que simplesmente determinava a medida necessária e as Forças Armadas apenas as executavam, na extensão dos termos estabelecidos no diploma legal.

Em termos jurídicos, somente existe essa possibilidade, ou seja, não passa de invencionice se imaginar diferentemente disso, restando definitivamente claro que só tem um culpado de se permitir que o Brasil permanecesse nessa situação caótica, cujo futuro somente tende a piorar, graças à mediocridade de quem só pensa no próprio umbigo, em detrimento dos interesses nacionais, conforme mostram os fatos.

O certo mesmo é que somente haverá mudanças no Brasil quando os brasileiros dignos e honrados se conscientizarem de que elas precisam ser implementadas por exigência do povo, mediante a escolha de representante que esteja pronto para a execução das medidas pretendidas pelas pessoas que amam de verdade a pátria amada.

          Brasília, em 25 de fevereiro de 2023 

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

Transparência?

          Diante de crônica que analisei determinado desempenho do último ex-presidente da República, um amigo comum do Facebook houve por bem se manifestar em dissonância com o meu texto, tendo escrito longa mensagem, da qual transcrevo dele o seguinte excerto: "Lula ganhou de forma transparente, através de um sistema seguro, aprovado e reconhecido no mundo inteiro há anos, agora, o direito de espernear, ‘o jus esperneandié livre, é uma característica própria dos derrotados.".

Caso a assertiva supratranscrita fosse verdadeira, o que custaria a Justiça eleitoral conceder acesso ao "código-fonte"?

O sentido civilizado de transparência na administração pública é o de se permitir, no caso das últimas eleições, a fiscalização e o detalhamento sobre a operacionalização das urnas eletrônicas, sem deixar a mínima dúvida sobre os resultados proclamados, a exemplo da suspeita de urnas com 100% de votos para somente um mesmo candidato, além de votação depois do horário legal, entre outras irregularidades que exigem, no mínimo, o devido esclarecimento para a sociedade, uma vez que não houve até agora.

Parece muito simples se acreditar em transparência apenas em se afirmar, sem nenhuma comprovação, que o "sistema é seguro", "aprovado" e "reconhecido no mundo inteiro" nessas condições, apenas por afirmação sem a devida comprovação, quando este contribuía, por certo, para a segurança de se permitir o acesso ao "código-fonte", que possibilitaria a necessária fiscalização externa da votação, para se assegurar a dita transparência, de modo a se escoimar de dúvidas as gravíssimas suspeitas de fraudes, diante da certeza de que não existe a menor possibilidade da existência de irregularidades na operacionalização das urnas eletrônicas.

Ou seja, se há tanta certeza da segurança e da confiabilidade sobre o resultado da votação, a negativa do acesso ao "código-fonte" somente conspira contra tanta convicção, porque, do contrário, a própria Justiça eleitoral teria maior interesse em mostrar para a sociedade a transparência das eleições.

Como não houve a devida transparência, com que se faria normalmente, já que está tudo regular, com a liberação do "código-fonte", que foi mantido em sigilo, em absoluto segredo, dando a entender que pode sim existir algo podre no reino tupiniquim, que não pode ser mostrado para os próprios eleitores, pelo menos é isso que os derrotados compreendem que os vitoriosos se baseiam em premissas que não podem ser comprovadas, por meios legítimos e transparentes, como fazem as nações sérias e civilizadas, em termos políticos e democráticos.

Causa perplexidade que os ditos vitoriosos ainda se vangloriam dessa forma nada republicana de prática política, como se isso tivesse o condão de dignificar o homem, quando é exatamente o contrário, em que fica muito claro que a defesa de procedimentos suspeitos de irregularidades somente evidencia o nível da ideologia política dessas pessoas, que se dignam a reconhecer como válidas práticas que estão a exigir a devida transparência própria dos regimes civilizados.

A propósito, convém mencionar que a transparência é prática obrigatória na vida pública brasileira, por força do disposto no art. 37 da Constituição Federal, quando ali consta estabelecido que "A administração pública (...) obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade (...)", valendo se afirmar que publicidade tem o mesmo significado de transparência.

Como se vê, não basta se falar e se citar o verbete transparência, na gestão pública, sem praticá-la de forma efetiva, como nesse caso que envolve as urnas eletrônicas, que somente haveria publicidade e regularidade com acesso a todas as informações pertinentes à sua operacionalidade, de modo que não restasse qualquer dúvida sobre a sua correção.

Ao contrário disso, tudo não passa de mera falácia de que o "sistema é seguro", "aprovado" e "reconhecido no mundo inteiro", quando ele sequer resiste à normal fiscalização que condiz com a melhor forma de transparência que se tem notícia no mundo civilizado, pelos menos nos países sérios e evoluídos, quando isso, no Brasil, somente existe na palavra de quem controla o sistema eleitoral, que, a bem da verdade e da própria transparência, não merece o qualquer credibilidade, ante à negativa de acesso aos meandros operacionais do sistema propriamente dito.

Enfim, nesse caso, parece perfeitamente possível, à luz do bom senso e da racionalidade, o direito ao jus sperniandi aos derrotados, considerando que a transparência civilizada e democrática foi negada, de forma proposital, no processo eleitoral, cujo sistema e os vitoriosos se baseiam na segurança e na credibilidade do funcionamento das urnas eletrônicas, mesmo que não se permita qualquer forma de fiscalização ou auditoria sobre elas, a despeito de várias suspeitas de irregularidades na sua operacionalidade, que exigem o devido esclarecimento por quem de direito.

Em síntese, como não se permite abrir a caixa-preta das urnas eletrônicas, não se pode afirmar conscientemente sobre regularidade ou irregularidade na sua operacionalidade, porquanto somente com o acesso ao “código-fonte” ter-se-á certeza quando à legitimidade do processo eleitoral brasileiro, que é considerado auditável, mas, de forma bastante estranha, ele é mantido sob absoluto sigilo.

Não obstante, é possível se dizer que prevalecem sim fortes suspeitas de fraudes no resultado das urnas, tendo por base a injustificável negativa ao acesso ao referido código, porque, do contrário, haveria interesse na plena transparência por parte da Justiça eleitoral, principal interessado no deplorável sigilo do sistema eleitoral.

Em síntese, a bem da verdade, tem-se o Brasil como país que garante a transparência dos atos da administração, por força de disposição constitucional, conquanto haja mesmo, no que diz respeito ao sistema eleitoral, conforme confirmam os fatos, a prevalência do completo sigilo, que nada mais é do que a negativa da verdade suprema.      

Com certeza, este não é exatamente o Brasil ideal para as pessoas que pensam na grandeza dos valores e dos princípios justos de plenas civilidade e democracia , quando ainda há quem consegue defender a anarquia jurídica, em especial como a falta de transparência nos atos da administração pública, como forma de respaldo à validade de situações suspeitas de irregularidades, como se isso fosse normal, em que a humanidade precisa evoluir em consonância com o próprio progresso da espécie.  

          Brasília, em 24 de fevereiro de 2023

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2023

Um resumo histórico?

Em vídeo que circula nas redes sociais, o último ex-presidente da República faz importante abordagem sobre o desempenho de governos do regime militar, dizendo que eles foram pródigos na realização de obras e no respeito imposto junto à sociedade, cujo período foi classificado por ele como de muito progresso para o Brasil.

Como se pode perceber, é pena que político que tem capacidade de explanar, com invulgar sabedoria e singular destaque os momentos que relembram a história construída pelos governos militares, cognominada por ele como gloriosa, por mostrar os fatos com bastante conhecimento, inclusive a sua importância para o desenvolvimento do Brasil, mas a mesma pessoa foi completamente incapaz de evitar a volta da deplorável esquerda ao poder, em que pese a enorme desvantagem que ela traz, no seu bojo, como o recriminável sistema autoritário que foi instituído exatamente em razão do conjunto dos desacertos protagonizados por ele, no seu governo completamente perturbado e contaminado por controvérsias e polêmicas, cujo resultado foi o pior possível, conforme mostram os fatos.

 A verdade é que o ex-presidente do país tudo fez do pior para criar infrutífera e interminável disputa com membros do poder Judiciário, tendo por alvo o irrelevante título de autoridade de maior poder da República, mas o resultado não poderia ter sido mais desastroso para os interesses nacionais, tem como consequência ele fora do poder e do país, refugiado que se encontra, nos Estados Unidos da América, desde 30 de dezembro de 2022, com medo de voltar ao Brasil e ser preso.

Trata-se de luta inglória, quando agora já se tem conhecimento quem perdeu e também quem foi vitorioso nessa luta inglória e ainda os motivos que contribuíram para conduzir o Brasil à deplorável ruína, com a mudança de governo, em giro inacreditável de 360º, como se o país tivesse sido ridiculamente explorado apenas como peças de brinquedos e experimentos, que se encaixavam perfeitamente na mentalidade perturbada de quem levou o tempo a brincar com a sorte dos brasileiros, que terminaram pagando caro por apoiar político inconsequente, conforme mostra a atual situação política do Brasil, sendo comandado por governo da esquerda, seguramente graças à incompetência administrativa.

Por certo, o ex-presidente nunca imaginou o tamanho do risco que estava correndo, inclusive o de perder o Brasil para a banda podre da política brasileira, que um dia se estruturou para aplicar o maior golpe em cofres públicos, cujo plano foi coroado de êxito, tanto que o grupo volta triunfante ao poder, graças à imaturidade e a incompetência de político que se achava o suprassumo, em termos de esperteza, mas ele se resume no que é hoje: um ilustre foragido do país, que teme voltar ao Brasil, por achar que poderá ser preso, embora não exista nenhuma condenação contra ele, na Justiça.

Infelizmente, esse estado deplorável e incerto em que se encontra o Brasil é reflexo da mentalidade do seu povo, que nunca vai aprender a votar, cuja consequência é precisamente esse estado de penúria, em que o país é presidido por político em plena decadência moral, por ser incapaz de apresentar ficha limpa à Justiça eleitoral, à vista de ainda responder a vários processos penais na Justiça brasileira, enquanto o ex-presidente do país se encontra foragido, com medo de der preso, que certamente seria por conta de atos praticados contra o interesse da sociedade.

A verdade é que nunca o Brasil esteve em situação político-administrativo tão periclitante e sem perspectivas de recuperação da normalidade, nem mesmo a médio prazo, diante da mediocridade que impera na conjuntura política, em prejuízo dos valores republicanos.

Enfim, é possível se compreender, sem muito esforço, que o pior quadro político que vem imperando no Brasil é apenas o que realmente os brasileiros merecem, em termos de governantes, porque eles vêm plantando, há bastante tempo, as piores sementes políticas, cujos frutos são compatíveis com a péssima qualidade delas.

          Brasília, em 23 de fevereiro de 2023

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

Perseguição política?

  Diante de crônica que analisei um pouco do desempenho do último ex-presidente do Brasil, em especial no que diz respeito ao seu natural comportamento de se considerar vítima do sistema e de que não pôde governar, devido à visível perseguição, um amigo de grupo disse que discordava do meu entendimento, conforme a mensagem a seguir.

“(...), não via no Bolsonaro a intenção em suas inúmeras pelejas com o judiciário, imprensa, políticos... de sair como coitadinho, e passar à história como o bem-intencionado que não pode fazer nada. Vejo-o como talvez o único governante  que numa visão maior de nação e ‘jogando dentro das quatro linhas’ não cedeu ao modo operante de governar o país, o tomá-la da-cá entre os três poderes, em parceria com a corja de velhacos instalados em nossa sociedade. Eu não acho que ele entrava nesses embates na intenção de sair como vítima, vejo-o como alguém que com essas pelejas tentou mudar o destino de nossa nação e acordou grande parte da população, que há anos é massificada/doutrinada com slogans ‘País do futuro’  ‘Deus é brasileiro’ ‘O brasileiro é um povo pacífico’... Se não conseguiu foram pelas causas que citei, bem como do nosso irmão: não se muda o que foi construído em décadas,  em 4 anos e com todas as adversidades que enfrentou. Acho que sou fanático, não pelas pessoas, mas por boas causas, que possam mudar esse lindo país, chamado Brasil.”. 

Em resposta à respeitável mensagem, eu disse que deixava claro que a minha visão de fanático é aquele que se limita a seguir na risca o ex-presidente do país, sem entender que ele não cometeu deslize, que não é o caso do amigo, que reconhece que ele cometeu erros.

Por outro lado, os fatos mostram que o ex-presidente do país alimentava debates desnecessários, porque sempre resultavam em nada e depois ele vinha com desculpas por que teria sido impedido de realizar isso ou aquilo, ou seja, ele teria sido impedido de governar, quando nada disso é verdade.

Em qualquer situação ele poderia ter recorrido à Justiça e argumentar que havia abuso de quem o impedisse de governar, mas os fatos mostram que não há recursos nenhum contra ninguém nesse sentido, embora ele sempre alegou perseguição, quando isso não é verdade, em especial diante da autonomia dos poderes da República, em que cada qual tem liberdade para agir, no âmbito dos seus limites constitucionais.

Dizer que não governava porque foi atrapalhado por perseguição só conspira contra a inteligência das pessoas, exatamente porque o presidente da República, além de poder recorrer normalmente contra os perseguidores, poderia executar qualquer coisa e esperar que alguém impugnasse o que ele tivesse feito em contrariedade jurídica ou administrativa, algo que também não se tem notícia.

Não obstante, é fato que o ex-presidente sempre dizia que teria sido impedido de governar, sem mostrar os fatos concretos, com exclusiva finalidade para se passar por vítima e perseguido e isso é fato.

Enfim, eu entendo que o verdadeiro estadista não tem direito de discutir nada em público senão os assuntos estritamente necessários, devendo tratar das matérias na forma estabelecida no manual previsto para o cargo, em estrito respeito à liturgia das funções presidenciais, exatamente para se evitar se passar por ridículo, como assim foi seguido por quem fazia questão de se manter permanentemente na mídia, conforme mostram os fatos.

          Brasília, em 22 de fevereiro de 2023