domingo, 25 de outubro de 2020

Por que mudança de mentalidade?

 

Na crônica intitulada “A mudança para pior”, foi dito que o brilho do trabalho do presidente da República tem suma importância para o país e o povo, mas é preciso que ele se conscientize de que atitude como a da coalizão com o Centrão robustece a desconfiança de que o governo é cediço a atos nada republicanos, em detrimento da seriedade e da credibilidade que foram conquistadas na campanha eleitoral, quando, depois disso, houve facilmente a quebra das promessas de mudanças por motivo estranho ao interesse público, fato que desmerece em muito a honra do mandatário do país.

Uma distinta seguidora de meus textos escreveu a seguinte mensagem, motivada por minhas colocações: “BOA TARDE AMIGO, LENDO SUA CRÔNICA ME LEMBREI QUE NUNCA MAIS OUVI BOLSONARO MENCIONAR A FRASE: BANDIDO BOM É BANDIDO MORTO, POR QUÊ SERÁ? UM ABRAÇO.”.

Em resposta à importante indagação, eu digo que é bastante lamentável que o presidente da República tenha mudado tanto e em vários aspectos que faziam o seu perfil de homem público obstinado a mudar a mentalidade do político que se posiciona segundo os seus interesses.

Realmente, o presidente não pronuncia mais aquela expressão e muitas outras que eram a sua marca registrada, principalmente com relação a muitos dos compromissos assumidos na campanha eleitoral ou mesmo depois dela, quando ele se mostrava o homem público contrário a tudo que os brasileiros  gostariam que fosse objeto de mudança, como nesse específico caso que envolve o criminoso.

Essa brusca inexplicável transformação para pior do político não é bom sinal, porque muitas pessoas o simpatizavam justamente por ele pensar em sintonia com parcela expressiva dos brasileiros, que ainda anseiam por mudança para melhorar o pensamento do homem público.

A propósito, como importante ilustração, citem-se em especial o trabalho fantástico e importante da Operação Lava-Jato, que o presidente do país tanto defendia e exaltava e até conseguiu tirar do comando dela, nada mais nada menos,  precisamente o seu principal operador, que então havia se tornado herói nacional, por força do seu trabalho, para ser o agente propaganda do governo, com a função especial de comandar a pasta reconhecida como o Superministério da Justiça e da Segurança Pública, para mostrar que ele era seu principal defensor e incentivador no governo quanto aos atos de combate à corrupção e à impunidade.

Tudo não passou de verdadeiro fiasco, porque o presidente do país nunca se empenhou nem demonstrou interesse em aperfeiçoar e fortalecer os aludidos atos e, de tanto desprestigiar aquele ministro, este preferiu pedir exoneração do cargo, em processo próprio de descarte, por ele não mais servir para os objetivos iniciais do mandatário do país.

  Agora, o presidente brasileiro inverteu tanto a mentalidade favorável que tinha sobre a Operação Lava-Jato que chegou ao ponto, pasmem, de decretar o seu término, em demonstração da sua consciente inversão de valores, cujo fato não chega a ser nenhuma novidade, diante da sua repentina decisão de se unir, com aliança e tudo, com o funesto e deplorável Centrão, em que, a partir de então, não seria mais surpresa que ele fosse capaz de tudo em negação aos princípios da moralidade e da dignidade que ele tanto apregoava, evidentemente   apenas na campanha eleitoral.

A  verdade é que, qualquer governo que prime pelos princípios da eficiência e da moralidade da sua gestão, certamente que se empenharia em fortalecer as medidas capazes do aperfeiçoamento e da abrangência dos mecanismos de combate a esse câncer da administração pública, mas, ao contrário, o presidente tenta acabar com a competência da Lava-Jato e tem tentado tudo nesse sentido, inclusive o impossível, à vista da sua absurda e estranha declaração de que já acabou com essa operação de excelentes serviços prestados ao Brasil e aos brasileiros.

Em um país sério, a ampliação da abrangência das ações desse órgão é de suma importância, em termos de competência, eficiência e efetividade no combate à corrupção e à impunidade, sobretudo sob a ótica mais precisa sobre a matéria seria no sentido de que, sem ela, a criminalidade de colarinho branco retoma às suas atividades nefastas, com a maior sede de recuperação do tempo perdido, enquanto a Lava-Jato esteve em ação.

Os brasileiros sabem perfeitamente como aqueles criminosos eram tratados pela Justiça, antes da Operação Lava-Jato, quando exatamente nada acontecia com eles, porque a Justiça não agia, não tinha interesse e, ao contrário, a corrupção e a impunidade eram privilegiadas, que aproveitavam a omissão e a incompetência para se agigantarem, contando com esse especial estímulo do Poder Judiciário, que, antes, nunca condenou nenhum deles e ninguém desses delinquentes famosos havia sequer visitado a prisão, quanto mais sido preso.

Somente a partir dessa operação, houve muitas condenações à prisão e determinações à restituição de recursos aos cofres públicos, conforme mostram as decisões judiciais.

Foi somente a implantação da Operação Laja-Jato que muitos criminosos importantes, como poderosos políticos, empresários, lobistas, executivos, construtores e outros assemelhados inescrupulosos e aproveitadores do dinheiro público passaram a frequentar as celas prisionais, que somente eram ocupadas por delinquentes de nenhuma importância.

É lamentável que o presidente da República tenha, em tão pouco tempo, abdicado do seu gosto preferido de exaltação aos temas que agradam a vontade popular, quando eles normalmente sinalizavam para a possível mudança de comportamento do homem público, em sintonia com os anseios do povo.

O que se pode intuir, nesse caso, é que razões de ordem pessoal e familiar devem ter contribuído fortemente para as mudanças radicais do presidente da República, em clara demonstração de que o interesse público foi destronado.

Enfim, essa parece ser a realidade que pode explicar como o mandatário do país consegue mudar as ideias que foram tão importantes para a construção do perfil do político vitorioso, com tendência de consolidação da sua imagem diferenciada da velha política, mas o retrocesso da sua mentalidade, conforme evidenciam os fatos, pode pôr todos os políticos tupiniquins no mesmo patamar de mediocridade, com a perda da sua credibilidade.

Urge que os verdadeiros políticos estudem o comportamento do presidente da República, desde, em especial, da campanha eleitoral dele até o atual momento, como subsídio ideal para a construção do perfil do homem público que possa se identificar realmente com as aspirações da sociedade e jamais mudar de pensamento como as nuvens mudam de lugar, apenas ao sabor do interesse ou de conveniência, diante da maneira decepcionante que isso reflete perante aqueles que teimaram em acreditar na existência de político de verdade.

Brasília, em 25 de outubro de 2020  

sábado, 24 de outubro de 2020

A verdadeira face do socialismo

 

Em crônica da minha lavra, foi mostrada a terrível decadência da Venezuela, cujas estruturas estão se esvaindo em pó, graças à gestão deletéria do regime socialista implantado nesse país, conforme mostram os fatos, tendo como reflexo diretamente nas condições de vida do seu povo, que é submetido às piores agruras do sofrimento por maus-tratos e desumanidade, como a forme e a escassez generalizada de remédios e serviços públicos essenciais.

          Um conterrâneo, sempre atento e preocupado com as questões sociais e políticas, disse, em mensagem, o seguinte: “Caro amigo Adalmir, aí está relatado o que o famigerado socialismo faz com os países que o adotam, a Argentina também está indo para essa vala comum do igualar todos na pobreza. Não consigo entender como ainda existe tanta gente ligada a essa ideologia maldita, acordem antes que nós também entremos nessa espiral de destruição. Um forte abraço grande conterrâneo.”.

Em resposta à preciosa mensagem, eu digo que a ponderação contida nela tem o condão de mostrar não somente a extrema ignorância daqueles que defendem com ardor essa desgraça, devidamente comprovada pelas evidências, do regime socialista, como pela complacência das pessoas mais conscientes sobre a gravidade da prática dele e especialmente dos políticos de oposição, que nada fazem para mostrar e esclarecer à população os reais perigos que podem afetar os interesses dos brasileiros em geral, inclusive daqueles que comungam pelo fortalecimento da esquerda brasileira.

Tudo isso difere do que venho fazendo, que sempre tenho tido coragem e cuidado de mostrar um pouco da tragédia e do infortúnio que significa, na prática, o abominável regime socialista, quando dificilmente alguém se atreve a escrever em defesa dos princípios da dignidade humana e das salutares liberdades individuais insistas nos regimes democráticos, onde o povo pode até viver com dificuldades, mas jamais nas mesmas condições de miserabilidade e precariedade impingidas pelos governos ditatoriais socialistas.

Há de se ver que, nas democracias, o povo pode até não ter as melhores condições de vida, em termos socioeconômicos, que podem decorrer das próprias deficiências de país governado por políticos e homens públicos, na sua maioria, da pior índole, quanto à sua preparação para a gestão pública, graças exatamente à culpa desse povo, que tem a competência legal para a escolha, por meio do voto, de seus representantes nos poderes Executivo e Legislativo, mas nelas há a garantia dos direitos políticos e humanos e principalmente das liberdades individuais e democráticas, que são essenciais e ideais para a felicidade do ser humano.

Ou seja, as forças que trabalham para a extrema maldade da população, representadas pelos partidos da esquerda, estão, diuturnamente e na sua plenitude, colocando seus recursos à disposição deles, justamente na busca de apoio aos seus projetos políticos, cuja real entranha finalística, ou seja, as suas consequências, não são mostradas ao povo como eles realmente funcionam na prática, que tem a Venezuela como modelo perfeito de como poderia ser o Brasil do futuro, sob a égide das filosofias destruidoras, arrasadoras e horrorosas das nações e do seu povo, exatamente como se encontra aquele país, no presente momento, em plena e generalizada decadência social, política, administrativa, econômica, diplomáticas, entre outras condições inerentes às condições de vida do seu povo, convivendo ao meio de estruturas frágeis, poluídas e arrasadas.

Os fatos mostram que povo daquele país se encontra mergulhado nas agruras e no sofrimento do calor do infortúnio, para onde o nefasto regime socialista, adorado pela esquerda brasileira, consegue levar e conduzir todos os países que forem dominados por sua ideologia somente malévola.

A propósito, como as campanhas eleitorais estão em plena atividade, para os cargos de prefeitos e vereadores, convém que se informam aos eleitores os números das siglas das agremiações, com vistas ao seu conhecimento sobre os partidos organizados sob a orientação da esquerda brasileira, ou mais precisamente o socialismo, que tem como ideário básico a solidarização, que é premissa da distribuição igualmente de bens para todos, algo que os esquerdistas tupiniquins ainda não tiveram nem têm a dignidade de fazer com seus próprios bens, posto que eles continuam cada vez mais ricos, mas mesmo assim defendem o socialismo, que é também a linda filosofia da igualdade social, que, em tese, é fantástico para eles, embora, na prática, não passa de infelicidade e desgraça para o povo.

Convém que se esclareça e se informe as siglas dos partidos de esquerda, conforme a seguir: 12 - PDT, 13 - PT, 16  -  PSTU, 18 - REDE, 21 - PCB, 23 - PPS, 29 - PCO, 33 - PMN, 40 - PS, 43 - PV, 45 - PSDB, 50 - PSOL, 54 -PPL e 65 – PcdoB, todas indicativas de partidos em cujos estatutos têm por ideologia fundamental, e isso consta escrito expressamente neles, o socialismo como principal motivação da sua existência, ou seja, são partidos que defendem o socialismo e o comunismo como essência das suas metas políticas e seus ideários de poder.

Ou seja, os partidos cujas siglas são uma daquelas acima têm como instrumento principal a implantação de toda desgraça que vem acontecendo nos países onde o funesto socialismo predomina, a exemplo da Venezuela, que precisa sempre ser indicado como sendo a vergonha de governo que desrespeita os princípios humanitários, em especial aqueles que mais intimamente afetam o ser humano, que são os direitos humanos e as liberdades individuais e democráticas.

Nos países orientados pelo socialismo, predominam, em especial, o menosprezo aos direitos humanos, em termos de liberdade da individualidade e dos sentimentos democráticos de expressão e do direito à proprietário de seus bens, que são direitos inexistentes nas nações comandadas por ditadores que o seguem, cuja índole dele é sempre a mesma de desgraçar o país e o seu povo, conforme mostram invariavelmente os fatos relacionados ao socialismo.

A propósito, causa enorme perplexidade e espanto que brasileiros se mostrem fervorosos e amantes de Nosso Senhor Jesus Cristo e da religião católica, participando ativamente das atividades da igreja e das comunhões eucarísticas, como fiéis seguidores do Evangelho segundo o cristianismo, mas não se envergonham de colocar no peito boton com o indicativo de que são defensores de uma daquelas siglas, todas elas, indistintamente, tendo como propósito único a conquista de votos para os partidos que se unem e erguem a bandeira do socialismo, que tanto maltrata a humanidade, por seus métodos truculentos, cruéis e desumanos.

Não é novidade de que a filosofia fundamental do socialismo em nada contribui para o benefício do povo, em termos de melhoramento e vantagem social, porque o resultado da sua prática é sempre o mesmo da tragédia, da destruição, da violência, do genocídio, da miséria, da fome, da escassez, dos maus-tratos, da decadência, da crueldade, da desumanidade, e, enfim, do sofrimento da população, cujo conjunto maldito contradiz os fundamentos essenciais de bondade e de amor disseminados por Jesus Cristo, o que, em princípio, poder-se-ia entender, ao pé da letra, que jamais o verdadeiro cristão, aquele autêntico, frequentador de igrejas e credor de Deus e dos santos, seria capaz de defender partido com ideologia socialista, porque os governos que o seguem só conseguem demonstrar atos cruéis, maldosos e desumanos, todos contrários aos princípios sagrados do Evangelho de Jesus Cristo.

Ou seja, todos os brasileiros que se dizem cristãos e, ao mesmo tempo, defendem publicamente a filosofia do regime socialista não passam, em princípio, de hereges, segundo o Evangelho da Igreja Católica, que diz e sinaliza que ninguém deve amar ou adorar, conjuntamente, o Deus de bondade, quando acredita nas coisas maravilhosas capazes de contribuir para a construção somente do bem, e a ideologia socialista/comunista, que tem as características do demônio, diante do que normalmente deflui das suas práticas, cujos resultados, constantemente, têm sido só de tragédia e desgraça, mais precisamente com base nos fatos que acontecem nas nações sob a predominância dessa marcante e cinérea filosofia, servindo de exemplo, para tanto, a Venezuela, onde reina o verdadeiro caos socioeconômico, sem qualquer vislumbre ou perspectiva de horizonte promissor para o seu povo.

Os brasileiros precisam se conscientizar, com urgência, sobre a necessidade de se combater e se refutar o temível, terrível, perigoso e preocupante regime socialista, que tem a capacidade do domínio e da imposição ao povo de duríssimas medidas de restrição social, por meio, em especial, da perda das liberdades individuais, dos direitos humanos e especialmente do patrimônio, porque tudo passa para o domínio, o controle e a fiscalização do Estado, que sempre atua, indistintamente, com a mão de ferro, tendo o poder ditatorial de confiscar tudo que pertence aos cidadãos, em pouquíssimo tempo, quando eles deixam se ser donos do seu patrimônio, perdendo até mesmo a sua dignidade, precisamente como aconteceu e ainda acontece na Venezuela.

Esse país vem atravessando situação de extremas dificuldades socioeconômicas, a ponto de causar, entre outros transtornos sociais, grandioso fluxo de emigração das pessoas que não suportam tanto padecimento sob as regras violentos, cruéis e desumanas impostas pelo regime totalitário bolivariano, que é praticado nos mesmos moldes do regimes socialista.

Por fim, lanço apelo aos brasileiros que procurem se informar, com a maior precisão possível, sobre o que realmente significa, em termos práticos e de resultado socioeconômico, a igualdade social disseminada pelo terrível e funesto regime socialista, enquanto anda seja possível se trabalhar em benefício do futuro glorioso da sua descendência, em condições seguras de liberdade individual e de expressão e dos verdadeiros direitos humanos, democráticos e do patrimônio pessoal.

Brasília, em 24 de outubro de 2020  

sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O dom divino da felicidade!

  

O papa reconheceu, em documentário apresentado no Festival de Cinema de Roma, que as pessoas homossexuais devem ser protegidas por leis civis para os casais do mesmo sexo.

O papa disse exatamente que "As pessoas homossexuais têm o direito de estar em uma família, são filhos de Deus, possuem direito a uma família. Não se pode expulsar ninguém de uma família, nem tornar sua vida impossível por isso. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil, eles têm direito a estarem legalmente protegidos. Eu defendi isso".

As declarações do papa, abordando novamente tema bastante polêmico, tem o condão de abalar e dividir a estrutura da Igreja Católica, embora ele já tivesse se referido ao mesmo tema por várias ocasiões, um pouco diferente deste posicionamento mais liberal e evoluído, sem a mesma contundência como o fez agora.

Um vaticanista explicou que o papa já teria dito que "Desde o início do pontificado, o papa fala de respeito aos homossexuais e que é contra sua discriminação. A novidade hoje é que defende como papa uma lei para as uniões civis". 

Desde que foi eleito, em 2013, o papa vem adotando tom de mais tolerância com relação aos homossexuais, a vista da sua famosa frase: "Quem sou eu para julgar?" e do recebimento de casais homossexuais em várias ocasiões, nos aposentos do Vaticano.

Certa feita, o papa fez ligação para um casal homossexual, pais de três filhos pequenos, em resposta à carta que recebeu deles, com relato de que eles sentiam vergonha quando levavam seus filhos à paróquia.

Na ocasião, o papa aconselhou que aqueles pais continuassem a comparecer à igreja, independentemente dos julgamentos das pessoas. 

Em outra situação, um cidadão vítima e ativista contra os abusos sexuais disse que "Quando conheci o papa Francisco, ele me disse que sentia muito pelo ocorrido. Juan, foi Deus quem te fez gay e em todo caso te ama. Deus te ama e o papa também te ama".

As opiniões de vaticanistas e analistas são no sentido de que os comentários do papa são os mais explícitos que ele já fez sobre relacionamentos homossexuais, não deixando mais dúvidas sobre o seu posicionamento com relação ao tema.

Segundo o biólogo do papa, "Esta era sua posição como arcebispo de Buenos Aires. Ele se opunha ao casamento homossexual, mas ele acreditava que a Igreja deveria defender uma lei de união civil para casais homossexuais, dando-lhes proteção legal.".

Ressalte-se, a propósito, que a vigente doutrina católica, no que tange às relações homossexuais, se posiciona no sentido de considerar "comportamento desviante", o que vale dizer que o papa confronta a doutrina da própria Igreja Católica, presidida por ele.

Tempos distantes, em 2003, o corpo doutrinário do Vaticano, representado pela Congregação para a Doutrina da Fé, afirmou, com a aprovação do papa de então, que "o respeito pelas pessoas homossexuais não pode levar de forma alguma à aprovação do comportamento homossexual ou ao reconhecimento legal das uniões homossexuais".

Em 2013, no livro Sobre o Céu e a Terra, o papa disse que equiparar legalmente casamentos homossexuais a heterossexuais seria "uma regressão antropológica".

O papa também declarou que, se casais do mesmo sexo pudessem adotar, "as crianças poderiam ser afetadas... cada pessoa precisa de um pai homem e uma mãe mulher que possam ajudá-los a moldar sua identidade".

Ainda em 2013, o papa reafirmou a posição da Igreja Católica de que atos homossexuais eram pecados, mas que a homossexualidade por si só não, tendo concluído que "Se uma pessoa é gay, busca a Deus e tem boa vontade, quem sou eu para julgar?".

Em 2018, o papa afirmou que estava "preocupado" com a homossexualidade no clero, e que este era "um assunto sério".

É importante se ressaltar a evidência de a Igreja Católica não ter interesse algum em mudança doutrinária significativa com relação à união homossexual, por se tratar de assunto de muita seriedade para os costumes dessa instituição, que normalmente tem o cuidado de tratar dos estudos pertinentes de maneira mais formal, mediante debates internos e reservados, só dando conhecimento ao mundo quando houver alguma forma de resolução.

Esse fato ajuda a se intuir que agora passam a existir dois posicionamentos, o formal da igreja e o informal, que é parece ser mais pessoal do papa, que ele não pode falar, nesse caso em nome dela, ante a existência de doutrina firmada, que, a princípio, precisa ser revista para se amoldar à posição dele.

Não existe sinal algum de que o corpo doutrinário do Vaticano esteja com interesse em mudança da orientação vigente, ante a prevalência do pensamento dos cardeais conservadores, que preferem manter o status quo de tudo que diz respeito às doutrinas da Igreja Católica, embora pelo gosto do papa, com tendência mais avançada, muitas doutrinas da igreja seriam aperfeiçoadas e modernizadas, para se amoldarem às conquistas da humanidade.

Tem-se que as declarações do papa podem até representar alguma forma de avanço nesse específico campo social, mas apenas para marcar posição pessoal, ficando assente que se trata de evidente abertura de confronto dele com a doutrina da instituição que estranhamente ele preside e jamais faria sentido que fizesse declaração em contrariedade à doutrina da igreja, porque isso representa clara divergência, que há de criar fortes discussões dentro da igreja,  e não pode ser visto com normalidade, mas sim com muita preocupação, sob a ótica da unicidade de pensamentos interna corporis, que precisa ser rigorosamente respeitada igualmente por todos.

Nas circunstâncias e no interesse doutrinário da instituição, parece que teria sido de melhor alvitre que o papa tivesse procurado previamente debater o assunto tão polêmico pelos mecanismos apropriados da igreja, junto ao corpo doutrinário do Vaticano, na tentativa de se buscar a melhor via para a definição sobre o assunto da própria Igreja Católica, diante da delicadeza clara de que ela tem a sua própria doutrina firmada, mas o comandante da instituição fez vistas grossas para ela, o que pode não ter sido o melhor caminho escolhido por ele, à vista dos interesses contrariados.

A princípio, o precedente do papa, sob o aspecto doutrinário da Igreja Católica, não pode ser considerada como medida salutar, diante do pensamento prevalente na instituição sobre o tema e da evidência de que se o papa, que é a maior autoridade da igreja, pode contrariar a teoria aprovada por ela, que é diametralmente diferente do pensamento manifestado pela autoridade máxima, então qualquer religioso pode desrespeitar normalmente as doutrinas ou os dogmas estabelecidos pela instituição criada por Jesus Cristo.

Sob essa ótica, o papa contribui, sem a menor necessidade e de maneira precipitada, para lançar dúvidas acerca de tema que se intensifica a polêmica sobre ele, diante da existência de conteúdo oposto ao defendido por ele, precisamente nos termos seguintes, constantes do Catecismo da Igreja Católica: “Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta (aos homossexuais) como depravações graves, a Tradição sempre declarou que ‘os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados’. São contrários à lei natural, fecham o ato sexual ao dom da vida, não procedem duma verdadeira complementaridade afetiva sexual, não podem, em caso algum, ser aprovados”.

Agora, no mérito, penso que o papa teria sim, como opinião pessoal dele, independentemente da doutrina existente na instituição que preside, direito aos devidos e merecidos aplausos, por defender o legítimo direito de as pessoas, não importando suas convicções comportamentais e sociais, puderem conviver em união familiar, da maneira que melhor lhes aprouver, porque esta é a forma ideal e capaz de se propiciar a plena satisfação da tão sonhada felicidade como sentimento importante e essencial à vida do ser humano, em harmonia com a sua qualidade também de filhos de Deus.

           Brasília, em 23 de outubro de 2020

A mudança para pior!

 

Em crônica, eu disse que os atos do presidente da República precisam se ajustar à normalidade jurídica, além de satisfazerem ao interesse público, à vista das barbaridades praticadas por ele quando do anúncio da escolha de ministros para o Supremo Tribunal Federal.

Em síntese, uma educada e ilustrada senhora, a par de elogiar o excelente trabalho feito pelo presidente do país, alegou que ele deve tomar as decisões que achar necessárias ao país, tendo reconhecido também que todos erram e seus atos não satisfazem a todos.

Diante dessas afirmações e à vista da importância do comentário dela, em sintonia com o que tenho escrito, eu disse que, com a permissão dessa senhora, a resposta à aludida mensagem viria por meio de crônica.   

A resposta dela foi a mais agradável possível, nestes termos: “amo ler suas crônicas, com certeza pode responder será um prazer. Obg amigo um abraço.”.

Em agradecimento, eu disse que tinha ficado alegre pela predileção ao meu trabalho literário, que o faço na convicção de que o pouco do que escrevo pode mostrar algo esclarecedor ou mesmo capaz de suscitar questionamentos, como no caso das ricas ponderações dela, que me ajudaram a elaborar a nova crônica, que me deixou muito orgulhoso ante o seu teor bastante interessante, a meu sentir, que encerra muito do que seja o princípio basilar para a orientação a quem pretende realmente ser político de verdade, com o pensamento voltado exclusivamente para a satisfação do interesse público, na sua plenitude, algo que se distancia em muito do pensamento dos atuais políticos brasileiros.

Eu falo assim com base em casos concretos e que são do conhecimento dos brasileiros e merecem o repúdio daqueles que primam pela honorabilidade nas atividades políticas.

Quero citar, a propósito, mais especificamente o caso do nosso presidente da República, que fez fantástica campanha eleitoral, tendo como objetivo primordial a promessa de mudança de comportamento e atitude, com foco principal na moralização da administração pública e isso, evidentemente, ganhou a simpatia e a adesão de muitos eleitores à sua candidatura, que foi vitoriosa, tanto por esse importante compromisso como por outros igualmente interessantes e necessários à citada moralização.

Vejam-se que me refiro às promessas reiteradamente confessadas em público, sem se acrescentar nenhuma condição ou restrição sob possíveis adversidades.

Pois bem, o presidente também deixou bastante claro que odiava a velha política, por entender que ela teria causado terrível mal quando se associou aos governos anteriores e até, por causa disso, muitos de seus integrantes tenham se envolvidos com as investigações levadas a efeito pela Operação Lava-Jato, objeto de muitas ações que tramitam na Justiça.

Apesar das fortes declarações de repúdio às velhas políticas, o ilustre capitão da reserva do Exército abriu, de forma solene, as portas do Palácio do Planalto, arreganhando-as para o Centrão, grupo político prócer da velha política odiada por ele, o que demonstra a extrema negação à palavra ditas na campanha e, enfim, da honra aos seus compromissos, que foram quebrados e jogados na lata do lixo, em razão exclusivamente da necessidade da satisfação à conveniência de interesse pessoal, à vista da iminência de ele vir a responder processo de impeachment e uma das formas possíveis de contorná-lo seria essa coalizão sebosa, vergonhosa e até humilhante com o desacreditado Centrão, que se compromete a apoiá-lo no Congresso Nacional, votando em favor do governo em troca de cargos e emendas parlamentares, fato este que caracteriza forma vergonhosa de corrupção, diante da acomodação em negociatas com recursos públicos.

Essa incrível e inacreditável união era a confirmação do mais deplorável sistema do toma lá dá cá no governo que se dizia de mudanças e afirmava desprezo por essa prática deprimente, que era bastante recriminada pelo chefe do Executivo, mas, com a cara mais brilhosa de óleo de peroba, compactua fervorosamente com o Centrão e ainda tem a indignidade de dizer que o governo foi levado ou obrigado a se prostituir por força de atos agressivos dos poderes Legislativo e Judiciário.

Na verdade, o que está em jogo é a situação pessoal dele, com o possível processo de impeachment, que não tem nada envolvendo o governo, o que vale dizer que se ele não tivesse brigado insistentemente com os outros poderes, como o fez de maneira irresponsável e inconsequente, não haveria nenhuma necessidade dessa famigerada e nojenta união com o Centrão, que somente age por nefasto interesse do grupo político, cuja questionável índole já se tornou evidente no seio da sociedade.

Enfim, o brilho do trabalho do presidente da República tem suma importância para o país e o povo, mas é preciso que ele se conscientize de que atitude como a da coalizão com o Centrão robustece a desconfiança de que o governo é cediço a atos nada republicanos, em detrimento da seriedade e da credibilidade que foram conquistadas na campanha eleitoral, quando, depois disso, houve facilmente a quebra da promessa de mudanças por motivo estranho ao interesse público, fato que desmerece em muito a honra do mandatário do país.

Brasília, em 23 de outubro de 2020  

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

O compromisso de posse é a cartilha

 

Escrevi, em crônica, que os atos do presidente da República precisam se ajustar à normalidade jurídica, em crítica específica sobre a escolha discricionária feita por ele de ministros para o Supremo Tribunal Federal, que, via de regra, vem sendo feita exclusivamente para satisfazer interesse diversos, em especial para o atendimento de conveniência palaciana, como aconteceu na última, e mais escandalosamente na próxima, quando ele já disse que será pessoa “terrivelmente evangélica”, atitude esta que se distancia em muito dos princípios republicanos, por não se permitir ato arbitrário dessa similitude, em anuncio antecipado e público.

Não obstante, discordando da minha opinião, uma distinta e respeitável conterrânea houve por bem dizer que “O Presidente faz um trabalho excelente. Que tome as decisões que achar necessário. Governo responsável resgatando o Brasil. Todos nós temos nossos defeitos e qualidades, só que tem uns erram mais, mas nem Jesus agradou a todo mundo! imagine nós seres humanos pecadores. Deus abençoe.”.

Em resposta à importante manifestação, eu peço vênia para dizer que são realmente louváveis e dignos de aplausos os acertos do presidente brasileiro e sobre isso ele precisa ter o reconhecimento dos brasileiros, embora ele tenha sido eleito precisamente para praticar atos bons e corretos, tendo como figurino a legislação de regência.

Agora, é preciso ficar cristalino que os acertos presidenciais não têm o condão de abonar possíveis erros ou desvio da conduta básica das suas funções, que clamam por reclamação da sociedade honrada, que já está saturada de abusos de governantes irresponsáveis que menosprezam a liturgia do cargo, sob o pressuposto de que ele se corrija e procure somente seguir a linearidade da correção, exatamente como deve proceder os governantes responsáveis e cônscios do seu compromisso perante a nação.

Em termos administrativos, à vista do compartimento da legalidade, da moralidade e ainda da regularidade dos atos pertinentes, não há cabimento para a compreensão de que uns erram mais e outros erram menos, porque é preciso que, na prática, jamais possa haver erro de forma alguma, diante da previsão de atenuante legal para o perdão dos erros, que são materializados e, conforme o caso, devidamente censurado e recriminado pela sociedade e não se diga que isso seja injusto, pelo tanto de acerto, porque, repita-se, ao agente público, de todas as graduações, somente compete a prática de atos revestidos de regularidade.

Na verdade, este país nunca será corrigido e bem administrado enquanto pessoas continuarem cultuando o pensamento segundo o qual alguém rouba, mas pelo menos ele faz, como se ouvia isso de governos recentes, por parte de seus defensores, que se conformam com os malfeitos na gestão pública.

Ou seja,  trata-se de ótica inadmissível de que o governo tem muito acerto nos seus atos e, por esse motivo, ele tem todo direito de cometer um errinho aqui e outro acolá, quando o povo, que também é o contribuinte, precisa se conscientizar de que na gestão pública só existe o caminho da regularidade.  

Aquela maneira equivocada de pensar pode até ser aceitável para alguns brasileiros tristemente acomodados, mas acredito que o correto mesmo é nunca se permitir o erro, de qualquer maneira ou por mínimo que seja, quanto mais quando se ele se torna gravíssimo, como no caso objeto da minha crônica, por envolver a satisfação do interesse público, salvo em situação de extrema excepcionalidade e ainda mediante as devidas e plausíveis justificativas, porque o estadista somente tem o direito de fazer estritamente aquilo que esteja escrito no regramento jurídico, i.e., seus atos precisam estar em harmonia com o seu sagrada juramento sagrado de posse, feito no Congresso Nacional e perante a nação, que diz precisamente o seguinte conteúdo, mais ou menos, isso: "Prometo cumprir a Constituição Federal e as leis do país".

Concretamente, essas normas não contêm exceção para possível desvio de conduta presidencial nem para a prática de atos passiveis de questionamentos, sob pena de ele ser censurável por qualquer cidadão que pensa do mesmo modo do que eu, data vênia, no sentido de que o presidente da República e todos os representantes do povo, eleitos em sufrágio universal, têm a obrigação de somente praticar atos em consonância com o que esteja previsto na Carta Magna e nas normas infraconstitucionais, sob pena de censura e críticas da sociedade.

Frise-se, a propósito, que regras similares são rigorosamente observadas nos países sérios, civilizados e evoluídos, em termos políticos e democráticos, como forma do aperfeiçoamento e da consolidação dos princípios fundamentais que os regem, exatamente diante da importância da correção dos atos da administração pública.

Além do mais, se não houvesse necessidade do cumprimento integral do compromisso presidencial, contido no seu juramento de posse, seria preferível que ele sequer existisse, na sabença e na certeza de que ele jamais seria observado, no pé da letra, conquanto é preciso formar a consciência cívica dos brasileiros de que, em termos político-administrativos, o presidente da República deve servir de modelo de homem público por excelência e, para tanto, exige-se dele somente atos de correção, em estrita sintonia com o ordenamento jurídico do país.

Impende se sublinhar que o fechamento dos olhos para os possíveis desvios de atos presidenciais constitui forma condenável de cumplicidade da sociedade, pela condescendência de se aceitá-los pelo fato de haver abundância de acertos, quando se trata de assuntos distintos e sem nenhuma influência um sobre o outro.

À toda evidência, também não é aceitável que o presidente do país possa ter o direito de puder desagradar, em razão de pessoa mais poderosa do que ele não ter conseguido agradar a todos, porque a função primordial dele não é de agradar - mesmo porque ele nunca vai agradar à oposição -, mas sim de se comportar à frente da nação como verdadeiro estadista, agindo rigorosamente no cumprimento da cartilha que ele leu no ato de posse, de não se desviar do regramento jurídico pátrio, notada e especificamente no que se referem aos princípios constitucionais da moralidade e da impessoalidade.    

É preciso que os brasileiros se conscientizem de que nunca haverá moralização do Brasil enquanto o povo entender que o seu representante tem direito de sair do nivelamento e da normalidade da sua obrigação de principal zelador dos princípios basilares da República, em termos de fidelidade, competência, eficiência e economicidade, entre outros princípios capitais que possam contribuir para o aperfeiçoamento da administração pública.

Brasília, em 22 de outubro de 2020  

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Terrivelmente deplorável?

 

Tramita no Senado Federal proposta de emenda à Constituição - PEC, versando basicamente sobre a limitação de dez anos para o mandato dos futuros ministros do Supremo Tribunal Federal, que forem indicados pelo próximo presidente da República.

A aludida PEC também sinaliza para a restrição do poder de escolha do presidente do país para as vagas, que passará a ser feita com base em lista tríplice, entre juristas de renome e competência comprovados, de modo que possa ser evidenciado o devido mérito para o exercício de cargo da maior relevância da República.

O autor da presente PEC apresentou a seguinte justificativa: "A vitaliciedade do cargo traz vários riscos à estabilidade institucional. Por essa regra, alguns ministros ocupam a vaga por poucos anos, outros poderão exercer o cargo por décadas".

Embora o presidente do país ainda possa indicar outro ministro para o Supremo, essa escolha ainda estaria dentro das regras atuais, ficando mantida a vitaliciedade no cargo até o titular completar 75 anos, a qual somente seria mudada a partir do próximo presidente do país.

No sistema atual, a escolha do ministro é feita privativamente pelo chefe do Executivo, conforme a práxis, com base tão somente nos critérios de amizade, apadrinhamento, camaradagem, troca de favores e outros que se harmonizem com a conveniência e o interesse do mandatário, ou seja, desde que atenda ao interesse dele, como visto na última indicação.

Foi verificado que a última indicação não fugiu à indecente e à condenável regra, visto que até o filho do presidente, que é senador e tem processo em  tramitação na Corte, participou dela, deixando a evidência de extrema falta de seriedade nessa seleção, em que não será novidade alguma se o novo ministro precisar pagar pelo relevante pedágio, caso em que fica no mesmo, porque tudo passa a ser considerado natural, diante das circunstâncias e do que vem sendo praticado naquele tribunal, diante de decisões que se harmonizam apenas com a ideologia de seus relatores.

A regra que se cogita é de suma importância para se tentar assegurar a segurança jurídica, no sentido de também não se subtrair competência do atual presidente, durante o seu mandato, eis que essa é norma jurídica que precisa ser mantida e respeitada.

Por seu turno, o presidente do país já antecipou seu critério para a escolha do próximo ministro do Supremo, tendo garantido que será brasileiro "terrivelmente evangélico", ou seja, deverá ser indicação absolutamente absurda e sem sentido, à vista, em especial, da existência do princípio republicano da impessoalidade, que tem como pressuposto fundamental a seriedade na administração pública.

A referida regra será inobservada quando o presidente do país já disse que vai indicar integrante de entidade evangélica, demonstrando total parcialidade e beneficiamento indevidos, ilegais e imorais, diante da evidenciação do claro desvio do regramento institucional de que a indicação seja de nome reconhecidamente com capacidade jurídica.   

Não à toa que a garantia de um integrante evangélico no Supremo se torna ainda mais vexaminosa e inescrupulosa diante do sufoco que o presidente teve que enfrentar perante os evangélicos, por meio de violentas pressões, em razão da impossibilidade do atendimento deles nesta última indicação, quando ela foi feita com o beneplácito do famigerado Centrão, que se coalizou com Palácio do Planalto e, pasmem, o presidente da República passou a ser refém desse grupo político, que tem o descrédito da sociedade.

Diante dos fatos inescrupulosos e lamentáveis, fica a impressão de que vai ser muito difícil de o Supremo passar a ter o corpo de ministros confiável, de absoluta credibilidade, enquanto o presidente da República ficar com a liberdade de indicar quem ele bem entender, mesmo que seja pessoa qualificada, porque algum resquício de ruim permanece para o resto da vida, à vista do questionável critério de indicação.

Vejam-se que o evangélico vai ser indicado tão somente para satisfazer a ala a que ele pertence e esse triste fato tem o nome seboso, nojento e pegajoso de jeitinho brasileiro, que foge às salutares regras da seriedade e da moralidade, que precisam imperar como forma de respeito à liturgia da dignidade do ocupante do principal cargo da República e tanto quanto do próprio indicado, que vai carregar para o resto da vida o sinete de que ele somente foi para o Supremo porque é “terrivelmente evangélico” e isso é terrivelmente depreciativo, à luz dos princípios da seriedade e da dignidade profissionais.

O rigor com a seriedade e a moralidade nos atos administrativos é princípio fundamental nas Repúblicas evoluídas e cônscias da sua responsabilidade, que primam pelo respeito ao regramento jurídico pátrio, mas quando o principal agente público vacila em ser cediço ao apelo de entidade religiosa, como faz publicamente o presidente do país, toda seriedade se dilui em pó.

Nada se convence em contrário, mesmo que se “decrete” a inexistência de corrupção no governo, porque não pode haver coisa pior do que a inclinação à satisfação de interesses contrariados, como no caso específico levantado pelos evangélicos, que até eles podem se manifestar normalmente por pressão ao mandatário da nação, no âmbito dos direitos da reivindicação democrática, mas o atendimento ao pleito certamente não atende, à toda evidência, ao interesse público, que é princípio fundamental na República.

Essa forma frágil de gestão pública, de atendimento aos apelos e às pressões de entidades de classe, tem o caráter de extrema fidelidade à falta de seriedade e de zelo para com a coisa pública, diante da intenção de beneficiamento a grupos, em detrimento do interesse público, fato este que tem o visível condão de resgatar as deploráveis práticas da velha política, antes duramente condenadas e recriminadas pelo ocupante do trono presidencial.

É evidente que a falta de seriedade e o explícito descompromisso com a coisa pública, na forma infantilmente declarada pelo chefe do Executivo, quanto à escolha do evangélico, precisam ser repudiados pelos brasileiros honrados, que primam pela dignidade nos atos da República, eis que fica difícil se exigir integridade de caráter e isentos dos membros do Supremo Tribunal Federal, quando as suas indicações são feitas, muitas vezes, sem critério e sem o devido mérito para o exercício do relevante cargo, ou quando a sua indicação é apenas pro forma, para satisfazer exigência de entidade religiosa ou assemelhada, em completa sintonia com os inadmissíveis princípios da esculhambação e da falta de seriedade com a res publica.  

Brasília, em 21 de outubro de 2020  

terça-feira, 20 de outubro de 2020

O caos da sociedade!

 

Diante da crônica intitulada “O sucateamento humanitário”, que versa sobre a decadência socioeconômica da Venezuela, várias pessoas se manifestaram em apoio ao seu texto, se solidarizando em forma de repúdio contra quem se coloca a favor de tamanha vergonha humanitária, à vista da incrível defesa de ideologia visivelmente contrária aos princípios da dignidade e da valorização do ser humano.

Entre as mensagens, ganha destaque a que foi sabiamente redigida pelo ilustre escritor e professor Xavier Fernandes, que proferiu as precisas palavras, in verbis: “Parabéns ilustre conterrâneo! O seu comentário é perfeito. É uma alerta muito oportuno mostrando os perigos que nos rodeiam. Um monstro que nos assusta. "O SOCIALISMO COMUNISTA ESQUERDISTA" já Testado em muitos países, e que o resultado tem sido o caos social, o abismo irreversível, a fome, a miséria e a morte. O mêdo que causa a escravidão. Enfim a destruição de uma nação. Sua crónica é uma obra que convoca a sociedade organizada para juntar forças e não se dobrar ao regime que escraviza, que humilha e leva todos à vala do suicídio involuntário. Pobre Venezuela! A Argentina corre à passos largos para degola também, até o Chile está ameaçado pelo radicalismo da esquerda maldita que tenta invadir as Nações livres e soberanas para tesnsforma-las em ruínas. Que Deus ilumine o povo brasileiro e Nos defenda de Mal destruidor. Caríssimo Adalmir, nada pode acrescentar a sua magnífica e esclarecedora crônica. Você sempre muito Especial em dá aulas de muita sabedoria e profundos conhecimentos. Um Forte abraço! Grande Escritor, Mestre que nos orgulha e envaidece!”.

Em resposta à tão valiosa mensagem, com o brilho da inteligência do ilustrado querido mestre Xavier Fernandes, eu digo que é com muita alegria que recebo essa injeção de apoio e estímulo ao meu trabalho literário, que não poderia receber solidariedade melhor do que essa disposta no seu lúcido e objetivo texto, que placita, com vastos e valiosos conhecimentos, as minhas explanações com divagações sobre a preocupante liturgia do socialismo, que usa o poder do demônio travestido sob a pele do cordeirinho, todo carregado de bondade e promessas de salvação do mundo, em especial com a divulgação da beleza da igualdade social.

Na verdade, essa “milagrosa” igualdade tem o gosto extremamente amargo do pior dos mundos, conforme a afirmação do mestre Xavier Fernandes, no sentido de "que o resultado tem sido o caos social, o abismo irreversível, a fome, a miséria e a morte.".

A sua perfeita definição não poderia ser mais adequada para mostrar o que realmente significa a peste do socialismo em execução em alguns poucos países, cujo povo foi iludido por falsas ofertas de felicidade eterna, mas o que existe mesmo é a completa tragédia, que se apresenta de todas maneiras de infortúnios para o povo, enquanto as lideranças socialistas nadam em rios de bonanças, inebriadas pela fartura de riquezas, falcatruas, irregularidades, corrupção e tudo o mais da pior espécie que o poder oferece à corja de ditadores cruéis, insensatos, monstruosos e desumanos.

Essa terrível tragédia é facilmente confirmada junto aos países de governo sob a égide dessa desgraça, imoralidade e desumanidade ideológica, que, depois de implantada, não há mais possibilidade da sua reversão nem intervenção externa, diante dos princípios de direitos internacionais de que as nações são autônomas e independentes, podendo inclusive transformar seus governos sob a forma de quaisquer regimes, até mesmo para o malsinável, decadente e horroroso socialista, à vista de todos os exemplos, sem nenhuma exceção à regra, onde prevalecem soberanamente o totalitarismo e a intolerância como nefastos princípios impostos à população, que passa imediatamente à privacidade dos direitos humanos e das liberdades individuais.

Nada, mas absolutamente nada mesmo escapa ao domínio, ao controle e à fiscalização do Estado, que passa a ser governado ditatorialmente com a mão de ferro, inclusive com o fim em definitivo da propriedade particular, posto que os bens, valores e patrimônio privados são confiscados, imediatamente ou em pouco tempo, sob pesados impostos confiscatórios, passando-os sob a administração do governo, cuja consequência não será diferente do que acaba de acontecer com a empresa venezuelana de petróleo, que foi ligeirinho à pique, falindo e criando enorme complicação para o país e a população, que dependiam dos recursos provenientes das suas exportações.

Enfim, indaga-se o que realmente existe na cabeça da esquerda brasileira, que, mesmo diante dessa dura e cruel realidade que representa, sem desfaçatez, o regime socialista, por o professar e defender, quando ele, por natureza, só consegue contribuir, em essência, para a incivilidade e a infelicidade dos povos, à vista de todos os casos onde ele existe, que mostra, com absoluta clareza, seus princípios ideológicos diametralmente contrários ao desenvolvimento da humanidade, que tem como anseio primacial e por excelência, viver com amplas e gerais liberdades, em todos os sentidos que levem à dignificação e à valorização do ser humano e isso é completamente impossível sob a égide do socialismo?

Enfim, compreende-se que o regime socialista, com base nos exemplos colocados em execução, porque isso é mais do suficiente para provar a realidade, nada mais é do que a fórmula de desintegração da sociedade, à vista da forte emigração que ocorre na Venezuela e nos demais países socialistas, além do que o seu ideário de igualdade social sempre resulta em fim desastroso e trágico, diante dos fatos lastimáveis que estão ocorrendo naquele país, por prevalecer horroroso quadro de descalabros e desesperanças, conquanto não há, diante das ruínas sociais, uma, apenas uma, por minúscula que seja, noticia benfazeja, maravilhosa para o povo, que cada vez mais mergulha na escuridão dos dias sombrios e cinzentos, sem o mínimo de esperança sob os auspícios desse terrível e funesto regime socialista, frise-se amado pela esquerda brasileira.

Por fim, me associo ao mestre Xavier Fernandes, no seu veemente apelo no sentido de “Que Deus ilumine o povo brasileiro e Nos defenda de Mal destruidor.”, pedindo vênia para acrescentar o convite às pessoas de boa vontade que sejam bastante conscienciosas na análise dos princípios disseminados pelo regime socialista, defendido com ardor pela esquerda brasileira, com a possibilidade de se cientificar de que é exatamente com esse propósito da pregação da “maravilhosa” igualdade social que se pretende atingir o infortúnio e a infelicidade do povo, diante da certeza de que a sua prática somente são atingidos os mesmos objetivos de maldade e desumanidade, conforme mostram os fatos, de forma indiscutível e robusta.  

O mundo atual, que goza de maravilhosa evolução, em todos seus quadrantes, em especial no que se refere ao usufruto das avançadas ciência e tecnologia, por certo, exige que as mentes das pessoas também acompanhem o fantástico processo de transformação e modernidade dos costumes, notadamente quanto à necessidade da criação de ideias revolucionárias que possam contribuir para o benefício da humanidade, de modo a propiciar apenas mecanismos para a satisfação e o prazer de viver com sublimes dignidade, sossego e vitaliciedade, com embargo de tudo que não presta, não sirva para o bem ou não tenha aproveitamento, a exemplo do descartável regime socialista, que só produz desgraça e destruição para a população, com ressalva para as suas lideranças que são constituídas por gente da pior índole de maldade, crueldade e desumanidade.

Brasília, em 20 de outubro de 2020