sexta-feira, 22 de março de 2013

Custo alto da insensibilidade

Em consequência de tragédias naturais, com a corroboração das notórias insensibilidades e irresponsabilidades dos homens públicos, o Brasil assiste desesperado e desolado o anúncio das lamentáveis perdas de vidas humanas, que já ultrapassam de trinta brasileiros atingidos pelos estragos das chuvas em Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e sucumbidos pela fúria do imponderável. O desastre que assola essa região também conseguiu desalojar e desabrigar de suas residências centenas de famílias, que são acomodadas emergencialmente em condições precárias; ferir gravemente várias pessoas de todas as idades; e causar enormes prejuízos aos patrimônios das pessoas e do Estado. O quadro é preocupante, pelo transtorno e pela desorganização causados às pessoas, que são impotentes para solucionar problema de extrema complexidade, decorrente de causas advindas da mãe natureza, tão castigada pelo homem e pelo descaso das autoridades públicas. Não é novidade para ninguém que a região afetada apresenta riscos de desastres, com dimensões catastróficas, mas as medidas preventivas, principalmente com a retirada compulsória ou não das pessoas das localidades perigosas não foram adotadas, deixando que a vulnerabilidade decidisse pela vida de pessoas indefesas, sem que ninguém tivesse a iniciativa de evitar mais essa tragédia. As autoridades se apressaram em se eximir de culpa, preferindo adotar a simplista prática de imputá-la às pessoas, como se estas tivessem poder sobre a incompetência daquelas, que são cômodas em tachar a teimosia das pessoas como fator impeditivo das medidas saneadoras da sua alçada. O governo federal saiu em sua defesa, ao alegar que a sua parte foi cumprida integralmente, com a liberação dos recursos destinados à execução de obras preventivas. Nesse caso, se a verba foi realmente repassada e não aplicada, compete, por via de consequência, a apuração de responsabilidades, com vistas à identificação das pessoas envolvidas, ao ressarcimento dos valores embolsados e não aplicados ao erário e principalmente à criminalização sobre as perdas das preciosíssimas vidas de pessoas. Entretanto, mais uma vez, houve-se das autoridades apenas lamentos vazios e sem manifestação sobre as medidas duras e efetivas que a tragédia exige. Compete ao Ministério Público Federal adotar as medidas da sua alçada, no sentido de apurar os fatos e apontar responsabilidades, objetivando a punição dos culpados, como forma pedagógica e preventiva para se evitar casos futuros semelhantes. Até quando vai perdurar essa patente falta de autoridade e de competência dos governantes, que não conseguem justificar a sua culpa pelas lamentáveis e irreparáveis perdas de preciosas vidas, quando a prevenção teria evitado enorme sofrimento, com menor custo? O mais grave dessa evidente falta de capacidade preventiva é que, como as tragédias ocorrem há bastante tempo, de forma recorrente, com o mesmo resultado de martírio para pessoas e impunidade para os culpados, desta vez, por certo, nada diferente acontecerá, porque ninguém será punido e os desastres vão continuar normalmente. Num país com o mínimo de seriedade, descaso com a população castigada implica a responsabilização dos envolvidos, desde as autoridades da Presidência da República até as das prefeituras, inclusive com a decretação da perda de seus cargos. À toda evidência, as tragédias naturais são inevitáveis, mas é imperdoável a tolerância com o descaso, a incompetência e a omissão, porquanto a retirada das pessoas das áreas de risco é absolutamente possível, desde que haja vontade política para fazê-la. A sociedade tem que se conscientizar com urgência de que a incompetência dos governantes tem limite e a preservação das vidas das pessoas exige investimentos e cuidados especiais sobre quaisquer projetos políticos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 21 de março de 2013

quinta-feira, 21 de março de 2013

Por que não a transparência?

Segundo reportagem divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo, o Tribunal de Contas da União – TCU concede aos seus ministros, pasmem, como forma de brinde, viagens custeadas com dinheiro dos otários dos contribuintes, mas, por força de decisão plenária, o órgão tem evitado fornecer, sob o argumento de “risco à segurança” dos integrantes da corte, detalhadas e maiores informações sobre a destinação e principalmente o fundamento legal para tal regalia, que teria o condão de justificar o bom e regular emprego dos recursos públicos, fato, que contraria o princípio segundo o qual o homem público tem o dever constitucional de prestar contas à sociedade sobre seus atos. Ao referido jornal foi informado que, por meio de resolução, de 2009, foi assegurado aos ministros e auditores, bem assim aos procuradores e subprocuradores do Ministério Público que atua junto à corte o direito aos bilhetes de viagens semelhantes aos concedidos pelo Superior Tribunal de Justiça aos magistrados. Essa norma garantia, em 2009, aos integrantes do plenário o direito a gastar R$ 43,2 mil em voos com essa finalidade. No momento, o valor atualizado pelo IPCA, chega a R$ 53 mil. No caso das demais autoridades, o valor pode variar entre R$ 26,9 mil ou R$ 17,9 mil. O TCU, ao negar informação sobre a concessão de privilégio indevido a seus membros nega os termos da Lei de Acesso à Informação, que obriga a administração pública a divulgar informações aos interessados sobre dados oficiais, inclusive a execução de suas despesas. Vê-se que a justificativa alegada de risco à segurança dos ministros é exageradamente constrangedora e acintosa ao contribuinte, que é obrigado a pagar por mais esse descabido e indecente privilégio, tendo em conta que não há a mais remota possiblidade de a integridade física de Suas Excelências sequer ser ameaçada com divulgação de informações sobre viagens realizadas no passado distante. Essa justificativa, por si só, evidencia o tamanho da transgressão legal e moral de quem tem a sublime obrigação de zelar pela regular aplicação dos recursos públicos. O TCU não somente agride a sociedade com seu ato indigno e desrespeitoso à moral, como evidencia a fragilidade quanto ao efetivo poder para fiscalizar os recursos públicos, à vista de ser o órgão por excelência responsável pela chancela dos gastos governamentais, que tem a competência, na última instância, de fiscalizar e se manifestar sobre a regularidade das despesas públicas. Diante disso, a concessão da indevida benesse compromete a atuação do TCU e põe sobre suspeita a regularidade dos seus dispêndios. Ao deixar de prestar as informações sobre a questionada despesa, o TCU admite a sua ilegalidade e imoralidade, porquanto, por força da Lei de Acesso à Informação, os órgãos por ele fiscalizados disponibilizam, espontaneamente, na internet informações semelhantes, em se tratando de despesas referentes a viagens de servidores. A propósito, na administração pública, a lei ampara o sigilo das despesas somente nos casos que envolvam a segurança do Estado, não sendo admissível que despesas comuns sejam revestidas de sigilo, salvo se elas não estejam amparadas legalmente, a exemplo desse vergonhoso brinde viagem, que foi concedido de forma absurda e espúria. A sociedade tem obrigação de exigir que esse indecente benefício seja imediatamente extinto e os servidores contemplados sejam compelidos a ressarcir aos cofres públicos os valores pertinentes, como forma de demonstrar respeito aos princípios constitucionais da legalidade e da moralidade na aplicação dos recursos públicos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 20 de março de 2013

quarta-feira, 20 de março de 2013

Farra na terra dos Césares

Menosprezando qualquer critério de rigor quanto à parcimônia com a aplicação de recursos públicos e muito menos levando em conta a realidade de carência do povo brasileiro, a presidente da República, na sua viagem de três dias a Roma, para a missa inaugural do novo papa, não se fez de rogada e resolveu alugar, para a hospedagem sua e da sua descomunal e injustificável comitiva, pelo seu exagerado tamanho, nada mais nada menos do que 52 quartos de hotel e 17 veículos, conforme reportagem publicada no jornal Folha de S. Paulo. As pessoas mais importantes da comitiva, como a presidente, quatro ministros, diversos assessores mais próximos e seguranças se hospedaram em aproximadamente 30 quartos do hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, que se localiza em endereço mais sofisticado da capital italiana. A suíte presidencial, que foi transformada em escritório para a Presidência da República, teve a diária de cerca de R$ 7.700,00, sendo que os quartos mais baratos ficaram pela quantia de R$ 910,00. Os demais quartos, em número de 22, para pessoal de apoio, ficaram na proximidade do citado hotel. O que causa enorme estranheza é o fato de a presidente da República ter descartado se instalar por três na residência oficial da Embaixada do Brasil, instalada num amplo palacete no centro histórico de Roma, que normalmente acomoda mandatários brasileiros, preferindo se hospedar em hotéis de alto luxo, sob o argumento, segundo a sua assessoria, de facilitar a rotina de trabalho. No caso da frota de veículos, foram alugados, pasmem, sete veículos sedan com motorista, um carro blindado de luxo, quatro vans executivas com capacidade para 15 pessoas cada, um micro-ônibus e um veículo destinado aos seguranças. Sem incluir nessa frota um caminhão-baú e dois furgões, exclusivamente para o transporte de bagagens e equipamentos. O total dos recursos públicos para custear a farra dessa viagem turística a Roma não foi divulgado, mas os elementos acima evidenciam o tamanho da insensibilidade, do absurdo e do esbanjamento totalmente dispensável, em termos de benefício ou necessidade para o país, tendo em vista que essa viagem serviu para a presidente e sua enorme comitiva fazerem visita a museus e igrejas históricas, enquanto aguardavam a missa inaugural do papa. Essa vergonhosa viagem, representada por uma das maiores comitivas dos países visitantes e custeada com recursos dos bestas dos contribuintes, naturalmente porque o afastamento deve ter sido enquadrado indevidamente como em objeto de serviço, contradiz visceralmente o que defende o governo, inclusive em Roma, quando invocou a necessidade de o papa se preocupar com a pobreza. A injustificável participação de tantos servidores públicos para se afastarem do país sem qualquer finalidade, porque nenhuma atividade foi desempenhada por eles, constitui ato irregular, cabendo aos órgãos de controle e fiscalização impugnar as despesas pertinentes, exatamente porque elas não têm amparo legal, e responsabilizar, como medida pedagógica e preventiva de outros absurdos e abusos semelhantes, a presidente da República, por ter autorizado o afastamento de servidores do país, para fazer turismo em Roma à custa do erário, ou seja, sem objeto de serviço público. Essa indecente e dispensável viagem demonstra a forma da esculhambação como o socialismo gasta, sem pudor nem critério algum, os recursos públicos, ficando evidenciado que parcimônia e economicidade não prevalecem para a nata do poder, que tem autonomia para encher avião presidencial e esnobar nas acomodações e nos transportes nas terras dos Césares, sem qualquer benefício para o Estado. Certamente que os recursos despendidos - que poderiam ter sido evitados, caso houvesse sensibilidade gerencial - com o deslocamento do avião presidencial, sua tripulação e as diárias e demais despesas estapafúrdias teriam aproveitamento adequado caso fossem destinados às regiões da seca do Nordeste ou das enchentes do Sudeste do país, tão carentes de políticas públicas que não são executadas por falta de recursos. A sociedade repudia com veemência as mordomias governamentais, os abusos e as farras com recursos públicos, a falta de sensibilidade sobre as prioridades públicas, a indolência da oposição, por não exigir a devolução aos cofres públicos de recursos com gastos irregulares, e o menosprezo à dignidade da população brasileira, pela indiferença à sua vontade de que os recursos públicos sejam aplicados estritamente em atendimento às causas do povo brasileiro e do interesse público. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 20 de março de 2013

Popularidade irreal?

Com base em pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria/Ibope, que acaba de ser divulgada, a popularidade da presidente da República alcançou novo recorde, tendo subido de 78% para 79% neste mês, em relação à última pesquisa, avaliada em dezembro de 2012. Custa acreditar que um governo incompetente, ineficiente e apenas com viés populista, conforme releva a avaliação, consegue aprovação tão absurdamente incongruente com a realidade gerencial do país, porquanto os aspectos principais da sua gestão, que têm peso e podem efetivamente influenciar o gerenciamento da nação não foram, mais uma vez, levados em consideração nem sequer tangenciados nessa suspeita e, por que não dizer, irrealista pesquisa, que foi levantada, pasmem, em 144 municípios, com somente 2.002 pessoas, entre quase duzentos milhões de brasileiros. As principais e momentosas questões que afetam a administração das políticas públicas, que interessam diretamente ao desempenho da presidente, certamente poderiam ajudar na avaliação por parte dos pesquisados, a exemplo da leniência dela com a pouca-vergonha da corrupção, recentemente evidenciada com o indigno apoio palaciano às candidaturas dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, em que os respectivos parlamentares estão envolvidos em denúncias de atos irregulares com recursos públicos, inclusive com processos tramitando na Justiça; do seboso loteamento dos ministérios e órgãos públicos, como se fossem capitanias hereditárias, entre os partidos políticos que dão sustentação ao governo no Congresso Nacional; da falta de investimentos na saúde pública, educação, segurança pública, infraestrutura, no saneamento básico, nas grandes obras etc., deixando o país mergulhar no subdesenvolvimento social e econômico; da falta de reformas estruturais, amplas e significativas, em especial com vistas a passar a limpo os gargalos do gigantismo do custo Brasil, de modo a promover corajosa lipoaspiração nos insuportáveis e massacrantes tributos, encargos previdenciários e noutros obstáculos causadores também da falta de investimentos privados, que estão travados diante da visível impossibilidade de competitividade da produção nacional com o mercado internacional; do inchamento da máquina pública, para acomodar as indecentes coalizões políticas; entre outras deficiências do governo que não são, por motivos óbvios, levantadas na avaliação de uma presidente que vive ao sabor de pesquisa de pouca abrangência e eivada de suspeição, possivelmente com a participação de pessoas sem nenhuma experiência da realidade brasileira e que, enfim, prestam péssima contribuição ao país, com suas avaliações desqualificadas, apesar de terem o condão de fazê-la a acreditar, à luz de pesquisa que se diz dos “brasileiros”, que vem governando a nação com eficiência, quando a realidade dos fatos mostra, de forma cristalina, que a mandatária do país ficaria reprovada ou, no mínimo, em segunda época nas matérias da sua gestão, ao contrário do resultado anunciado. Causa espécie perceber a indolência da oposição, que silencia diante do irrealismo e da inconsistência da pesquisa, ao invés de aproveitar o seu resultado para detonar o pseudoapogeu petista, com a apresentação das fraquezas, deficiências e negociatas interesseiras do governo, para que o seu castelo de areia se desmorone de vez. A sociedade tem o dever cívico de exigir, em atenção à verdade e transparência, que as pesquisas sobre o desempenho do governo sejam levadas em consideração também suas deficiências gerenciais, de modo que elas possam merecer credibilidade e refletir a realidade dos fatos, sem a indecente e indevida maquiagem do marketing publicitário. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 19 de março de 2013

terça-feira, 19 de março de 2013

Inaceitável viagem turística

Ignorando as crises que assolam o país, como a seca do Nordeste e as incertezas na economia, a presidente da República levantou voo com destino ao velho mundo, tendo desembarcado em Roma, para assistir a missa de entronização do papa. Como não poderia ser diferente, ela e sua ilustre comitiva, todos muito bem transportados, hospedados e alimentados à custa dos idiotas dos contribuintes, aproveitaram o interstício até a solenidade papal para visitarem museus, como forma de preencher a folga turística. Em entrevista concedida aos jornalistas, ela disse, se referindo ao papa, que "Eu acho que ele tem um papel a cumprir”. Quanto à aproximação da Igreja aos pobres, a presidente afirmou que “É uma postura importante. É claro que o mundo pede, hoje, além disso, que as pessoas sejam compreendidas e que as opções diferenciadas das pessoas sejam compreendidas", não tendo deixado claro a que "opções diferenciadas" ela estava se referindo. Questionada se a eleição do papa latino-americano poderá influenciar no debate brasileiro sobre questões pertinentes à Lei do Aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, ela teria respondido que "não parece que seja um tipo de papa que vá defender esta posição". É lamentável que a presidente e outros altos servidores públicos, sem um pingo de pudor ético, decidam fazer viagem turística com recursos públicos, não levando em conta o custo-benefício dessa desastrada saída do país, que, na verdade, não se justifica quanto à sua necessidade para o interesse da nação, porque não acrescenta coisa alguma a absolutamente nada, senão ao atendimento do ego de quem não tem objetividade para os destinos do país. É bem provável que o resultado desse indecente passeio sob os auspícios do dinheiro público, que poderia ser muito mais aproveitado se fosse destinado ao flagelo da seca do Nordeste, tenha como direcionamento argumentações no calor da campanha eleitoral da reeleição, quando as questões religiosas serão objeto de questionamento, em defesa de quem é mais chegado à Igreja Católica. Logo ela, convicta comunista, deve dizer que confessa alguma religião somente com fins eleitoreiros. Ainda que a visita à Roma dos Césares tenha sido realizada mediante o grave pecado de ter sido custeada com recursos dos bobos dos eleitores, que, mesmo penalizados com o desvio de verba para futilidade, quando deveria ter sua destinação para finalidade verdadeiramente pública, ainda votam em quem não tem compromisso com o primacial atendimento das necessidade do povo brasileiro. Ao invés de pretender ensinar Pai-Nosso ao papa ou dar-lhe lição acerca do respeito às opções diferenciadas das pessoas - que nem ela sabe do que se trata -, a presidente poderia se preocupar em administrar o país com competência, acabando com a corrupção; enxugando a máquina pública; abominando o escrachado fisiologismo político; viajando somente quando realmente necessário; promovendo as reformas estruturais; priorizando e investindo em políticas públicas de saúde, educação, segurança pública etc. Infelizmente, a presidente não tem o mínimo de culpa pela incompetência do seu assessoramento e do seu governo. A culpa, na realidade, é do povo que ainda vota, na sua expressiva maioria, com o cartão do bolsa família numa mão e a cédula eleitoral na outra. O povo brasileiro precisa se conscientizar, com urgência, sobre a necessidade de eleger pessoas sensatas e competentes para representá-lo, que pensem brasilidade e entendam sobre metas prioritárias para o país, sob pena de continuar chancelando, com pesados tributos viagens de turismo de seus representantes políticos e enorme legado de incapacidade gerencial do país, sem retorno para a sociedade tupiniquim. Acorda, Brasil!    
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 18 de março de 2013

segunda-feira, 18 de março de 2013

Governabilidade da incompetência e do atraso

A presidente da República afirmou, por ocasião da cerimônia de posse de três ministros, que as mudanças se tornaram necessárias, pasmem, para garantir a governabilidade. Ela disse que "Não acredito que seja possível esse país ser dirigido sem essa visão de compartilhamento e de coalizão. Eu aprendi que numa coalizão você tem que valorizar as pessoas que contigo estão. Parceiros da luta", "a capacidade de formar coalizões é crucial para o país" e "Muitas vezes as pessoas acreditam que a coalizão do ponto de vista da política é algo incorreto. Estamos assistindo em alguns lugares do mundo processos de deteriorização da governabilidade justamente pela incapacidade de se fazer coalizão". A presidente concluiu, dizendo: “No comando do país, é preciso fazer opções. Governar é necessariamente escolher entre várias alternativas e por isso eu aprendi muito sobre o valor da lealdade entre aqueles que desenvolvem com a gente a tarefa de governar, o valor simultâneo da paciência e da urgência para cumprir prazos e metas e da sensatez nas escolhas dos caminhos.". É pena que o articulado discurso da presidente não faça nexo com a indecorosa realidade do loteamento de ministérios, órgãos públicos e empresas estatais entre os partidos da sua base de sustentação, que é o caso em referência, em verdadeira troca de apoio político no Congresso Nacional. Essas cerimônias efetivando a troca de ministros servem apenas para confirmar a marca da incompetência do governo no gerenciamento da administração pública, pela sua entrega a pessoas despreparadas e descompromissadas com a eficiência da execução das políticas públicas, tendo em conta que esses órgãos e essas entidades ficam à disposição dos partidos políticos que os herdam para dirigir a seu bel-prazer, sem nenhuma orientação governamental. Neste caso, o que se verifica, na realidade, é que a presidente foi obrigada a fazer as trocas nos ministérios, sem quaisquer critérios técnicos ou administrativos, em atendimento e por imposição dos caciques do PMDB e PDT, como forma de apaziguar as querelas internas dessas agremiações. No caso do PDT, a substituição do ministro é ato ainda mais degradante e indecente, em razão de privilegiar pedido do ministro que pediu exoneração do cargo ante a enxurrada de denúncias de atos de corrupção, que inviabilizaram a sua permanência nele. De certa forma, essa mudança tem a feição de reabilitá-lo, por ele ser o presidente do partido, que enfrentava conflito de interesses entre seus integrantes. Na verdade, as palavras da mandatária do país não sintetiza um pingo de honestidade, nem traduz a realidade dos fatos ou o sentimento de brasilidade, porque a sua autoridade se reduz tão somente a executar a vontade dos partidos com interesses fisiológicos, no sentido de que o governo somente tem apoio político mediante o atendimento de seus pedidos, em cuja formalização a presidente nada escolhe e apenas utiliza a caneta, como um robô comandado pelos inescrupulosos capitães das capitanias hereditárias. No caso, garantir a governabilidade para esse governo significa falta de compromisso com a moralidade e com a seriedade na administração do país, tendo em conta apenas interesses escusos; a partilha de entidades e órgãos públicos entre políticos despreparados e apaniguados; desrespeito aos princípios ideológicos, éticos, legais, morais...; inobservância aos princípios constitucionais da dignidade e das boas condutas democráticas; prestígio ao fisiologismo escrachado; entre outras indignidades na gestão dos recursos públicos. Até quando essa desgraça administrativa do país vai existir só depende da vontade popular. Compete à sociedade vislumbrar o quanto a sede pelo poder é bastante prejudicial aos interesses da nação, ante a formalização das coalizões espúrias e interesseiras, e decidir pela forma competente de gerenciamento do patrimônio dos brasileiros, com o afastamento da política dos homens públicos que se aproveitam dela para a satisfação das causas pessoais e partidárias. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 18 de março de 2013

Todo crime é condenável

Um dos 115 cardeais que recentemente participaram da eleição do papa, que é arcebispo da África do Sul, defendeu a pedofilia como sendo uma "doença psicológica”, ao invés de "uma condição criminal". A sua manifestação provocou indignação entre especialistas e vítimas de abusos de sacerdotes da Igreja Católica. Em entrevista à Radio 5, da BBC, o cardeal disse que, de forma geral, os pedófilos são pessoas que sofreram abusos quando eram crianças e por isso eles precisam ser examinados por médicos especializados, por se tratar de condição psicológica, uma desordem. Ele indagou: "O que você faz com transtornos? Você tem que tentar consertá-los.". E concluiu: "Agora não me diga que essas pessoas (pedófilos) são criminalmente responsáveis, como alguém que escolhe fazer algo assim. Eu não acho que você pode realmente tomar a posição de dizer que a pessoa mereça ser punida. Ele mesmo foi afetado (na infância).". É lamentável que esse religioso invoque o direito de se cometer crime sob a justificativa de ter sido vítima de delito semelhante. Não deixa de ser uma opinião inapropriada e descompassada com o momento em que a Igreja tem suas bases abaladas em virtude dos escândalos de abusos sexuais cometidos por seus sacerdotes. Esses indignos posicionamentos merecem o amplo repúdio da humanidade não somente dos especialistas, vítimas dos padres pedófilos e grupos de defesa dos direitos das crianças. Não há dúvida de que a pedofilia é um desvio mental, uma doença, passível de criminalização como os demais casos que agridem e causam danos ao ser humano. Não se pode mais tolerar, na atualidade, que autoridades católicas continuem protegendo, sob o manto de suas pomposas batinas, os criminosos pedófilos, sem a devida punição, como forma de manter esses delitos sob segredo da Igreja. A maior cretinice dentro da Igreja é a tentativa de defender, de forma injustificada, os crimes que ocorrem sob seu teto, porque bandidagem não combina com os princípios cristãos. Os posicionamentos dessa natureza, ao contrário do preconizado pelo religioso, são altamente prejudiciais ao fortalecimento da Igreja, porque certamente não correspondem aos princípios da sua instituição, que têm como fundamento a pregação de procedimentos moralizadores e edificantes, não condizentes com os desvios comportamentais que vêm ajudando ao afastamento de fiéis dos templos, ante a falta de interesse da cúpula da Igreja de se posicionar na forma compatível com a sua doutrina de seriedade e de transparência, em nome da verdade e da construção da dignidade humana, conforme ensinamento do seu inspirador, o mestre Jesus Cristo. É evidente que os avanços, as modernidades e as conquistas da humanidade devem influenciar igualmente a evolução da Igreja, apenas quanto aos princípios edificantes que devem ser aproveitados em benefícios dos fiéis, que são a razão da sua existência, mas as falhas, os defeitos e desvios de conduta devem ser tratados com a seriedade compatível com preceitos fundamentais da dignidade humana, sob pena de ser acentuado o progressivo afastamento dos seus fiéis seguidores, exatamente pelo descrédito diante da fraqueza ideológica de religiosos como esse sul-africano, que melhor contribuiria para os desígnios da Igreja se não tivesse se manifestado com tamanha infelicidade. No momento em que a Igreja Católica busca um pouco de equilíbrio e de racionalidade no entendimento e equacionamento quanto aos desacertos identificados por parte de seus integrantes, no que diz respeito à disseminação do abominável crime de pedofilia onde jamais deveriam ocorrer, a opinião desse suspeito e despreparado religioso destoa barbaramente do bom senso católico e conspira contra a seriedade que a humanidade espera para o enfrentamento do problema da pedofilia no âmbito da Igreja, que deve ser discutido com conscientização cristã e alta ponderação, sem posicionamento corporativo, que nem sempre contribui para a solução satisfatória das causas discutidas. O simples entendimento do caso como sendo meramente psicológico já mostra a tentativa de passar a mão sobre a gravidade da questão no seu contexto mais amplo, que é a violência contra o ser humano, contrariando os verdadeiros princípios cristãos, que pregam primacialmente o respeito à dignidade humana. A humanidade anseia por que vozes mais abalizadas se manifestem em defesa da verdade sobre a necessidade não somente de punir, mas de banir os criminosos do âmbito da Igreja da Católica, como forma de angariar a confiança e o respeito inspiradores da humanidade por parte de quem é responsável pela disseminação dos belos e puros ensinamentos do mestre Jesus Cristo.
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 17 de março de 2013