segunda-feira, 1 de maio de 2017

Recrimináveis esquemas criminosos

      À luz das delações dos executivos da Odebrecht e das investigações da Operação da Lava-Jato, muitas das quais se tornaram públicas, a podridão da República petista veio à tona com a força de explosão megatônica, capaz de causar imensurável assombro.
  A referida república era composta por legião de inescrupulosos homens públicos, ex-presidentes do país, governadores, senadores, deputados, ministros, executivos e outros corruptos assemelhados, que não se envergonharam de se beneficiar de dinheiros de propina, muitos dos quais empregados ilicitamente em campanhas eleitorais, dando continuidade à sua sanha política do mal.
O crime arquitetado e comandado pelo petismo foi capaz de funcionar com a eficiência que ficou distante dos resultados apresentados no poder, à vista dos rombos das contas públicas, denunciadas pelas famigeradas pedaladas fiscais, que contribuíram para afastar do Palácio do Planalto, por incompetência, a antiga moradora do Palácio da Alvorada.
Certamente que os idealizadores desse projeto maligno de corrupção devem ter se surpreendidos com a estrondosa dimensão que ele alcançou, tendo abrangência descomunal e se transformado em verdadeiro monstro, conforme se percebe pelos alarmantes relatos dos delatores da Odebrecht, que conseguiram estarrecer as pessoas honestas e honradas.
O maior político do país foi considerado, pelo Ministério Público Federal, o comandante supremo da organização criminosa, contrariando, de forma radical, suas palavras do passado, quando ele se passava por defensor da moralidade e paladino contra os corruptos e os malfeitores, inclusive denunciava a existência de 300 picaretas comandando o Congresso Nacional.
Segundo os depoimentos em referência, há clara evidência de que “a alma mais honesta que existe”, como assim ele ainda se autoproclama, teria recebido propinas em dinheiro vivo e sob a forma de presentes e reformas em imóveis de amigos, mas de seu uso e engendrou esquemas de desvios de recursos e de corrupção de toda ordem, aproveitando para espraiar as benesses ilegítimas para a família, como filhos, irmão, sobrinho etc.
Sem o menor pudor, muitos se locupletaram dos financiamentos por meio do caixa dois em suas campanhas, mesmo sabendo que isso caracteriza crime, mas o que importava mesmo era a reciprocidade promíscua com as empreiteiras, com as reiteradas trocas de favores.
Está fortemente evidenciado, conforme mostram as delações em comento, que, na era petista, houve a institucionalização, a consolidação, o agigantamento e o aperfeiçoamento de eficientes esquemas de corrupção como política de Estado, utilizado de forma ambiciosa para a implementação da absoluta dominação das classes política e social e da perenidade no poder, tudo movido às custas de recursos públicos desviados da Petrobras.
Os eleitores ingênuos e desinformados, apenas instruídos o suficiente para saber sobre o assistencialismo das bolsas populistas, serviam como fiéis eleitores justamente para respaldar no poder os homens bastante sábios, porém mal-intencionados, ávidos pelo domínio dos segredos do Tesouro, que abasteceram sem limite a ganância, em profundidade e abrangência.
O aparelhamento estatal foi devidamente amoldado à facilitação do saque aos cofres da Petrobras, tendo sido institucionalizado o desvio de determinado percentual dos contratos para rateio entre partidos políticos e outros integrantes da roubalheira normatizada.
Há forte evidência de que o populismo teve como saldo o velho e surrado provérbio segundo o qual se rouba, mas se faz algo para o povo, sob a alegação de se tratar da realização de causas justas, a respaldar a roubalheira.
A roubalheira disseminada no âmago de ilustres homens públicos não se torna ainda mais repugnante porque eles seriam absolutamente incapazes de praticar tamanha indignidade se não fossem os lídimos representantes do povo, ou seja, sem o apoio do voto popular os contumazes desviadores de recursos públicos não estariam exercendo cargos públicos eletivos.
Não há dúvida de que o povo tem parcela expressiva como participante indireto no desvio de recursos públicos, para os cofres de partidos políticos e bolsos de políticos inescrupulosos, tendo em vista que os corruptos que lideram a roubalheira foram escolhidos pelo povo, mesmo aqueles que não estão exercendo cargos públicos eletivos, no momento, mas já foram votados no passado e tiveram o apoio do povo para praticar o cruel crime de se beneficiarem, de forma indevida, de recursos públicos.
É evidente que esse fato não justifica conduta tão indigna e reprovável, mas ele serve de importante alerta no sentido de que o brasileiro precisa se preocupar com a escolha de seus representantes na vida pública, a despeito de que é dever cívico da maior importância e responsabilidade que eles devam ser apoiados somente depois de rigorosa avaliação sobre a sua vida pregressa e de seus hábitos de cidadão, para se aquilatar a sua conduta de homem público e o seu caráter como pessoa, depois de assegurado que se trata realmente de pessoa absolutamente idônea e qualificada para representá-lo, à vista da certeza de que a pessoa escolhida é realmente capaz de defender os interesses da população e de priorizar as causas nacionais, com total desprezo aos projetos pessoais e partidários.
          Por seu turno, não se pode olvidar que as revelações constantes das delações dos executivos da Odebrecht têm o condão não somente de contribuir para um marco divisório da esculhambação reinante nos governos petistas e o despertar para a necessidade de revolução na mentalidade dos brasileiros, que precisam se esforçar para eliminar da vida pública os maus políticos que já demonstraram sua índole perversa e cruel, em termos da falta de zelo com a coisa pública, mas também para servir de lição de como os homens públicos devem atuar contrariamente àqueles que tiveram a indignidade de compartilhar com os esquemas criminosos que desviaram recursos da Petrobras e se tornaram os maiores vilões da história republicana, sendo indignos de representar o povo.
A verdade é que o Brasil não merecia ter sido tratado com tanta desonestidade, brutalidade e descomunais indiferença e desconsideração, em termos de roubalheira do dinheiro público, uma vez que o patriota de verdade seria incapaz de praticar tamanha truculência e indecência contra os saudáveis princípios da ética, moralidade, honestidade, dignidade e demais condutas inerentes aos homens públicos cônscios da sua responsabilidade cívica e patriótica. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
          Brasília, em 1 de maio de 2017

Exploração da ingenuidade?

Aproveitando a divulgação de pesquisa Datafolha, versando sobre as intenções de voto com vistas à corrida ao Palácio do Planalto, ainda em 2018, o Partido dos Trabalhadores logo imaginou bela estratégia para consolidar a candidatura de seu líder-mor, por ter sido o nome mais apontado pelos entrevistados, na pesquisa espontânea, por 16% dos eleitores de 172 cidades.
Ao mesmo tempo, o partido pretende explorar a baixa popularidade do presidente da República para mostrar a conveniência da volta de seu cacique à Presidência.
Também em outra pesquisa foi apontado que o desempenho do presidente do país é considerado ruim ou péssimo por 61% dos eleitores, tendo a taxa de aprovação de apenas 9%, que é menor que a avaliação da ex-presidente, por ocasião do seu impeachment, que atingiu 13%.
O partido também quer explorar outro importante índice da pesquisa, que diz respeito ao apoio dos entrevistados a novas eleições diretas, dando conta de que, segundo a Datafolha, 85% de 2.781 pessoas ouvidas são favoráveis à realização de novos pleitos eleitorais.
De acordo com a coluna Painel, da Folha de S. Paulo, o PT também deve concentrar esforços com vistas à antecipação de eleição, como forma de aproveitar o momento que a popularidade de seu líder se mantém pouco afetada, a despeito das delações dos executivos da Odebrecht e das investigações da Operação Lava-Jato, ao contrário do que ocorre com a imagem de importantes opositores dele, que se esfarelaram, depois das denúncias.
É muito curiosa a forma de desfaçatez como o partido ignora e não quer perceber a tragédia que os fatos pertinentes às denúncias sobre roubalheiras, principalmente na Petrobras, que são objeto de múltiplas investigações, representam de malignidade, perniciosidade e malefício para os interesses do país, à vista das mais graves crises que desaguaram como complicador no desempenho da economia e na credibilidade da nação, com terrível reflexo no processo produtivo, no emprego e nos investimentos público e privado, a despeito do surpreendente apoio de 16% de brasileiros entrevistados, que se dizem favoráveis à vota de quem contribuiu efetivamente, como personagem principal, segundo os investigadores, para esse estado de absoluta desgraça.
Ao invés de tentar explorar o momento, segundo a agremiação, favorável ao líder-mor, com a sinalização de apoio por parte de alguns fiéis militantes, que ainda não se deram conta da gravidade dos fatos malignos impregnados na alarmante corrupção, e a baixa popularidade do presidente da República, os estrategistas do partido que arrasou e destroçou o país poderiam se empolgar e mostrar, com provas juridicamente válidas, que as enxurradas de acusações sobre as práticas de atos irregulares são inverídicas e que os envolvidos não tiveram nenhuma participação nesse mar pútrido que envergonha toda nação, do lado digno e honrado.
Não tem o menor cabimento que o tsunami de acusações e denúncias sobre desvios de dinheiro da Petrobras, objeto de investigações pela Operação Lava-Jato, não mereça os devidos esclarecimentos à população sobre toda imundície consistente no desvio de recursos públicos para fins absolutamente irregulares e prejudiciais aos interesses dos brasileiros.
Onde estão esses espíritos de moralidade e dignidade, por se pretender aproveitar o momento especial para explorar a ingenuidade, a incredulidade, a imbecilidade de alguns brasileiros, que ainda votariam, na preferência de 16%, em quem não consegue se dispor a dizer à nação que não vai mais tratar de fazer política enquanto não tiver o seu nome, a sua honra, a sua dignidade completamente recuperados, mediante a comprovação, onde for necessário, da sua inculpabilidade sobre a avalanche de acusações sobre a prática de atos irregulares na vida pública?
A comprovação da verdade sobre os fatos nada mais é do que a devida prestação de contas aos 84% dos brasileiros indignados, que não votariam no político alvo de investigações e estão esperando que os fatos imundos e vexaminosos denunciados sejam devidamente justificados e esclarecidos, para o bem não somente dele, mas, principalmente, dos destinos de uma nação enxovalhada pela montanha de fatos indignos e absolutamente contrários aos princípios da administração pública, notadamente no que se referem à ética, moralidade, legalidade, dignidade, probidade, transparência, entre tantos que devem ser fielmente observados, em se tratando de gestão pública. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 1º de maio de 2017

domingo, 30 de abril de 2017

Exemplos de desperdícios

Segundo levantamentos realizados nos principais órgãos do país, compreendendo, em especial, a Presidência da República, a Câmara dos Deputados, o Senado Federal, o Supremo Tribunal Federal e a Procuradoria Geral da República, foi verificado que eles consumiram, em determinado ano, que serve de parâmetro, 85,5 milhões de folhas de papel.  
No total, esses órgãos tiveram despesas anuais médias, pasmem, do valor de R$ 1,2 bilhão somente para a compra de 170.988 pacotes de 500 folhas de papel A4, para uso de cerca de 23 mil servidores, com o consumo diário de 344,7 mil folhas.
Os dados mostram que, em geral, o uso vem diminuindo nos últimos anos, sobretudo por causa do avanço na digitalização dos documentos e da conscientização, mas, mesmo assim, dentro das repartições, os esforços pela redução do papel ainda esbarram na cultura de um tempo em que tudo, para ser oficial, tinha de estar impresso e carimbado com tinta.
É comum aparecerem com destaque para a mídia as imagens das pilhas de papel acumuladas no plenário do Supremo Tribunal Federal, durante os julgamentos da sua incumbência constitucional, ou sobre as mesas dos parlamentares integrantes das Comissões Parlamentares de Inquérito, como a demonstrar exaustivo volume de trabalho das autoridades da República.
Pesquisa realizada nos aludidos órgãos, para se saber como usado e consumido o papel com tanta fartura, foi verificada enorme variação de finalidades, não somente pelas diferentes atividades que cada servidor realiza, mas em especial pela quantidade discrepante deles.
A Câmara, que tem mais servidores – cerca de 10 mil lotados em Brasília –, tem o maior consumo de 64 mil resmas e o maior gasto de R$ 443 mil, mas por outro lado, o menor consumo per capita, sendo que cada servidor usou, em média, 6 resmas ou 3 mil folhas.
O Senado, por sua vez, apesar do número menor de servidores, pouco mais de 6 mil, tem consumo per capita maior que na Câmara, de 7,3 resmas por servidor. Para dar conta da alta demanda, foram consumidas 47 mil resmas, sendo que a Câmara Alta conta com poderosa gráfica semelhante à de um jornal de grande circulação, constituindo verdadeiro exagero, em se tratando de órgão público.
O Palácio do Planalto, com ainda menos servidores (3.300), tem consumo per capita pouco maior de 7,6 resmas por servidor, mas vem em seguida, com maior consumo per capita, a Procuradoria Geral da República, com 8,2 resmas por servidor. No topo do consumo, situa o servidor do STF, com 16 resmas de papel por servidor, em média.
Além das campanhas em favor do uso consciente do papel, a digitalização vem contribuindo, de forma significativa, para a redução do uso de papel, como no caso da Câmara, onde foi economizado mais de 30% do papel usado.
Muitos procedimentos têm sido adotados internamente nos órgãos, com o uso da comunicação por via da internet, com visível redução de papel.
O passo mais importante para a redução do papel se deu com a digitalização do processo legislativo, na tramitação dos projetos de lei, desde a versão da proposta até a aprovação final, cujos procedimentos ficam disponíveis online, com a devida atualização das modificações e discussões.
A introdução da "pauta digital", com a instalação de telas digitais para cada parlamentar, proporcionou a redução de 20 a 40 cópias de calhamaço de papel, contendo a pauta do dia (com dezenas de projetos de lei na fila de votação e respectivos pareceres), que era impressa para mera consulta e depois despejada, em calhamaços, no lixo, causando enorme prejuízo aos cofres públicos.
Na Câmara, cada projeto de lei ainda precisa ter original de papel, por segurança, mas também porque Executivo e Senado só enviam ou recebem propostas em meio físico.
O responsável pela digitalização do processo legislativo disse que "Não eliminamos o processo físico, mas estamos nesse caminho. Mas não é só um processo tecnológico, é também um processo cultural".
Embora no Senado já tenha programa ambiental para incentivar a redução do consumo de papel, são consumidas, em média anual, mais de 40 mil resmas de papel, o que significa gasto excessivo de papel.
O diretor da Presidência da República disse que "A própria tecnologia móvel, com acesso a e-mail em tablets e smartphones, tem estimulado a ideia de que não precisa imprimir tanto".
Outro servidor da Presidência afirmou que "É possível (economizar), pois com toda essa redução, nada deixou de ser feito. E nossa meta é ser referência, pois somos modelo (para os demais órgãos públicos)”.
A cultura do uso papel ainda é imperativa nos trabalhos burocráticos, gerando desperdício de recursos que poderia ser evitado caso houvesse permanentes avaliações sobre o uso desmensurado e abusivo de papel.
Graças à intensificação do uso dos sistemas informatizados e de maiores investimentos nesse setor, a tendência é de que haverá redução expressiva do uso de papel, como forma de se contribuir para a preservação do meio ambiente.
O ideal é que houvesse, de forma efetiva, a tão alardeada preservação das florestas, mas o desmatamento está em ritmo acelerado e descontrolado, em contraposição à evolução da humanidade, que tanto precisa da integridade do meio ambiente.
Outra importante lição que os governos não aprendem é sobre a premente necessidade de se evitar desperdício de recursos, por meio do uso racional da utilização da máquina pública, mas as montanhas de dinheiros destinadas somente para o uso de papel explicam que economizar não está no dicionário dos administradores públicos.
Importante exemplo do uso racional do papel vem dos países evoluídos, que fazem campanhas incentivando o bom uso de papel e as melhores formas de se economizá-lo, a exemplo da impressão e venda dos livros digitais (PDF), que já ultrapassaram a venda de livros de papel, por causa do preço e da praticidade do seu manuseio digital, mas isso é impraticável no Brasil, onde o livro digital (PDF) custa quase o mesmo preço do livro de papel.
Neste país de homens de mentalidades bem reduzidas, somente se economiza competência, que tem sido bastante escassa nos órgãos da administração pública, habitada densamente por administradores e assessores pouco interessados no aprimoramento dos trabalhos da máquina pública, que exige urgente reforma de suas estruturas funcionais e administrativas.
Enquanto não houver conscientização das autoridades públicas quanto à necessidade de priorização das questões nacionais, a exemplo no que se refere à racionalização da máquina pública, este país será sempre exemplo de desperdício e de deficiência prejudiciais ao interesse público, que não merece ser tratado com desprezo próprio de país distanciado das nações evoluídas e interessadas na economicidade dos recursos públicos. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 30 de abril de 2017

Crime de lesa-pátria

O famoso publicitário marqueteiro das campanhas presidenciais dos governos petistas afirmou, em depoimento à Justiça Eleitoral, que a ex-presidente cassada sabia do esquema de caixa dois utilizado em 2014, na campanha à reeleição dela.
O publicitário já havia fechado acordo de delação premiada na Operação Lava Jato e passou a ser testemunha-chave no processo em que o Tribunal Superior Eleitoral irá decidir pela cassação ou não da chapa presidencial vencedora do último pleito.
O depoimento do marqueteiro foi realizado por meio de videoconferência, ao ministro-relator da ação de impugnação de mandato em tramitação no citado tribunal.
Em seguida, houve o depoimento da sócia e mulher do publicitário, igualmente delatora da Lava-Jato, que também relatou ter tratado pessoalmente com a ex-presidente, em reunião ocorrida no Palácio do Planalto, em 2014, do esquema ilegal de arrecadação de recursos para a disputa eleitoral.
Ela apresentou a versão de que os contatos com o PMDB e com o então candidato a vice-presidente se resumiam a preparações para os programas de TV.
Os especialistas sentenciam que a delação premiada do casal de marqueteiros pode representar a pá de cal sobre a petista, na ação examinada pelo TSE, diante da contundência e verossimilhança das informações produzidas por eles.
          O casal marqueteiro aponta o último ministro da Fazenda do governo petista como o operador do caixa dois da campanha presidencial de 2014, que foi substituto do também ministro do governo petista, quando ele cabia a tarefa de administrar, na campanha de 2010, os recursos não contabilizados, provenientes das propinas oriundas da Odebrecht, para irrigação do caixa eleitoral da ex-presidente.
Nesse mesmo sentido, um delator da citada construtora havia declarado, também em depoimento à Justiça Eleitoral, que o publicitário recebeu, por meio de caixa 2, pelos serviços de marketing político prestados às campanhas presidenciais em El Salvador, Angola, Venezuela, República Dominicana e Panamá, ou seja, recursos públicos desviados dos bolsos dos contribuintes para custear campanhas milionárias no exterior, fato grave, por configurar crime de lesa-pátria.
Diante dos fatos em que a Odebrecht declara que fez pagamentos aos publicitários, por meio do caixa 2, e os beneficiários afirmaram que realmente receberam o dinheiro fruto de propina, a ex-presidente precisa encontrar desculpas mais plausíveis para sair dessa gigante enroscada, porque ela vem jurando desconhecer os fatos, quando agora ela é simplesmente desmascarada por seus marqueteiros de campanha.
As provas são, em princípio, irrefutáveis e as versões não poderiam ser mais verossímeis, mesmo tendo sido apresentadas por aqueles que se notabilizaram pela criação das piores mentiras disseminadas na campanha da reeleição da petista, quando os opositores eram destroçados e destruídos, de forma maquiavélica, ao sabor das mais levianas inverdades, levando parcela de brasileiros a acreditar nas maldades inventadas pelos marqueteiros que agora procuram se redimir de suas malignidades. 
É evidente que a ex-presidente se apresenta inflexivelmente decidida a negar o que parece indefensável, embora a versão assumida pelo marqueteiro deixa muito vulneráveis as negativas dela, uma vez que a afirmativa sobre o recebimento de recursos por meio do caixa 2 coincide com os depoimentos de executivos da Odebrecht, fato que não deixa dúvida de que alguém fala a verdade e outro alguém mente, obviamente com a finalidade de salvar a própria pele, em ambos os lados.
          Na política, também somente deveria existir a versão da verdade, porque esta é a única que sempre se harmoniza com os princípios da idoneidade e da conduta de retidão e devem prevalecer indissociavelmente da vida pública dos políticos.
Os brasileiros esperam que os políticos se conscientizem de que é preciso assumir responsabilidade por seus atos na vida pública, como inafastável obrigatoriedade de prestação de contas à sociedade, que também tem o dever de avaliar o efetivo desempenho dos verdadeiros homens públicos, porque estes nada mais são do que os representantes do povo, que precisa ter certeza de que os seus outorgados atuam com idoneidade, dignidade e desenvoltura compatíveis com a correção e a legitimidade que são esperadas deles, no exercício de suas atividades políticas. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 30 de abril de 2017

sábado, 29 de abril de 2017

Flagrante incompatibilidade

O maior político brasileiro comentou, a propósito da possibilidade de o ex-ministro da Fazenda de seu governo fechar delação premiada com a força-tarefa da Operação Lava-Jato, que, no alto da sua pose de se considerar o homem mais honesto do país, a colaboração dele pode “prejudicar muita gente, menos ele”.
Entrementes, o político afirmou “ter certeza” de que o ex-homem forte do seu governo não fará acordo com os procuradores, em que pese ter se prontificado ao juiz de Curitiba que está “disposto a contar tudo“ e a abrir caminho que “pode render mais um ano de Lava-Jato”.
O petista disse que, “Se tem alguém que sabe tudo sobre mim, esse é o nosso homem lá de cima. Eu não tenho preocupação com nenhuma delação. (O ex-homem forte) foi meu companheiro por 30 anos, é uma das figuras mais inteligentes desse país. Ele já é maior de idade. Eu tenho certeza absoluta de que não vai fazer delação. Ele pode contar tudo o que sabe, mas tenho certeza que pode prejudicar muita gente, menos eu”.
Na ocasião, ele também aproveitou para declarar que será candidato à Presidência da República, em 2018, pedir votos à população e dizer que não há plano B no PT.
Em conclusão, o político disse que “Antes eu tinha dúvida, mas hoje eu tenho certeza: quero ser presidente outra vez. Vou pedir ao povo brasileiro a licença para votar em mim. Para mim, não tem plano B”, tendo afirmado que se encontra tranquilo de que não será impedido de concorrer, embora ele seja réu em cinco ações penais e, se ele for condenado em segunda instância, até o ano que vem, ele será enquadrado na Lei da Ficha Limpa.
Ocorre que, nas últimas semanas, à vista dos depoimentos do empreiteiro da OAS e de delatores da Odebrecht, o partido dele passou a fazer análises internas sem o seu líder máximo na disputa do próximo ano.
Não se sabe ainda com base em que o ex-presidente se diz imune às carradas, às avalanches, aos tsunamis de acusações, muitas das quais respaldadas em provas coligidas e juntadas aos autos, a exemplo das denúncias feitas pelo Ministério Público e aceitas plenamente pela Justiça.
Já passou da hora de a verdade vir à tona e de se mostrar se o político é ou não culpado pelos fatos irregulares cuja autoria lhe é atribuída, muitos dos quais com altíssimos graus de culpabilidade, como as reformas que beneficiaram os questionados imóveis que são de amigos, mas um dos quais vinha sendo usado por ele, à vista da existência de objetos pessoais dele e da sua família.
          Um homem probo e idôneo jamais é acusado, por mínimo que seja, de ter participação de atos irregulares e, mesmo que seja, é do seu dever legal, na qualidade de homem público, de se empenhar em mostrar a sua inculpabilidade, como normalmente acontece com os políticos dos países sérios, civilizados e evoluídos democraticamente.
No caso do petista, convém, na qualidade de homem público, que ele se digne a provar junto à Justiça a sua inocência, porque, por enquanto, há muitas acusações e denúncias contra a sua honestidade e nenhuma contestação ainda aceita pela Justiça.
Não há dúvida de que os brasileiros anseiam por que o petista consiga comprovar as suas reiteradas declarações, afirmando ser o homem mais honesto da face da Terra, haja vista que o verdadeiro homem público não pode realmente ter qualquer mácula na prática de atos ou atividades públicos, sob pena de haver, no futuro, flagrante incompatibilidade com o exercício de cargos públicos. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 29 de abril de 2017

O começo do fim?

O principal executivo da empreiteira Odebrecht, que é fiel amigo do maior político brasileiro da atualidade e que sempre o cobriu de mimos e agrados, com presentes e muita propina, conforme as delações de seu grupo empresarial, disse que “Lula é um bon vivant. Não tem nada de esquerda. Gosta de coisa boa!”.
O mencionado empresário disse que colocou à disposição do “amigo” uma conta recheada de propina, com a “bagatela” de R$ 40 milhões, livres para retiradas de dinheiro a qualquer hora, além de bancar reformas de sítio, contratação de palestras a preços exorbitantes e injustificáveis, outras vantagens sem fundamento, tudo em troca de vantagens pela influência do poder dele.
Segundo o empreiteiro havia orientação sua para ajudar quem o político pedisse, tudo em torno dos favores mútuos, onde todos se beneficiavam, podiam ser para filho, irmão, sobrinho, amigo, partido etc., em demonstração de extrema promiscuidade com o dinheiro público.
          Ainda na década de oitenta, um famoso político teria dito, muito apropriadamente, que “o mau de Lula é que ele parece gostar de viver de obséquios” e isso fica explícito nas referidas delações, deixando à mostra a forma espúria de quem se diz ser a pessoa mais honesta da face da Terra, fato que não se compatibiliza sequer com citação sobre envolvimento em atos ilícitos, porque honestidade está fora de qualquer suspeita.
O político é do tipo de jactava-se com facilidade de estar sempre ao lado bons amigos, que estão sempre prontos a atender aos pedidos, do mesmo modo como ele correspondia em favorecimentos às benesses recebidas, em fidelidade às generosas amizades construídas ao longo da sua vida pública, em uma relação tão próxima como extremamente promíscua, conforme mostram as delações exaustivamente narradas na mídia, por seus autores.
Conforme as aludidas delações, a sua ambição política foi capaz de causar incalculáveis prejuízos ao patrimônio da Petrobras, pelo desvio de montanhas de recursos para atender aos acordos previstos nos esquemas criminosos, integrados por partidos políticos e inescrupulosos políticos e executivos.
Está bastante demonstrado que o político instaurou sólidos esquemas de corrupção como política de Estado, de tal modo que os desvios de recursos se alastraram como praga nas estatais e passaram a ter conotação de endemia, que foram institucionalizados, para servir aos seus interesses consubstanciados nos seus bisonhos projetos políticos de dominação das classes política e social e de conquista do poder.
Com dificuldades para se defender, apenas alegando que não existem provas contra ele, o político gostaria mesmo é que tudo fosse às favas, levando consigo os princípios que devem permear a gestão dos recursos públicos, de modo que, em um passe de mágica, esse lado podre fosse soterrado, passando a existir somente a bonança e a esperança de dias melhores.
Ele costuma contestar as acusações e denúncias, assegurando que elas são fruto de mentiras e invenções absurdas, normalmente ditas por quem quer agradar a Justiça, para se beneficiar com suaves penalidades, ou seja, em termos de verdade, somente a dele faz sentido e precisa prevalecer, embora as provas que o incriminam são fartas e estão documentadas com fartura.
Poderia constituir uma fábula bastante interessante com a montagem de conluio com base em argumentos concatenados pelos delatores, que descrevem com minudência e requinte de detalhes as falcatruas protagonizadas pelo político, que finge, como um dos melhores atores, não dá crédito aos fatos com a robusteza e precisão jamais vistas no cenário policial.
Não obstante, ele tem reclamado, com insistência, das noites insones, “sonhando” acordado com o momento de ser, enfim, preso, o que, quando acontecer, já vem muito tarde, considerando que outros políticos e executivos com muitíssimo potencial de delinquência, já foi preso há bastante tempo e estão estudando forma para se safar de suas falcatruas.
Recentemente, um companheiro de mesma ideologia socialista, tendo se desencantado com os rumos tomados pelo político, reclamou do partido dele e do seu criador, com a manifestação dura de muita insatisfação, dizendo que “simplesmente não pode manter as mãos fora da caixa registradora… que está roubando o tempo todo”, fazendo alusão àquele que fora seu grande ídolo, no passado.
O político imagina que pode vencer a Justiça no grito e, para tanto, ele acredita na mobilização da militância e de simpatizantes, que enxergam nele verdadeira divindade, a despeito de seus pecados revelados pelas delações, para se entrincheirarem em protestos nas imediações da sede da Polícia Federal, em Curitiba, onde, no próximo dia 10, vai ocorrer o que estão chamando de “embate do século” entre o paladino da Justiça e o todo-poderoso.
A veneração ao político é tão desmedida que a lei, que lei, que nada, porque ela não é simplesmente aplicável ao cacique, porque ele tem a alma mais honesta do planeta e não pode ser enquadrado nas leis dos homens, que são obrigados a respeitar a sua autoridade suprema, não podendo pairar dúvidas sobre seus atos na vida pública, sob pena de desprezo à divindade, que não erra, não mente nem comete deslizes.
A sua honestidade se baseia no princípio de que, sob sua peculiar ótica, ele seria incapaz de pedir um centavo a alguém e, por isso, não teria como sequer se insinuar que teria se beneficiado de propina ou de qualquer forma de benefício ilícito, como também não foi da sua autoria a armação de organização criminosa nem de quadrilha destinada a desviar recursos públicos.
          Enfim, em que pese a quantidade volumosa de informações, a enxurrada de evidências, a carrada de provas colimadas e tudo o mais que não deixa o mínimo de dúvida quanto à participação do político em esquema criminoso de desvio de recursos públicos, sem que nada de prova tenha sido apresentada em contestação às denúncias, fiéis ingênuos e desinformados ainda insistem em acreditar na inocência de quem apenas se esforça com a sua singular capacidade para que o país mantenha o status quo da impunidade e da completa desmoralização, como acontece normalmente nas republiquetas. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 29 de abril de 2017

sexta-feira, 28 de abril de 2017

Desrespeito à vítima

Um juiz do estado norte-americano de Utah definiu um estuprador, antes de condená-lo à prisão, como um homem “extraordinariamente bom”, na presença da vítima do criminoso, que se encontrava presente na sala e teve que ouvir e engolir a seco esse cruel elogio a um criminoso insano.
Com certa gravidade, o juiz precisou conter as lágrimas ao falar do estuprador, antigo bispo da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, mas, apesar da sentida emoção, decidiu condená-lo por estuprar duas mulheres, em incidentes separados, ocorridos em 2013.
O juiz sentenciou que “A corte não tem nenhuma dúvida de que o senhor Vallejo é um homem extraordinariamente bom. Mas às vezes os homens bons fazem coisas ruins”.
As “coisas ruins” feitas pelo ex-pastor se referem ao estupro de uma mulher de 19 anos de idade, na época do crime. Ela foi obrigada a ouvir, na sala, o discurso emocionado do juiz.
Entrementes, a vítima disse, em tom de protesto, que “Ele nunca poderia ter pronunciado estas palavras. Dizer isso em um tribunal, diante da vítima de uma violação cometida por este homem, dizer que ele é uma boa pessoa é algo pouco profissional e inaceitável”.
O mesmo juiz já havia demonstrado sua bondade pelo estuprador, quando, em fevereiro último, no ato da apresentação dos crimes, ele permitiu que o acusado ficasse em liberdade, sem necessidade do pagamento de fiança, decisão considerada inusitada e surpreendente, em se tratando de caso de estupro duplo.
O ex-pastor foi condenado por um estupro em primeiro grau e por 10 delitos de abuso sexual.
O antigo bispo mórmon alegou ser inocente durante todo o processo. Após ouvir o veredito, ele se negou a aceitar os fatos e assegurou que “o sistema judicial é uma armadilha que obriga inocentes a se declararem culpados”.
O chefe da associação do Centro de Pesquisa Nacional de Violência Sexual dos Estados Unidos afirmou que as palavras insensatas do juiz causaram um impacto muito negativo numa vítima de estupro”.
Enfim, a sentença do juiz foi de condenação do ex-pastor a 15 anos de prisão pelos delitos de abuso sexual, e a cinco anos pelo estupro.
À primeira vista, poderia se imaginar que se tratasse de juízo medieval, que ainda estivesse aplicando as leis hieroglíficas, completamente em desarmonia com a realidade e a modernidade, mesmo na nação considerada evoluída, que domina soberanamente o avanço da ciência e da tecnologia, não sendo mais permitida manifestação estapafúrdia e fora de contexto como essa.
Trata-se, sem dúvida, de imperdoável desrespeito à dignidade do ser humano e até mesmo de indiscutível incoerência, exatamente porque o criminoso foi condenado a prisão pela prática de crimes horrorosos, em completa incompatibilidade com a insensatez de pessoa elogiada como sendo homem "extraordinariamente bom", porque quem é realmente bom não comete crime bárbaro e hediondo, como o de estupro, que tem como marca a destruição da dignidade do ser humano.
Em hipótese alguma, o magistrado poderia ter ressaltado, no momento do julgamento de terríveis crimes, outras qualidades senão que pudesse contribuir para atenuar a gravidade dos violentos crimes, o que não foi o caso, ante a clara demonstração de desrespeito à vítima, presente no local, por certamente ferir a ética do exercício da magistratura e contribuir, de certa forma, de incentivo ao crime que, no caso, teria sido praticado por pessoa boa, na opinião do juiz, dando a impressão de que a culpa pelo crime era da vítima, que poderia o ter seduzido à pratica do censurado ato. Acorda, Brasil!
ANTONIO ADALMIR FERNANDES

Brasília, em 28 de abril de 2017