sexta-feira, 19 de outubro de 2018

O despertar do Nordeste?


O primeiro turno da eleição presidencial mostrou que o candidato petista teve expressiva votação no Nordeste do país, em possível sentimento de apoio às políticas populistas desenvolvidas naquela região pelos governos do PT, em demonstração de reconhecimento e gratidão pelo que pode ter sido uma prova do interesse deles pelos nordestinos.
Não obstante, essa constatação foi o suficiente para viralizar mensagens de protestos, no mundo virtual e nas redes sociais, surgidas dos quatro cantos do mundo, demonstrando formas absurdas e inadmissíveis de preconceito e menosprezo aos nordestinos, por meio de expressões das mais depreciativas ao sentimento humano.
É evidente que essa forma de tratamento precisa ser refutada e repudiada, com a maior veemência, diante do sentimento democrático que todo cidadão tem assegurado no âmbito do Estado Democrático de Direito, em consonância com a necessidade do respeito recíproco que precisa imperar entre os cidadãos, sob a compreensão de que ninguém é melhor ou superior do que ninguém e o pensamento é livre para as suas escolhas políticas e ideológicas, inclusive no que diz respeito ao exercício da capacidade político-eleitoral.
Não há a menor dúvida de que, com relação ao nordestino, há a verdade sociológica, que precisa ser respeitada, por força das circunstâncias históricas regionais brasileiras, uma vez que se trata de região com menos desenvolvimento socioeconômico, em comparação com as regiões do Sul, Sudeste e Centro-Oeste, muito mais por força do notório desprezo por parte do governo federal, que apenas presta socorro quando ocorre o agravamento de crises e ele se digna, por ser irrecusável, à prestação de imprescindível ajuda, à exceção da assistência social por meio do programa Bolsa Família, que ganhou proporção extraordinária a partir do seu turbinamento, por iniciativa do governo petista.
          É bem provável que a maciça votação ao candidato petista tenha relação com esse inegável fato, como a justificar a preferência do eleitorado ao presidenciável do PT, não que isso possa significar qualquer forma de inferioridade humana, muito embora as pessoas mais pobres que moram mais para o interior do Nordeste têm muito maior dificuldade para a obtenção de informações precisas sobre os candidatos, com relação aos predicativos deles e de seus partidos, levando-se em conta que as capitais dos estados, quase todas, deram vantagem a candidato adversário do petista, o que pode confirmar essa assertiva.
O que pode ser considerada pura verdade, sem qualquer sentimento de preconceito nem desprezo ao sentimento nordestino, por ser fato irrecusável, é a constatação de que as pessoas com maior nível de informadas percebem mais facilmente - e as menos informadas têm dificuldade para entender - que a incompetência administrativa e a desmoralização dos princípios da ética, da dignidade, do decoro, da probidade e da honorabilidade não condizem com o elevado conceito de gestão pública que é ansiado para a governança do Brasil.
O sentimento da imperiosa mudança que se pretende para o Brasil, diante dos indiscutíveis escândalos acontecidos nos últimos governos, exige que o país nunca mais seja administrado por estadista sem o menor senso de responsabilidade pública e que o novo presidente tenha capacidade e condições gerenciais de evitar coalizões ou alianças espúrias com políticos de reputação questionável; não inchar a máquina pública para atender conveniência política interesseira; não permitir que seu partido integre esquemas para desvio de dinheiro público, a exemplo, em especial, dos mensalão e petrolão; não financiar obras públicas no exterior, com recursos dos contribuintes; combater, de forma intransigente, a corrupção, por meio de atos efetivos e não penas com palavras; não negligenciar na prestação dos serviços públicos; não conduzir o país para dificuldades econômicas; não resistir às reformas estruturais do Estado, com vistas à sua modernização; recusar o patrocínio de megas eventos, do tipo Copa do Mundo de Futebol e Olimpíada, quando o povo padece pela falta ou deficiência da prestação de serviços públicos; entre outras deformações na administração pública que as pessoas com pouca informação certamente têm menos condições de avaliar o desempenho dos governos, que tiveram e ainda têm conceito acima da média certamente em razão da bondade emanada do pagamento do Bolsa Família e de outras formas de assistência, que são percebidos mensalmente pelos beneficiários, que estão à distâncias dos graves problemas que contribuem para o gargalo ao desenvolvimento socioeconômico.
É preciso que a verdade seja dita e esclarecida o mais urgentemente possível aos nordestinos de que o benefício do Bolsa Família faz parte de programa de assistência não de governo, mas sim de Estado, que conta com recursos oriundos dos contribuintes, não tendo nada a ver com a filosofia partidária, posto que qualquer governo, não importando o partido que ele represente.
Melhor exemplo dessa realidade é o fato de o atual presidente do país, que integra o MDB, ou seja, diferentemente do PT, vem pagando normalmente o Bolsa Família e assim sucessivamente, o que vale dizer que não passa de balela essa absurda vinculação desse programa ao PT, que apenas vem se beneficiando ao longo dos anos, de forma indiscutivelmente indevida, irregular e irresponsável, dos votos dos sertanejos, que talvez possam imaginar que existe a necessidade do dever de compensação com o voto aos candidatos integrantes do PT, conforme o resultado da recente eleição presidencial, quando o candidato do PT sagrou-se vitorioso em todos os estados, à exceção do Ceará, por ter um presidenciável daquele estado, enquanto as outras quatro regiões do país deram vitória ao adversário dele, em clara demonstração do peso do chamado voto de cabresto, segundo assim entendido pelos especialistas em sistema político-eleitoral, à vista da vinculação do voto com os candidatos de determinado partido.  
O povo nordestino é bastante inteligente e sabe muito bem o que quer, mas ainda não percebeu a sua força política para exigir dos homens públicos a solução das pletoras questões que, reiteradamente, se avolumam ano a ano, a exemplo das tragédias causadas pelas secas, que são tratadas de forma apenas paliativa e circunstancial, dando azo aos aproveitadores de plantão, em especial os inescrupulosos políticos que transformaram as crises climáticas na indústria mais lucrativa da face da terra, segundo mostram os fatos do dia a dia.
Salvo melhor juízo, ainda falta aos nordestinos o gosto pelo dever cívico despertado pela necessidade da exigência, por meio da união das pessoas em mutirões, para serem cobradas as melhorias tão ansiadas para o Nordeste, não aceitando mais medidas somente adotadas caso a caso, como forma de satisfazer os problemas localizados e emergenciais, sendo que muitos dos quais ficam se arrastando ao sabor da incompetência administrativa, a exemplo da indispensável e urgente transposição das águas do Rio São Francisco, com previsão para inauguração para 2012, mas agora foi empurrada para só Deus sabe quando, sem sopesar a montanha de recursos já despendidos, que saltaram dos 2 bilhões de reais para nada mais nada menos do que 8 bilhões de reais, ou seja, o valor foi multiplicado por 4.
Compete ao bom e trabalhador povo do Nordeste exigir mais atenção do governo federal, no sentido de haver investimentos em programas de desenvolvimentos regionais, a título de incentivos fiscais para os empresários, para atrair o capital para o interior totalmente desprezado e desconhecido pelo governo, que somente toma conhecimento da sua existência no exato momento das apurações das urnas.
A propósito, nesse sentido, enviei crônica para um candidato, com proposta para a criação de polos de desenvolvimento do Nordeste, de modo que algumas cidades do interior possam receber uma indústria, cuja finalidade é levar progresso para a própria cidade e as outras circunvizinhas dela, além de propiciar dignidade ao nordestino pai de família, que não pode ficar eternamente dependente do Bolsa Família, que bastante importante, mas a valorização e a dignificação do nordestino somente será possível com a criação de emprego, de modo que a região possa se desenvolver, de forma consistente, com a garantia da produção e do emprego permanentes.
Quanto ao Bolsa Família, trata-se de programa essencial para os nordestinos, mas a sua continuidade somente deveria acontecer em casos excepcionais e esporádicos, enquanto o pai ou mãe de família não fosse encaminhado para o emprego, que poderia ser institucionalizado por meio de programas de especialização profissional a cargo do governo, até mesmo com recursos provenientes desse programa.
À toda evidência, o formato do Bolsa Família precisa ser transformado em programa que tenha por estrutura a possibilidade de assegurar emprego para os beneficiários, que não podem ficar reféns do comodismo demagógico do governo que, por falta de iniciativa, permite que esse programa se mantenha em perene atividade, sempre com o mesmo formato, tão somente em harmonia com a alimentação do deplorável populista, com o aproveitamento da ingenuidade da população, que não percebe que isso faz parte de projeto com forças suficientes para a consecução de projeto pertinente à conquista do poder e a perenidade nele, no caso de governos socialistas, que não importam quanto aos fins para o atingimento de seus objetivos.
          É de se lamentar que o povo do Nordeste ainda aceite a antiquada forma  de politicagem, respaldada por manipulações e procedimentos totalmente incompatíveis com a modernidade democrática, as conquistas da humanidade e, em especial, a grandeza de sua gente, de modo que as suas lideranças possam reivindicar a implantação de projetos de impacto para a região, a exemplo do referido polo de desenvolvimento do Nordeste, que precisa ser aprovado com o máximo de urgência, ante a possibilidade de contribuir, por meio de medidas concretas e substanciais, para significativo benefício da população, que não que pode continuar em extrema dependência, como medida paliativa, provenientes dos benefícios do Bolsa Família, quando essa situação deprimente já deveria ter sido transformada há muito tempo em amparo substancial e efetivo, por meio de programas de desenvolvimento que gerem emprego, em razão do poder e da influência que seu eleitorado dispõe para exigir tratamento digno dos governantes e dos homens públicos. Acorda, Nordeste!
Brasília, em 19 de outubro de 2018

quinta-feira, 18 de outubro de 2018

Repúdio à insensibilidade humana


Circula na internet mensagem dizendo exatamente o seguinte: “Ah blá blá blá presidiário. Sabe quem tbm foi preso? Mandela, Martin Luther King, Jesus... Sabe quem não foi? Hitler (sic)”.
É bem possível que o aludido texto, pobre e melancólico, queira fazer alusão ao mais importante político brasileiro preso, talvez como forçada tentativa de mostrar que não é desonra autoridade ser presa, mesmo nas condições lastimáveis de acusado por desvio de recursos públicos, em benefício próprio, segundo atestação da Justiça, tendo por base a denúncia dos fatos delituosos, as delações e os levantamentos e investigações realizadas pelas instituições especializadas.
Ocorre que a aludida mensagem não especifica os motivos pelos quais as personalidades elencadas acima foram presas ou, no caso uma que deixou de ser, mas, por certo, nenhum deles se beneficiou de propina, de recursos públicos, crime este devidamente atestado pela Justiça, com relação ao famoso preso brasileiro.
A verdade é que os mencionados homens públicos, com fama e destaque mundiais, foram presos em razão dos seus exclusivos empenho e dedicação em defesa de causas socialmente relevantes, capazes de justificar verdadeira injustiça contra seus atos ou ainda comoção social em prol de suas ações humanitárias.
          É muito importante se avaliar a causa motivadora das prisões desses heróis mundiais, porque isso é mais do que fundamental para se determinar o caráter dos grandes homens públicos que se tornaram heróis em razão de seus notáveis atos de espontânea bravura, pondo em risco a sua vida, depois de memoráveis demonstrações de coragem e destemor, por terem sido capazes de defender magistrais causas da sociedade, do povo da sua época.
Esses atos de verdadeiro amor ao próximo, que têm o autêntico significado de altruísmo, se diferencia extraordinariamente do degradante sentido daquele em que o homem público é preso por decorrência de acusação e denúncia referentes à prática de irregularidade, com a caracterização dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, porque isso tem a conotação própria de ato indigno que leva ao indevido enriquecimento pessoal, diante da configuração de crimes contra a administração pública, fato este bastante dissonante das prisões decorrentes da defesa de notáveis causas sociais, políticas e humanitárias.
Causa perplexidade que, em pleno século XXI, quando a humanidade já conseguiu significativa evolução social e humanitária, à luz do aproveitamento dos conhecimentos científico e tecnológico, com o atingimento de elevado nível de conhecimento, ainda haja gente totalmente incapaz de diferenciar os fatos louváveis, dignos do reconhecimento pela verdadeira disposição de bravura, altruísmo e coragem em defesa de seu semelhante, de casos visivelmente deprimentes e desmoralizantes, por simbolizarem, de forma cristalina, a decadência moral e cívica de quem tem o impoluto dever de quem atingiu o ápice na vida pública de, ao contrário, dá bons exemplos de dignidade e honorabilidade.
Não obstante, de modo diferente, a personificação do político preso é somente comparável a de um condenado qualquer, sem a menor diferença de seus pares que cometeram os mesmos crimes pelo recebimento de propina, segundo a confirmação da Justiça, que tem prevalência sobre qualquer outro entendimento, enquanto não houver medida judicial que altere o veredicto em plena vigência a declarar, na forma do ordenamento jurídico do Brasil, que o todo-poderoso politicamente tem a equivalência de qualquer pessoa presa incursa nos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em consonância com o princípio constitucional segundo o qual os brasileiros são iguais perante a lei, em direitos e obrigações, o que vale dizer que a única diferença entre o ex-presidente da República, em termos legais, é o direito ao usufruto de sala especial, em respeito à liturgia do relevante cargo por ele ocupado.
As pessoas precisam se conscientizar de que o salutar princípio isonômico é aplicável indistintamente aos brasileiros, como imperativo constitucional que precisa ser observado de forma retilíneo sobre todos aqueles que cometerem crimes similares, não importando a relevância da sua autoridade política ou pública, que, quanto maior ela for, mais é o seu dever de mostrar a sua elevada conduta limpa, de cidadão probo e imaculado, quanto aos seus atos na vida pública, como imperativo legal, que determina que o homem público tem o dever de prestar contas sobre a regularidade de seus atos.
Causa enorme estranheza que a insensibilidade humana ainda tente perseguir objetivo totalmente incompatível com a realidade dos fatos, como nesse caso do político preso, que tem a indevida veneração de alguns idólatras, por o defenderem como que seu crime de lesa-pátria, por horrível afronta aos princípios republicano e democrático, pudesse ser comparável aos atos heroicos de grandes humanistas, a justificar as suas prisões, evidentemente no insano entendimento de quem os prendeu, por acharem que eles estariam infringindo as regras e os princípios da época.
No caso do político brasileiro preso, tem-se a nítida impressão sobre a fragilidade mental e ideológica de seus intransigentes defensores, pugnando por liberdade de pessoa despudorada, diante dos movimentos com conotação de pura demência intelectual de seus integrantes, à vista da extrema falta de fundamentação jurídica para justificar sequer o mínimo esforço que seja na defesa da vergonhosa causa por ele protagonizada, qual seja, o desprezo aos princípios da probidade e da dignidade ínsitos no verdadeiro homem público, por via do indevido recebimento de propina, assim decretado pela autoridade da Justiça brasileira, que tem o poder constitucional de julgamento dos atos irregulares contra a administração do país.    
Não há a menor dúvida de que a infeliz e desditosa ilação sobre prisões de verdadeiros heróis, que chegaram ao patamar da glória justamente por atos dignos e edificantes, deixa na poeira qualquer pensamento comparativo com alguém que simplesmente se envolveu em caso pessoal de exclusiva competência  da Justiça brasileira, que não tem nenhuma conotação com cunho político ou social, merecendo os repúdio e protesto dos brasileiros que anseiam pela moralização do Brasil e pelo feroz combate à corrupção e à impunidade, como a única forma de passar o país a limpo, o mais rapidamente possível. Acorda, Brasil!
Brasília, em 18 de outubro de 2018

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Cadê o princípio da civilidade?


O PDT aprovou o que passou a ser chamado de “apoio crítico” à candidatura do presidenciável petista, no segundo turno da eleição presidencial, tendo como justificativa, segundo informação do presidente do partido, que essa decisão tem o significado de ato contra o presidenciável do PSL e “os riscos que ele representa”, do que propriamente o efetivo apoio ao projeto de governo do petista.
O presidente do PDT disse que “Somos muito mais um voto contra ele (Bolsonaro), contra o risco que ele representa à democracia, aos direitos humanos, ao respeito às liberdades individuais, muito mais contra essa quase certeza dos riscos que ele (pesselista) representa do que um apoio ao Haddad. Mas não vamos nos omitir (no segundo turno)”.
Na tentativa de justificar o posicionamento do partido, o seu presidente partido evocou “a memória” do PDT em relação ao golpe militar de 1964, tendo afirmado que “Hoje o tipo de golpe é mais sofisticado, é um golpe legitimado pelo voto popular, o que torna ainda maior os riscos à democracia brasileira. Nós já sofremos 1964, somos filhos e netos dos que sofrerão pela ditadura, somos o partido dos cassados, dos exilados, dos perseguidos e dos mortos. Não esquecemos esta memória. Em nome dessa memória que queremos alertar o brasileiro sobre essa personalidade que engana o povo”.
O presidente do PDT ressaltou, de forma clara, que o uso do termo de “apoio crítico” é referência aos ataques que o PT fez à candidatura do seu presidenciável, durante o processo eleitoral, ou seja: “É um apoio com as críticas que temos em relação ao PT, aos golpes que eles nos desferiram durante o processo eleitoral, pressões para retiradas de candidaturas. Isso é nossa crítica”.
Na verdade, a referida declaração tem referência à manobra, orquestrada com aval do político preso, que resolveu atrapalhar as negociações de apoio do PSB à candidatura do presidenciável pedetista, ainda no primeiro turno, que foi classificada como rasteira do PT no PDT.
Naquela ocasião, os petistas decidiram retirar candidaturas em outros Estados para não atrapalhar nomes do PSB que disputavam os mesmos cargos.
Em troca, os socialistas se comprometeram a ficar neutros no primeiro turno, em vez de apoiarem o presidenciável do PDT.
Mesmo com esse apoio, o presidente do PDT explicou que ninguém da direção do partido irá participar da campanha do petista, no segundo turno, em que pesem os acenos que o presidenciável petista vem fazendo à sigla.
Em conclusão, o presidente do PDT disse que “Não faremos nenhuma reivindicação. Será um voto claro sem participação na campanha e com a certeza de que não participaremos de nenhum governo, mesmo se Haddad ganhar a eleição. Vamos começar a construir agora 2022, já estamos decididos a lançar a candidatura de Ciro Gomes”.
Não há a menor dúvida de que o apoio do PDT ao candidato do PT é a materialização da pouca ou nenhum vergonha que os partidos políticos têm, quando o declaram, sem o menor escrúpulo, mesmo tendo seus interesses prejudicados no passado recente, como aconteceu com o presidenciável do PDT, quer simplesmente foi escorraçado das proximidades do PT, quando aquele buscava acordo para a união de ambos na corrida presidencial.
Em clara manobra política, o PT não somente se afastou do PDT como impediu que este fizesse aliança com o PSB, em claro e direto recado de que, naquela ocasião, este último partido precisava se afastar para bem longe da jurisdição petista, em clara demonstração de desinteresse na união de ambos, mas, agora, como se nada tivesse acontecido, o partido enjeitado corre com a cara mais deslavada para os braços daquele que o negou acolhida política.
O fato novo é que o PDT, esquecendo o péssimo tratamento dispensado, dias atrás, pelo PT, entendeu por bem apoiar o partido que havia batido as portas na sua cara, fato este que demonstra total falta de personalidade do partido desprezado, além de contribuir para a desmoralização dos princípios republicano e democrático, quanto à necessidade da valorização dos sentimentos de civilidade e respeito às salutares condutas da ética e da dignidade. Acorda, Brasil!
Brasília, em 17 de outubro de 2018

terça-feira, 16 de outubro de 2018

Insensibilidade humana


Diante de cena dantesca estampada em placa mostrando a irracionalidade de se imputar a autoria de crime bárbaro a seguidor de candidato presidenciável, escrevi a crônica intitulada “À busca da civilidade”, repudiando a atrocidade de que se trata, em condenação a tal atitude como sendo desumana e irresponsável, justamente sob o entendimento de que não havia qualquer indício de que aquilo poderia sequer ter um pingo de confiabilidade, o que se caracteriza como mero fake News, ou seja, sem a mínima credibilidade.
Agora o mais estranho de tudo isso é que o seu propósito nada mais era causar comoção e indignação aos eleitores do presidenciável que desponta na corrida ao Palácio do Planalto, com larga vantagem, em relação ao seu adversário, dando a entender que seus seguidores são capazes de praticarem maldade e crueldade contra pessoas gays, em evidente demonstração do mais vil e desprezível sentimento humano.
Em tese, mostrei que aquilo espelhava algo muito ruim, com a materialização de sentimento perverso, desumano e monstruoso, porque a mente doentia de seu idealizador e seus apoiadores evidenciava enorme distanciamento dos princípios cristãos, à vista do completo desprezo à verdade e à dignidade humana.
Na ocasião, apelei para as pessoas honradas, de boa vontade e com amor no coração, que repudiassem, com veemência, toda forma de difamação, injúria, mentira e qualquer outra maneira de cristalina forçação de barra, em termos desumanos, para tão somente tentarem a transformação dos entendimento e sentimento das pessoas, por via de mera manipulação absolutamente condenável e anti-humana, diante da imperiosidade imposta às relações sociais de respeito à diversidade, à multiplicidade de pensamentos e, em especial, à dignidade ao ser humano.
Embora o propósito de minha crônica tivesse a melhor das intenções, em estímulo aos saudáveis princípios humanitários, houve quem se insurgisse contra seus termos, mostrando vídeos supostamente atribuídos a um presidenciável e fazendo indagações se eu concordaria com o seu conteúdo, em evidente demonstração de alheamento ao principal fato de desumanidade abordado no meu trabalho literário, exigindo que eu voltasse a escrever sobre o mesmo tema, conforme o texto a seguir.   
Ao contrário do que possam imaginar, procurei mostrar, na referida crônica, que é extremamente desumano se fazer acusação sobre a prática de alguma coisa errada, atribuindo a alguém, sem a devida prova da materialidade acerca da sua autoria, principalmente em nome e na defesa de ideologia claramente desfocada da realidade e da verdade.
Não sei qual seja o sentimento dessas pessoas que ficam mostrando e divulgando fatos que podem ser objeto de criação de mentes doentias, sem respaldo fático, conquanto o seu objetivo é claramente procurar distorcer os fatos e a verdade, sem se perceber que a sua atroz finalidade mostra o grau de degradação do ser humano, de forma absolutamente injusta, cruel e desumana, que simplesmente contradiz o puro sentimento cristão, como parece ser o caso da placa a que me referi.
Para mim, merece o maior sentimento de pena tanto com relação ao autor da citada placa como, principalmente, no caso das pessoas insensatas que defendem espetáculo da pior indignidade contra o ser humano, como se não pertencesse à espécie Homo sapiens, por acharem normal que, em pleno desenvolvimento da humanidade, ainda seja possível a existência de gente com mentalidade tão desprezível que não merece senão a desconsideração e a antipatia.
Não defendi na minha crônica senão o respeito à criatura humana e à verdade, sem nenhuma menção a candidatura de presidenciável, a ponto de merecer a mostra de imagens totalmente fora do contexto, como absurda demonstração de que a carapuça caiu muito bem para aqueles que não se envergonham de distorcer os fatos e a verdade, dando acolhimento a notícias infundadas e absolutamente irresponsáveis, mas com o nítido propósito da criação de algo exclusivamente arranjado para prejudicar seu semelhante, sem o mínimo de remorso, a mostrar que os fins justificam os meios, embora em situação bastante cravada de desonestidade.
Aliás, infelizmente, nos últimos tempos, tem se verificado que grande parcela da humanidade tem ficado cada vez mais bestializada, como nesse lamentável caso em discussão, onde os defensores da deprimente placa não se envergonham de considerar normal, diante de causa que também acham justa, a se confirmar o que disse acima, de que os fins justificam os meios, em clara alusão à devassidão moral e humana.
A que ponto chegou essa sociedade puída e rota, sem caráter, sem o menor escrúpulo, sem a dignidade humana de pelo menos ser capaz de se sensibilizar ou até mesmo de se calar, em respeito à sua indiferença, diante de notícia degradante, justamente porque o fato em si até pode ser verdadeiro, e que se fosse, seria repudiável do mesmo jeito, mas também, o mais grave, pode não passar de ato forjado, simplesmente para tentar prejudicar injustamente alguém?
Na convicta certeza, na qualidade de cristão e ser humano, absolutamente absorto sobre ideologias do bem ou do mal, considero deplorável a insensibilidade das pessoas para com causas de extremo interesse social, que acham que apenas deva prevalecer como correto o seu pensamento claramente poluído com maus propósitos, por concordarem com maldades e desumanidades, esquecendo-se do direito das pessoas normais puderem pensar diferentemente.
A verdade é que as simples imagens e expressões constantes da placa em referência, veiculada na internet, sem a indicação das devidas autoria dela e comprovação sobre a materialidade da culpa pelo crime apontado, podem ser forjadas por qualquer pessoa, sob doentio e agressivo pensamento ideológico, sem a menor preocupação com as consequências nefastas da acusação extremamente leviana, cruel e irresponsável, diante da desumana maneira de se inventar a incriminação, de forma injustificável, pessoa pública, salvo se provado em contrário, porque isso caracteriza crime grave e depõe contra o sentimento de dignidade ínsito do ser humano.
Concito, com todo respeito, as pessoas que não entenderam exatamente o sentido da minha crônica que tenham um pouco de sensibilidade humana, para compreenderem que sua verdade termina exatamente quando começa a verdade de seu semelhante e que é preciso respeitar os sentimentos do seu próximo, em especial evitando agredi-lo com atos, palavras ou imagens, porque isso pode mostrar inquietação prejudicial às saudáveis relações sociais. Acorda, Brasil!
Brasília, em 16 de outubro de 2018

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

Desmoralização de práticas políticas


Em primeiro ato de campanha para o segundo turno, o presidenciável do PT fez visita ao ex-presidente da República petista, na prisão, em Curitiba (PR), como forma de homenagem ao padrinho político, mas certamente essa visita de cortesia teve como principal objetivo colher orientação política para o começo da estratégia a ser esboçada para o restante da corrida eleitoral, que certamente há de pegar fogo nessa fase decisiva.
Na apuração das urnas, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral, o petista ficou em segundo lugar, com 29,3% dos votos apurados, contra os 46,1% do candidato ultradireitista, que já começa a segunda etapa presidencial com expressiva margem de vantagem sobre o petista.
De acordo com importante colunista política do jornal Folha de S. Paulo, também esteve no presídio, em visita ao petista-mor, o secretário de finanças do partido, que, em conjunto com a equipe de advogados do político preso, vão traçar os planos para a campanha petista do segundo turno.
Há setores do PT que defendem que o petista-mor delegue, de vez, a campanha ao presidenciável, para que ele busque os acordos necessários para o segundo turno e tenha autonomia para resolver as questões próprias da sua candidatura, ficando livre da orientação do político preso.
Um dos dirigentes do partido afirmou à coluna do jornal Folha de S. Paulo que a prioridade agora é criar uma “zona de conforto” para que pessoas que rejeitam o candidato de oposição, mas, ao mesmo tempo, são críticas ao PT, possam apoiar o candidato petista, num movimento suprapartidário e da sociedade civil “pela democracia”.
Na avaliação de caciques petistas, a vitória sobre o capitão reformado, nessa altura da campanha eleitoral, é considerada “muito difícil”, mas não chega a ser impossível.
Não há a menor dúvida de que já se tornou normal o candidato petista se dirigir ao presídio de Curitiba, toda segunda-feira, para reabastecer seu arsenal de argumentos para dá continuidade à sua campanha presidencial, como uma espécie de moleque de recados, em cristalina demonstração de que ele não tem condições de atuar de forma independente, precisando ser orientado pelo presidiário, que mantém sobre seu controle as atividades não somente partidárias, mas também tudo que envolve a candidatura de afilhado político.
Em tese, a campanha eleitora do PT é centralizada e comandada de dentro da cadeia e isso seria a maior sinalização de que, em caso de vitória do candidato petista, o Brasil também poderá ser governado de dentro do presídio, eis que ninguém ousa fazer absolutamente nada sem a ingerência do todo-poderoso, que, mesmo preso, dita as normas que devem ser seguidas no seio do partido.
Agora, em termos de práticas políticas, é completamente inadmissível que alguém de dentro da cadeia ainda se julgue com plenos poderes para ditar os destinos do partido, que não consegue ter autonomia para resolver seus problemas sem a orientação dele, como nesse caso, em que o candidato se submete ao ridículo de visitá-lo para pedir conselhos e pegar  orientação a um criminoso condenado pela Justiça, em visível situação de constrangimento moral, principalmente em se tratando de candidato ao principal carga da República, em que ele tem o dever de integridade moral para ser independente e autêntico homem público, para ser livre e com poderes autônomos quanto ao destino da sua campanha.
Tem sido normal, nos últimos tempos, os chefões da criminalidade darem orientações sobre as atividades das organizações criminosas, mas jamais essa forma de se comandar campanha eleitoral teria sido feita diretamente do presídio, o que demonstra forma explícita de desmoralização das práticas político-eleitorais, em que presidenciável não se envergonha de ser orientado por condenado, de dentro do presídio.
Não há a menor dúvida de que é por demais deprimente que o presidiário seja conselheiro de candidato à Presidência da República, em evidente inversão de valores e da ordem democrática, que jamais se poderia imaginar que as atividades políticas pudessem chegar a ponto tão deprimente e aviltante, evidentemente em situação inadmissível nem mesmo nas piores republiquetas, onde o primado democrático é questão de honra para seu povo.
Esse episódio tem o condão de evidenciar que o candidato petista não tem o mínimo de personalidade, por se permitir ser verdadeiro marionete, que se submete passivamente às ordens emanadas por presidiário, em situação absolutamente constrangedora quanto aos padrões de dignidade do ser humano, que precisa ser respeitado na sua honra como cidadão.
É preciso que os brasileiros honrados repudiem, com veemência, essa forma estapafúrdia e desmoralizante de prática política, em que candidato se digna a ser orientado por preso, no âmbito da cadeia, diante da sublime evidência de que ele padece das mínimas condições de dignidade e moralidade para representar o povo, à vista da sua submissão à orientação de condenado à prisão justamente pela prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em completa incompatibilidade com o exercício do cargo público para o qual o candidato pleiteia se eleger, dando a entender que ele simplesmente despreza a relevância da sua liturgia, considerando que o presidente da República precisa demonstrar altíssimos sentimentos de culto aos salutares princípios republicanos de moralidade e dignidade, que são inexistentes na pessoa de quem se encontra presa. Acorda, Brasil!
Brasília, em 15 de outubro de 2018

À busca da moralidade


O presidenciável do PT admitiu, somente agora, que “durante os governos do PT, faltou controle interno nas estatais e que diretores ficaram soltos para promover a corrupção”.  
O petista disse que “Faltou controle interno nas estatais. Isso é claro. Diretores ficaram soltos para promover a corrupção e se enriquecer pessoalmente”.
Em outro momento, demonstrando indagação com relação aos dirigentes do partido, o petista respondeu: “Aí é pior. Se algum dirigente cometeu erro, garantido amplo direito de defesa, mas, se concluir que alguém enriqueceu, tem que ir para cadeia, com provas”.
Mais adiante, o petista completou seu raciocínio, afirmando que “A crítica é importante – e eu tenho feito –, mas também eu tenho que apontar os caminhos de superação. Vou dar um exemplo: eu falei, o ministério que eu comandei por 6, 7 anos quase, tinha uma controladoria muito forte. Então, nós não tivemos casos de corrupção no ministério que tinha 100 bilhões de reais de orçamento”.
O presidenciável petista aproveito o ensejo para criticar a falta de debate entre os presidenciáveis, na televisão, dizendo que “Quem não tem proposta não tem o que debater. Eu lamento porque alguém que queira presidir o país tem de ter projeto para o país. Não pode passar incólume. Você tem que passar pelo crivo do debate, do contraditório, inclusive para esclarecer o que ele vem dizendo, para pleitear a Presidência da República. Acho que não tem paralelo na história do Brasil alguém que tenha chegado à Presidência sem participar de um debate”.   
É preciso que se diga que não tem o menor fundamento a alegação do presidenciável petista sobre a falta de debate entre os presidenciáveis, não passando de queixa absolutamente infantil, porque somente participa dessa forma de atividade política quem vislumbrar interesse em se submeter aos possíveis desgastes das acusações, das questões e dos incômodos normalmente preparados para que quem está na dianteira da corrida eleitoral, justamente para que ele possa incorrer em erros absolutamente dispensáveis, à vista de não haver, para ele, o menor interesse em submissão ao debate inócuo, que serviria apenas para o adversário inferiorizado enchê-lo de acusações as mais estrambóticas possíveis.
À toda evidência, nas circunstâncias, o debate para pesselista não contribui absolutamente em nada, quando se imagina que a situação de liderança dele já é cômoda e encontra-se praticamente consolidada, não fazendo o menor sentido a abertura de brecha para possível perigosíssima escorregadela em casca de banana, jogada exatamente para prejudicá-lo eleitoralmente.
Diante disso, o presidenciável petista somente perde seu tempo malhando em ferro frio, porque o presidenciável adversário somente está empregando o mesmo critério usado no passado por candidato petista, quando ele estava na dianteira da corrida presidencial.
Ou seja, a falta de paralelo quanto à inexistência de debate entre presidenciais foi inaugurada justamente pelo petista-mor, por ocasião da sua reeleição, que deixou de comparecer ao debate promovido pela TV Globo, sob o argumento de que seus adversários estavam preparados para agredi-lo com acusações sobre a sua gestão, o que vale dizer que o atual presidenciável petista poderia ter se informado melhor para evitar passar por esse vexame, por estranhar idêntica situação inicialmente oficializada pelo todo-poderoso.
Por seu turno, a autocrítica sobre casos de corrupção em governos do PT já mostra o lado bastante diferente do petismo que se vangloria do seu passado vitorioso, embora jamais e em tempo algum teve a humildade e a dignidade de assumir qualquer forma de culpa pelos escândalos de que tratam, em especial, os famigerados mensalão e petrolão, de triste memória para os brasileiros honrados e dignos.
Enfim, alguém do PT tem coragem de confessar que a falta de controle interno e, de resto, a incompetência administrativa foram a marca registrada do seu partido, que, de forma vergonhosa e irresponsável, desviaram montanhas de recursos públicos, a exemplo dos estragos causados ao patrimônio da Petrobras, que teriam como destinação primária benfeitorias para a população, que padeceu com a inanição e escassez de verbas para a realização de serviços e obras públicos, mais especificamente as precariedades crônicas verificadas na saúde, na educação, na segurança, na infraestrutura, no saneamento básico, entre outras obras indispensáveis ao desenvolvimento socioeconômico.
O certo é que a deplorável corrupção foi a marca de partido que simplesmente se lambuzou com tanto dinheiro desviado dos cofres públicos, os quais tiveram destinação diferente daquela programada, visto que a administração pública foi aparelhada, em uníssono e profusão, com a finalidade de desviar dinheiro dos brasileiros, para satisfação de finalidades partidárias e interesses pessoais ou partidários, conforme mostram as delações premiadas e as investigações implementadas pelos órgãos pertinentes, evidenciando a fartura da prática de atos espúrios e inescrupulosos, em detrimento dos interesses dos brasileiros.
Os péssimos exemplos de corrupção sistêmica e endêmica perpetrados pelo família administrativa petista, conforme reconhece o presidenciável petista, é a prova inexorável que faltava para mostrar aos brasileiros que partido, com essa terrível índole da prática de irregularidades com dinheiro público, somente mostra que ele não tem dignidade para voltar a retomar o poder, diante da intrigante dúvida se o novo governo petista teria condições de resistir à sanha maléfica e destrutiva dos corruptos que não foram exterminados das entranhas da agremiação, que já vêm sendo investigados sob esse mar de podridão que infestou suas gestões do passado recente.
Nos países com o mínimo de seriedade e civilidade, em termos políticos e democráticos, o simples reconhecimento de fragilidade no controle interno que permitiram o desvio de montanhas de recursos públicos, para finalidades nada republicanas, já é mais do que suficiente para que o partido fosse banido, em definitivo, das atividades políticas, diante da constatação de que os fatos deletérios precisam ser definitivamente escoimados das atividades políticas, em benefício dos brasileiros, que foram extremamente prejudicados com as ruinosas roubalheiras perpetradas por quem tinha a obrigação de ser prudente e zeloso na gestão dos recursos públicos, mas a verdade é que o presidenciável não consegue omitir fatos extremamente deploráveis na histórica política brasileira, e que seu partido é realmente alvo das piores roubalheiras de recursos públicos já detectadas da história política brasileira.
É induvidoso que o presidenciável petista confesse, agora, o que o partido sempre ignorou, em clara falta de compromisso com a dignidade e a verdade sobre os fatos, o que todo mundo já sabia acerca da existência de esquemas estruturados, consistentes na inexistência de sistema de controle interno das estatais, que tinham o efetivo comando do partido, a quem competia também não permitir que essa esculhambação tivesse acontecido, precisando que o partido também assume as responsabilidades pelos danos causados aos cofres das estatais, segundo a legislação aplicável à espécie.
Essa confissão nada mais é do que a evidência da baderna na gestão da coisa pública, quando se reconhece a falta de controle interno e a total liberalidade para os dirigentes fazerem o que bem entendiam sob o seu comando, inclusive roubarem os cofres das estatais, fato completamente inadmissível em governos íntegros, dignos e responsáveis, diante da obrigação funcional e legal da preservação do patrimônio dos brasileiros.
Esse fato, por si só, sugere a absoluta falta de competência de governos que deixaram de cumprir a sua primordial função de zelador do patrimônio dos brasileiros, quando a constituição obriga que a eficácia do controle externo depende da eficiência do controle interno, que o presidenciável petista alega que esse importante sistema não existiu nos governos de seu partido, com relação às estatais, fato que é da maior gravidade, porque demonstra extrema falta de responsabilidades administrativas, por se permitir que o patrimônio das estatais tenha sido dilapidado por seus dirigentes, na palavra desse candidato, ante a facilitação a partir exatamente dos controles exigidos pela Lei Suprema e legislação aplicável à espécie.
Por incrível que possa parecer, ao contrário do ele que imagina, a sua confissão sincera não tem o condão de contribuir para a sua campanha eleitoral, porque, para os especialistas em política, ela apenas patenteia a monstruosa fragilidade de governos incompetentes e prejudiciais ao interesse público e certamente que a eventual gestão dele também não teria condições de ser diferente, exatamente pela forma irresponsável e escandaloso do aparelhamento dos órgãos e entidades públicos, em forma do famigerado e espúrio fisiologismo adotado pelo partido, por não permitir que o controle do patrimônio público seja diferente do adotado no passado, ou seja, a esculhambação que se permite na indicação dos cargos de direção, normalmente feita pelo já famoso critério vergonhoso do “toma lá, dá cá” dos governos petistas, seria a repetição da tragédia admitida pelo presidenciável petista, com relação ao passado.  
          É evidente que o partido do presidenciável petista já teria sido obrigado, na forma legal, a fechar as suas portas, ou seja, proibido de exercer atividades políticas, há muito tempo, se os desvios de recursos públicos, cuja autoria é atribuída a integrantes da organização considerada indesejável ao interesse público, tivessem acontecido em qualquer outro país diferente do Brasil, ante a prevalência nele dos princípios da moralidade, do decoro, da probidade, da honorabilidade, da legalidade, enfim, do primordial sentimento da dignidade que precisa imperar no seio da administração pública, como forma da centralidade retilínea da correção e exatidão das atividades políticas e administrativas, não se permitindo qualquer desvio da retidão e da nobreza quando aos gastos públicos, à luz dos princípios republicano e democrático. Acorda, Brasil!
Brasília, em 15 de outubro de 2018

domingo, 14 de outubro de 2018

À busca da civilidade


Por meio de uma placa de madeira, alguém mostra caso de homicídio de ser humano, atribuindo a criminoso simpatizante do presidenciável do PSL, considerado de extremadireita brasileira, tendo como início a foto da pessoa assassinada, vindo abaixo os seguintes dizeres, ipsis litteris: “APOIADOR DE BOLSONARO MATA. Cabelereiro gay, 57 anos, Cacá foi encontrado dentro de armário de seu apartamento. Junto a mensagens de Viva Bolsonaro (sic).” e logo abaixo desse texto foi colocada a fotografia do citado candidato, com venda nos olhos.
Ainda na postagem, em seguida à aludida placa, foi escrito, in verbis: “Então mais um.... me pergunto como o povo pode querer para presidente uma pessoa que insufla o povo a fazer esse tipo de coisa (sic)”.
Certamente que casos semelhantes a este, de acusação infundada e com o cunho de destruição de candidatura, vão aparecer aos montes, no decorrer da campanha eleitoral, que talvez seja fruto da sublime insensibilidade humana, pelo fato de o candidato inferiorizado na preferência de voto dos brasileiros não ser o líder da disputa presidencial, porque, se fosse, nada disso estaria, felizmente, acontecendo, de forma bastante lastimável, pelo envolvimento de sentimentos humanos, que se pretendem manipular por meio de informações absolutamente inverossímeis, porque não devidamente comprovadas perante a opinião pública.
É até possível que, quem não conhece o famoso histórico de determinado partido brasileiro, que não é novidade de sempre prometer fazer o diabo para ganhar eleição, termine acreditando em situação degradante, fantasiosa e absurda como essa, que até já incorporou aos anais dos fatos estapafúrdios da política tupiniquim.
 Por certo, as pessoas sensatas vão entender que o desespero é capaz de inventar muitas monstruosidades, injúrias e mentiras, na tentativa de prejudicar quem desponta como virtual vencedor do pleito de que se trata, que até nem pode ser o estadista que os brasileiros honrados anseiam para governar o Brasil, mas isso faz parte do jogo democrático, porque o seu adversário também tem as suas notáveis deficiências, a exemplo, mais aviltante, de fazer campanha eleitoral sob as inadmissíveis interferência e orientação de pessoa fora da lei, segundo veredicto da Justiça, que não compete a nós outros entrar no mérito da questão, justamente por falta de elementos.
Agora, as pessoas cristãs, que professam religiosamente os princípios do Mestre Jesus Cristo, precisam se conscientizar sobre o seu dever humanitário, em termos de respeito aos sentimentos ínsitos do ser humano, sabendo-se que todos são iguais perante Deus, e ter a suficiente sensatez humanitária de somente disseminar fatos e casos que tenham absoluta certeza da sua existência material, mediante a exposição da devida comprovação de que aquilo realmente aconteceu da forma como a imagem e a legenda apresentam para o público, tal e qual como ele aconteceu de verdade irrefutável.
A verdade é que as simples imagem e expressões publicadas, sem a devida autoria, na internet, podem ser forjadas por qualquer pessoa, ao seu talante doentio e agressivo, sem se preocupar com as consequências nefastas de acusação extremamente cruel e irresponsável, as quais não podem servir de argumento para se incriminar injustamente pessoas públicas, até se provar o contrário, porque isso, além de ser caracterizado como crime grave, depõe contra o sentimento de filho de Deus.
É absolutamente inadmissível que alguém, por mera ideologia ou simpatia à candidatura de determinado partido, possa acreditar, sem provas materiais suficientes, em situação tão degradante envolvendo sentimentos humanos, apenas com a finalidade de tentar prejudicar a candidatura adversária, que somente seria possível para as pessoas insensíveis e igualmente desmioladas, que professam as mesmas ideologias maldosas e desequilibradas.
É bastante lamentável que, em pleno curso do século XXI, ainda tenham pessoas que se achem evoluídas e influentes acreditando em imagens absurdas como essa, por contribuírem e as respaldarem por meio de compartilhamento irresponsável, que tem o visível propósito de denegrir a figura política de candidato que se apresenta como liderança opositora de outro candidato possivelmente da simpatia de quem, de forma entusiástica e até desequilibrada, se arvora em prestar desserviço aos princípios humanitários.
Essas pessoas mal-intencionadas deveriam entender que a evolução da humanidade mostra que há enorme sentimento das pessoas de não suportar mais esse jogo sujo da mentira, da truculência objetivando a mera destruição das pessoas, sem a devida base jurídica para tanto, que até poderia ser aceitável se a acusação tivesse o respaldo material, ou seja, a comprovação da materialidade da autoria da barbárie infantilmente construída, tal como mostra a imagem aviltante, por ser incompatível com o sentimento de cristandade que precisa imperar em nossos corações.
Em que pese o calor da disputa eleitoral, os brasileiros anseiam pelo melhor do Brasil, não importando a altura do desenrolar da campanha eleitoral, porque, infelizmente, os dois candidatos, diante de seus históricos políticos, não são, por certo, os melhores para a condução dos interesses do Brasil e dos brasileiros, à vista da gigantesca necessidade de mudanças e reformas das estrutura e conjuntura do Estado, que exige do estadista conhecimentos, competência e experiência muito além daquelas sinalizadas pelos pretendentes ao cargo mais cobiçado da República brasileira.
É preciso se compreender que possível incivilidade apresentada pelos candidatos não precisa ser seguida pelos eleitores, porque, ao contrário, as lições de cidadania dadas por estes podem contribuir para os indispensáveis e tão ansiados aperfeiçoamento e fortalecimento dos princípios republicano e democrático, que jamais serão alcançados quando são os próprios brasileiros que se colocam a serviço antagônico das virtudes e dos melhores princípios de civismo, por meio dos repudiáveis criação e apoio, por meio de divulgação, de fatos extremamente dissonantes da realidade.    
Concito os brasileiros honrados, de boa vontade e com amor no coração, atentos aos sentimentos cívicos e até cristãos, para muitos dos verdadeiros religiosos, que repudiem, com veemência, toda forma de difamação, injúria, mentira e qualquer outra maneira de cristalina forçação de barra, em termos desumanos, para tentarem a transformação dos entendimento e sentimento das pessoas, por via de mera manipulação absolutamente condenável e anti-humana, diante da imperiosidade imposta às relações sociais de respeito à diversidade, à multiplicidade de pensamentos e, em especial, à dignidade ao ser humano. Acorda, Brasil!
Brasília, em 14 de outubro de 2018