segunda-feira, 8 de agosto de 2022

Insensatez

O presidente da República voltou a convocar seus apoiadores a saírem às ruas, no dia 7 de setembro, quando se celebram os 200 anos da Independência do Brasil, com a finalidade de protestarem em defesa das liberdades democráticas.

Em discurso inflamado, o chefe do Executivo repetiu ataques a governadores e magistrados, ao dizer que o país tem hoje “uma das gasolinas mais baratas do mundo”, aproveitando o ensejo para acenar para o eleitorado conservador.

O presidente do país disse que “Temos algo tão ou mais importante que a própria vida: a nossa liberdade. E a grande demonstração disso, eu peço a vocês, que seja explicitada no próximo dia 7 de setembro. Estarei às 10 horas da manhã em Brasília, num grande desfile militar, e às 16 horas, em Copacabana, no Rio de Janeiro”.

O chefe do Executivo vem se esforçando para a maior mobilização possível da sua base de seguidores, para a realização de atos de protestos no 7 de setembro, a menos de um mês do primeiro turno das eleições presidenciais.

A grande polêmica tem sido mesmo por conta da disputa entre o presidente da República e o prefeito do Rio de Janeiro, em que o mandatário afirmou que o desfile militar da Independência realizar-se-á em Copacabana, mas o prefeito daquela cidade confirmou que a parada militar será na Avenida Presidente Vargas, como ocorre tradicionalmente todos os anos.

Na tentativa de justificar a convocação para os protestos, o presidente do país afirmou que “Esse movimento não é político. Esse movimento não é de A, nem de B, nem de C. É um movimento do povo brasileiro, que não abre mão da sua liberdade, que defende liberdade, a sua democracia e também de todos aqui no Brasil”.

Enquanto o chefe do Executivo convoca o povo para as manifestações nas ruas, outras autoridades estão preocupadas, tentando acalmar os ânimos da população, que não pode entrar no clima de tensão alimentado pelo presidente do país.

O presidente do Senado Federal disse que espera que os atos de 7 de setembro sejam “ordeiros, pacíficos e respeitosos às instituições”, enquanto o presidente da Câmara dos Deputados, que é aliado do Chefe do Executivo, declarou que a celebração em causa tem que ser “festa linda, cívica e tranquila, sem ameaças.”, ou seja, as autoridades da República estão torcendo para que tudo transcorra em clima da maior tranquilidade.

Apenas para relembrar, no 7 de setembro do ano passado, o chefe do Executivo também fez convocação e foi nas manifestações antidemocráticas, em Brasília e São Paulo, e chegou a afirmar, em público, que não mais obedeceria a decisões de um ministro do Supremo Tribunal Federal, tendo contribuído para potencializar a temperatura da crise institucional entre poderes da República, que logo foi minimizada com a carta pública de recuo estratégico, divulgada pelo presidente do país e escrita pelo seu antecessor no cargo, que serviu de interveniente nas negociações para a paz apenas de momento.

Em país com o mínimo de seriedades política e democrática, não tem o menor cabimento o presidente da República ficar, de forma permanente, incitando o povo a participar de movimento de protestos, não importando a sua motivação, por mais importante que ela seja.

No caso específico, não tem a menor sustentação a alegação do chefe do Executivo de que “É um movimento do povo brasileiro, que não abre mão da sua liberdade, que defende liberdade, a sua democracia e também de todos aqui no Brasil.”, notadamente porque somente tem cabimento se defender algo que foi perdido ou que esteja seriamente sendo ameaçado de perda.

No caso específico, não existe nada, absolutamente nada que indique, de maneira comprovada, nem vestígio de que isso possa ocorrer, salvo os fantasmas criados pelo mandatário, que abdicou da sua autoridade presidencial para se amedrontar quanto à atuação de ministros do Supremo, mostrando todas as suas fraqueza e incompetência gerenciais.

A verdade é que essa convocação evidencia o estado de ânimo de impotência e de inabilidade do presidente para lidar com situações adversas, que poderiam ser conduzidas exclusivamente por meio do diálogo, do entendimento e da convergência, tendo em conta os interesses maiores do Brasil, conquanto nada disso aconteceu e o resultado é esse disparate que está aí, em forma de desequilíbrio emocional e gerencial, contando, de forma melancólica, com a participação do povo, que serve de massa de manobra, para satisfazer o ego da insensibilidade administrativa.

Isso mostra a urgente necessidade da conscientização cívico-política sobre o respeito à realidade democrática, conquanto não existe causa alguma a justificar a convocação presidencial para o povo sair às ruas, para o simples protesto sobre o nada, quando todas as formas de liberdades, quer individuais ou democráticas, estão disponíveis e em plena pujança, salvo para quem tem procurado se indispor, sob a forma de agressões verbais, com ministros do Supremo, fato este que é considerado exceção, que não tem o menor cabimento para utilizá-lo em forma de generalização, porque os fatos não se encaixam.

Além dessa brutal incoerência de mentalidade política, o presidente do país comete gravíssimo desvio de civilidade, ao desvirtuar as comemorações do importante evento que significa a Independência do Brasil, que passa a ser substituído por mobilização de protestos, movimento este que poderia ser realizado em qualquer outra data, caso realmente houvesse necessidade disso, justamente para não anuviar a importância da verdadeira festa secular da pátria amada, Brasil.   

Convém que os brasileiros, no âmbito da sua responsabilidade cívica e patriótica, repudiem, com rigor, os indevidos atos de convocação de protestos absolutamente desnecessários, ante a inexistência de motivação plausível para tanto, uma vez que todas as liberdades estão em plena vigência no Brasil, não justificando tamanha insensatez.        

          Brasília, em 8 de agosto de 2022 

domingo, 7 de agosto de 2022

Irracionalidade

 

Vem circulando nas redes sociais vídeo que exibe a reunião de pessoas petistas, ostentando bandeiras e faixas vermelhas, algumas nuas, homens e mulheres, em protestos contra o presidente da República e os símbolos sagrados, mostrando amontoado de imagens de santos, inclusive alguns cobrindo as suas genitálias.

Eles gritavam, loucamente, palavras de ordem, em especial, de que “A rua é da esquerda. A rua é dos trabalhadores. Fora Bolsonaro”, em verdadeiro espetáculo ridículo, que mostra o quanto o ser humano não se envergonha de protagonizar papel tão abjeto, mostrando a sua face demoníaca.    

É muito triste como a ideologia tem o poder macabro de transformar a espécie humana em verdadeiros seres irracionais, ao conseguir vislumbrar atitudes deprimentes em atos de puro prazer e ainda mais tendo por finalidade menosprezar a dignidade do seu semelhante, fazendo uso de símbolos que são considerados sagrados por pessoas normais, que têm seus sentimentos de religiosidade em estrito respeito ao próximo.

A atitude de pura idiotice somente mostra a decadência de princípios, que se harmoniza com a mentalidade vazia igualmente destituída de valores humanos, fato este que evidencia o tanto de retrocesso do ser humano, quando a evolução da espécie, com os salutares avanços da ciência e da tecnologia, sinalizam somente para horizontes construtivos do aperfeiçoamento da humanidade, no caminho das ideias e propostas capazes de contribuir somente para a realização de boas e salutares obras, em benefício da própria humanidade.

Essa terrível amostra de bestialidade demoníaca diz muito bem com a verdadeira dimensão de pessoas que têm o instinto amoldado a sentimentos contrários aos princípios de civilidade, exatamente por terem a compreensão de que seja normal o culto à religiosidade, à crença, enfim, às preferências de instigação democrática, sob a inspiração nas liberdades individuais, asseguradas pela Constituição do país, que também garante a liberdade democrática de expressão, mas jamais no sentido pejorativo, com a finalidade de tentar denegrir a imagem do seu semelhante, ante aos princípios da reciprocidade e do respeito, que são os pilares da sociedade.

É evidente que essas pessoas têm todo direito de se animalizar, como fazem com notórias habilidade e vocação, para a satisfação de seu instinto demoníaco, mas essa prática de malignidade, que é forma de divertimento medíocre, fere o direito sagrado das pessoas que confessaram crença religiosa e veneram em admiração espiritual seus símbolos igualmente sagrados.

Essa demonstração de insensibilidade humana, que expõe a verdadeira índole ideológica de egoísmo e ódio, vem em momento bastante oportuno, para mostrar aos verdadeiros brasileiros o que a esquerda é capaz de protagonizar como sentimento de pura atrocidade, com o desprezo aos valores das pessoas normais, quando eles se divertem em atos macabros, se colocando acima do bem e do mal, como se isso fosse a essência da sabedoria, da bondade e da verdade.

Não à toa que a ideologia da esquerda se adere facilmente à degradação da família, considerando normal a defesa do aborto, da ideologia de gênero, do consumo de drogas, da impunidade, da destruição dos símbolos religiosos, além do incentivo à violência urbana e rural, como as invasões de propriedades produtivas e outras monstruosidades que são contrárias aos princípios humanos e somente contribuem para a regressão do ser humano.

Esse é o caso clássico em que as pessoas demonstram sentimento de êxtase em oficializar ritual demoníaco, em contrariedade aos princípios humanitários, porque ele fere os sentimentos das pessoas, que têm o direito, em especial, do culto à crença religiosa.    

As pessoas com o mínimo de bondade no coração precisam repudiar, com ímpeto, essa forma de monstruosidade de menosprezo às pessoas e aos símbolos sagrados, somente votando em quem defenda os salutares princípios humanitários, em especial, em respeito às condutas de racionalidade e civilidade, como forma de preservação dos valores da dignidade humana.        

Brasília, em 7 de agosto de 2022

Salve as vacinas!

 

Circulam, nas redes sociais, muitas críticas, por meio de estudos científicos, sobre a eficácia das vacinas, na tentativa de mostrar a sua desnecessidade, sob o argumento de efeitos prejudiciais ao organismo, como se elas fossem apenas instrumentos experimentais, em total desprezo aos seus reais benefícios contra o coronavírus, que é considerado o mal do século.

Causa perplexidade a forma injusta das severas críticas feitas às vacinas, somente enaltecendo os seus pontos e efeitos maléficos, como se elas não tivessem servido absolutamente de nada, em termos de preservação de milhões de vidas humanas, conforme mostram os resultados da imunização.

Ressalte-se, a propósito, que, somente no Brasil, antes da imunização, morriam, por dia, mais de quatro mil pessoas por causa da Covid-19, enquanto, na atualidade, a média de óbitos é inferior a quinhentas mortes e isso demonstra o real significado da imunização, em que pesem os efeitos colaterais, que ocorrem em todos os medicamentos, inclusive os não experimentais.

Qual a importância das vacinas nessa gigantesca queda de mortes, porque, sem elas, a tendência era o aumento progressivo das mortes, diante da maior incidência do vírus, que não encontrava barreira, como a vacina?

Não se pretende desqualificar a importância de muitos estudos científicos, condenando as vacinas sob o rótulo de experimentais, porque eles são essenciais como instrumentos científicos necessários à avaliação das vacinas perante os usuários, mas os fatos mostram a eficácia delas, em números expressivos de prevenção.

É interessante que os estudos não tenham se voltado também para os resultados quanto às vidas poupadas, por conta das vacinas, que seriam impossíveis sem elas, mesmo diante dos preocupantes efeitos colaterais, que são próprios em todos os remédios, evidentemente com incidência maior ou menor de acordo com a resistência orgânica de cada pessoa, a exemplo das vacinas, cuja interpretação científica não pode ser aplicada, de forma generalizada, a todo mundo, porque há constatação também de excelentes resultados em benefício da vida.

Agora, parece bastante estranha a falta de manifestação da Anvisa, órgão oficial de controle de medicamentos, ou até mesmo do governo, notadamente porque as vacinas foram aprovadas por ele e a aplicação delas na população teve a indicação desse órgão, precisamente depois da sua avaliação técnica.

Além disso, esse órgão é considerado bastante confiável, quanto ao seu alto nível de competência, que também tem sido principal agente abonador do uso das vacinas, fatos estes que o obrigaria a opinar acerca de possíveis restrições sobre o uso das vacinas, se consideradas prejudiciais à vida humana, obviamente com base nas evidências constantes desses estudos.

Na verdade, a eventual omissão desse órgão tem tudo a ver com a proliferação de notícias muito mais com o objetivo de alarmar a população, as quais tendem a ser prejudiciais ao interesse público, em que o poder público tem o dever de atuar, justamente para, no mínimo, prestar as devidas e corretas informações acerca do assunto, uma vez que as vacinas estão sendo aplicadas sob o seu direto patrocínio.

Motivos estes que eleva a responsabilidade desse órgão sobre a prestação também dos devidos esclarecimentos à população, inclusive para afastar as incertezas quanto possíveis malefícios à saúde, como nesse caso tratado nos estudos, que somente levariam ao desprezo às vacinas, dando a entender que elas só causam doenças terríveis e até vitais, quando, na verdade, elas foram a salvação da humanidade, evidentemente sob a avaliação leiga.

Enfim, é lamentável que assunto da maior importância para a população não tenha merecida a devida atenção por parte das autoridades incumbidas constitucionalmente do devido cuidado, que diz diretamente com o zelo da saúde pública, quanto aos indispensáveis esclarecimentos sobre o caso em apreço, à vista de notícias divergentes e prejudiciais à imunização.    

Brasília, em 7 de agosto de 2022

sábado, 6 de agosto de 2022

Triste realidade

 

Depois da reunião do presidente da Repúblicas com embaixadores de países amigos, é preciso se avaliar qual foi realmente o resultado das colocações ali expostas, em termos de benefícios para o Brasil ou mais especificamente para o sistema eleitoral brasileiro, ante o anseio sobre o aperfeiçoamento, em especial, do funcionamento das urnas eletrônicas?

A resposta é simples e direta: nenhum,  a não ser mostrar para o mundo o que todos já sabem sobre as deficiências desse sistema tão duramente criticado pelo presidente do país, que não teve competência para provar nada de errado nem de adotar as necessárias medidas legislativas para aprimorá-lo por via de mecanismos apropriados e recomendados ao caso, que é por meio de norma jurídica, fato que se evitaria esse terrível desgaste de se ficar se humilhando inutilmente aos pés da Justiça eleitoral.

O bom senso e a racionalidade mostram, com muita clareza, a extrema insensibilidade política do presidente da República, por evidenciar, de maneira cabal, que ele não teve habilidade para solucionar problema gravíssimo referente ao funcionamento das urnas, tendo encontrado a pior maneira de mostrar a falta de competência e habilidade político-administrativa para solucionar as questões internas, preferindo denunciar os fotos ao mundo, que seria a medida menos recomendada, nas circunstâncias, por não se vislumbrar qualquer efeito prática com medida tão vexatória, em nível presidencial.

Não é o caso dele, porque ele seria o pior político da face da Terra, por perder logo para o pior criminoso do planeta, em termos de gestão pública, mas a atitude do presidente da República demonstra desespero de candidato perdedor que nem começou a campanha eleitoral, já que ele, com isso, não tendo outra explicação plausível, se acha derrotado, ao denunciar ao mundo, com total ânimo, a precariedade do funcionamento das urnas eletrônicas, sem apontar efetiva prova de fraude, mas sim meras evidências, que não têm muito valor jurídico, à vista da necessidade de investigações aprofundadas.

É muito difícil que ele seja derrotado, na esperança de que isso não seja por falha na operação das urnas, mas sim por indiscutível incompetência, em não se dispor de habilidades suficientes para solucionar as questões nacionais, na via recomendada pelo figurino do bom senso e da racionalidade.

Não satisfeito com a explanação acima, acerca da reunião presidencial, um cidadão houve por bem contestá-la, tendo afirmado o seguinte: “Colega, só para um entendimento. Acredito que você tenha, com plena convicção e segurança, a indicação de um candidato ao cargo presidencial, já que esse atual é visto, por você, como incompetente, de humildade inútil, insensível politicamente, inábil, perdedor, desesperado, etc.

Em resposta à citada mensagem, eu disse que, com segurança, o meu candidato certamente é o melhor entre os piores que estão na disputa presidencial, porque ele não comunga com as desgraçadas e atrozes banalidades encampadas pela esquerda brasileira, no que se referem aos seus desprezo e insensibilidade aos salutares direitos humanos e às liberdades individuais e democráticas.

Embora a referência acima diga respeito a político que não se comporta como verdadeiro estadista, que precisa ter os sensos de equilíbrio, tolerância e sobriedade nos assuntos que somente digam respeito ao interesse público, uma vez que estes devem ser discutidos em alto nível, com a prevalência do diálogo e na via institucionalizada, em que o interesse da sociedade esteja sempre em primeiro plano, é preciso se pensar, de maneira prioritária, nos interesses do Brasil.

Se o presidente do país não tivesse interesse na reeleição, ele jamais estaria brigando feito louco, embora de maneira enviesada, para o aperfeiçoamento do sistema eleitoral brasileiro e isso é exatamente a guerra desesperada dele, por ter em mente a defesa de causa pessoal dele, o que é totalmente diferente de se lutar por interesse da sociedade.

De outra feita, seria razoável que o presidente do país até se estrebuchasse por causa nobre, se realmente houvesse, mesmo que minimamente, algum mecanismo para se provar que existe algo errado nas urnas, devidamente palpável e efetivo, mas ele tem apenas meros indícios, suposições dispersas, que nem sempre são suficientes, em termos jurídicos, para a confirmação de importantes teses como essa levantada e defendida por ele, a sangue e fogo.

O estadista competente já teria resolvido essa questão pela via apropriada, que é por meio de projeto legislativo, onde se definem e se estabelecem os parâmetros como devem funcionar não somente o sistema eleitoral, mas em especial as urnas eletrônicas, cuja clareza teria evitado todos esses desgastes e vexames totalmente desnecessários, a exemplo de países civilizados.

Com a aprovação de norma apropriada, o presidente do país não precisaria ficar se desgastando, se arrastando e se humilhando sob o solado da Justiça eleitoral, que tem competência constitucional para agir exatamente como ela bem entender, evidentemente na forma e no limite da atual legislação, com total respaldo nela, que se encontra em vigor, conquanto isso vem sendo observado por ela.

Para a Justiça eleitoral, pouco importa que o presidente brasileiro fique saindo das quatro linhas da liturgia inerente ao seu cargo, como ele fez agora, com aviltante reunião com os embaixadores, sem a menor necessidade de denunciar aos quatro cantos do mundo as eventuais precariedades no sistema eleitoral brasileiro, porque isso é assunto de exclusiva economia interna, que precisa ser resolvido com competência pelas instâncias competentes, à vista da real necessidade de aperfeiçoamento.

É bastante lamentável que poucas pessoas não tenham capacidade para enxergar essa questão da forma como deve ser, porque só assim o presidente do país poderia se espelhar e se convencer de que a seu empenho é absolutamente em vão e inócuo, na forma atabalhoada como ele vem se expondo, de maneira visivelmente empírica, que não o leva a horizonte algum.

É preciso ser obrigado a respeitar quem concorda com os despreparo e incompetência como esse importante assunto vem sendo conduzido pelo presidente da República, em que pese ele não levar a lugar algum, salvo à inútil insistência na permanente mobilização da mídia para a cobertura de causa perdida, com o emprego de precioso tempo, que poderia ser usado em causas nobres da nacionalidade, além da aplicação de muitos recursos que estão sendo jogados no ralo do desperdício.

          É bom que as pessoas sensatas decidam repudiar a forma ingênua e ineficaz como o presidente da República se devota à defesa de causa de suma importância, porém com o emprego de técnicas obsoletas e ineficientes fadadas ao indiscutível fracasso, quando ele poderia ter resolvido a questão com os devidos eficiência e êxito, por meio de medida legislativa apropriada e definitiva.

Brasília, em 6 de agosto de 2022

Por que a represália?

Em vídeo que circula nas redes sociais, um cidadão faz veemente apelo ao povo para não comprar nas lojas Renner, sob a justificativa de que o dono dessa empresa assinou o manifesto a favor da democracia, que tem por objeto atingir o presidente da República.

Ou seja, o objetivo do aludido apelo é uma forma de represália ao empresário, por ele ter aderido à manifestação conhecida como documento a favor da democracia, que queira ou não, é forma natural do exercício de cidadania, sob o prisma dos princípios democráticos com aderência primária nas liberdades de pensamento e expressão, que tanto os bolsonaristas vêm reclamando que querem tirá-los deles.

          No popular, esse é o apelo que pode ser considerado de dois gumes, em que se pretende a formalização de revide, de autêntica represália ao proprietário das lojas Renner, por ele ter sido signatário da carta conhecida como apelo à defesa da democracia, que até parece fazer algum sentido medida nesse sentido, notadamente em especial por parte dos fiéis seguidores do presidente da República, como caracterização clara de explícita desforra, que mostra o perverso sentimento originário das ideologias afloradas na atualidade, convertidas em agressões mútuas, que não levam a lugar algum, em termos de civilidade.

Essa verdade se contrapõe ao princípio democrático das liberdades de pensamento e de expressão, que os bolsonaristas se insurgem quando isso vem da esquerda, que tem já se tornou exemplo de apelação contra tudo.

Agora, à toda evidência, isso, por si só, já é muitíssimo grave, à vista de ir na contramão da imperiosa necessidade do aperfeiçoamento democrático, porém trata-se de sentimento mais do que patético, por ser apelo com viés de maior seriedade, porque ele diz com pretensão que pode levar à drástica diminuição das vendas da Renner, com possibilidade do surgimento de duas consequências vitais.

Uma delas é a ocorrência da necessidade do enxugamento do quadro de pessoal, que pode afetar o pão nosso de cada dia de muitas famílias, além da normal redução da arrecadação tributária dos governos, cujo reflexo é direto na prestação dos serviços da incumbência da União, dos estados e municípios, que dizem diretamente com a satisfação das necessidades básicas da população.

É preciso se pensar que seja normal e até justo se querer fazer justiça com as próprias mãos, como tem sido a diminuta e retrógrada mentalidade ideológica dos últimos tempos, mas é da maior importância que isso não possa prejudicar direta ou indiretamente quem não tem nada com a questão em si, como é o caso em comento, em que é imaginada medida para dar lição de comportamento, para prejudicar determinada pessoa, que age no seu direito de manifestação cívica, conquanto o efeito dela pode atingir, também de forma danosa sobre situações, com graves prejuízos para a sociedade.   

É preferível que o pretendido justiçamento seja feito por meio de medida que sirva de lição para quem somente possa ser merecedor de desprezo, castigo ou algo que o valha, segundo o pensamento de seu idealizador, mas também que essa lição seja extensiva para todos os participantes do manifesto e não somente para uma pessoa, como no caso do dono das lojas Renner, que não pode pagar sozinho pelo envolvimento de mais outras pessoas que teriam igualmente assinado o manifesto.

A propósito, diga-se de passagem, que o documento em questão se trata de medida absolutamente válida, no âmbito da democracia, sob o pálio do direito de expressão, no que diz respeito à liberdade de pensamento e opinião, apenas o seu desiderato pode ser considerado  divergente sob a avaliação da fiel militância progressista.

Ou seja, a represália em apreço não faz o menor sentido, por se tratar de medida absurda, sob o prisma da democracia, e ainda mais que os progressistas também já se manifestaram, em contraposição à aludida carta, sob a proteção dos mesmos princípios de opinião e pensamento, no salutar esteio da democracia.

Enfim, apelam-se no sentido de que prevaleçam, na disputa eleitoral, os melhores sentimentos de bom senso, sensibilidade e justiça, também por parte dos fiéis seguidores progressistas, que procurem agir com espírito de racionalidades cívica e humana, em especial, procurando avaliar precisamente as suas intenções de castigo, quando for realmente o caso, de modo que isso somente atinja quem realmente mereça, evitando a generalização prejudicial aos interesse da sociedade.    

          Brasília, em 6 de agosto de 2022 

Cadê o mérito?

 

O presidente da República recebeu a medalha do Mérito Legislativo na Câmara dos Deputados, sob a justificativa “por todos os serviços prestados em prol do parlamento e da Nação em 2021”.

          À primeira vista, tem-se a impressão de que o presidente do país deve ter realmente prestado relevantes serviços ao Congresso Nacional, conquanto os fatos mostrem que ele ainda não tem feito tanto quanto para a nação, no conjunto esperado em benefício para a sociedade, diante do muito em substância que o governo precisa fazer para justificar a concessão de medalha a ele também pelos brasileiros, que estão ávidos para esse reconhecimento ao desempenho do presidente.

Ao que se tem conhecimento, que não é novidade para ninguém, que o presidente do país entregou às lideranças do Congresso o gerenciamento do seu governo, passando a se comportar como uma espécie de “rainha da Inglaterra”, onde se mantém no Palácio do Planalto cumprindo apenas as ordens emanadas pelo famigerado Centrão, grupo político fisiológico com quem firmou aliança para evitar a abertura de processo de impeachment do seu cargo.

A verdade é que, queira ou não, essa esdrúxula medalha, em forma de homenagem, tem forte tom de ironia, com ares de muita desconfiança, quando o presidente do país foi indicado à homenagem pelo líder do PSL na Câmara, que é bolsonarista de raiz, tendo recebido a medalha das mãos do presidente da Câmara.

Esses fatos praticamente confirmam a magnanimidade presidencial para com o Congresso, à vista da sua passiva concordância com o imoral “orçamento secreto”, que já até o defendeu junto ao Supremo Tribunal Federal, ante a sua extrema importância como instrumento legalizado para a compra da consciência política, ou seja, dos votos de inescrupulosos parlamentares, como forma de propiciar sobrevida ao governo, que não se sustenta se ele não tivesse se associado à banda podre da política brasileira, tendo à frente o indigno Centrão.

Nos últimos tempos, o presidente do país corre, sem perda de tempo, para comprar votos de deputados cediços ao fisiologismo, com bilhões de reais que foram alocados no indecente “orçamento secreto”, por meio do deslocamento de recursos desviados de áreas verdadeiramente  importantes e carentes, tendo por finalidade a aprovação de projetos de seu interesse e que, sob o entendimento dele de que eles são suficientes para reverter o quadro de rejeição que experimenta nas pesquisas.

Diante desse quadro dantesco, o país amarga grave crise socioeconômica, que tem muito da dependência de boas e eficientes iniciativas gerenciais, que estão, infelizmente, à espera da competência presidencial, que até o momento ainda não teve capacidade para encontra o timming ideal para solucionar as ingentes questões que vêm sufocando o desempenho do governo.

Ou seja, o governo demonstrou infinita dificuldade para conduzir o país durante a gravíssima crise da pandemia, cujo abalo foi capaz de desestruturá-lo completamente, a ponto de o presidente procurar culpados, como governadores, prefeitos, imprensa e outros destruidores de gestão pública, para atribuir o seu fracasso na administração do Brasil.

Vejam-se que são aproximadamente 14 milhões de pais de famílias desempregados, que são obrigadas à privação, em especial, do alimento para o sustento, que deve o pior infortúnio para o ser humano, cujo quadro dificilmente tem como ser revertido, exatamente por falta de importantes projetos para fomentar a criação de empregos, por meio da retomada do desenvolvimento da economia, ou seja, o absolutamente apático presidente não tem a menor condição de contribuir para a mudança do status quo, exatamente diante da inexistência de projetos visando atacar precisamente as mazelas alimentadas pelo próprio governo, que diz com a inércia, a omissão, a incompetência, a insensibilidade e a irresponsabilidade gerenciais.

A verdade é que esse deplorável quadro que se traduz em martírio para muitos brasileiros não tem o menor reflexo na consciência das autoridades públicas, que chegam ao absurdo de enaltecer publicamente as qualidades inexistentes de autoridades da República, com a concessão de medalha, contribuindo para agravar a situação que já é degradante, em que essa atitude pode contribuir para a ilação de que o homenageado se sinta prestigiado, a ponto de entender que vem realizando excelente gestão.

De homenagem em homenagem às autoridades da República, fica a inexorável certeza de que, para elas, pouco importa a terrível situação por que passa o povo, sendo obrigado a passar fome, porque nos seus palácios a comida é sempre farta e o mais importante é que inexiste crise de qualquer natureza.

Agora, a agenda presidencial, que apenas se aproxima do final do governo, tem a agenda repleta da mais importante prioridade, que é exatamente a reeleição, pouco importando se o povo passa privações não somente de alimentos, mas de todos os serviços públicos de qualidade, porque é somente isso que tem sentido o seu viver, restando a certeza de que as medalhas têm sim importante serventia, que é precisamente a de alimentar a vaidade dos políticos que estão extremamente interessados apenas com seus interesses relacionados com o poder.

Enfim, se o governo tivesse o mínimo de sensibilidade humana e compreendesse o verdadeiro significado da invocação do nome de Deus, sempre que discursa, em banalização que tem efeito de palavra ao vento, ele já tinha promovido enorme mutirão nacional, com vistas à mobilização dos governos, em todas as esferas, e a sociedade, para tentar se buscar alternativas para, ao menos, minorar a peste da fome, em efetiva demonstração de que o governo precisa fazer a sua parte, em apoio às melhores iniciativas, ao invés de contribuir para incrementar a campanha da avestruz, que apenas mete a cara na areia diante do perigo, atitude que funciona como lenda, para se dizer que essa ave não está nem aí para nada.  

Compete aos brasileiros, conscientes sobre a sua responsabilidade cívica e patriótica, se preocuparem com essa difícil e gravíssima situação de extremo abandono dos necessitados de emprego e alimentos, além de terem o cuidado de somente elegerem alguém para governar o Brasil que tenha o mínimo de competência administrativa, sensibilidade no coração, que nem precisa invocar o poder de Deus, mas que saiba valorizar os princípios humanitários e tenha o mínimo de compreensão sobre as verdadeiras agruras sobre a fome e que somente pronuncie o nome de Deus para agradecer, porque a permanente invocação do seu nome em vão tem o condão de levar o povo à miséria da fome e do desemprego, conforme mostram os fatos.

Brasília, em 6 de agosto de 2022

sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Só fiasco

 

Tudo que se possa intuir sobre o sistema eleitoral brasileiro tem fundo de verdade e também de mentira.

É possível se acreditar nas duas versões, o que vale dizer que ele não é confiável, exatamente por falta de credibilidade sobre informações precisas e completas sobre o seu funcionamento.

Agora, diante dessa indiscutível certeza de não se ter certeza de absolutamente nada, há a cristalina certeza de que a culpa por estrondoso caos é exclusivamente das autoridades da República que desconfiavam quanto à fragilidade desse sistema, diante de confessada possibilidade da existência de urnas fraudáveis, embora sob suspeitas sem prova alguma sobre a mínima incidência que fosse.

Isso pouco importa, à luz da simples desconfiança, porque o interesse maior e primordial é que as urnas eletrônicas e a apuração das eleições funcionem perfeitamente como manda o figurino da legitimidade democrática, em termos da pureza desejável para uma nação séria, com a grandeza continental do Brasil.

Para tanto, a autoridade com competência para mandar, em termos funcionais, nas Forças Armadas, que é o presidente da República, poderia ter pedido, tempestivamente, que seus peritos estudassem a integral operacionalidade do sistema eleitoral, com vistas à identificação das falhas passíveis de facilitação de fraudes.

Então, com base nisso, esses especialistas poderiam ter elaborado projeto de norma legislativa específica, estabelecendo parâmetros adequados ao perfeito funcionamento das urnas eletrônicas, bem assim da apuração das eleições, de modo a se impedir qualquer possibilidade de fraude ou manipulação de resultados.

Só precisava da aprovação de norma legislativa preventiva, com a padronização de qualidade, que a Justiça eleitoral seria obrigada a observar fielmente, em que o resultado das eleições apenas estaria exatamente de acordo com a lei, inclusive se poderia ter exigido o registro do voto em papel e tudo de acordo com a lei.

Infelizmente, sem qualquer justificativa, a arma preferida do grito foi eleita para tratar de assunto da maior relevância e o resultado é o fiasco que está aí.

A enorme vantagem disso era que a principal autoridade da República não teria perdido tanto tempo se passando por incompetente, como terminou acontecendo, por ter ficado somente criticando e agredindo.

Esse pífio resultado só mostra a continuidade das incertezas, porquanto a desconfiança sobre as urnas eletrônicas é imutável realidade, quando poderia ter sido resolvido o imbróglio com base no trabalho competente, como fazem os verdadeiros estadistas, que normalmente tomam a melhor iniciativa para solucionar as importantes questões.

Enfim, o povo tem o governo que merece, porque sobre fatos, resta somente o que deles se pode extrair e, no caso das urnas eletrônicas, nada poderia ter sido pior do que realmente o resultado do desastre da incompetência, com a falta de diálogo e, principalmente, de medidas apropriadas, eficientes e efetivas.    

Brasília, em 5 de agosto de 2022