quarta-feira, 19 de junho de 2024

Atraso tencológico

Conforme anúncio divulgado pelo International Institute for Management Development (IMD), em parceria, no Brasil, com o Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral, o Brasil teve queda de duas posições do ranking de competitividade global, cujo ranking vem sendo  elaborado desde 1989.

Causa perplexidade que o Brasil apareça na posição 62 entre 67 países, cujo resultado significa a pior colocação dos últimos anos.

A avaliação referente à competitividade, definida pela FDC, tem por base a capacidade dos países de integrar novas tecnologias para impactar suas economias e promover crescimento socioeconômico.

O mais estranho dessa avaliação é que o Brasil somente fica à frente de países sem a menor expressividade mundial, como Peru, Nigéria, Gana, Argentina e Venezuela.

Enquanto em primeiro lugar nesse ranking aparece Singapura, depois de ter ficado fora das cinco primeiras posições no ano passado.

Já a Dinamarca, que foi o primeiro país, no ano passado, figura agora na 3ª posição, atrás da Suíça.

O estudo destaca que, embora trate-se de países pequenos, eles têm influência no que se refere à boa estrutura institucional e aproveitam ao máximo as parcerias comerciais.

O relatório esclarece que “Singapura se tornou um centro internacional na Ásia devido à infraestrutura tecnológica avançada, instituições sólidas e um mercado atrativo, com empregos, inovação e oportunidades”.

O diretor do Núcleo de Inovação e Tecnologias Digitais e responsável pela pesquisa avaliou que “Tem muito para ser feito”, em termos de pesquisas tecnológicas.

Ele foi direto ao cerne da questão inerente ao desenvolvimento dos países, ao dizer que a baixa produtividade está diretamente ligada à falta de infraestrutura na educação, tendo destacado como, diferentemente de muitos lugares do mundo, especialmente aqueles que estão no topo do ranking, não há prioridade para investimentos focados em pesquisa e desenvolvimento.

Aquele diretor afirmou que “Muitos executivos dizem que o Brasil não cresce por conta do governo. Isso não é verdade”, porque, como destacado por ele, o país também teve desempenho fraco quando se fala em eficiência empresarial, ficando na 61ª posição: “As empresas também não têm o ganho de produtividade devido.

Sob outras avaliações, o Brasil figurou na 65ª posição do ranking de qualidade de infraestrutura e no 65º lugar em eficiência governamental, ou seja, em verdadeiro destaque sofrível, considerando a grandeza econômica da nação, que teria todas as condições de figurar no topo das avaliações, evidentemente se houvesse interesse político em investimentos nesses setores que influenciam na qualidade inerente à eficiência da produtividade.

Por último, os responsáveis pelas avaliações esclarecem que o ranking busca oferecer olhar econômico para o país que pretende ir muito além da produtividade, tendo afirmado que “O estudo busca demonstrar como o avanço da tecnologia, sua integração com políticas de governo e a estrutura do mercado como um todo favorece um crescimento que seja mais do que apenas um número no PIB”.

Na verdade, em termos de qualificação tecnológica, não constitui novidade que o Brasil pouco investe, cujo resultado não poderia ser diferente desse apontado pelo International Institute for Management Development, que apenas corresponde à realidade sobre país que prefere continuar no breu da ignorância, figurando entre os piores países do mundo, como no caso da Venezuela e nações da África, que igualmente não têm interesse em investir em pesquisas tecnológicas.

À toda evidência, é preciso ficar bastante claro que o subdesenvolvimento do país é reflexo do seu povo, que têm todas as condições para escolher seus representantes políticos por meio do voto, levando-se em conta os principais atributos deles, de acordo com os predicativos de competência, eficiência, honestidade, dignidade e principalmente responsabilidade para a colocação do país no mais elevado patamar de qualidade nas áreas da educação e da economia, porque ambas vão ditar os rumos da nação, em termos de prioridade de investimentos no preparo do povo.  

Em síntese, a avaliação em apreço evidencia, com muita clareza, que o Brasil precisa se despertar da catalepsia do subdesenvolvimento, em termos de pesquisas tecnológicas, de modo a priorizar, com a máxima urgência, investimentos nesse tão importante setor da tecnologia, em todas as suas especificidades, exatamente porque nenhum país conseguirá avançar em produtividade sem a consolidação da qualificação dos conhecimentos, que são visivelmente desprezados pelo país tupiniquim, conforme mostram as pesquisas.

            Brasília, em 19 de junho de 2024

terça-feira, 18 de junho de 2024

Insensibilidade?

 

Conforme mensagem postada na internet, alguém escreveu, em camiseta segurada por importante político, o seguinte: “Sou rico, sim, mas é furto do meu trabalho.”.

Fica-se a imaginar o que se passa nas cabeças das pessoas que ficam incentivando e compartilhando mensagens com o propósito de denegrir a imagem das pessoas, mesmo daquelas notoriamente insignificantes por seus próprios deméritos?

O que, enfim, motiva atitude que não justifica procurar difamar quem foi capaz de se destruir moralmente perante os princípios da dignidade e da decência?

Talvez, nesse processo particular, sobressaiam os instintos do ódio, da vingança e do desprezo, que são naturalmente próprios do homem, como forma de se satisfazer em demonstração de sentimento alheio à realidade da vida em respeito ao semelhante, em que cada qual deve se preocupar exclusivamente com os seus atos e responder por eles, sem necessidade de acusar nem tentar macular as pessoas, por mais abjetas que elas possam ser.

É preciso consciência de que as pessoas devem ser avaliadas justamente pela grandeza das outras pessoas e, em última instância, pelos órgãos competentes ou pelos pessoas dignas, em se tratando de político, que passa, necessariamente, pelo crivo do voto, a depender do seu merecimento, cujo mérito ou demérito é compreendido em razão das pessoas honradas ou medíocres, conforme mostrou o resultado das últimas eleições brasileiras, cujos frutos podres estão sendo colhidos por todos os brasileiros, porque isso se harmoniza exatamente com o que o político tem para oferecer.

O certo é que não adianta mostrar sentimento de revolta, na tentativa de manchar mais ainda a reputação de ninguém, porque isso tem o condão de revelar tão somente o vil sentimento de ressentimento, imbuído de puro desprezo, na certeza de que os autores disso podem vir a responder por seus atos, caso eles sejam acionados na Justiça, por ato de difamação de imagem, não importando a realidade ou não dos fatos, mas sim o nível da autoridade envolvida.

Espera-se que esta mensagem possa servir de alerta às pessoas, no sentido de que o bom senso recomenda que é preciso bastante cautela em se decidir fazer mensagem de difamação, à vista de possível revés, uma vez que isso não condiz com o direito inerente à liberdade de expressão, considerando que o acusado pode querer reclamar, na Justiça, reparação de danos morais, segundo o seu arbítrio.

Ante o exposto, pode-se se inferir que, quem difama ou compartilha panfleto tratando disso, corre o risco de ser obrigado a responder, perante a Justiça, por seu ato, não importando se a matéria seja verdadeira ou não, porque deve pesar, nas circunstâncias, a avaliação de quem é difamado, sob a sua ótica de reparação.

Brasília, em 18 de junho de 2024

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Proteção do feto?

 

Um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados trata de penalizar, com bastante severidade, as mães que decidirem pelo aborto do feto, nas condições descritas nessa medida, o qual vem sendo alvo de muitas críticas por parte da opinião pública.

De acordo com a legislação atual, o aborto é permitido em casos de gravidez resultante de estupro, malformação fetal, como a anencefalia, ou perigo de morte da gestante, sem que haja, nestas circunstâncias, prazo para que o procedimento seja providenciado, repita-se, na forma prevista na legislação vigente.

A proposta constante de projeto de lei em tramitação na Câmara estabelece que a solicitação do aborto, naquelas circunstâncias, deverá ser feita em até 22 semanas de gestação, quando, depois disso, o procedimento incidirá em pena equivalente ao crime de homicídio simples, de seis a vinte anos de reclusão, com repercussão para quem auxiliar a gestante com o procedimento considerado criminoso.

Na prática, a medida proposta tenta proibir o aborto após as 22 semanas de gestação, mesmo em casos de gravidez resultante de estupro.

A maior polêmica cinge-se, nessas circunstâncias, sobre a possível pena aplicável à gestante, que poderá ser de seis a vinte anos de reclusão, muito além daquela que é prevista para ser aplicada ao crime de estupro, que tem pena prevista de seis a dez anos de prisão.

Observa-se que a proposta também contempla a possibilidade de o juiz poder avaliar cada caso, quando a pena poderá ser mitigada ou deixar de ser aplicada quando "as consequências da infração (aborto) atingirem o próprio agente (gestante) de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária".

Muitas pessoas criticaram o projeto de lei em apreço, em especial por entenderem que a equiparação da pena proposta à gestante não pode se equipar à pena aplicável ao homicida, quando os casos são distintos, de modo que não se faz justiça, em termos da aplicação da pena, em razão do dano causado à sociedade, em cada caso.

Não é de agora que o tema referente ao aborto exige discussão, como forma de normatizar, diante de legislação esparsa que permite muitas dúvidas quanto ao seu efetivo controle, à luz da melhor legislação capaz de regular e assegurar os direitos do feto e as obrigações e direitos da gestante.

O projeto em causa ainda deve ser discutido por meio de aperfeiçoamento quanto ao seu teor em condições de ser votado pelo plenário da Câmara, quando muitas propostas e emendas deverão ser agregadas até a fase de votação final.

Espera-se que os princípios do bom senso e da sensatez possam prevalecer, no sentido de que o texto seja o mais razoável possível, de modo que a matéria seja finalmente aprovada, mas de maneira a proteger a vida do feto, sob a égide dos princípios humanitários, sem essa punição absurdamente desproporcional, como se a gestante tivesse praticado o pior dos crimes, como o equiparado ao homicídio, porque, na verdade, não o é, embora verifique-se a prática de assassinato, mas apenas por força circunstancial, como nos casos supracitados, os quais servem de atenuação do crime, que é bem diferente do homicídio tradicional.  

Enfim, o que não se pode é assunto de extrema importância como o aborto, que, na essência, envolve a vida, possa ser discutido ao sabor de ideologia, em que cada lado pensa exatamente diametralmente diferente, não permitindo que a centralidade do bom senso e da sensibilidade possa conduzir para medida mais inteligentemente favorável à proteção do feto, que não pode ficar à mercê de disputas ideológicas, quando termina ficando prejudicado o interesse maior da vida, infelizmente.  

Brasília, em 17 de junho de 2024

domingo, 16 de junho de 2024

Festas juninas

 

Estamos em pleno período em que se comemoram os santos juninos, Santo Antônio, São João e São Pedro, na forma mais animada possível dos forrós em todo país, com destaque para as cidades do Nordeste, sob o embalo das eternas canções juninas, que agitam e incendeiam as festas e os bailes das noites mais quentes das tradições do povo daquela região.

Na verdade, as canções juninas são a alma das festas, que ditam e inspiram precisamente os momentos das animações, como, por exemplo, essas abaixo:

“A fogueira tá queimando, em homenagem a São João/O forró já começou/Vamos gente rastapé nesse salão....”.

“Olha pro céu, meu amor/Veja como ele está lindo/Veja o balão multicor/Como no céu vai subindo/Foi numa noite igual a esta/que você me deu o seu coração/...”.

Essas e outras canções carregam nas suas letras a essência musical das festas juninas que enriquecem a beleza e o encanto de todas as modalidades do forró, que é a base das alegrias juninas e a sustentação da cultura especialmente regional.

A verdade é que as músicas juninas mostram a magnitude da alegria por meio de canções alegres e contagiantes, cuja finalidade das suas letras é precisamente incentivar a alegria e dar vazão ao sentimento do amor, que realmente tem o condão de incendiar as festas juninas.

Vejam que beleza de música da época: “Dança Joaquim com Zabé/Luiz com Iaiá/Janjão com Raqué/E eu com Sinhá/Traz a cachaça Mané/que eu quero ver paia voar...”, que diz o verdadeiro sentido do forró, nas suas origens mais remotas de animação entre as pessoas.

Sem dúvida alguma, os forrós juninos são motivações de consolidação de tradições, como forma de preservação de heranças culturais do bravo povo nordestino, os quais foram extremamente honrados pelo inesquecível rei do baião, o grande sanfoneiro Luiz Gonzaga, que foi o maior incentivador das canções juninas, por ele ser autor de muitas e lindas músicas do gênero.

Na realidade, as canções juninas são a prova viva das raízes, das origens genuinamente nordestinas, que mostram a alma desse povo vibrante, alegre e dançante, com evidência que remontam dos grandes amores construídos nas noites de são-joão, certamente embaladas pelas festas interioranas, com o brilho notadamente das quadrilhas, tão vivas nos nossos corações.

O certo é que cada canção reflete momentos da vida do povo do sertão, das suas tradições e dos seus sentimentos que são revelados por meio de saudades, do romantismo e do amor próprio do rico Nordeste, em termos de tão importante tradição junina.

Enfim, as festas juninas, caracterizadas pelos forrós, quadrilhas e trajes típicos estão enraizadas não somente no calendário cultural do Nordeste, com destaque para os meses de junho e julho, mas também nas qualidades interioranas do homem do campo, com a evocação dos seus sentimentos, por meio da alegria e do amor, em forma de festa genuinamente popular.

Mais uma vez, salve o lindo momento junino, com seus encantos festivos peculiares, concitando que os respectivos participantes tenham inspiração nas alegres canções juninas e brinquem sobrelevando a importância da alegria e do amor, que são as principais motivações destas festas que tanto cativam nossos corações.  

 Brasília, em 16 de junho de 2024

sábado, 15 de junho de 2024

Desmoralização

 

Conforme vídeo que circula nas redes sociais, um importante juiz da corte maior brasileira, em tom de indignação, descreve um país atolado na imundície da corrupção, da desonestidade e da desmoralização, envolvendo o desvio de dinheiro público, em verdadeira banalização da excrescência que envergonha os brasileiros honrados e dignos, conforme o texto a seguir.

“Eles merecem consideração e respeito. Eu gostaria de dizer que eu ouvi o áudio. Tem que manter isso aí, viu? Eu quero dizer que eu vi a fita. Eu vi a mala de dinheiro. Eu vi a corridinha, na televisão. Eu li o depoimento de Yussef. Em li o depoimento de Funaro. Portanto, nós vivemos uma tragédia brasileira. Tragédia da corrupção que se espraiou de alto a baixo, sem cerimônia. Um país em que o modo de fazer política e negócios funciona assim: o agente político relevante escolhe o diretor da estatal ou o ministro com cotas de arrecadação e o diretor da estatal contrata em licitação fraudada a empresa que vai superfaturar a obra ou o contrato público, para depois distribuir dinheiros e aí não faz diferença se foi para o bolso ou se foi para a campanha, porque o problema não é para onde vai. O problema é de onde vem. É a cultura da desonestidade que se cria de alto a baixo, com maus exemplos, em que todo mundo quer levar vantagem. Todo mundo quer passar os outros para trás. Todo mundo quer conseguir o seu, sem mencionar as propinas para financiamentos públicos. Tudo documentado. Portanto, são diferentes visões da vida e do país. Mas eu acho que não há uma investigação irresponsável. Eu acho que há um país que se perdeu pelo caminho. Naturalizou as coisas erradas e nós temos o dever de enfrentar isso e de fazer um novo país, de ensinar as novas gerações que vale a pena ser honestos, sem politivismo, sem vingadores mascarados, mas também sem achar que ricos criminosos têm imunidade, porque não tem.”.

A mencionada autoridade foi bastante clara, objetiva e convincente, ao afirmar que viu a esculhambação generalizada, sistêmica e endêmica, tendo lido depoimentos de pessoas envolvidas na roubalheira, reconhecido que o país vivia dominado por verdadeira tragédia e mostrado o modus faciendi do desvio de dinheiro dos cofres públicos, em que a palavra de ordem era a cultura da desonestidade que se espraiava na gestão de recursos públicos, que eram desviados à luz do dia, conforme foi tudo comprovado e documentado.

O juiz reconhece que o Brasil foi literalmente desviado do caminho da seriedade e da moralidade, à vista da necessidade da observância dos fundamentais princípios republicanos e democráticos, tendo ingressado em verdadeiro mar de lama, pela prática da corrupção sem limites, segundo ele.

Sim, era preciso que alguém com a inteligência e a experiência do juiz viesse a público, ainda em 2018, para o reconhecimento da deplorável situação imposta à gestão pública, por perigosa organização criminosa, que conseguiu desviar para fins espúrios montanha de dinheiro, cuja quadrilha, infelizmente, terminou, mesmo assim, ficando totalmente impune, inclusive merecendo o prêmio de voltar ao governo, tempos depois, justamente com o respaldo do órgão que agora é comandado por esse juiz, fato este que evidencia claro desprezo aos comezinhos princípios republicanos e democráticos.

Ou seja, não bastaram o reconhecimento da roubalheira por autoridades públicas, a comprovação do desvio de dinheiro de cofres públicos e a devolução de recursos subtraídos dos brasileiros, para a principal corte a que pertence o mencionado juiz habilitar o político mais sujo da face da Terra, em termos de desonestidade, à vista das condenações dele pela Justiça, pela comprovada prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em razão do beneficiamento indevido de dinheiro público por esse político.

Esses fatos seriam mais do que suficientes para incompatibilizar pessoa maculada, na vida pública, com atividades políticas, quando ela sequer pudesse se candidatar a cargo público eletivo, diante da exigência dos requisitos de conduta ilibada e idoneidade moral, que são essenciais perante a administração pública.

Infelizmente, não se compreende com base em quais parâmetros as autoridades públicas, que antes reconheciam e recriminavam, com veemência, a gravidade de atos criminosos, que causaram enormes  prejuízos ao Brasil pela organização criminosa, com base em desvio de imensuráveis quantias de dinheiro, tendo, depois,  de forma inexplicável e injustificável, resolvido fechar os olhos para a obrigatoriedade, na administração pública, dos salutares princípios da moralidade, da dignidade, da honestidade, do decoro, da competência e principalmente da responsabilidade perante a integridade do patrimônio dos brasileiros.

Essas autoridades que antes abominavam e recriminavam os desvios do dinheiro público, tudo documentado, agora, não têm o menor escrúpulo em conviverem amistosa e alegremente com as lideranças da organização criminosa que patrocinou a maior roubalheira de bilhões de reais e ainda foram beneficiados pela impunidade e pelo recebimento de volta do dinheiro sujo devolvido voluntariamente por seus integrantes aos cofres públicos, ante o reconhecimento que ele era realmente indevido.

Como não houve, por parte da organização criminosa, qualquer comprovação de inocência nem tão pouco da regularidade sobre os atos inerentes aos recursos desviados indevidamente, ou seja, as práticas caracterizadoras da roubalheira em causa, fica demonstrado de forma indelével, a falta de caráter de todos aqueles que fecharam os olhos para os vergonhosos crimes contra o patrimônio dos brasileiros, permitindo a devassidão moral que foi imposta ao Brasil.

Por via de consequência, isso tem o condão de se firmar o entendimento segundo o qual essas autoridades hão de passar para a história republicana como autênticos cúmplices com essa deplorável dilapidação dos cofres públicos, em especial por contribuírem para a volta ao poder de político que não conseguiu provar a sua inocência nem comprovar os requisitos de conduta ilibada e idoneidade, na vida pública, que são exigências fundamentais na administração pública, em se tratando de país minimamente sério, em termos politicamente civilizados e democráticos.

Um país com o mínimo de dignidade e princípios jamais aceitaria ser comandado por político destituído de moralidade pública, estando sob suspeita de ter se beneficiado indevidamente de recursos públicos e nada comprovar em contrários às acusações contra ele.

Nesse caso, caberia justamente às autoridades públicas o dever de não permitirem que tamanhas desmoralização e indignidade fossem ignoradas, porque isso tem o condão de confirmar completo desprezo aos saudáveis princípios republicanos e democráticos, à vista da imperiosa necessidade da maculabilidade perante a administração pública.

Nessas condições, mesmo que se alegue que o principal cargo do país tenha sido conquistado pela via democrática, em eleição pública, fica o questionamento sobre a imaculabilidade do candidato eleito, que não conseguiu preencher os requisitos de conduta ilibada e idoneidade, na vida pública, como normal exigência de princípios essenciais na administração pública.

Por último, não se pode olvidar que a excrescente situação arranjada para se colocar no poder pessoa sem a devida qualificação moral, em termos politicamente falando, deve-se também ser atribuída a parte expressiva do povo, que não se envergonhou de apoiar, com o seu voto, quem deveria ser revestido dos princípios da dignidade, da moralidade e da maculabilidade, em condições normais de representar a honradez dos brasileiros.    

Enfim, nesse caso, não importando as circunstâncias, pode-se invocar o provérbio segundo o qual o povo tem o governo que bem merece, principalmente por se conformar passivamente com a verdadeira desmoralização de ser presidido por quem não consegue comprovar os requisitos de conduta ilibada e idoneidade, na vida pública.                  

Brasília, em 15 de junho de 2024

quinta-feira, 13 de junho de 2024

Incômodo?

Conforme vídeo que circula na internet, um dos filhos do último ex-presidente do país se manifesta fazendo acusações ao governo, que teria nomeado o delegado então responsável pelas investigações sobre o crime da facada ao pai dele, supostamente para cargo importante, em forma de prêmio pelo desempenho do policial, segundo versão do acusador.   

Esse horroroso crime de tentativa de assassinato do então candidato à Presidência da República, não fosse pura verdade, tem todos os contornos de peça bufa, em que a vítima aparenta, por um lado, ter gostado da facada, por ter oportunidade para mencionar o episódio com muita frequência, em proveito das suas atividades políticas, com sugestão de que o crime teria sido bastante importante para o sucesso político dele, por ter influenciado na eleição dele.

O certo é que o crime é relembrado, com insistência, em todos os discursos do político, quando, em se tratando de algo terrível e lamentável, tudo aconselharia que o caso pudesse ser mencionado somente excepcionalmente, em circunstância que realmente se fizesse apenas necessária.

Por outro lado, na qualidade de principal autoridade do país, a vítima teria excelentes condições e meios para determinar que a Polícia Federal promovesse as diligências efetivamente necessárias para a elucidação desse nebuloso e tenebroso crime, que exigia dele, por óbvio, prioridade, em termos de medidas inerentes às investigações e diligências capazes de esclarecer, em definitivo, tudo concernente a essa desgraça.

Não obstante, ao que se sabe, durante quatro anos de governo, nada foi determinado em especial, senão a vítima concordando plenamente com os resultados apresentados pelas Polícia Federal e Justiça, evidentemente sem qualquer contestação, quando o normal seria a apresentação de recursos para novas investigações, em demonstração de inconformismo, por nada ter sido apurado em prol do esclarecimento do caso.

Por seu turno, não é de bom tom, justamente em razão dos fatos descritos acima, ou seja, evidente desinteresse à elucidação do escândalo, que o filho da vítima venha reclamar incômodos circunstanciais, na tentativa de mostrar fatos que nada interessam à elucidação dos fatos, mas sim a indignação por situações alheias ao caso si.

Enfim, seria conveniente que a opinião pública fosse informada sobre a real situação pela qual nada foi esclarecido até agora, mostrando exatamente o que realmente foi apurado e esclarecido, indicando os motivos que impendem o avanço das investigações e a impossibilidade para a revelação da autoria do crime, uma vez que se trata de tragédia de interesse nacional, em que os brasileiros honrados anseiam por que os criminosos sejam identificados e presos.

            Brasília, em 13 de junho de 2024 

quarta-feira, 12 de junho de 2024

O imaculado?

 

Conforme vídeo que circula nas redes sociais, uma pessoa traça extraordinário perfil de pessoa perfeita, em todos os sentidos, do principal líder da oposição, como sendo verdadeiro homem público honesto, competente, visionário e acima de tudo defensor dos interesses do Brasil, da família e da religião, exatamente a pessoa revestida de imaculabilidade e de credibilidade, conforme o texto a seguir.

“Há um homem cujo coração pulsa em sintonia com o solo fértil do Brasil. ele não é apenas um cidadão, mas um visionário apaixonado. Seus olhos brilham com esperança e a sua alma é tecida com os fios da mudança. Ele sonha com um país melhor, não com uma quimera distante, mas com uma realidade palpável. Seu país, ele acredita, deve ser grande como as nações do primeiro mundo. Não é uma ambição egoísta, mas sim um desejo ardente de ver a sua terra natal florescer. Em sua visão, o povo brasileiro anda pelas ruas sem medo, sem olhar por cima do outro. A violência é uma lembrança distante, substituída pela segurança e pelo respeito. As famílias, estes pilares da sociedade, são como arvores robustas, com raízes profundas e galhos que se entrelaçam, unidas e felizes, elas moldam o futuro. A corrupção, como erva daninha, deve ser arrancada. Ele anseia por líderes íntegros, que sirvam com honra e transparência. A violência, seja física ou verbal, não tem lugar em seu brasil ideal. Todos devem se respeitar, independentemente de religião, orientação sexual ou origem. Esse homem, com sua visão incandescente, não é apenas sonhador, ele age, mobiliza, educa e inspira. Ele é a voz dos que não podem falar, o defensor dos oprimidos, seu coração bate pelo Brasil. Ele luta incansavelmente para transformar os sonhos em realidade.”.

Na realidade, é preciso se ter a consciência de que qualquer pessoa tem pleno direito de interpretar os fatos da forma que melhor maneira lhe interessa, segundo as suas conveniências, como parece ser o caso da mirabolante narrativa acima, que mostra a figura de político com predicativos de verdadeiro herói nacional, que tem realmente capacidade de se agigantar em defesa dos interesses dos brasileiros, sem reconhecer nele nenhum defeito.

O certo mesmo é que as verdades são imutáveis, à vista dos fatos que mostram a realidade do verdadeiro político, que não teve capacidade para comprovar os atributos alardeados na mensagem acima, quando, se tudo o que foi descrito fosse verdade, acredita-se que ele jamais teria sido derrotado pelo pior político da face da Terra, em termos de indignidade, falta de personalidade, desonestidade reconhecida pela Justiça brasileira, por ele ter se beneficiado, indevidamente, de recursos públicos, algo incompatível com a administração pública.

Isso significa se afirmar que seria impossível político tão articulado com tantos atributos e qualidades, na vida pública, ter perdido a reeleição para pessoa sem a mínima condição para exercer cargo público, ante o seu perfil de completa desmoralização perante a administração pública.  

Convém citar que não passa de falácia de se afirmar que o político combate a corrupção, quando ele, que se elegeu sendo o paladino da moralidade, que condenava, com veemência, as práticas nefastas e deploráveis do Centrão, grupo recriminável que é símbolo do fisiologismo, na administração pública, tendo a iniciativa de cognominá-lo de “velha política” e que jamais faria negócio com ele, justamente pela sujeira impregnada nas suas entranhas.

Isso é fato notório do conhecimento dos eleitores brasileiros, mas esse calote eleitoral teve vida curta, somente até o político ter sido ameaçado de impeachment pelo Congresso Nacional, que não teve dúvida em pedir o socorro do Centrão para salvá-lo da degola e colocá-lo no colo do governo, com todas as regalias que ele exige e faz jus, diante da antiética dele, na forma de cargos públicos e emendas parlamentares, que são regalias funestos exigidas por ele, que foram prontamente atendidas com as pompas palacianas, justamente por quem é considerado combatente da corrupção.

Impende frisar que atos de corrupção, na administração pública, não é exclusivamente o beneficiamento indevido de recursos públicos, mas também a prática do desvio de finalidade, como nesse caso típico de associar o governo com grupo político considerado desonesto, principalmente que a aliança espúria firmada tinha por destinação interesse pessoal e particular do então presidente do país, que procurou se blindar com o apoio do desgraçado Centrão, ficando bastante cristalina a fraude nessa operação, por não haver o envolvimento de nenhum interesse público, que é a finalidade precípua do serviço público.

Ou seja, à toda evidência, o político que se passa por honesto não teve o menor escrúpulo em utilizar dinheiro público para se compor com grupo fisiológico para a proteção pessoal, cujo procedimento é absolutamente incompatível com as finalidades públicas, cujos atos deveriam ter sido devidamente apurados, para fins de responsabilização, na forma da lei.

Como se vê, isso não condiz com afirmações constantes da mensagem acima, que dizem que “A corrupção, como erva daninha, deve ser arrancada” e “Ele anseia por líderes íntegros...”, de vez que isso foi colocado por terra, na prática, conforme mostram os fatos acima descritos, embora eles sejam propositadamente ignorados por seus fanáticos seguidores, que não se envergonham em fechar os olhos para a verdade dos acontecimentos.  

Por outro lado, como então se acreditar em afirmações contraditórias e irrealistas como essas: “Ele sonha com um país melhor...” e  “...seu coração bate pelo brasil...”, quando, na qualidade de mandatário do Brasil, ele teve excelente oportunidade para mudar a consolidação da tragédia que se abate sobre as cabeças dos brasileiros, com o peso da incompetência administrativa, do desperdício de recursos públicos, dos abusos de autoridade, mediante arbitrariedades e inconstitucionalidades, entre outras espécies de maldades contrárias aos princípios democráticos?

Era necessário tão somente que ele tivesse implantado a garantia da lei e da ordem, com amparo no art. 142 da Constituição, em especial, por conta das inúmeras denúncias de irregularidades havidas na manipulação do sistema eleitoral brasileiro, sob a desconfiança de fraudes para eleger pessoa incompatível com o exercício de cargo público eletivo, que havia sido condenada pela Justiça brasileira, por comprovada prática dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, em gravíssimo ferimento dos princípios da conduta ilibada e idoneidade, que são contrários à dignidade e à moralidade no serviço público.

A supracitada decretação se conformava perfeitamente com o disposto no art. 78 da Constituição, que estabelece que o presidente da República tem “o compromisso  de manter, defender e cumprir a Constituição, observar as leis, promover o bem geral do povo brasileiro, sustentar a união, a integridade e a independência do Brasil.”.

Vejam-se que, nesse caso, o então presidente fracassou, deixando de cumprir a Constituição, com infringência do aludido art. 78, quando ele permitiu que o principal órgão da Justiça eleitoral transformasse ato originariamente ostensivo em sigiloso, não dando transparência ao resultado das eleições presidenciais, em claro desrespeito ao disposto no art. 37 da Constituição, que diz que os atos da administração pública obedecerão “aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade...”.

Com base no princípio da publicidade, aquele órgão teria a obrigação de dar transparência a todos os atos referentes às últimas eleições presidenciais, mas tudo foi negado, inclusive o acesso ao trabalho das Forças Armadas, que havia sido convidadas para participarem do acompanhamento daquelas eleições.

Nessas circunstâncias, o então presidente do país, com base no art. 78 da Lei Maior, deveria ter interferido, nessa situação, para defender o melhor para o Brasil e os brasileiros, mas, infelizmente, a gravíssima omissão dele permitiu que o poder fosse transferido e o pior, tranquilamente, para a banda pobre da política brasileira, mesmo com os conhecimentos da sua indiscutível índole de desonestidade, incompetência e desprezo aos interesses do país, à vista de exemplos de governos anteriores.

Por fim, convém aduzir, à vista da condução do combate à pior pandemia já havida no Brasil, que o desempenho do então presidente do país foi simplesmente desastroso, quando ele se opunha às orientações do próprio governo, não usando máscara nem tomando vacina, além de ignorar a existência do vírus, que o chamou de “gripezinha” e maricas as pessoas que ficavam em casa, com medo da Covid-19.

A atuação dele foi tão desastrada que muitos brasileiros o denominaram de genocida e negacionista, quando, na qualidade de estadista, ele muito ajudaria se tivesse apenas cuidado das medidas necessárias ao combate à pandemia, sem se mostrar contrário aos fatos, diante da incompetência médica da pessoa dele.   

Esses fatos contradizem à seguinte descrição: “Esse homem, com sua visão incandescente, não é apenas sonhador, ele age, mobiliza, educa e inspira”, uma vez que a autoridade dele pode ter induzido muita gente em não seguir as orientações técnicas, em se tratando de momento de riscos e incertezas sobre as maldades do coronavírus, que conseguiu matar mais de 700 mil brasileiros, em que pesem os cuidados adotados pelas pessoas.

Apenas esses sintéticos fatos podem servir para se intuir que não se trata de político íntegro tal qual na forma da narrativa da mensagem acima, que o coloca sob a superioridade que ainda precisa ser comprovada, diante das terríveis e vitais falhas protagonizadas por ele, que jamais poderia ter passado para a história do Brasil com máculas marcantes no seu currículo de ter se associado ao deplorável Centrão e deixado de defender os interesses do Brasil contra os políticos da maldade, do atraso e da desonestidade, conforme mostram os fatos.

A verdade diz que a omissão de fatos erráticos sobre o político enseja se acreditar, inclusive por parte dele, que ele é realmente imaculado e revestido da perfeição, mas isso é extremamente prejudicial ao princípio da verdade, por contribuir para enganar até a ele próprio e isso não é bom, por negar algo valioso, que é a verdade dos fatos.  

Enfim, a mensagem que procura reconhecer apenas as qualidades que enaltecem o currículo da político, peca em muito em ignorar fotos que fazem parte do histórico dele, como homem público que também foi capaz de praticar graves desvios em ação ou omissão de atos na gestão pública e isso também preciso ser sopesado, para o bem da verdade, posto que não fica bem jogar o lixo para debaixo do tapete, diante da importância da transparência dos fatos, na vida pública.            

  Brasília, em 12 de junho de 2024