quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Respeito à cidadania


Em escapada do hotel onde se encontra hospedado, na Suíça, o presidente brasileiro almoçou no bandejão de um supermercado no centro de Davos, conforme mostram fotografias dele pegando a comida na bancada e sentado à mesa, já deliciando o apetitoso alimento.   
Apenas com pequeno grupo de seguranças, o presidente passou no self-service do supermercado Migros, uma rede popular na Suíça, que seria verdadeiro escândalo se outro presidente brasileiro tivesse tamanha atitude de pura humildade para frequentar o restaurante popular, diante da opulência atribuída, por eles mesmos, no caso dos últimos governantes brasileiros.
          Um artista plástico brasileiro, que vive naquele país, e está fazendo bico como motorista no Fórum Econômico Mundial, disse que se surpreendeu por pegar comida ao lado do presidente brasileiro, nestes termos: "Eu estava pegando comida, olhei para o lado e estava o Bolsonaro".
O brasileiro disse que o presidente estava "comendo sanduíche e tomando refrigerante".
Enquanto isso, do lado de fora do supermercado, que fica a poucos metros do Congress Centre, onde o presidente fez discurso em sessão plenária, brasileiros o aguardavam.
Os referidos brasileiros moram nas cidades suíças de Zurique, Genebra e Lausanne e se  organizaram, pela internet, para tentar uma foto com o presidente brasileiro, em Davos.
Alguns vestiam camisetas com a foto do presidente brasileiro, levavam bandeiras verde-amarelas e fizeram pedido aos repórteres e jornalistas para que eles pedissem que o presidente passasse onde eles estavam, porque eles queriam tirar fotografia como  mandatário brasileiro.
Enquanto isso, a expectativa já era grande para ver e ouvir o presidente, por ocasião do discurso que foi proferido por ele, no Centro de Convenção de Davos.
A viagem do presidente brasileiro tem despertado o foco da imprensa, não somente pela simplicidade nos hábitos alimentares, como na reduzida comitiva que o acompanha, que é constituída exclusivamente dos principais assessores, indispensáveis ao seu apoio de logístico e segurança, além da modicidade na reserva do mesmo hotel de hospedagem de governos anteriores, que utilizaram apartamentos de diárias entre os valores de R$ 18 mil a R$ 22 mil, enquanto o atual presidente optou por apartamento de diária de R$ 12 mil, em média, o que já é 1/3 a menos dos valores pagos no passado.
Há até quem diga que essa forma de economia é simplória, insignificante, mas de muitas e repetidas insignificâncias como essa, no final das contas, se muitos pensarem assim, vai sobrar dinheiro do desperdício que, no passado, deixou de ser evitado, porque a mentalidade se contrapunha ao sentimento de austeridade, que precisa cada vez mais ser valorizado, quando se tem em mira o pensamento de mudanças, que precisam acontecer em todos os setores da administração do país.
O exemplo mostrado pelo presidente do país, a grosso modo, pode até parecer atitude demagógica, para chamar a atenção da imprensa, mas isso mostra, na prática, a imperiosa necessidade de o homem público se enquadrar, urgentemente, em modelo de austeridade compatível com a realidade brasileira, onde a pobreza, na sua expressiva maioria da população, convive em estado de absoluta e extrema penúria e ainda passando pelas piores dificuldades, premidos em situação de precariedade onde não tem a quem recorrer e, mesmo que tivesse a quem reclamar, de nada adiantaria, exatamente porque os recursos são sempre escassos e de nada adianta gritar no vácuo, porque ninguém tanto não ouve como também não tem interesse em escutá-la.
Os brasileiros esperam que o presidente do país siga em continuado padrão de economicidade e austeridade que precisa se consolidar para valer em generalização na administração pública, com abrangência uniforme nos três Poderes da República, como forma de revolucionar o pensamento que predominava no passado recente, em que o esbanjamento acontecia entremuros dos palácios, em extrema insensatez e sem a menor preocupação com as agruras dos desvalidos e dos desassistidos, normalmente sob a alegação da permanente escassez de recursos, menos para as mordomias e as prerrogativas convencionadas, de maneira insensível e abusivas, pelas autoridades da República.
É preciso que o presidente da República lidere, com urgência, movimento em torno da imprescindível eliminação de desperdícios de toda natureza, para que seja incorporada na administração do Brasil cartilha com manual de bons costumes e boas condutas quanto à efetividade dos gastos públicos, vinculando-os à essencialidade da satisfação do interesse público, evidentemente com destaque para a imperiosa e imediata supressão dos gastos supérfluos e principalmente das excessivas e abusivas prerrogativas às expensas de recursos dos contribuintes, que precisam ser destinados para onde eles são verdadeiramente de suma importância.
Brasil: apenas o ame!
Brasília, em 23 de janeiro de 2019

terça-feira, 22 de janeiro de 2019

Esquecimento, jamais...


Diante de comentário sobre a crônica da minha lavra, intitulada “Meu Ídolo”, versando sobre a vida e a obra de Bonifácio Fernandes, respondi mensagem da sua ilustre filha Vescijudith Fernandes Moreira, dizendo que reitero e agradeço a sua gentileza sobre a avaliação pertinente ao meu trabalho literário.
E continuei escrevendo, tendo dito que reafirmo, sem nenhum favor, porque se trata de sentimento pessoal, o privilégio de ter conhecido pessoa que melhor entendeu e pôs em prática, de forma efetiva, os ensinamentos de Jesus Cristo, no sentido de amar o próximo como a si mesmo, conforme deixei registrado na crônica em apreço, que apenas discorre sobre o que foi o seu querido pai, que viveu, como ele gostava, nas atribulações do seu trabalho todo tempo ocupado, sempre na busca de melhor atender à sociedade extremamente necessitada de seus cuidados nas áreas da medicina  e da enfermagem, como profissão que exercia, com a maior competência, embora seus conhecimentos empíricos foram adquiridos no dia a dia, se especializando com os múltiplos e permanentes atendimentos que ele sempre se prontificava a prestar à população.
Já pensei até que tenho abusado da paciência do leitor, com minha repetição sobre a demonstração do meu sentimento sobre o trabalho de Bonifácio Fernandes, em que pese com o seu trabalho ter convivido muito pouco tempo, porque vim embora para Brasília nos primórdios de 1966, mas, pouco importo o que possam pensar disso, porque chego sempre à mesma e inarredável conclusão de que, cada vez que falo sobre esse fantástico herói, meu coração se enche de renovadas energia e alegria, justamente pelo fato de que, falar de gente que praticou o bem e soube amar, como muitos poucos, as pessoas como ele fez a vida toda, é simplesmente maravilhoso e motivo de estimulo para escrever ainda mais sobre tema tão prazeroso, que recompensa possível malquerença.
Por isso, peço o máximo da paciência dos leitores que me perdoem sempre que eu escrever sobre meu ídolo Bonifácio Fernandes, porque o faço com o sentimento de gratidão por pessoa que precisa estar sempre em evidência e na lembrança das pessoas que vivenciaram o seu operoso trabalho assistencial e caritativo, porquanto as suas ações voluntariosas de efetivo amparo ao ser humano precisam ser enaltecidas e valorizadas, com o propósito mesmo de se chamar a atenção para a importância do trabalho construtivo dele e de muitos outros heróis de Uiraúna, que deram seu sangue e se sacrificaram e simplesmente foram relegados ao esquecimento.
É preciso sim que haja persistência e até audácia, em se mostrar a relevância das obras desses heróis esquecidos, que prestaram extenso trabalho e muitos dos quais com o sacrifício sobre-humano, às vezes sem a devida recompensa financeira, mas seu esforço foi refletido em substancial benefício para as pessoas da sua geração, as quais também têm obrigação de aplaudi-los, com a veemência merecida por eles, tendo em conta que o seu importante legado é algo que jamais poderá ser esquecido, porque eles contribuíram para o engrandecimento de Uiraúna.
Fico muitíssimo recompensado em puder pôr em evidencia, no caso de Bonifácio Fernandes, cujas lembrança e reverência também servem de modelo e se estendem para os outros operosos construtores do bem social de Uiraúna, mostrando pelo menos um pouco do que foi esse notável pequeno gigante, que não teve o devido reconhecimento em vida, como ele realmente fez por merecer, porque isso servia como rico exemplo de dedicação e amor ao seu semelhante, como marcante contribuição para as atuais e futuras gerações, que poderiam se espelhar em pessoa que escreveu com expressivas lições de caridade e benemerência rica história de vida, que precisa ser valorizada e saudada para sempre, por seus conterrâneos.
Brasília, em 22 de janeiro de 2019

segunda-feira, 21 de janeiro de 2019

Falta implacabilidade?


Assessores diretos do presidente da República esperam que o senador eleito, filho do presidente, dê o mais rápido possível as devidas justificativas e explicações sobre os 48 depósitos suspeitos, feitos em dinheiro na conta dele, no importe total de R$ 96 mil.
O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) considera os aludidos depósitos como movimentações financeiras atípicas, uma vez que o fracionamento havido propositalmente pode levantar suspeita de que houve tentativa de se evitar a identificação dos depósitos na conta bancária do senador eleito, procedimento que é próprio de clara burla intencional à legitimidade de operações bancárias.
No âmbito do Palácio do Planalto, vem sendo adotada a estratégia de distanciamento do presidente ao episódio, deixando que o problema fique exclusivamente sob os cuidados do senador eleito, que, na época dos depósitos suspeitos, era deputado estadual e tinha um de seus assessores também implicado junto à Coaf, diante de movimentações financeiras consideradas atípicas, na cifra de R$ 1,2 milhão.
Especialistas da ala militar do governo concluíram que o episódio ganhou dimensão preocupante, notadamente porque, na situação anterior, somente o assessor do senador eleito precisava se explicar sobre a suspeita de movimentação atípica, mas agora, diante dos novos fatos, o próprio filho do presidente também está em situação semelhante, que tem o dever constitucional de apresentar justificativas plausíveis para os depósitos em dinheiro, realizados na sua conta bancária.
A ordem entre os assessores do Planalto é tentar preservar, a todo custo, a imagem do presidente da República, mostrando que ele não tem qualquer envolvimento nesse affair.
Eles ressaltam que o presidente não é investigado no processo sob a incumbência do Ministério Público do Rio de Janeiro e que ele já teria dado explicações sobre os depósitos do valor de R$ 24 mil, feitos pelo assessor do senador eleito na conta da primeira-dama do país.
À toda evidência, a informação sobre os depósitos na conta do filho do presidente surge em momento inoportuno, por ser o início do governo e tudo que destoa das políticas da administração pública pode contribuir para causar abalos e transtornos indesejados, tirando o foco dos principais temas que precisam ser discutidos com prioridade, sob pena de prejudicar o andamento dos trabalhos governamentais.
A confusão criada com a revelação do relatório da Coaf, colocando o filho do presidente no olho do furacão, não poderia ter vindo em momento em que o mandatário brasileiro é aguardado em Davos, como uma das principais estrelas do encontro, no qual fará discurso na sessão inaugural com a pregação, pasmem, logo sobre a intolerância com a corrupção e a defesa da agenda liberal na economia de seu governo.
Há toda expectativa de que, agora, o presidente do país tenha que se esforçar, em Davos, para explicar esse imbróglio causado pelo filho, por se tratar da principal matéria de interesse da imprensa brasileira e quiçá internacional, que vai explorar o máximo possível o incômodo episódio.
Em se tratando de coisa mal feita, denotando pura esperteza, como nesse caso, quando foram realizados, em um único dia, 48 depósitos bancários, nitidamente para burlar o sistema de controle sobre movimentação financeira, não resta a menor dúvida de que é preciso que o principal envolvido tenha dignidade para assumir seu erro e dá a mão à palmatória, porque ele não pode contaminar setores que precisam ser preservados da podridão da corrupção, mais especificamente a Presidência da República, comandada por seu pai.
Aliás, o presidente da República perde importante oportunidade para se firmar no conceito de político com traços fortes na busca da moralização do Brasil, por se omitir diante desse caso, que tem como alvo justamente o seu filho e essa sua omissão é contabilizada como ato da maior gravidade política, de notória fraqueza, quando ele tem o dever, até com mais razão, de impor a sua autoridade, no sentido de exigir que os fatos sejam imediatamente apurados e, se for o caso, punidos os envolvidos, mesmo que o principal alvo seja seu filho, não importando ao caso, porque a moralização do país é promessa feita por ele, independentemente das circunstâncias.
Na qualidade de mandatário do país, o presidente não pode simplesmente ser afastado do olho do furacão, onde já se encontra o seu filho, que, conforme demonstrado, tem feito o que todos os péssimos políticos fazem, correndo atrás da Justiça para encontrar biombo seguro para as suas traquinagens, muito bem arquitetadas, porventura a maquiagem não tivesse sido descoberta pela Coaf e agora é preciso que ele tenha a dignidade de assumir, o mais rapidamente possível, as suas trapalhadas, até mesmo como medida de se atrair as atenções da imprensa somente para ele, antes que elas possam prejudicar mais gente.
O presidente da República precisava já ter vindo a público para repudiar as tramoias impulsivamente protagonizadas por seu filho e deixar muito claro que a ordem do governo é que não somente o caso envolvendo seu familiar, mas todas as irregularidades semelhantes precisam ser urgentemente investigadas, doa quem doer, pelos órgãos de controle e fiscalização, inclusive se apurar também quem foi responsável pela revelação seletiva do relatório somente com o nome do senador eleito pelo Rio de Janeiro, quando se sabe que outras pessoas da mesma índole praticaram irregulares análogas, mas era importante, por motivos óbvios, apenas mostrar que não há somente santinhos na família do presidente da República, evidentemente tendo por objetivo desmascará-lo.
É preciso que o presidente da República seja corajoso, coerente e justo com o que prega, em termos políticos, de modo que a sua autoridade se fortaleça também nos momentos de dificuldades, como nesse episódio envolvendo um de seus filhos, para possibilitar pôr em prática a limpeza moral do Brasil, mas isso somente será viabilizado se seu sentimento de imparcialidade e justiça se mostre inflexível e implacável, não permitindo fraquejamento diante de fatos envolvendo familiares ou pessoas da sua intimidade política, máxime porque o autêntico homem público tem o dever moral e legal, antes de tudo, de defender o interesse público, diante da necessidade da preservação da integridade dos princípios democrático e republicano.   
Brasil: apenas o ame!
Brasília, em 21 de janeiro de 2019

domingo, 20 de janeiro de 2019

Meu herói


Em recente postagem feita no Facebook, pela prezada prima Vescijudith Fernandes Moreira, de lindíssimas imagens de uma igreja de Santo Antônio, também constava duas fotografias do inesquecível Bonifácio Fernandes, pai natural dessa bela criatura, ativista do bem e do amor, principalmente da preservação da natureza.
Pois bem, as aludidas imagens me inspiraram a discernir um pouco, sem nenhum esforço, sobre essa a vida extraordinária e venerável de Bonifácio Fernandes, que é sempre digno da minha especial deferência, por seu exemplo magnânimo de amor e dedicação ao nobre ofício de bem servir ao seu irmão em Deus, ou seja, o ser humano.
Na ocasião, eu disse que Bonifácio Fernandes cumpriu como poucos a especial e maravilhosa missão divina de amar seu semelhante, com a doçura de oferecer tratamento e conforto às pessoas, na forma da sua presença nos lares e também na farmácia de seu Alexandre, seu progenitor, como se elas fossem ele próprio, ou seja, ele cuidava de quem necessitava da sua ajuda se ela se destinasse a ele próprio, no fiel sentimento de pureza cristã, no sentido de amar ao próximo como a si mesmo, i.e.: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo!" (Levítico 19,17-18), que expressa o mandamento em que Jesus Cristo nos aconselha a amarmos todos os homens, nossos irmãos, como amamos a nós mesmos, e isso ele fazia com a espontaneidade natural e prazerosa.
As pessoas sentiam que o maior prazer de Bonifácio consistia em estar presente onde era chamado, pois sabia que o seu receituário medicamentoso, mediante as milagrosas injeção ou dose de cachetes eram sempre lenitivos seguros e infalíveis, mesmo porque ninguém melhor do que ele para entender as causas das doenças que existiam naquela época, que acometiam no povo de Uiraúna e das redondezas.
Com o adjutório divino, ele, felizmente, sempre tinha o remédio milagroso para garantir a cura ou o alívio, desde a dor de dente, barriga inchada, problemas, sem maiores complicações, dos órgãos, como coração, rins, fígado, pulmões etc., e nada ficava sem a injeção ou o remédio certeiros e definitivos.
Bonifácio fazia as vezes, sozinho, de junta médica, que resolvia, em pouco tempo, com sua “ambulância” bicicleta de emergência, todos os chamados, dos mais simples aos mais complicados, não deixando ninguém insatisfeito ou sem ser devidamente socorrido, mesmo porque não havia alternativa à altura, salvo em se tratando de caso mais grave, que o doente era aconselhado a procurar socorro nos hospitais fora de Uiraúna.
Eu confesso profunda tristeza que pessoas com as qualidades humanas, cristãs e até sobre-humanas como as de Bonifácio ainda não tenham sido consideradas verdadeiros heróis de Uiraúna, por tudo o quanto, no caso dele, fez de bondade, caridade, santidade, em termos de ajuda às pessoas, e em tudo o mais que jamais alguém, no ofício humanitário exercido por dele, possa ter feito mais do que foi feito por ele, com os sacrifícios naturais e próprios do ser humana e ainda nas precárias condições de recursos materiais de então, em grandioso trabalho em benefício do seu semelhante.
A verdade é que eu me refiro à concessão formal e oficial por parte das autoridades públicas de Uiraúna, mediante ato público, tendo o propósito de materializar o reconhecimento e a gratidão do povo por todo o seu vasto histórico de obra realizada com o seu maravilhoso e benevolente trabalho traduzido em algo sublime de puro amor ao próximo.
Na realidade, esse reclamado e merecido título de verdadeiro herói de Uiraúna já foi outorgado a Bonifácio, com pleno mérito, pela sociedade uiraunense, por aqueles que se beneficiaram de suas mãos e atitudes caritativas e divinas, em gesto de justo merecimento, como expressão de agradecimento que é feito igualmente como prova do amor que precisa existir de verdade entre os seres humanos, porque isso é a forma mais singela de gratidão dirigida a quem se ocupou, em vida, se dedicando à prática do amor, em benefício do bem comum de seu semelhante.
Brasília, em 20 de janeiro de 2019

sábado, 19 de janeiro de 2019

O milagre da delação

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil dos governos petistas, grande idealizador e, por todo tempo, reconhecido como inteligência maior do partido, que se transformou em delator da Operação Lava-Jato, por óbvia conveniência pessoal, relatou que a ex-presidente da República petista "deu corda para o aprofundamento das investigações" daquela operação, com o exclusivo propósito de implicar o ex-presidente da República petista, que se encontra preso.
O ex-ministro deixa muito claro que havia visível "ruptura" entre os dois ex-presidentes, e, por causa disso, foram formados dois grupos distintos no âmbito do PT, exatamente a partir da "briga" fraterna entre os dois grupos, que começou com a indicação de uma mulher para a presidência da Petrobras.
A referida nomeação, feita de propósito pela presidente, representava "meios de Dilma inviabilizar o financiamento eleitoral dos projetos de Lula retornar à Presidência", disse o ex-ministro.
O ex-ministro declarou que, naquele momento, a presidente do país queria, a todo custo, se afastar do controle do petista, conforme o seu relato de que "Deve ser relembrado que (o ex-presidente da estatal) Gabrielli era íntimo de Lula, ao passo que Graça era íntima de Dilma. Não havia qualquer intimidade entre Lula a Graça e a relação entre Dilma e Gabrielli comportava permanentes atritos.".
O ex-ministro afirmou que, com o avanço da Operação Lava-Jato, a única preocupação do petista era preservar a própria imagem e ele, em enorme esforço, "relembrava que Dilma era a presidente do conselho de administração da estatal na época de grande parte dos fatos apurados", ou seja, o petista enfatizava que a petista não estava imune aos fatos em apuração pela Lava-Jato.
As aludidas informações estão em um dos termos de colaboração da delação negociada entre o ex-ministro e a Polícia Federal de Curitiba (PR), em depoimento que foi anexado ao inquérito realizado por essa polícia sobre a construção da Usina de Belo Monte. (Com informações da Folhapress).
Não há a menor dúvida de que esse relato feito por pessoa da intimidade das lideranças petistas, a quem eram confiadas as principais e importantes missões do PT, é muito revelador sobre os meandros da disputa intestina dentro do partido, em que estava em jogo o poder máximo, que era disputado com garras e unhas e ninguém cedia nada, conforme mostra a importância estratégica por trás do comando da Petrobras, que foi usada o quanto pôde para satisfazer a sanha mesquinha e maquiavélica dos líderes petistas.
O relato do ex-ministro expõe as entranhas das disputas que eram travadas internamente no partido entre lideranças petistas, tendo por claros objetivos o domínio dos instrumentos por meio dos quais seriam possíveis as manipulações e os controles das classes políticas e sociais, com o indevido emprego de recursos públicos, facilmente desviados da maior petrolífera brasileira, que foi sugada ao máximo, para a satisfação de interesses políticos inescrupulosos e espúrios, em detrimento das causas nacionais.
Diante desses fatos escabrosos, causa espécie a natural reação dos envolvidos, que têm sido sempre a mesma, em tom absolutamente parecido de apenas tentar desqualificar as denúncias, por meios meramente artificiais, fugindo, como o cão foge da cruz, sem entrar no mérito delas, mas procurando imputar ao delator, o acusador todo tipo de ofensa moral, como se ele não tivesse sido aquela pessoa de inteira confiança, que tinha exclusiva competência, no passado recente, para solucionar e resolver os piores problemas não somente do partido, mas especialmente de interesses pessoais dos principais envolvidos, mas, por evidente, a delação o transformou em desgraçado que apenas serve para alcaguetá-los, inventando mentiras para ganhar a liberdade.
Nesse processo, é importante melhor se entender o que seja delação premiada, que nada mais é do que a técnica poderosa de investigação consistente na oferta de benefícios pelo Estado a quem quer prestar informações úteis ao deslinde e ao esclarecimento sobre fato delituoso, a qual tem sido bastante conhecida como “colaboração premiada”, em que, diante da importância das informações, as penas do delatante são reduzidas e ele pode até ganhar a liberdade vigiada, como é o caso do ex-ministro, o que vale dizer que as informações dele são relevantes, naturalmente respaldadas por provas, que são imprescindíveis nessa forma de acordo.
O instrumento da delação premiada é regulamentado pela Lei nº 12.850/2013, que prevê medidas de combate às organizações criminosas, onde constam benefícios que variam de perdão judicial, redução da pena em até 2/3 e substituição por penas restritivas de direitos (art. 4º).
Ela exige que a colaboração seja voluntária e efetiva (art. 4º) e que a delação tenha por principal e marcante característica o benefício do delator, a depender, evidentemente, da efetividade das informações por ele prestadas, em termos de resultado, que pode ser, em linhas gerais, a identificação de cúmplices e dos crimes por eles praticados, a revelação da estrutura e funcionamento da organização criminosa, a prevenção de novos crimes, a recuperação dos lucros obtidos com a prática criminosa ou a localização de eventual vítima com sua integridade física assegurada (art. 4º, I a V).
Até o momento, a delação premiada tem mostrado a sua eficiência nos acordo celebrados no âmbito da Operação Lava-Jato, em que os fatos delatados já produziram importantes sentenças, tendo por base não somente as informações dos delatores, mas sim os levantamentos das provas sobre a materialidade das declarações do colaborador, que são robustecidas por meios de provas diversas (art. 4º, § 16).
É preciso que os envolvidos nas denúncias e suspeitas de atos irregulares tenham a decência, a dignidade e a hombridade de assumir a responsabilidade para esclarecer os fatos e justificar perante a sociedade, como forma de prestação de contas sobre seus atos na vida pública, que é atividade de puro significado político, de provar, por meios e provas juridicamente válidos, sem necessidade de tentar destruir a imagem do delator, porque este se dispôs a cumprir o seu papel de informante e o fez na forma da lei, cabendo a outra parte cumprir o seu dever legal, por meio das defesas inerentes ao Estado Democrático de Direito.   
Ou seja, em última análise, não fossem as milagrosas delações, os fatos relevantes sobre a podridão da corrupção jamais viriam à tona e ninguém, nem mesmo a polícia nem os demais órgãos de investigação teriam condições de apurar a verdade sobre a imundície protagonizada por políticos aproveitadores, inescrupulosos e antipatrióticos, que ainda conseguiram construir brilhante história política, se beneficiando, de forma absolutamente irregular, de recursos públicos, muitos dos quais ainda batem no peito, eufóricos, sob juras de inocência, enquanto os ingênuos apoiadores se martirizam com o sentimento de injustiças e perseguições.
Convém que os brasileiros se dignem a repudiar toda e qualquer forma de corrupção com recursos públicos e exijam que os órgãos de controle e fiscalização promovam as devidas investigações e apurações sobre as suspeitas da prática de atos irregulares, de modo que a verdade possa vir à lume, mostrando quem precisa ser realmente inocentado ou devidamente punido, para que o Brasil possa ser passado a limpo, com urgência e em definitivo.
Brasil: apenas o ame!
       Brasília, em 19 de janeiro de 2019

sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

Necessidade de moralização


Uma famosa atriz global que apoiou o presidente da República, na última eleição, e declarou voto quando ele era candidato, agora demonstra que não estar satisfeita com o governo.
Nas suas redes sociais, a atriz demonstrou revolta com a possibilidade de o senador por Alagoas ser eleito para o comando do Senado Federal, tendo o apoio do partido do presidente da República.
A atriz global declarou, em tom de protesto, que “Precisamos saber quem é quem no novo time de Brasília”, dando a entender que ela gostaria que fosse colocada ordem na casa, de modo que a esculhambação na política ficasse apenas no passado.
Ela ainda convocou os internautas para uma manifestação, marcada para ocorrer no próximo (20), na Avenida Paulista, em São Paulo, contra a eleição do senador alagoano.
Durante a campanha de outubro, a atriz deixou clara a sua simpatia pelo então candidato, que hoje preside o país, tendo chegado até mesmo a visitá-lo, na residência dele, após o atentado à faca que o político sofreu em Juiz de Fora (MG).
Ela também postou fotos, nas redes sociais, e, no dia da cerimônia de posse do presidente da República, em 1º de janeiro último, fazendo questão de torcer e acompanhar tudo, inclusive, verbis: "Desejando saúde, fé e força à família Bolsonaro na grandiosa missão de gerenciar o destino do Brasil junto com os brasileiros".
Ocorre que o senador alagoano está no pleno direito de se candidatar à Presidência do Senado Federal, embora, na qualidade de político que já é réu no Supremo Tribunal Federal e ainda respondendo a mais de uma dezena de inquéritos nessa Casa, ele tem mínimas condições morais para sequer representar o povo, quanto mais para ser presidente da Câmara Alta brasileira, porque isso é simplesmente o reconhecimento da completa falta de dignidade por parte de quem vota em político dessa espécie de desqualificação moral para, agora, dirigir seus eleitores no Senado e também os relevantes projetos de interesse da nação.
A verdade é que, se isso realmente acontecer e ainda mais com o apoio o mínimo que seja do presidente da República ou até mesmo por sua omissão ao processo eleitoral no Senado, por questão de conveniência política, diante da possibilidade de o senador alagoano garantir magnanimidade com o encaminhamento dos projetos referentes às reformas do governo, aí sim estar-se-ia configurada tremenda e inadmissível esculhambação no cenário político brasileiro.
Isso apenas se confirmaria a situação caótica que grassa no Parlamento, que funciona sob a influência dos interesses e das conveniências dos congressistas, conforme mostra a vergonhosa relação deles com os governos do passado, que não tiveram a dignidade de dizer em alto e bom tom que é preciso que os políticos criem vergonha na cara e parem de hipocrisia e demagogia, porque os brasileiros já não aguentam mais esse sistema político podre, seboso, fedorento e insuportável, de repugnável fisiologismo prejudicial ao interesse público e que é próprio das republiquetas, que não primam pela moralidade da sua administração.
Muitos brasileiros com a alma limpa e a mente sadia não concebem como político sem as mínimas condições morais, para participar da vida pública, ainda tem o disparate de insistir na sua aceitação por seus pares, quando ele deveria se conscientizar de que as ansiadas mudanças de moralidade impõem limpeza também na representatividade política, não cabendo mais que homens públicos investigados pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e pela Justiça possam imaginar que podem representar condignamente o povo, quando isso deveria simplesmente ser sentimento do passado vergonhoso do mundo político, onde a promiscuidade predominava sem o menor escrúpulo.
Urge que tenha fim, em definitivo, esse sistema inaceitável, por ser visivelmente ilegítimo, de ainda se permitir que homens públicos envolvidos com atos suspeitos de irregularidades, como no caso do senador alagoano, participem de atividades políticas, e, o pior, em forma de representação do povo, porque isso é absolutamente incompatível com os princípios democrático e republicano, onde se exige o preenchimento dos requisitos de idoneidade moral e conduta moral ilibada, para o exercício de cargos e funções na administração do país.
A toda evidência, nos países sérios, civilizados e evoluídos, em termos políticos e democráticos, jamais alguém com a ficha-suja, vale dizer sendo suspeito da prática de atos irregulares, seria aceito como participante da vida pública, diante dos claros sentimentos de degeneração dos princípios morais e do decoro, cuja forma natural de irresponsabilidade com a coisa pública haveria de impede, necessariamente, a cumplicidade do povo desinformado nesses casos de indignidade e desonestidade incompatíveis com as atividades públicas, o que teria evitado essa desastrosa escolha do povo alagoano.
É preciso que, com a devida urgência, o povo entenda que não pode ser normal, à luz desse horroroso caso do senador alagoano, que pessoa sob investigação sobre a prática de ato delituoso seja transformado em seu lídimo representante; o Poder Legislativo aprove norma jurídica proibindo que político nessas situações recrimináveis tenha condições de ser eleito; e o Poder Judiciário atue com a devida celeridade no julgamento das ações pertinentes aos suspeitos da prática de atos irregulares.
Tudo isso mostra que o Brasil se encontra ano-luz da modernidade também na política, diante de aberrações há muito tempo ultrapassadas e sepultadas nos países sérios e desenvolvidos, que conseguiram captar as conquistas e os avanços obtidos pela humanidade, que não pode pagar por mentalidades atrofiadas de homens públicos que atuam sob os efeitos de seus interesses e suas conveniências políticos, em detrimento das causas do povo, em dissonância com as verdadeiras finalidades preconizadas pelas Ciências Políticas.
Convém que o novo governo, no âmbito da imperiosa necessidade de  moralização da administração do Brasil, providencie a aprovação de normas jurídicas proibindo a participação na vida pública, ou seja, vetando práticas de atividades políticas por cidadão que estiver sob suspeita da autoria de ato irregular com recursos públicos, sendo obrigatório o atestado de idoneidade moral e conduta ilibada, como exigência para a candidatura ao exercício de cargos ou funções públicos, de modo que essa medida seja extensiva também aos ocupantes de cargos públicos eletivos, caso em que o seu afastamento se dá imediatamente ao suscitamento das investigações pertinentes, permitindo-se o seu retorno ao cargo quando forem aclarados os motivos objeto das suspeitas de irregularidades.
Brasil: apenas o ame!
Brasília, em 18 de janeiro de 2019

quinta-feira, 17 de janeiro de 2019

Sentimento de uiraunalidade


Uma revista publicou texto em homenagem ao estimado conterrâneo de Uiraúna (PB) Ubiracy Vieira Veloso, mostrando as suas história de vida e batalhas de lutas até alcançar o patamar de dignidade que enche de satisfação e orgulho os uiraunenses que acompanham a trajetória de pessoa que construiu patrimônio cívico de muito respeito e que tem sido digno da admiração de seus familiares e amigos.
Diante desse maravilhoso acontecimento, que não constitui nenhuma surpresa, porque a rica história  sobre a vida de pessoa com as qualidades moral, intelectual, profissional e cívica como a do estimado Ubiracy Veloso precisa realmente ser relatada e revelada com os mínimos detalhes, para que a nova geração possa sorver, como forma de aprendizagem, o timbre de quem lutou desde tenra idade para conquistar o seu lugar ao sol, aproveitando as oportunidades que se lhe ofereciam no curso da vida.
O texto mostra os caminhos e as rotas, alguns em linha reta e outros em trilhas obtusas e tortuosas, todos com muitos e difíceis obstáculos à sua frente, que foram devidamente afastados e superados, todos ao seu tempo, pelo guerreiro Ubiracy, com o devido adjutório das suas sabedoria e experiência  acumuladas ao longo da vida, graças aos seus esforços de estudos profundos, persistentes e ardorosos, na trincheira bem estruturada e fortalecida que dava respaldo à vitoriosa trajetória de vida.
Agora, depois de ter alcançado o glorioso cume do horizonte, perseguido desde cedo, desfruta do carinho emanado de todos que tiveram a satisfação de acompanhar, pari passu, a trajetória de lutas de importante conterrâneo que, indubitavelmente, é considerado possuidor de primorosa lição de vida.      
Ao conhecer o texto sobre Ubiracy, logo notei que se tratava de homenagem das mais perfeitas e justas a pessoa que tem mérito, por ter luz própria, diante do seu acervo pessoal como cidadão que conquistou o respeito e a admiração apenas com o seu exemplo de pessoa simples, trabalhadora e cumpridora de seus compromissos e responsabilidades cívicos e patrióticos, tendo demonstrado devoção ímpar aos sentimentos de “uiraunalidade“ (espero que esse verbete tenha sido criado agora por mim, em clara apropriação do termo já existente: brasilidade), em defesa da tradição, da cultura e do amor à terrinha.
Imediatamente à leitura do texto, escrevi o seguinte: “Não há a menor dúvida de que Uiraúna tem muito a se orgulhar de ter sido berço de Ubiracy Veloso, por ser realmente pessoa da mais alta estirpe.
Lembro-me, na minha infância, a sua postura de retidão, decência e honradez, que, sem que ele percebesse, era exemplo de correção e comportamento moral para os seus contemporâneos, entre os quais me incluo.
A sua demonstração de carinho por Uiraúna não é completa porque ele, não sei por qual razão, ainda não publicou excelente trabalho histórico que ele escreveu sobre a banda de música Jesus, Maria e José, contando a história da sua origem e seus principais personagens.
Trata-se de texto primoroso que ele precisa publicar, até mesmo no Face Filhos de Candinha, para mostrar a sua capacidade e o seu profundo conhecimento sobre aquele patrimônio de Uiraúna, além de escancarar o seu amor por sua terra natal.
Parabenizo o homenageado, meu querido irmão Ubiracy Vieira Veloso, e o autor dessa feliz iniciativa, ao colocar em destaque, com o devido merecimento, figura realmente exponencial de minha amada Uiraúna, que é digna da maior distinção, por seu exemplo de cidadão de vida retilínea e construtiva do bem.”.
Com a delicadeza e a atenção pessoais que lhe são peculiares, o homenageado me agradeceu, nestes termos: “Meu caro irmão, não mereço tudo isso! Estou superemocionado com o seu texto! Fraterno abraço e muito grato!”.
 Em resposta, eu apenas disse que “O seu valor é mensurado pelos uiraunenses, que sabem perfeitamente que você, querido irmão Ubiracy, dignifica o nome de Uiraúna, exatamente por seus exemplos de amor às suas origens.
Fiquei muito feliz que você tenha sido homenageado, com lembrança em artigo mostrando a sua personalidade irretocável, motivo de minha sincera admiração e isso não é nenhum favor, porque você não precisa disso (do referido favor, para não confundir com a homenagem, que é merecida, obviamente).”.
Para o bom entendedor, tudo o mais que for dito sobre o homenageado apenas reforça o entendimento segundo o qual “#elemerece”. Meu fraterno abraço, caro irmão Ubiracy Vieira Veloso.
Brasília, em 17 de janeiro de 2019
ANTONIO ADALMIR FERNANDES