sexta-feira, 29 de março de 2013

Indignidade de representação

Não tem sido nada fácil convencer o presidente da Comissão de Direito Humanos e Minorias a abdicar do cargo para o qual foi eleito recentemente, mesmo diante da cerrada pressão da sociedade, que não aceita de forma alguma a sua permanência no tão importante cargo. No meio do torvelinho dos interesses, a Executiva e a bancada do PSC na Câmara, indiferentes às movimentações contrárias, decidiram pela manutenção do pastor e deputado na presidência da aludida comissão, reafirmando que o partido não abre mão da indicação que fez e que resultou na eleição dele, ignorando solenemente os apelos de outros parlamentares, inclusive do presidente da Câmara dos Deputados, pondo por terra os insistentes protestos contra as declarações dele, que foram consideradas ofensivas ao ser humano, por terem cunho racista e homofóbico. Para defender o parlamentar e sustentar a sua defesa no cargo de presidente, seu partido assegura que "Feliciano é um deputado ficha limpa, tendo então todas as prerrogativas de estar na Comissão de Direitos Humanos e Minorias". Não há dúvida de que a situação do parlamentar é insustentável, diante de suas polêmicas afirmações de que africanos são descendentes de amaldiçoados por Noé e a Aids é o "câncer gay". Suas colocações atingiram repercussão alarmante, principalmente por parte dos homossexuais, que não as aceitaram e revidaram a atitude do parlamentar com pesadas manifestações no Congresso Nacional e em todo o país, com movimentos contra as declarações inconvenientes e desrespeitosas, contrárias aos princípios humanitários. Como já está provado que se trata de projeto pessoal, a insistência do deputado em permanecer no questionado cargo evidencia que a imagem do Parlamento, que já é desacreditada, foi severamente atingida e prejudicada, por permitir, de forma passiva, que um de seus integrantes reprovado pela sociedade insista em comandar uma comissão cuja finalidade não se coaduna com os princípios e os pensamentos antagônicos dele. A insensibilidade e petulância quanto à solução do impasse bem demonstram a sua disposição contrária ao entendimento e à pacificação do entrevero, contrariando justamente a destinação precípua do órgão que dirige, por ele ter por objetivo a construção positiva dos direitos humanos. Se a Casa Legislativa é do povo, quem deve decidir sobre o seu funcionamento é o próprio povo, que ali é representado e ainda paga as altas remunerações dos seus integrantes. Caso contrário, essa tese cai por terra quando parlamentares sem condições para preencher os salutares requisitos da ética, da moralidade, do decoro e especialmente do respeito à dignidade humana jamais poderiam, à luz do bom senso e da razoabilidade, ter o direito de sequer integrar aquela Casa, por ter decaído da ínsita pureza de dignidade atribuída aos homens públicos, quanto mais participar de votações, compor comissões e muito menos dirigi-las, porque esses procedimentos ferem os princípios do decoro parlamentar e da dignidade de representação, tendo em vista que os atos políticos devem se revestir da legitimidade e autenticidade da vontade de seus representados, como forma da realização do bem comum, em benefício da sociedade. Para tanto, a atuação parlamentar deve ser isenta de vícios e de suspeitas de máculas. A sociedade anseia por que os homens públicos sejam capazes de raciocinar sob a ótica de que a vontade política da nação pertence ao povo, uma vez que o mandato parlamentar é emanado dele, e que as atividades legislativas devem estar em sintonia com os princípios democráticos, como forma de contribuir para a construção de uma sociedade desenvolvida. Acorda, Brasil!   

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 28 de março de 2013

quinta-feira, 28 de março de 2013

Burrice é eufemismo

Importante colaborador do governo, que preside, como voluntário, a Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade da Presidência da República, órgão consultivo do Palácio do Planalto, declarou, em entrevista ao UOL e à Folha, que o Brasil precisa "trabalhar com meia dúzia de ministérios ou coisa desse tipo" e não com as 39 existentes na administração pública. Ele afirmou que teria dado um "toque" na presidente sobre a necessidade de promover redução da quantidade de ministérios, mas, por questões políticas, o seu aconselhamento não foi levado em consideração, permanecendo a inadmissível estrutura na Esplanada. Na sua avaliação, "tudo tem o seu limite. Quando a burrice, ou a loucura, ou a irresponsabilidade vai muito longe, de repente, sai um saneamento, está certo? Então, eu diria assim, que nós, provavelmente, estamos no limite desse período". Ele também disse que somente quatro ou cinco instituições públicas brasileiras têm "estrutura de meritocracia e profissionalismo" que funcionam, a exemplo do Banco do Brasil, Banco Central, Itamaraty, Exército e BNDES. Com base em experiência empresarial, ele declarou que "dentro da estrutura brasileira, o conceito de política atrapalha bastante a gestão" e a solução para essa grave questão deve ser procurada nas realidades existentes no país. Ele entende que a gestão pública brasileira já avançou um pouco quanto à eficiência, mas o país somente terá planejamento competitivo, de forma ampla, no prazo superior a dez anos. Embora as lições de especialistas sejam contrárias ao inchamento da máquina pública, por enxergar que o complexo ministerial induz necessariamente à ineficiência e ao descontrole das políticas públicas, resultando dispersão de comando e de objetividade do Estado, que não consegue cumprir com exatidão a sua missão constitucional, haja vista que a estrutura da Esplanada está preparada exclusivamente para o atendimento de fins políticos, oportunizando a expansão da máquina pública, com a criação de ministérios para agradar aliados e assegurar seu apoio na coalizão de governo, como instrumento claro e indecente de mecanismo de troca, em pagamento da confiança política, visando tão somente à perpetuação no poder, em detrimento da eficiência administrativa e da preservação dos princípios da ética e moralidade que são exigidos dos homens públicos, na condução dos negócios de interesse da sociedade. Até então, sempre foi normal o governo ser tachado de incompetente e de burro pela sociedade que paga os pesados tributos, ante a evidente demonstração de incapacidade para tratar os assuntos de Estado com a indispensável eficiência, mas não deixa de ser surpreendente e até auspicioso que integrante do próprio governo, de alta relevância em termos de assessoramento e de qualificação técnico-especializada, venha considerar burrice a criação de ministério, por vislumbrar a falta de preocupação com a objetividade e economicidade das ações do Estado. Na realidade, nos últimos tempos, o uso da máquina pública tem servido para assegurar a consolidação de alianças espúrias do governo com os partidos de sustentação da sua base política, sem o mínimo de pudor quanto à eficiência, aos fins do Estado e à decência que tem que ser demonstrada na gestão dos recursos públicos, ficando patenteada a mera vocação de negociata, visando à satisfação de interesses pessoas e partidários, em flagrante prejuízo ideológico político de ser conduzida a coisa pública em estrita observância aos princípios da ética, probidade, legalidade, economicidade, eficiência, eficácia, transparência etc. A sociedade tem o dever cívico de repudiar, de forma enérgica, as burrices dos governantes, sob pena de contribuir positivamente, ante a sua leniência, com os abusos e as infringências aos princípios essenciais da administração pública, para o crescente subdesenvolvimento da nação. Acorda, Brasil! 
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 27 de março de 2013

quarta-feira, 27 de março de 2013

Mais avaliação, menos abusos

Como não poderia fazer vistas grossas, diante de tamanha polêmica surgida com os gastos absurdos e injustificáveis da recente viagem da comitiva presidencial a Roma, o Ministério Público Federal, em bom momento, resolveu instaurar inquérito civil para investigar o custo da viagem turística e o tamanho da comitiva presidencial, com vistas a apurar "eventuais irregularidades, em especial aos gastos e ao número de integrantes da comitiva". Consoante reportagem publicada no site do jornal Folha de S. Paulo, a pomposa comitiva ocupou 52 quartos de hotel, sendo 30 no hotel Westin Excelsior, na Via Veneto, um dos endereços mais sofisticados da capital italiana, e locou 17 veículos. O Ministério Público, ao afirmar que o aluguel de 52 quartos "ainda que por comitiva presidencial configura, ao menos em tese, extravagância e constitui indícios de irregularidades envolvendo gastos desmedidos", solicita à Secretaria Geral da Presidência da República que esclareça a presença de cada integrante e a função desempenhada individualmente na comitiva, "para apurar se não viajaram por mero deleite e turismo", bem assim o custo final da viagem, especificando as despesas com hotel, alimentação e transporte, o número de quartos de hotel, a quantidade de veículos locados e os critérios para a escolha das locações. Em data antecipada às indagações em tela, a Presidência da República teria dito àquele jornal que a questionada viagem envolveu o aluguel de 51 quartos de hotel, com o custo de hospedagem, para o governo federal, do montante de 125,99 mil euros, o equivalente à R$ 324 mil, cuja despesa mereceu a justificativa de que "As questões logísticas da visita presidencial a Roma realizada entre 16 e 20 de março corrente não representam qualquer inovação em relação às visitas internacionais anteriores dos presidentes da República Federativa do Brasil". A Presidência não justificou os gastos com transporte, inclusive do “Aerodilma”, da tripulação, das diárias e dos prejuízos para a nação decorrentes da ausência dos servidores dos seus serviços normais no país, mas fez questão de afirmar que os gastos nem a estrutura mobilizada fogem da rotina de viagens internacionais de presidente, tendo esclarecido que a composição da comitiva foi "padrão", constituída de profissionais de segurança, comunicação, cerimonial, apoio à imprensa, saúde, interpretação e tripulação. Felizmente, um órgão de fiscalização toma a iniciativa, por força da sua alçada constitucional e legal, para apurar esse escândalo governamental, que é considerado apenas como corriqueiro, ao enquadrá-lo, sem o menor pudor nem escrúpulo de padrão pela Presidência, quando, ao contrário, deveria ter os devidos respeito e parcimônia em se tratando de gastos com recursos públicos, que teriam verdadeiro aproveitamento se fossem destinados a programas prioritários e essenciais ao interesse público, ao invés das despreocupadas gastanças em viagem turística à Itália, totalmente dispensável, por não resultar qualquer benefício à sociedade, que ainda tem a obrigação de custear os caprichos palacianos. Na verdade, o padrão das viagens presidenciais deveria se enquadrar na realidade nacional, permitindo que a comitiva fosse a menos enxuta possível, constituída de pessoas indispensáveis, à exceção do ministro da Educação, que sempre viaja, tão somente para ficar sorrindo atrás ou lado da presidente, nas entrevistas dela, quando se sabe que ele não tem competência nem para comandar o programa do Enem. A sociedade anseia por que o Ministério Público avalie com bastante critério os gastos questionados, inclusive comparando a comitiva brasileira com outras de países semelhantes, como forma de serem aquilatados o exagero e o desperdício de recursos públicos em mera viagem de turismo, pela mandatária da nação, que tem a primacial obrigação de dar o exemplo na aplicação do dinheiro dos brasileiros. Acorda, Brasil!
  
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 26 de março de 2013

terça-feira, 26 de março de 2013

O caos nos portos

Conforme dados revelados pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em 2012, navios foram obrigados a esperar até 16 dias para atracar nos portos do país e passar quase 90% do tempo da estadia inoperantes, aguardando para atracar e descarregar ou receber carga. Essa catastrófica situação de evidente descompasso com a evolução que se espera de um país que representa a sexta economia mundial causa consequências altamente prejudicais aos interesses do país. Os reflexos desse absurdo atraso vêm contribuindo para a elevação dos custos dos produtos brasileiros, a diminuição da competitividade dos produtos exportados e o encarecimento dos preços dos fretes marítimos, cujo fato pode resultar em onerosas multas de sobrestadia, que são imputadas, por força de contrato, ao exportador ou importador brasileiro, causando redução das margens de lucro, inevitáveis prejuízos e inviabilização de negócios dos produtos brasileiros. O caso mais evidente, que vem causando perplexidade no mundo exportador, foi a desistência da importação de soja pela segunda potência econômica mundial, devido à falta da tempestiva entrega do produto. Não deixa de ser inaceitável que caminhões permaneçam parados na estrada, formando fila por até 30 quilômetros, na proximidade do porto de Santos, aguardando descarregamento. Essa absurda situação evidencia absoluta falta de infraestrutura para o escoamento da produção do país, demonstrando também séria crise sem precedente na história econômica brasileira, com a inviabilidade de exportação da safra de soja, que este ano registra recorde de 83 milhões de toneladas. A notória precariedade dos portos brasileiros, com a indicação de baixa capacidade operacional e produtividade, exige urgente reestruturação do seu funcionamento e maciços investimentos, como forma de modernização, ampliação da capacidade dos terminais e operacionalização com eficiência e eficácia, a exemplo do que fazem os países desenvolvidos, que tiveram a capacidade de investir pesado num segmento estratégico da economia, por onde os produtos devem entrar e sair sem entraves ou obstáculos prejudiciais à comercialização dos produtos nacionais. A falta de planejamento estratégico não atinge somente os portos brasileiros, igual carência abrange importantes segmentos da incumbência da gestão pública, conforme evidenciam as deficiências no atendimento dos programas oficiais, que são executados por ministérios entregues a pessoas descompromissadas com as causas nacionais. Enquanto o Planalto estiver privilegiando, com as benesses de cargos públicos, seus aliados da coalizão de governo, em troca de apoio político, visando à reeleição da presidente, o país permanecerá na liderança da vergonha mundial da incompetência também nos setores estratégicos da economia. O governo se preocupa tanto com os portos brasileiros que concedeu, a fundo perdido, financiamento de US$ 433 milhões, com dinheiro dos bestas dos contribuintes tupiniquins, para a "modernização" do porto Mariel, situado em Cuba. Aliado a isso, ressalte-se o extremo empenho do governo, com dispêndios bilionários, na construção de estádios de futebol, ficando explícito que as questões prioritárias do país são relevadas a planos secundários, prejudicando o seu desenvolvimento. A culpa por mais esse mico é do próprio povo, que, não só elege pessoa incapacitada para dirigir o país, como aprova com louvor e com altíssimo índice de quase 80%, governo ocioso, limitado e descompromissado com o interesse público. A presidente da República, a par da sua alta avaliação por quem não tem preocupação com as mazelas do país, deve está convencida de que o país vem sendo administrado, quando, na verdade, a nação encontra-se submetida à marca da incompetência gerencial, ao desgaste e ao sucateamento inerentes ao subdesenvolvimento, não permitindo que o processo produtivo se renove com eficiência, exatamente em face da falta de investimentos públicos e privados, levando o caos à economia, como se verifica no sistema portuário. A sociedade tem que se conscientizar com urgência sobre a necessidade de o país ser dirigido por quem tenha capacidade e competência para reformular as estruturas arcaicas, obsoletas e populistas, que têm contribuído apenas para a estagnação do desenvolvimento e do progresso. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 25 de março de 2013

segunda-feira, 25 de março de 2013

Lamentável insensibilidade

Na contramão dos lastimáveis acontecimentos, em que o Estado mostra, mais uma vez, verdadeira negligência, ao permitir que acidentes da natureza se transformem em tragédia, a presidente da República vai participar hoje à tarde, juntamente com o governador do Rio de Janeiro, de missa em Petrópolis (RJ), em memória das vítimas das chuvas na região serrana daquele estado. Há muito a ser lamentada, em razão das mortes absurdas e irreparáveis de 33 pessoas, que foram incapazes de resistir à tragédia causada pelo temporal que arrasou a cidade de Petrópolis, deixando rastro marcante de destruição de vidas, bens materiais, desabrigados e insegurança quanto ao futuro das pessoas afetadas pelo desastre da natureza, agravada pela incompetência e falta de sensibilidade das autoridades públicas, que nada fizeram para evitar mais esse trágico acontecimento, embora elas fossem alertadas e eram sabedoras sobre os riscos de deslizamentos de encostas, conforme estudo específico, elaborado com a finalidade de serem evitadas novas perdas de vidas e de prejuízos à população, tendo em vista os fatos terríveis ocorridos em 2011, quando foram contabilizadas mais de 900 mortes na região. O estudo foi levantado durante quatro anos, de 2007 a 2010, ocasião em que geólogos e engenheiros percorreram a região e analisaram o terreno, sob os aspectos de inclinação, altitude e áreas por onde a água da chuva escoa, tendo concluído pela elaboração de mapas dos riscos, mostrando as áreas de muito alto risco e a urgente necessidade da remoção das pessoas do local, dando a entender que, a qualquer momento, nova tragédia poderia acontecer. Não obstante, como nada foi providenciado, a não ser a perda de quatro anos de trabalho e do dinheiro dos bestas dos contribuintes, que foi jogado pelas enxurradas das chuvas, a anunciada tragédia aconteceu, evidentemente por falta de seriedade e de responsabilidade das autoridades, que ainda têm a cara-de-pau de comparecer à cerimônia de missa em memória das vítimas, quando deveriam estar nos seus palácios, trabalhando e lamentando a sua culpa pela inépcia, omissão e leniência com as perdas de preciosas vidas, que poderiam ter sido evitadas se fossem levadas a sério as medidas preconizadas para as áreas de risco. O mais grave é que a presidente e demais autoridades irresponsáveis ainda têm a indecência de, após a missa, participar de uma reunião na Prefeitura de Petrópolis, certamente para chorar o leite derramado, porque a tragédia é irreparável. Diante da gravidade dos fatos, são risíveis as medidas efetivamente implantadas nas áreas de risco, consistentes na instalação de alarmes sonoros, as chamadas sirenes, que têm por finalidade alertar a população sobre iminente risco de desabamentos, que, às vezes, chegam antes que as pessoas saiam às ruas. Parece até piada, em se tratando da preservação de vidas humanas, quando, no caso, se exige que as pessoas sejam retiradas impiedosamente das áreas de risco, mediante o poder de polícia de competência do Estado, para aqueles que se mostrarem resistentes às medidas drásticas de evacuação da área. A sociedade anseia por que seja aprovada legislação realista e eficiente, capaz de enquadra no crime de responsabilidade os governantes e as autoridades públicas incompetentes, hipócritas e insensíveis às tragédias nacionais, de modo que eles possam perder seus cargos imediatamente e ficar inelegíveis para cargos públicos em definitivo, como forma de alertar os homens públicos para a necessidade de cumprir as funções públicas com dignidade e respeito às vidas humanas e ao patrimônio da nacionalidade. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 25 de março de 2013

domingo, 24 de março de 2013

O DNA da maldade

O ex-primeiro-ministro italiano, que acaba de obter expressiva votação no último pleito eleitoral, foi alvo de calorosa manifestação de desaprovação da sua pessoa na política, tendo sido apupado com vaias e assobios, quando entrava no Senado italiano, onde estava indo para participar da eleição do presidente daquela Casa Legislativa. Ele, que está para ser julgado por fraude fiscal e escândalo sexual, revidou o grupo de populares com xingamento em voz alta, enquanto se dirigia ao Parlamento, dizendo que "Vocês deveriam ter vergonha. Vocês são pobres, tolos e estúpidos". Na realidade, os manifestantes apenas e tão somente gritaram "Buffone! Buffone!", significando palhaço, em italiano. Em bom português, esse termo significa literal e exatamente o que expressiva composição dos homens públicos é capaz de representar quando eles estão no exercício de cargos públicos eleitorais, pelo menos é que se verifica na Itália e em especial no Brasil. No caso do país tupiniquim, o clássico exemplo foi evidenciado recentemente na eleição dos presidentes do Senado Federal e da Câmara dos Deputados, quando os dois congressistas não tiveram a dignidade de abdicar de suas candidaturas, mesmo diante da pressão popular, inconformada em razão das graves denúncias de irregularidades cometidas nos cargos de congressistas, consistindo em desvios de recursos públicos, falsidade ideológica, enriquecimento ilícito e outros crimes que, num país com o mínimo de dignidade política, impediriam in limine as candidaturas de pessoas consideradas desqualificadas, com base nos seus passados de improbidade e de desonestidade, em flagrante ferimento aos princípios da administração pública, com destaque para o requisito da honestidade e da moralidade, que são indispensáveis quando se trata da ocupação de cargos públicos. A rigor, os políticos enquadrados como palhaços, por terem se envolvido em corrupção, como são os casos dos atuais presidentes das Casas do Parlamento brasileiro, por estarem com denúncias em tramitação no Poder Judiciário, não têm o direito de representar nem mesmo eles próprios, porque decaíram dos patamares da decência e do decoro, que seriam o mínimo de sustentação, em termos éticos, para mantê-los na vida pública, com a credibilidade que se espera dos representantes do povo. Contrariando os preceitos ínsitos inspiradores de verdadeiros homens públicos, os eleitores italianos e brasileiros são iguais em pensamento e atitude, no plano político, por evidenciarem que eles têm o mesmo DNA, quanto à forma inescrupulosa de escolher seus representantes, que normalmente não são levados em conta os instintos de responsabilidade e de caráter, a exemplo de muitos políticos desses países, que, apesar de se envolverem em casos de corrupção, conseguem se eleger e continuar na vida pública, como se o normal fosse ser desonesto. Os eleitores brasileiros já demonstraram preferência por eleger homens públicos comprometidos com algo estranho à honestidade, à moralidade e ao decoro, que são atributos maléficos capazes de comprometer a seriedade do sistema político e a credibilidade de toda classe política. Infelizmente, os reiterados escândalos protagonizados pelos homens públicos italianos e brasileiros são ineficazes para evidenciar que, na política, ser digno moralmente é proceder com retidão nos seus atos como cidadão e observar fielmente os princípios éticos. A sociedade tem o dever cívico e patriótico de repudiar os homens públicos que ignoram os preceitos da ética e da moralidade na política. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 23 de março de 2013

sábado, 23 de março de 2013

Competência sob suspeita

Consoante pesquisa Datafolha divulgada pelo site do jornal Folha de S. Paulo, a mandatária do país teria 58% das intenções de voto de 2.653 pessoas ouvidas, caso a eleição para presidente da República se realizasse agora. A pesquisa aponta que outros possíveis candidatos teriam modestas intenções de voto, como a ex-senadora do partido da Rede, com 16% das preferências, que foi seguida pelo senador tucano, com 10%, e governador de Pernambuco, com 6%. Causa estranheza que a eleição somente acontecerá em outubro de 2014 e a escolha dos candidatos será feita, na forma da legislação eleitoral, em convenções partidárias, entre os dias 10 e 30 de junho do próximo ano. Não se sabem também a razão e os motivos ensejadores de pesquisa extemporânea, tão distanciada da data prevista para a realização da eleição. Inobstante, caso não tivesse interesse em jogo, jamais a pesquisa seria realizada agora. Ainda bem que se trata de pesquisa com viés absolutamente enganoso, por representar o resultado de consulta realizada junto a tão somente 2.653 pessoas, de um universo de cerca de 130 milhões de eleitores, o que se pode inferir que elas estão plenamente alheias à realidade brasileira, demonstrando desconhecer a forma promíscua e ridícula como o país vem sendo administrado, quando a presidente da República, obcecada loucamente por perpetuar-se no poder, abdicou dos salutares princípios da ética e moralidade, ao promover a mais indecente e indigna distribuição dos ministérios e órgãos públicos aos partidos da coalizão espúria de governo, em troca de apoio político no Congresso Nacional, além da sua leniência com a disseminação da corrupção, a exemplo do seu recente apoio aos condenados quadrilheiros do mensalão e da sua convicta hipoteca às candidaturas dos presidentes do Senado Federal e Câmara dos Deputados, por eles estarem envolvidos em casos de corrupção com recursos públicos, que estão sendo apreciados na Justiça, não recomendando suas conduções aos aludidos cargos, por ferimento ao decoro e à dignidade públicos. Em termos gerenciais, o país vem sendo seriamente castigado pelo governo sem criatividade, que não apresentou qualquer programa capaz de incrementar e fomentar o desenvolvimento da nação. A visível demonstração de incompetência do governo desponta com a falta de reformas estruturais dos sistemas que obstaculizam o progresso do país, conjuntada com a incapacidade de investimentos em saneamento básico, saúde, educação, segurança pública, transportes e demais políticas públicas, com reflexos diretos no progressivo aumento da violência, criminalidade, da falta de atendimento médico-hospitalar, da má qualidade do ensino público, da precariedade dos portos, aeroportos e estradas, impedindo o escoamento da produção, principalmente agrícola, ou seja, o país, que ostenta a sexta economia mundial, submete seu povo às condições de qualidade de vida comparável às nações de décima categoria Caso o titular do principal cargo da nação capacidade gerencial, poderia perfeitamente reverter esse quadro de debilidade da gestão do patrimônio público, ao impulsionar a máquina pública em mutirão, visando ao imediato saneamento dos gigantescos problemas brasileiros e à implantação de medidas gerenciais apropriadas ao desenvolvimento do país. Certamente que ninguém consegue enganar a todos por todo tempo, porque há de surgir alguém que tenha condições de mostrar ao povo a realidade da mesquinhez desse governo, que contribui de forma decisiva para o subdesenvolvimento da nação, sustentado apenas pelos programas assistencialistas, meramente populistas. Diante de um governo apenas alienado pelo poder, a sociedade anseia por que o próximo presidente da República seja capaz de dirigir o país com a visão de verdadeiro estadista, que tenha a perspicácia e a iniciativa de gerenciá-lo com competência e vanguardismo, sob o primado da observância aos princípios da administração pública e do zelo pelo estrito interesse da nacionalidade. Acorda, Brasil! 
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 23 de março de 2013