sexta-feira, 5 de abril de 2013

Basta de esperteza

Enquanto o Supremo Tribunal Federal demonstra incompreensível e ineficiência, no que diz respeito à eterna demora em publicar os acórdãos sobre o julgamento do mensalão, que se encerrou em dezembro de 2012, o ex-ministro da Casa Civil da Presidência da República impetrou pedido naquela corte, solicitando, pasmem, o adiamento da publicação do acórdão referente ao citado julgamento, até que o plenário se manifeste sobre dois pedidos formulados pela defesa para ter imediato acesso aos votos escritos dos ministros e para ter mais prazo para apresentar recursos. Como da praxe, o acórdão detalha as decisões do julgamento, que, após a sua publicação, será aberto prazo de cinco dias para apresentação de recursos. No julgamento em referência, o Supremo ainda aguarda, para publicar o acórdão, voto de um ministro, que não deve ter tido tempo no recesso de final de ano para finalizá-lo. Segundo o ex-ministro, “O relator pode e deve agir para evitar a consumação de dano irreparável, suspendendo a publicação do acórdão até que o plenário se pronuncie sobre a antecedência razoável para que o texto formal se torne disponível a todos, em igualdade de condições". Com a finalidade de tumultuar a celeridade processual, o ex-ministro apresentou agravo, recurso que deve ser julgado pelo plenário, solicitando a manifestação dos ministros sobre pedido de mais prazo e de acesso aos votos. Ao tempo em que entrou com medida cautelar, "em regime de urgência", pleiteando o adiamento da publicação do acórdão até que o plenário se manifeste sobre os pedidos, sob o argumento de a publicação do documento poder causar "dano irreparável ao direito de ampla defesa do réu". Ainda sem o mínimo conteúdo de razoabilidade, a defesa alega que, "Caso o plenário não tenha oportunidade de se manifestar, corre-se o sério risco de inviabilizar a apreciação, em tempo hábil, de questão de elevada dignidade constitucional, por quem tem competência para decidi-la". Confirmando a lentidão da Justiça brasileira, o Supremo não costuma publicar seus acórdãos no prazo regimental, embora haja previsão para tanto, "salvo motivo justificado". Contudo, não se justifica que o acórdão não fique pronto no prazo de 60 dias após o encerramento do julgamento, visto que esse fato demonstra desinteresse da corte de imprimir dinamismo às suas decisões, caso tivesse a preocupação de se evitar inexplicável demora na publicação do documento, fato que estende o prazo para a finalização do processo. No caso do mensalão, somente haverá prisão dos condenados quando ocorrer o trânsito em julgado da ação, i.e., quando não couber mais recurso. É evidente que, diante falta de eficiência do Supremo, ante a demora em demasia para mera publicação de documento, os réus condenados se acham no direito de contribuir ainda mais para impor procedimentos a serem seguidos pela corte, inclusive quanto aos ritos que os beneficiem com mais tempo para o encerramento do processo e, se for o caso, a sua prisão. O país, que tem um cipoal de leis totalmente desatualizadas e não acompanharam a evolução e os avanços da humanidade, não pode merecer credibilidade, mesmo porque todo arcabouço que dá respaldo aos ritos judiciais sempre funciona em benefício dos réus que têm recursos para contratar bons e experientes advogados, os quais sempre têm a sabedoria de empregar os artifícios capazes de adiar e protelar o cumprimento de veredictos, em claro prejuízo aos objetivos ínsitos das penalidades aplicadas, contribuindo ainda para que o princípio da impunidade prevaleça sobre a imperiosa necessidade de ser feita justiça. Impõe-se que o Poder Judiciário se conscientize, com urgência, sobre a necessidade de se adequar aos tempos modernos, imprimindo celeridade à execução dos seus julgados. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 04 de abril de 2013

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Ressentimento da falta de gerenciamento

Em harmonia com seu peculiar estilo de encarar as questões nacionais, a presidente da República, indignada com as reiteradas notícias sobre constantes apagões, sentenciou, no ano passado, que "No dia em que falarem para vocês que caiu um raio, vocês gargalhem. Cai raio todo dia nesse país. Raio não pode desligar o sistema, se desligou, é falha humana.". Na verdade, ela rebatia as afirmações do diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS – órgão responsável pela coordenação e pelo controle da operação das instalações de geração e transmissão de energia elétrica - e do secretário de Energia Elétrica do Ministério de Minas e Energia, que haviam apontado os raios como responsáveis pelas falhas. A presidente disse ainda que teria visto o mapa da distribuição dos raios pelo país no dia em que houve o problema e chegou à conclusão de que "Não é sério dizer que a culpa é do raio.". Agora, o ONS, com fundamento em relatório sobre estudos acerca dos fatos analisados, contraria as precipitadas e infundadas afirmações presidenciais, pondo por terra a tentativa de desmentir o órgão incumbido de avaliar as causas dos acidentes ocorridos no sistema de distribuição de energia elétrica, ao constatar que realmente os raios podem deixar o país às escuras. A análise técnica levada a efeito por aquele órgão revela que, efetivamente, foi "interferência eletromagnética" que causou o apagão que levou mais de 3,5 milhões de consumidores, em 12 Estados, a ficar sem luz por uma hora. O órgão foi taxativo ao afirmar que "No instante da perturbação havia uma sequência de descargas atmosféricas na região". Mais uma vez, é desmascarada a prepotência e a incompetência como o governo enxerga a realidade, que preferiu enfrentá-la de forma destorcida, ao se antecipar às apurações e ainda sem fundamento técnico, para, de forma meramente política, mostrar autoridade sobre fatos desconhecidos, na tentativa de amenizar cruel realidade, que é exatamente a deficiência do sistema de geração, operação e distribuição de energia elétrica, por ter como suporte equipamentos sucateados e ultrapassados, não permitindo a prevenção das intervenções eletromagnéticas, causadoras dos principais apagões que poderiam ser evitados se as instalações e equipamentos fossem modernos e capacitados para suportar os objetos que dão origem aos curtos-circuitos. É louvável o trabalho apresentado pelo ONS, mostrando, com base em avaliações fundamentadas, o diagnóstico técnico dos graves problemas, sem se intimidar às ingerências políticas, que somente servem para contribuir para a ineficiência do gerenciamento do sistema de transmissão de energia. A presidente teria prestado efetiva contribuição ao saneamento da questão se tivesse a cautela de mandar averiguar as verdadeiras causas dos apagões e concomitantemente determinar ao Ministério das Minas e Energia a adoção das medidas necessárias à implantação de equipamentos modernos e eficientes, capazes de evitar novas panes, novos vexames num setor de vital importância para as pessoas e a economia do país. O certo é que a incompetência do governo tem servido para potencializar as mazelas e as deficiências não somente na transmissão e distribuição de energia elétrica, mas, de forma uniforme e abrangente, nas ações e políticas públicas de quem gerou a ideia da perpetuação no poder, deixando o gerenciamento do país aos cuidados e à mercê de políticos inescrupulosos e descompromissados com os interesses públicos. A sociedade tem que se conscientizar, com urgência, sobre a necessidade de melhor capacitação dos dirigentes do país, como mecanismo capaz de evitar os apagões não apenas no sistema nacional de energia elétrica, mas em todos os setores da administração pública, que se ressente da falta de gerenciamento de qualidade e de visão de estadista preparado e consciente sobre as graves questões nacionais. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 03 de abril de 2013

quarta-feira, 3 de abril de 2013

Ferimento da dignidade pública

Com a posse da chave do Ministério dos Transportes, o PR se integra ao primeiro escalão do governo, de onde havia sido desembarcado após as denúncias de irregularidades atribuídas ao então titular desse órgão e atual presidente dessa agremiação. A mudança de ministro é apenas continuidade da estratégia iniciada com as trocas nos comandos dos ministérios do Trabalho e da Agricultura e da Secretaria de Aviação Civil, como parte das medidas planejadas com o objetivo de reforçar a base de apoio à presidente da República na campanha da sua reeleição. Em todos os casos, verifica-se mero afago e agrado aos partidos, com as nomeações de políticos sem as mínimas experiências ou especialização nas áreas das respectivas pastas, em escrachado e vexatório toma lá, dá cá, em que prevalece a troca de cargos públicos por apoio político, numa coalizão absolutamente indecente, com o explícito uso de recursos dos bestas dos contribuintes, respaldando as negociatas para beneficiar exclusivamente uma candidata à reeleição, que não se envergonha nem ao menos se ruboriza na direção e chancela de inominável ilicitude, e alguns partidos, que passam a comandar ministérios, com direito à nomeação de milhares de filiados, apaniguados e outros assemelhados sem qualificação nem necessidade de concursos públicos, porque os órgãos ocupados apenas continuam servindo de cabide de empregos, sem serventia à satisfação dos fins constitucionais e legais de atendimento aos interesses públicos, para os quais, em princípio, teriam sido instituídos. É lamentável que os órgãos da mais famosa Esplanada continuem servindo como principal moeda de troca no emergente mercado eleitoral, em que os princípios da honestidade, ética e moralidade são impiedosamente lançados para o espaço, fazendo com que políticos, há pouco tempo, considerados corruptos e expurgados do seio do governo sejam milagrosamente reabilitados como aliados preferenciais e acolhidos como se a tentativa de “faxina” nunca tivesse acontecido. É evidente que o comitê eleitoral, que vem funcionando no Palácio do Planalto, está apenas interessado na ocupação do espaço da televisão, para que seus adversários tenham menos oportunidade de aparecer na telinha, pois, no caso do PR, são acrescentados um minuto e 10 segundos ao cômputo do cobiçado horário eleitoral. A inescrupulosa ânsia de se manter no poder faz com que a presidente entenda que os presidentes do PTB e PR, que foram banidos do governo por denúncias de corrupção com recursos públicos, sejam vistos como pessoas que participaram de “malfeitos”, eufemismo que muito agrada aos envolvidos em falcatruas e irregularidades. Aliás, ao que se percebe, no dicionário petista, não existem os vocábulos corrupção, corrupto, irregularidade e congêneres, evidentemente quando os envolvidos são correligionários ou aliados políticos, que são autoimunes e infalíveis, mesmo que tenham participado de quadrilhas, a exemplo do famigerado mensalão, cujos réus foram condenados pela Excelsa Corte de Justiça, com penas de prisão e multa pecuniária, mas, para o PT, tudo não passou de mal entendido. Na verdade, as negociatas palacianas apenas sacramentam “célebre” pensamento do ex-presidente petista, que, alhures, disse que, se governasse o Brasil, Jesus Cristo "teria de se aliar a Judas". As alianças com partidos e personagens promíscuos, com finalidade apenas eleitoreira, muito se aproximam dessa estapafúrdia previsão, justamente porque elas afrontam a dignidade das funções públicas e os princípios clássicos de democracia. A sociedade tem o dever de repudiar a forma indigna da manipulação da máquina pública em proveito de políticos sem consciência quanto à essencialidade das funções do Estado e de exigir que sejam respeitados fielmente os princípios da legalidade, ética, probidade administrativa, moralidade, entre outros que não permitam a degeneração dos pilares fundamentais da democracia brasileira. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
                      
Brasília, em 02 de abril de 2013     

terça-feira, 2 de abril de 2013

Ausência de dignidade política

Dando continuidade à interminável tarefa destinada à acomodação dos partidos da coalizão no governo, o Palácio do Planalto substitui o titular do Ministério dos Transportes por um político filiado ao PR. O anúncio ocorreu logo após encontro da presidente da República com o presidente do PR, que foi ministro daquele órgão no início do governo, mas teve que se despedir do cargo após enxurrada de denúncias de corrupção contra ele, consistentes em suspeitas de direcionamento em licitações e superfaturamento em obras rodoviárias. Trata-se de mais um arranjo político, em que a presidente entrega um ministério ao PR, fazendo às pazes com seus caciques, que ficaram magoados com o afastamento do corrupto-mor da Esplanada. Com a definição do loteamento do aludido ministério, a presidente espera, agora, a reintegração do partido à base de sustentação do governo e ainda a garantia do tempo de televisão dele na sua campanha eleitoral de 2014. Esse gesto de “nobreza” do governo pretende evitar que a legenda migre para candidaturas de adversários políticos. A negociata de cargos do primeiro escalão do governo com os partidos aliados vem mostrando a firme disposição da presidente de reabilitar os políticos corruptos do seu governo, que foram obrigados a pedir exoneração dos cargos, em virtude de graves denúncias de atos irregulares, envolvendo justamente as pessoas com quem ela negocia e se reaproxima, como no caso dos presidentes do PTB e agora do PR, que voltam aos braços do governo prestigiados com o poder da força mágica do vergonhoso apoio político, representado também por algumas horas da televisão na campanha eleitoral, caracterizando o indecente, espúrio e abominável mercado política do toma lá, dá cá, de forma explícita e escancarada. Há que se notar que as mudanças não envolvem qualquer critério técnico-profissional e muito menos exigência da execução de políticas públicas específicas senão a simplista mediação de órgãos públicos importantes e estratégicos de governo em troca do vexaminoso apoio dos partidos, que, em muitos casos, se conciliam internamente com o atendimento das suas exigências. Se antes o Ministério dos Transportes, que tinha como titular um técnico conhecedor da pasta, estava emperrado na incompetência, por falta de ação capaz de fazer funcionar o sistema de transportes do país, representado pela decadência, pelo sucateamento da malha rodovia, existente ou má conservada, e pelo atraso nos seus complexos. Agora, a situação tende a se agravar ainda mais, com a sua direção por político de carreira, sem a indispensável experiência sobre o intrincado setor de extrema importância para o desenvolvimento do país. A presidente continua célere na estratégica jogada de boa discípula, no sentido de assegurar amplo apoio à sua reeleição, mediante desprezível e indigna troca da chave de importante órgão público. É muito provável que a indignidade do loteamento de ministérios e empresas estatais somente ocorra nas republiquetas das bananas, onde não há necessidade de serem cultuados os consagrados princípios democráticos da ideologia política, decência, honestidade e probidade administrativa. Nos países evoluídos, ao contrário, a prática despudorada do envolvimento de órgãos públicos como mercadoria, servindo de balcão de troca, jamais acontece, não somente por ser procedimento aviltante e antiético, por ferir os elementares princípios da democracia, pilares da dignidade e do respeito ao instituto da pureza da administração pública, onde deve repousar e sintetizar os princípios da moralidade e legitimidade da nação, símbolo máximo de um povo. A sociedade tem a obrigação de repudiar as práticas vis e deletérias da dignidade política e dos princípios construtores da democracia sadia e modeladora da decência e da moralidade, no caso dos conchavos espúrios, e exigir dos homens públicos desprendimento e desapego à satisfação de interesses pessoais no exercício de funções públicas, como forma de contribuir para o fortalecimento da moralização do sistema político e da dignidade do ser humano, em benefício das causas nacionais. Acorda, Brasil!  
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 1º de abril de 2013

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Deficiência gerencial do país


A campanha presidencial de 2014 já foi lançada, na prática. Alguns candidatos já estão trabalhando no sentido de conquistar o maior apoio dos políticos, a exemplo da presidente da República, que, sem o menor pudor e de forma escancarada, vem usando a máquina pública para ampliar a sua base de sustentação política com a entrega de ministérios aos partidos da coalizão formada pelo governo, em escandaloso e espúrio sistema antidemocrático, por contrariar os princípios do decoro e da moralidade. Enquanto os escândalos e a indecência são processados à vontade nos palácios, o país fica à mercê da incompetência do governo, que não implementa as medidas necessárias ao crescimento da nação, em especial as prementes reformas estruturais, como a tributária, econômica, previdenciária, administrativa, trabalhista, político-eleitoral e tantas outras que são indispensáveis ao sepultamento dos sistemas retrógrados, obsoletos, que vêm impedindo a tão almejada modernização das políticas e metas capazes de promover o soerguimento do progresso do país. No que se refere à oposição, o que se verifica é a indecisão e a disputa interna dos partidos, na tentativa da escolha da pessoa para representá-los no pleito presidencial. Tudo isso contribui para que a atuação ineficiente e desqualificada do governo passe ao largo, sem a devida fiscalização e muito menos cobrança quanto à necessidade de o país ser administrado com aptidão e dignidade, em harmonia com a sua grandeza econômica e potencialidade no contexto das nações, observados os princípios éticos e morais. Na verdade, a oposição vem demonstrando ser verdadeiro cabo eleitoral do governo, com o silêncio, a omissão e a leniência com as práticas espúrias e prejudicais ao país. Ela certamente seria notada e valorizada se cumprisse seu dever de apontar as indecências, as falcatruas e os desmandos do governo, que nada gerencia e muito menos tem iniciativa para orientar as políticas públicas, permitindo que as conquistas da economia escorram pelos ralos palacianos. A oposição não consegue criticar as incoerências e trapalhadas petistas, para que os fatos pudessem ser objeto de destaque junto à opinião pública, porque a mídia dificilmente seria tão credenciada quanto ela, que tem competência constitucional para apontar e divulgar os resultados pífios e as fragilidades dos amontoados órgãos públicos, que não funcionam por falta de coordenação e orientação quanto às medidas e projetos de interesse da nação. É difícil saber exatamente quem é mais incompetente nesta nação, se o governo ou a oposição. Aquele que nada faz de positivo em benefício do país e esta que é incapaz de mostrar as mazelas e de cobrar providências saneadoras. A oposição funcionaria de forma construtiva ao país se tivesse coragem e capacidade para apontar as falhas e deficiências do governo e exigir correção, em especial, agora, quando se abate sobre o país apagão logístico e de infraestrutura atingindo o sistema de transportes, consistindo na deficiente operação dos portos, na falta e no sucateamento das rodovias, na inexistência de transportes fluvial, ferroviário, aeroportuário e noutras deficiências capazes de possibilitar o escoamento da safra agrícola e a produção nacional, de forma mais abrangente, não somente para os portos, mas para o interior do país. O precário sistema de transportes tem o condão de encarecer o custo dos produtos e de onerar o bolso da população. Custa acreditar que, apesar dos avanços, das conquistas tecnológicas e do conhecimento humano, o país não se mobilize no sentido de solucionar com urgência não somente a questão crucial da falta de logística nos transportes, mas todas as deficiências nacionais, que vêm contribuindo para o subdesenvolvimento do Brasil. A sociedade tem o dever cívico e patriótico de exigir competência das autoridades públicas, no sentido de solucionar, com urgência, a falta de gerenciamento do país, ante o seu descompasso com a realidade brasileira, sob pena de a nação continuar submetida ao atraso crônico e à inadmissível penúria de iniciativas, que comprometem o seu desenvolvimento socioeconômico. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 31 de março de 2013

domingo, 31 de março de 2013

Mania equivocada de grandeza

Num dos seus muitos momentos de delírio, o ex-presidente da República petista, a par de criticar a imprensa durante uma das poucas cerimônias que tem participado ultimamente, se comparou ao ex-presidente norte-americano Abraham Lincoln, tendo afirmado que os dois apanharam bastante da imprensa. A sua inusitada e absurda comparação deve ser fruto do pouco conhecimento da vida do presidente americano, pois, segundo ele: “Esses dias eu estava lendo o livro do Lincoln. Eu fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln em 1860. Igualzinho bate em mim. E o coitado não tinha nem computador. Ele ia para telex (para responder)”. Na ocasião, o petista disse que a mídia não lhe dar espaço, mas nem por isso ele vive reclamando aos quatro cantos, porque “Eu agora quero reclamar o que falta eu fazer para ter o espaço que eu quero independentemente deles.”. A sua insatisfação ficou patenteada quando propôs a criação da sua mídia, ao afirmar: “Por que não começamos a organizar a nossa mídia? Ao invés de cada um ficar falando o que pensa, por que não tenta organizar um pensamento mais coletivo. Nós temos condição de fazer isso e o movimento vai precisar disso”. Ele também reclamou que os meios de comunicação não acompanham nem dão destaque aos movimentos sociais, ao enfatizar que “Neste país, esses formadores de opinião pública eram contra a campanha das diretas. Só foram para rua quando foram 300 mil pessoas para a Praça da Sé. Essa gente não era contra a derrubada do Collor também. Essa gente nunca quis que eu ganhasse as eleições. Nunca quis que Dilma ganhasse as eleições. Aliás, não gostam de gente progressista". Noutra passagem, o ex-presidente atribui seu sucesso à desaprovação que recebia da mídia, nestes termos: “Eu acho que a bronca que eles tinham de mim era o meu sucesso e, agora, é o sucesso da Dilma. Eles não admitem que uma mulher que veio de onde ela veio”. Em tom de deboche, como é do seu estilo político, ele afirmou que, face ao descrédito de que o Partido dos Trabalhadores ganharia espaço em Brasília, ele disse ter se mantido persistente. “Eles (adversários) não vão deixar, mas nós vamos chegar ao andar de cima. Nós chegamos e gostamos”. Desta vez, a alucinação do ex-presidente parece ter extrapolado os limites da racionalidade e do bom senso, para não se referir a uma grosseira infâmia, por ter a petulância de se comparar a Abraham Lincoln, que é considerado um dos maiores presidentes dos EUA de todos os tempos, por ter sido verdadeiro estadista, no sentido de respeitar e cumprir fielmente as funções essenciais do Estado. Um dos seus maiores feitos foi ter posto fim à escravidão no seu país, mesmo tendo sido combatido severamente até mesmo por sua esposa, ao lembrar-lhe que ele tinha imenso poder e era amado pela população, não podendo, por isso, aprovar uma medida tão impopular como a decretação do fim da escravidão. Apesar de a admoestação sobre a impopular medida, Lincoln a efetivou e, por essa e outras importantes atitudes de grande estadista, ele entrou para a história como um homem de visão, de princípios e de imensa coragem. Ao contrário de quem tem ideias apenas megalomaníacas, que poderá entrar para a história política, por ter sido o poderoso-chefão do maior esquema de corrupção da história do Brasil, cognominado mensalão, em que a famigerada quadrilha organizada e operacionalizada dentro do Palácio do Planalto, sede presidencial, desviava dinheiros dos cofres públicos para a compra de apoio de parlamentares no Congresso Nacional. Ele também passará para a história pelo estilo indigno de fazer política, tendo como principal escopo as coalizões espúrias, envolvendo o rateio de órgãos públicos e empresas estatais entre os partidos aliados da sua base de sustentação, em mera troca de apoio político, tendo por objetivo a perpetuação no poder, que foi alcançado, como ele afirma “chegamos e gostamos”. Ele deverá ser lembrado pela incompetência, por nada ter feito para o país e por ter turbinado o programa bolsa família, como forma de consolidar o populismo capaz de ser recompensado nos pleitos eleitorais, como sistema preferencial dos socialistas que distribuem renda para a pobreza, em sacrifício dos bestas dos contribuintes. Além disso, será lembrado por ter enriquecido no poder, exatamente com a proteção daqueles que se beneficiaram igualmente da máquina do Estado. A sociedade anseia por que os homens públicos se despertem da ridícula letargia que os leva a se comparar indevida e injustamente às personalidades mundiais, na tentativa de passar para o povo uma imagem inexistente e altamente prejudicial aos interesses do país. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 30 de março de 2013

sábado, 30 de março de 2013

Basta de mediocridade

Com a notória crise da economia mundial, afetando seriamente os mercados internacionais, as montadoras japonesas se interessaram pelo desenvolvimento de veículos cada vez mais eficientes, em termos de desempenho e economia de combustível, como forma de atrair a atenção dos consumidores, tendo como pressuposto o aproveitamento da evolução tecnológica. Uma marca japonesa já adiantou que desenvolve um compacto urbano que percorrerá até 40 km com apenas um litro de gasolina. Esse modelo deverá ser importado para o Brasil tão logo seja lançado e aprovado naquele país, com previsão de venda prometida para a segunda metade da década. A mesma marca esclareceu que não foi possível importar para o Brasil o híbrido ecológico, lançado e aprovado com sucesso noutros mercados mundiais, por não ter conseguido a obtenção de incentivos fiscais para carros “verdes”. A empresa informou que já começou a distribuir às concessionárias japonesas o pequeno carro “verde”, que funciona de forma híbrida, com motor elétrico auxiliar e tem autonomia de até 34,5 km com um litro de gasolina. Lá no Japão, o governo concedeu subsídios tributários, fazendo com que esse fantástico carrinho seja vendido por aproximadamente R$ 35 mil. Já há previsão de vendas desse veículo de 12 mil unidades mensais, que é pouco menor do que outro carro da mesma montadora, que também é híbrido e tem dimensões maiores. Vê-se que, nos países orientais, há verdadeira preocupação com a propalada escassez de petróleo, fazendo com que a competência dos governos abra mão de tributos, com a finalidade de incentivar a aplicação da tecnologia a serviço da humanidade e de contribuir para economizar o máximo possível o uso e a exploração dos recursos naturais, que, diante da irracionalidade econômica e mercadológica, caminham a passos céleres para a escassez, ante a maior gravidade de não se vislumbrar a imediata substituição da preciosidade mundial do petróleo. Causa espécie se verificar que a tecnologia está presente para facilitar a vida do homem e que ela é pródiga em mostrar que o seu aproveitamento só depende da capacidade racional dos mandatários do mundo. No caso da fabricação de veículos econômicos, a tecnologia já mostrou por inúmeras vezes que ela existe de forma eficiente e eficaz, mas infelizmente a insensibilidade gerencial dos homens públicos brasileiros não permite que haja pleno aproveitamento dos avanços e da modernização em benefício do povo. Nesse caso particular, há razões que envolvem investimentos nos setores empresariais das petrolíferas, inclusive nacionais, como a Petrobras, pressionando como verdadeira espécie de sabotagem nos bastidores governamentais, com o envolvimento de conflitos de interesses, no sentido de garantir que a comercialização de veículos fique restrita àqueles cujo consumo não possa ultrapassar à média de 15 km por litro.  Esse fato atende aos interesses empresariais, com o beneplácito oficial, em claro detrimento dos interesses da sociedade, por ficar impedida de usufruir dos benefícios da mais avançada tecnologia, em termos de economicidade, e de contribuir para a preservação do meio ambiente, com o uso de veículos considerados “verdes”, ou seja, ecologicamente recomendados para os novos tempos. Urge que a mentalidade estupidamente retrógrada das autoridades públicas se evolua com a devida racionalidade capaz de permitir que suas decisões possam beneficiar os brasileiros, levando-se em conta os princípios da economicidade e eficiência, em harmonia com as conquistas e o desenvolvimento da humanidade. Acorda, Brasil!
 
 
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 29 de março de 2013