sábado, 20 de abril de 2013

À procura da competência

Como medida fundamental à disputa da Presidência da República pelo PSDB, em 2014, o senador mineiro confirmou que irá disputar o comando nacional do seu partido, cuja eleição realizar-se-á no próximo mês. Em discurso de 30 minutos, para parlamentares da oposição e da base governista, na abertura da conferência nacional do PPS, o senador tucano fez duras críticas ao governo federal, mas se dirigiu ao governador de Pernambuco com palavras ponderadas e amigas, ao dizer que, como presidente da legenda, irá “acumular e aprofundar a relação com os partidos de oposição.” e “respeitar a possível candidatura do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB) para a Presidência, mas ressaltou acreditar que o PSB acabará apoiando o PSDB na eleição presidencial”. Ele concluiu dizendo que “Hoje eu respeito e acho importante a candidatura de Eduardo Campos, se ela se viabilizar. Mas lá na frente vamos convergir com muita naturalidade, porque pensamos de forma muito próxima”. Tal como faz a presidente da República, ele vem trabalhando para conquistar o apoio dos antigos aliados, como o DEM, ao afirmar: “Tenho muita convicção de que o DEM estará junto. Agora que estamos estruturando um projeto alternativo com reais condições de vencer, estaremos juntos mais que nunca.”. O senador foi enfático ao dizer que “Hoje nós, PSDB, PPS e obviamente outras legendas, temos a responsabilidade de falar diretamente e cada vez mais com a sociedade brasileira, mostrando e construindo alternativas. Faremos uma campanha permanente de oposição clara ao governo do PT. Para o Brasil, esse ciclo de governo do PT precisa e deve ser interrompido.”. Na oportunidade, o tucano aproveitou para criticar a gestão do país, dizendo que os patamares atuais de inflação ameaçam o Plano Real, que “Foi o maior instrumento de distribuição de renda, e é exatamente o Plano Real que está em risco. Há leniência do governo federal no controle inflacionário. Para a população que recebe até 2,5 vezes o salário mínimo, a inflação já ultrapassou 14%.”. Não deixa de ser estranho que, ainda tão distante do pleito eleitoral para presidente da República, faltando mais de ano, os políticos já pensem em lançar suas candidaturas, na tentativa de mostrar suas plataformas de governo. Contudo, em se tratando que os políticos preferiram, de forma precipitada, ignorar os ditames eleitorais, ao antecipar lances estratégicos para marcar posição entre os partidos políticos, na tentativa de demonstrar poderio uns sobre os outros, cumpre à sociedade avaliar se eles estão abusando e desrespeitando as regras democráticas. O curioso é que a oposição se aproveita do momento de instabilidade econômica, à vista da oscilação crescente da inflação, para acenar sobre a desconfiança da sociedade quanto à condução e aos rumos dos planos econômicos, inclusive com possiblidade de comprometer a instabilidade dos investimentos privados e de resto da produtividade e do desenvolvimento do país. Em que pese a inexplicável pressa no lançamento de candidaturas à Presidência da República, conviria que os postulantes também antecipassem suas plataformas de governo, com, pelo menos, a garantia de liquidar o espúrio fisiologismo, para salvar a pátria da incompetência e das negociatas com órgãos públicos; de promover reformas estruturais, como a tributaria, política, fiscal..., como instrumento capaz de colocar o país na seara da modernidade e no ritmo do progresso; de extinguir a corrupção na administração pública, fazendo observar os princípios éticos e morais no serviço público; de enxugar a máquina pública para, no máximo, 25 ministérios e colocar para dirigi-los pessoas qualificadas e competentes; e de adotar medidas prioritárias em atendimento ao interesse público. A sociedade anseia por que o país seja administrado com competência, tendo em conta o gerenciamento de programas de governo preparados com exclusividade para a satisfação dos interesses nacionais. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 19 de abril de 2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Sujeira na "Casa do Povo"

A Comissão de Ética da Câmara Legislativa do Distrito Federal decidiu abrir processo disciplinar contra um deputado que teria destinado verba, mediante emenda parlamentar, para seu reduto eleitoral, ou, ao que se pode presumir, seu beneficio, fato que constitui quebra do decoro. Dos cinco membros dessa comissão, quatro votaram pela abertura do processo. O político investigado teve seu mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Distrito Federal, em julho de 2011, em virtude de gastos ilícitos de campanha e arrecadação irregular de recursos. No entanto, logo no início de 2012, o Tribunal Superior Eleitoral reverteu a decisão em apreço, preservando o mandato do distrital. Como não poderia ser diferente, o deputado alega inocência e nega com veemência a inexistência de qualquer irregularidade quanto aos fatos cuja autoria lhe é atribuída. Na ocasião, o presidente da Comissão de Ética disse que teve acesso aos autos no Judiciário, compostos por mais de duas mil laudas, que tratam do julgamento do distrital a ser investigado por conduta ofensiva à atividade pública, tendo concluído que houve quebra do decoro pelo parlamentar. No seu entendimento, “Deputado tem que ser um exemplo para a sociedade” e “A sociedade quer uma resposta. É a imagem da Câmara que está em jogo.”. Nesse episódio, nem mesmo o mais otimista candango poderia sequer imaginar que a tão desacreditada “Casa do povo”, como é assim ali chamada, teria a dignidade de colocar um de seus poderosos membros no banco dos réus, para ser investigado sobre ato inquinado que outros distritais praticam com o mesmo ardil, se beneficiando normalmente de recursos públicos. No ensejo, seria de bom alvitre que a Presidência da Câmara Legislativa tivesse a relevante iniciativa de levantar não somente os casos similares aos que agora é objeto de apuração, mas as situações consideradas antiéticas e indecorosas, para que aquele órgão legislativo possa realmente ter o direito de ser denominado Casa do Povo, porque, nas condições como vem funcionando, o povo do Distrito Federal não se sente à vontade para considerá-la de sua casa, haja vista que o brasiliense decente não concorda com o inchamento do seu Quadro de Pessoal, com a exagerada existência de cargos em comissão e efetivos totalmente destorcido da realidade e incompatível com as necessidades funcionais, porquanto menos pessoal qualificado e preparado seria suficiente para desempenhar as funções essenciais de bem servir ao público, com devida eficiência. A sociedade também não concorda que, na sua casa, os distritais sejam remunerados com vencimentos, auxílios múltiplos, ajudas diversificadas, verbas de representação e outras tantas vantagens injustificáveis, principalmente se comparados à pouca produtividade em benefício da população distrital. A sociedade brasiliense aplaude a atitude positiva da investigação sobre atos irregulares, tendo em vista que, no passado recente, isso não seria possível devido ao indecente corporativismo que sempre rejeitava medidas similares, porque prevalecia o entendimento segundo o qual desonestidade na atividade política era sinônimo de normalidade. Urge que, em nome da dignidade e do decoro parlamentares, os atos considerados irregulares sejam investigados sem condescendência, para que os envolvidos possam ser exemplarmente penalizados, inclusive, se for o caso, com a perda do mandato eletivo, de modo que a punição sirva de motivo inibidor da prática deletéria da atividade pública e de atos espúrios e inescrupulosos. Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 18 de abril de 2013

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Os lençóis do poder

Conforme reportagem veiculada pelo jornal Folha de S. Paulo, o presidente da Câmara dos Deputados, em pouquíssimo tempo após a sua posse, não resistiu à pomposa promessa, apresentada no início da sua gestão, de recuperar a imagem do Legislativo e conter gastos, ao mandar instalar uma cobertura ao lado da piscina na sua residência oficial e adquirir roupas de cama de alto padrão, estas no montante de R$ 4 mil. Somente um jogo de lençol para casal custou a cifra de R$ 599,00, que corresponde ao preço de lençol 600 fios, toque acetinado e puro algodão. Como faz parte da praxe, sempre que autoridade assume cargo no alto escalão, nada mais importante do que satisfazer suas paixões mediante a realização das reformas no seu gabinete e na sua luxuosa mansão que ela faz jus. No caso, a mansão destinada ao parlamentar tem 800 metros quadrados de área útil, quatro quartos, escritório, sala de jantar, piscina etc. As reformas, as mudanças e o reequipamento das instalações sempre são promovidos logo imediatamente à sua ocupação, sendo considerados absolutamente necessários, tendo em vista que as despesas pertinentes são pagas pelos bestas dos cidadãos. Considerando a vasta experiência na vida política de Sua Excelência, com longa carreira de mais de quarenta anos de atividade congressista, sendo o mais antigo na Câmara, onde progrediu politicamente e construiu “modesto” império no setor de comunicações, esses gastos com reformas e reequipamento da residência funcional não devem passar de bobagem, justamente por serem atendidos pelos cofres públicos, que sempre têm sido costumeiro manancial para a satisfação das vontades, das mordomias e dos abusos dos políticos inescrupulosos, que ignoram os sadios princípios da economicidade que deveriam ser exigidos dos homens públicos. A atitude do parlamentar potiguar representa verdadeiro acinte à realidade do povo brasileiro, que recente de assistência médico-hospitalar, pela precariedade do atendimento à saúde púbica, sempre carente de recursos; de ensino de qualidade, ante a falta de investimentos na educação; de segurança pública, diante do descaso das autoridades quanto à deficiência reinante no conjunto policial; de infraestrutura, saneamento básico; e de tantas outras mazelas que se espraiam pelos brasis afora, exatamente por falta de recursos. Nada disso é levado em conta pelas autoridades públicas, que gastam com supérfluos e com arranjos dispensáveis, ante a insensibilidade quanto às necessidades básicas de muitos brasileiros. Além da notaria escassez de recursos para a execução de políticas públicas essenciais, que, por si só, já não justificaria a farra com dinheiro público, as atividades executadas pelos parlamentares ficam longe de corresponder aos altíssimos vencimentos, aos auxílios diversos, às verbas de representação, às ajudas abundantes e às demais mordomias, todos despendidos de forma desmedida, em razão de não produzirem o suficiente para o atendimento dos objetivos para os quais tenham sido eleitos, quais sejam, trabalhar com exclusividade para o benefício do país e da sociedade. Ainda conspira contra os deputados o foto de eles terem aprovado o seu comparecimento ao trabalho semanal somente de terça a quinta-feira, enquanto os demais servidores públicos são obrigados a trabalhar 40 horas semanais. A sociedade tem o dever cívico de repudiar o esbanjamento de recursos públicos pelos congressistas e exigir que eles primem pela austeridade na execução das despesas, que devem ser despendidas exclusivamente com as atividades essenciais do serviço público. Acorda, Brasil!

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 17 de abril de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Economia no grito


Ainda hoje, o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) deve decidir se mantém a taxa básica de juros (Selic) em 7,25% ou se vai alterar esse percentual para cima, que tem sido ferramenta apropriada para conter a inflação. Entretanto, a presidente da República já se antecipou, declarando que, se houver necessidade de serem elevados os juros, isso será feito em um "patamar bem menor", tendo em vista que o Brasil tem hoje uma "taxa de juros real bem baixa". A presidente afirmou que “Mantivemos a capacidade de buscar um maior equilíbrio entre as variáveis macroeconômicas, que é mudar o patamar de juros no Brasil. Nós jamais voltaremos a ter aqueles juros em que qualquer necessidade de mexida elevava os juros para 15% porque estava em 12% a taxa de juros real. Hoje, nós temos uma taxa de juros real bem baixa. Qualquer necessidade para combater a inflação será possível fazer em patamar bem menor”, tendo concluído: “Quero adentrar pela questão da inflação e dizer a vocês que a inflação foi uma conquista (sic) desses dez últimos anos do governo do presidente Lula e do meu governo. Que nós não negociaremos com a inflação. Nós não teremos o menor problema em atacá-la sistematicamente...”. No discurso, a presidente rebate o pessimismo especializado e de plantão, que nunca enxerga as conquistas do governo, preferindo achar que a catástrofe está próxima. Ela disse que estava otimista com o Brasil, por ter “... certeza que nós vamos colher aquilo que plantamos e plantamos muitas sementes e hoje aqui acabamos de plantar mais uma”. Quando a presidente afirma que não é necessário sacrificar o crescimento econômico para combater a inflação, ela despreza os princípios reguladores de mercado, por temer que os resultados econômicos não prejudiquem seus planos da reeleição. É inacreditável que, com a generalização dos preços nas nuvens, alguém continue aceitando, segundo anuncia o governo, a inflação de 6%. Não há dúvida de que o povo está sendo enganado, em nome dos interesses oficiais, que têm o poder de manipular, não somente os elementos e índices econômicos, mas os otários dos brasileiros, que são obrigados a aceitar inverdades, sem protestar, e muitos ainda têm a indignidade de aplaudir a incompetência palaciana, como se estivesse vivendo nos melhores dos mundos. Enquanto o povo sente-se feliz com as manobras exclusivamente politiqueiras, o governo se esbanja com os escassos recursos dos brasileiros com a manutenção da pesada e ineficiente maquina pública, que serve para acomodação dos partidos da base de sustentação do governo. Conforme evidencia a indignação da presidente da República, ante o crescimento da inflação, o governo brasileiro pretende segurá-la no grito, técnica diametralmente destoante das regras científicas que devem reger a economia. É muito estranho que a mandatária do país tente ditar o melhor procedimento a ser adotado para controlar o dragão da inflação, numa ingerência descabida e indevida nas áreas monetárias e econômicas, que devem exercer suas atribuições com base estritamente no desenrolar do mercado, sem contrariedade aos princípios racionais do gerenciamento eficiente. Porém, quando alguém diz que, se algo for necessário ser feito, vai ser realizado em grau bem menor, significa dizer que não será respeitado o entendimento das conclusões técnicas, mas sim executada a vontade de quem tem o poder, ferindo completamente as regras democráticas, naturalmente em detrimento dos interesses nacionais. Trata-se, sem dúvida, de medida desesperada e arbitrária de quem pensa apenas nos planos eleitoreiros, na defesa da perenidade no poder, como ideologia compatível com política paroquiana, pensando nas realizações pessoais, em desprezo às causas maiores da nação. Urge que as opiniões das equipes especializadas, que são capazes de aquilatar a verdadeira situação econômica, sejam plenamente respeitadas, com vistas à adoção das medidas apropriadas para os casos evidenciados e carentes de saneamento, em consonância com os interesses nacionais. Acorda, Brasil!
 

ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 

Brasília, em 17 de abril de 2013

terça-feira, 16 de abril de 2013

A economia maltratada

Na ebulição das discussões sobre as perspectivas para a inflação no ano, a presidente da República declarou enfaticamente que "Eu não concordo com políticas de combate à inflação que 'olhem' a questão do crescimento econômico, até porque temos uma contraprova dada pela realidade: tivemos um baixo crescimento no ano passado e um aumento da inflação, porque houve um choque de oferta devido à crise e fatores externos". O certo é que o governo tenta driblar as tenebrosas marés da economia, com medidas ineficazes, embora se metido numa verdadeira encruzilhada financeira. Diante das circunstâncias de mercado, ele precisa, num extremo, implementar medidas com vistas à retomada do crescimento do país, que teve pífio e inexpressivo desempenho de 0,9% no ano passado, mas, em contraposição, não pode perder o controle dos mecanismos de combate à inflação. Na verdade, muitas políticas fiscais e monetárias expansionistas, adotadas apenas em setores específicos, a exemplo da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados, no caso dos automóveis, e da taxa básica de juros, com a finalidade de turbinar o consumo e servir de impulso à retomada do crescimento, pode ter contribuído com efeito contrário aos planos de combate à inflação, deixando a equipe econômica batendo cabeças, à procura de solução menos traumática, como a inevitável alta dos juros. Parece muito engraçado o governo achar, embora em harmonia com a costumeira filosofia petista, que a inflação está sob controle, pois, para ele, há apenas alterações e flutuações conjunturais. Não obstante, a realidade mostra que a inflação se robustece e tenta fugir do controle das autoridades monetárias, que não enxergam outra medida senão promover a alta dos juros, em que pese tratar-se de medida impopular e indigesta para a presidente, por contrariar visceralmente sua defesa quanto à queda drástica dos juros. Só que o governo sofre pressão dos mercados para segurar a inflação, mediante o inevitável reajuste dos juros para cima, sob pena de dificultar a manutenção dos preços em patamar estável, fato que seria desastroso para a campanha da reeleição da presidente, que vem sustentando sua credibilidade com mais força no pilar do controle inflacionário, mas há sério risco de que seu descontrole possibilite real sabotagem ao tão sonhado crescimento econômico. Só o governo não percebe que pouco investimento em obras públicas, em obras fundamentais ao desenvolvimento, a exemplo das ferrovias, dos portos, das estradas e de outros grandes empreendimentos, com o objetivo de facilitar o desempenho da produção e do crescimento do país, ao invés de gastos desmedidos em atividades do Estado, com a manutenção da máquina pública pesada, com quase 40 ministérios, muitos dos quais totalmente dispensáveis e outros tantos ineficientes, que servem apenas de cabide de empregos, resulta fatalmente em enormes dificuldades para o desempenho da economia, que ainda se juntam aos gargalos impostos pelo terrível custo Brasil, que impossibilita aberturas para a competitividade da produção nacional. Enquanto perdurar a incompetência governamental, resistente à promoção das indispensáveis reformas estruturais, como a fiscal, econômica, tributária, administrativa, previdenciária, entre outras, o país continuará andando para trás, com crescimento ridículo, acanhado e decepcionante, incompatível com as suas potencialidades econômicas, posicionadas na sexta do mundo. A forma intranquila como a presidente vem se manifestando, quando se refere aos fatores econômicos, em especial inflação e taxas básicas de juros, transparece que ela se encontra incomodada, na busca de saídas mágicas, como se uma vara de condão fosse capaz de driblar a incompetência da equipe palaciana. Urge que o país seja administrado por pessoas qualificadas e especializadas nas áreas estratégicas de governo, para que as medidas econômicas sejam revestidas de racionalidade de eficiência.  Acorda, Brasil!
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 15 de abril de 2013

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Mumificação gerencial

É muito estranho que o governo reconheça a precariedade do sistema penitenciário brasileiro, mas de forma irresponsável nada faz para corrigir as falhas, quando deveria implementar mecanismos suficientes e capazes para mudar essa incômoda e vexatória situação. Bastaria vontade política e destinação de recursos para promover a humanização nos cárceres brasileiros.  Veja-se o que disse o ministro da Justiça sobre essa questão: "Temos uma situação carcerária no Brasil que, vamos ser sinceros, temos verdadeiras escolas de criminalidade em muitos presídios brasileiros. Há exceções, mas temos situações carcerárias que faz com que certos presos lá adentrem e, em vez de saírem de lá recuperados, saem vinculados a organizações criminosas. Toda essa situação tem que ser cuidadosamente pensada e analisada".  Por sua vez, enquanto o país é tomado pela violência, ele se posiciona contra a diminuição da maioridade penal, sob o argumento de a redução ser inconstitucional. Na verdade, a crise é crônica e profunda, tendo abrangência sobre os sistemas penal e carcerário, que passam por total defasagem em relação à realidade e a modernidade da humanidade, ficando a ano-luz dos avanços e dos conhecimentos científicos e tecnológicos. A patente falência desses sistemas vem contribuindo para o crescimento da violência e criminalidade, que são fortalecidas em consequência da inércia das autoridades, que, de maneira irresponsável, se acomodam sob o manto da incompetência, ficando observando a distância o acontecimento das tragédias ao talante da bandidagem, cômoda e impune. Os Poderes Executivo e Legislativo permanecem impassíveis, na maior tranquilidade, não esboçando qualquer medida tendente à atualização e modernização da legislação penal e à melhoria das condições carcerárias, com o objetivo de salvar o país do inadmissível atraso e do vexame de ostentar os piores conceitos sobre legislação penal e sistema carcerário, responsáveis pelo incremento da criminalidade, que vem causando intranquilidade e infortúnio à sociedade, tão castigada pela incapacidade gerencial dos seus representantes constituídos com os votos e mantidos com os pesados e injustificáveis tributos. A população precisa reagir com urgência, mostrando ao governo e aos congressistas a premente necessidade de mudança dessa patética situação de calamidade pública, ante o domínio dos criminosos sobre as pessoas de bem, cuja situação é assistida passivamente por quem tem a competência constitucional e legal para protegê-las. A cristalina inaptidão demonstrada pelas autoridades, por nada fazer em favor da sociedade, ganha maior significância nas declarações de alguns ministros, que afirmaram ser mera ilusão a mudança da legislação para minimizar a criminalidade, ou seja, quanto pior a situação dessa chaga, menos preocupa e sensibiliza o governo, que permanece imobilizado, mumificado, nos palácios, com total segurança e proteção, à custa do cidadão. Não obstante, o padecimento só aumenta para a sociedade, que continua desamparada e desprotegida, em razão do descaso, da incompetência e da alienação das autoridades, quanto à falta de atenção para a crucial questão envolvendo a vitalidade das pessoas, massacradas diante da inexistência de legislação rígida, capaz de punir e inibir a banalização das barbáries. As autoridades deveriam primar pela salvaguarda da população e adequada punição aos delinquentes, sem ser importada a sua idade, mas sim o grau da maldade, do dano, contra seu semelhante, ou seja, a penalidade deve ser em razão do delito e não da idade, porque o resultado pedagógico é preciso que seja duro e exemplar, como forma de inibir e evitar a triste menção de que o crime compensa. A sociedade anseia por que os homens públicos sejam sensibilizados com urgência sobre a real importância da vida das pessoas e da sua tranquilidade e a necessidade da criação de medidas capazes de exterminar ou, ao menos, amenizar a agressividade da violência. Acorda, Brasil!  
 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES
 
Brasília, em 14 de abril de 2013

domingo, 14 de abril de 2013

As reais intenções socialistas


Nos últimos dias, a Venezuela passou por momentos de verdadeira comoção nacional, com o precoce desaparecimento do mandatário do país, como se o povo tivesse perdido seu eterno salvador e única pessoa capaz de governar o país. Em nome do socialismo político, o ex-presidente venezuelano conseguiu conquistar a confiança do povo do seu país, com a distribuição de renda proveniente da exploração do petróleo à população de extrema carência, como forma de angariar a sua confiança, em termos de popularidade em nome de um governo preocupado com as causas sociais das pessoas carentes e desassistidas. Seu intento foi totalmente confirmado, com o quase absoluto domínio dessa população, que passou a sobreviver sob as políticas assistencialistas e populistas, não importando as nefastas consequências das desastradas medidas paternalistas do Estado, tendo como consequência o aumento do desemprego, da produtividade e da violência, em decorrência da vadiagem e da falta de ocupação da massa populacional beneficiada. Mas o mais preocupante de tudo isso é o legado desse importante político Sul-americano, que passa para a história com tanta fama de generosidade para com os necessitados, como se sua bondade tivesse como alvo principal a pobreza do seu país, quando, em contraposição a tanta bondade, os fatos revelam outro ângulo assombroso do seu passado político, basicamente associado ao uso da máquina pública e ao enriquecimento pessoal, de familiares e de amigos, mediante a apropriação de recursos públicos, conforme noticia mensagem que circula na internet, mostrando a pujança e ostentação de riqueza e de abusos com dinheiros públicos, contrariando as medidas assistencialistas e socialistas, tendo por alvo o amparo e a proteção às classes necessitadas. A mensagem mostra fotos de familiares do ex-presidente em diversas poses comprometedoras da imagem do idolatrado político. Familiares do ex-presidente usam relógios e joias em ouro e diamantes, estimados em valores elevadíssimos. Era natural a exposição de familiares com hábitos extravagantes em restaurantes exóticos e caríssimos. Registravam-se de familiares em passeios com destino a Disney, Nova York, Paris e lugares turísticos. Mansões e casas de luxo eram usadas por familiares. Os familiares usavam, sem escrúpulos, veículos, helicópteros e aeronaves do Estado, que ficavam à sua disposição, a todo instante, para viagens de compras no exterior, participação em torneios de beisebol e outras atividades esportivas, lazer em shows artísticos e de cantores famosos e outros eventos estranhos às atividades públicas, tendo apoios logísticos e financeiros à custa do Estado. Todos familiares tinham imunidade diplomática nos seus passaportes. Em nome da “democracia” socialista bolivariana, os familiares e companheiros do ex-presidente tinham a liberdade de esbanjar do bom e do especial sob os auspícios e à custa dos cofres públicos, sem restrição, mas em nome da revolução que nunca se encerra, porque seus objetivos são bem claros, com assistencialismo concentrado na massa popular carente e maciças campanhas publicitárias enaltecendo a figura populista do mandatário, com direito a fazer uso livremente do dinheiro público para esbanjamentos sociais e até enriquecimento dos “sofridos” revolucionários. Não há qualquer novidade, consoante mostra a história política, com bastante prodigalidade, que os revolucionários morrem literalmente pela pátria, em defesa de importante causa, em especial pela perpetuação no poder, onde tem a garantia do usufruto das benesses ilimitadas e sempre recheadas de escândalos, como a possiblidade de enriquecimento ilícito. A humanidade precisa se conscientizar sobre as reais vocações dos políticos defensores do socialismo, onde suas conquistas são sempre sobrelevadas em nome da sutil e habilidosa defesa da sociedade carente, sofrida e subjugada, quando existem, por trás disso, reais práticas espúrias e ilícitas, notadamente com a perenidade no poder e a abusiva corrupção com recursos públicos, com o usufruto da casta dominante.

 
ANTONIO ADALMIR FERNANDES


Brasília, em 13 de abril de 2013